Verbos Impessoais: o que São e Como Identificar na Prova

Verbos Impessoais: o que São e Como Identificar na Prova
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 24/10 às 00h

O verbo "haver" no sentido de existir nunca vai para o plural, mesmo quando o que existe está no plural, e esse é um dos pontos de concordância verbal que mais derruba candidato em prova de concurso.

Verbos impessoais são aqueles que não têm sujeito e, por isso, ficam travados na terceira pessoa do singular, mesmo quando a ideia ao redor deles está no plural. "Haver" (existir, tempo decorrido) e "fazer" (fenômeno da natureza, tempo decorrido) são os dois principais, e errar a concordância deles é falha clássica de prova.

Infográfico com os principais verbos impessoais e a regra de concordância
Guia rápido dos verbos impessoais mais cobrados em concurso.
Neste guia você vai ver:

O que são verbos impessoais?

Segundo a Universidade Federal de Lavras, verbos impessoais são aqueles que não admitem sujeito e, por essa razão, ficam sempre flexionados na terceira pessoa do singular. Não existe "coisa" nem "pessoa" praticando a ação desses verbos: eles descrevem um fato, um fenômeno ou a passagem do tempo, sem agente definido.

Isso é diferente de uma oração com sujeito oculto ou de uma oração sem sujeito por outro motivo, como as de formas nominais do verbo. No verbo impessoal, a ausência de sujeito é a própria regra, e a concordância correta depende de reconhecer esse detalhe antes de aplicar a regra geral de concordância verbal.

Esse ponto costuma passar despercebido justamente porque, na fala do dia a dia, muita gente já flexiona "haver" e "fazer" no plural sem perceber o erro, o que torna a forma errada familiar ao ouvido. Por isso, o treino com questão comentada é mais eficiente do que só memorizar a regra em texto corrido: o cérebro precisa reconhecer o padrão errado antes de corrigi-lo de forma automática na prova.

Quais são os principais verbos impessoais?

Haver no sentido de existir ou de tempo decorrido.

Exemplo: "Há duas cadeiras vagas no plenário da câmara." Mesmo com "cadeiras" no plural, o verbo "haver" fica no singular, porque ele não concorda com "cadeiras": ele é impessoal. O mesmo vale para tempo decorrido, como em "há dez dias o edital foi publicado".

Fazer em fenômenos da natureza e em tempo decorrido.

Exemplo: "Faz dez anos que o concurso não é realizado naquele órgão." "Fazer" nesse sentido também não tem sujeito, então nunca varia para o plural, mesmo quando o período citado parece pedir isso. A mesma regra vale para "faz muito frio" ou "faz décadas".

Existir, que não é impessoal e concorda normalmente.

Exemplo: "Existem muitas vagas abertas para nível médio." Esse é o contraste que a banca mais adora cobrar: "existir" tem sujeito e concorda com ele no plural, enquanto "haver" no mesmo sentido ficaria "há muitas vagas", sempre no singular.

Bastar e ser, em expressões de tempo, distância ou preço.

Exemplo: "Já são dez horas e a prova ainda não começou." Em expressões de horário, data e distância, "ser" concorda com o numeral que vem depois, não é regra de verbo impessoal propriamente, mas costuma aparecer misturada nas mesmas questões.

Como funciona a concordância em locução verbal?

Quando "haver" ou "fazer" impessoais entram numa locução verbal, o verbo auxiliar também fica na terceira pessoa do singular, porque é o verbo impessoal que manda na concordância, não o auxiliar.

Tabela comparativa: impessoal x locução x verbo existir
ConstruçãoForma corretaErro comum
Haver impessoalDeve haver vagas no edital.Devem haver vagas no edital.
Fazer impessoalVai fazer dez anos do concurso.Vão fazer dez anos do concurso.
Existir (tem sujeito)Devem existir vagas reservadas.Deve existir vagas reservadas.
Locução com dois auxiliaresPode haver recurso ao resultado.Podem haver recursos ao resultado.

Essa tabela resolve boa parte das pegadinhas de concordância verbal envolvendo locução, porque o erro quase sempre aparece justamente no verbo auxiliar, que o candidato tenta concordar com a palavra no plural que vem depois.

Como a banca cobra os verbos impessoais?

A questão abaixo é adaptada, no estilo Cebraspe de certo ou errado, construída para ilustrar o formato mais comum de cobrança desse tema, sem atribuição a uma prova real.

Questão adaptada (estilo Cebraspe): "Julgue o item. Na frase 'devem haver, no mínimo, duzentas vagas reservadas para o cargo de nível médio', a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão".

Gabarito comentado: ERRADO. "Haver" no sentido de existir é verbo impessoal e, mesmo em locução, obriga o auxiliar a ficar no singular: o certo é "deve haver, no mínimo, duzentas vagas reservadas". O erro nasce de concordar o auxiliar com "vagas", que é apenas o complemento, nunca o sujeito, porque sujeito nesse tipo de oração não existe.

A banca FCC costuma cobrar o mesmo ponto em questões sobre expressões invariáveis, misturando "haja vista" e "em que pese" na mesma frase que traz "deve haver", para testar se o candidato aplica a regra certa em cada verbo.

Segunda questão adaptada (estilo FGV, múltipla escolha): Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão. a) Fazem dez anos que o concurso não é realizado. b) Faz dez anos que o concurso não é realizado. c) Existe muitas vagas para o cargo de analista. d) Devem haver critérios claros no edital.

Gabarito comentado: alternativa B. "Fazer", no sentido de tempo decorrido, é impessoal e fica sempre no singular, então "faz dez anos" é a única forma correta. A alternativa A erra ao flexionar "fazer" para o plural; a C erra porque "existir" concorda com "vagas" e deveria ser "existem"; a D repete o erro clássico de "devem haver" em vez de "deve haver".

Quais são os erros mais comuns de concordância?

  • Concordar "haver" impessoal com o substantivo seguinte. É o erro mais comum: "haviam muitos candidatos" em vez de "havia muitos candidatos".
  • Esquecer o impessoal dentro de locução verbal. "Devem haver vagas" em vez de "deve haver vagas", porque o auxiliar herda a impessoalidade do verbo principal.
  • Confundir "haver" com "existir". Só "existir" concorda normalmente com o sujeito; trocar um pelo outro sem ajustar a concordância gera erro imediato.
  • Tratar "fazer" temporal como verbo pessoal comum. "Fazem dez anos" em vez de "faz dez anos" é o mesmo erro do "haver", só que no verbo "fazer".
  • Misturar a regra de "ser" em horário com a de verbo impessoal. São regras parecidas na superfície, mas de natureza diferente, e a banca gosta de testar as duas na mesma questão.
  • Ignorar o contexto de fenômeno da natureza. "Choveram muito" em vez de "choveu muito" é erro recorrente em questões sobre classes de palavras e concordância conjunta.

Esse ponto aparece junto com outras regras de concordância?

Sim, e é comum a mesma questão misturar verbo impessoal com concordância nominal, pedindo para o candidato apontar os dois erros de uma vez. Também aparece ao lado de silepse, porque os dois temas tratam de concordância fora do padrão mais simples de sujeito e verbo, e a banca gosta de testar se o candidato sabe diferenciar uma regra da outra.

Outra combinação frequente é verbo impessoal com verbos defectivos, já que ambos tratam de limitações de conjugação, embora por motivos diferentes: um por não ter sujeito, o outro por não ter forma em certas pessoas. Revisar os dois juntos, com apoio de crase e ortografia oficial, cobre boa parte do que cai numa prova de revisão textual completa.

Resumo rápido dos verbos impessoais:

  • Haver (existir ou tempo decorrido): sempre no singular, mesmo com plural ao lado.
  • Fazer (fenômeno da natureza ou tempo decorrido): sempre no singular, mesma lógica do "haver".
  • Existir: não é impessoal, concorda normalmente com o sujeito no plural.
  • Em locução verbal, o auxiliar segue a impessoalidade do verbo principal: "deve haver", nunca "devem haver".
  • O macete de prova é perguntar "quem existe" ou "quem faz": se não houver resposta possível, o verbo é impessoal e fica no singular.
  • O mesmo raciocínio ajuda a resolver dúvidas de regência verbal em verbos que também mudam de sentido conforme o contexto.

Perguntas frequentes sobre verbos impessoais:

Todo verbo que fala de tempo é impessoal?

Não necessariamente. "Haver" e "fazer" são impessoais quando indicam tempo decorrido ou existência, mas outros verbos de tempo, como "durar", têm sujeito normal e concordam com ele.

Por que "existir" não segue a mesma regra de "haver"?

Porque "existir" tem sujeito próprio, que é exatamente aquilo que existe, enquanto "haver" no sentido de existência não tem sujeito nenhum: a diferença está na estrutura da oração, não só no significado parecido.

O verbo impessoal muda em locução com mais de dois verbos?

Não. Toda a cadeia de auxiliares segue o verbo impessoal e permanece no singular, mesmo em locuções longas, como "poderia ter que haver" em contextos mais formais.

Essa regra vale só para prova de português ou aparece em redação também?

Vale para as duas. Em redação discursiva, o erro de concordância com verbo impessoal é descontado como erro gramatical e pode custar pontos na nota final, além de comprometer a coesão do texto.

Existe algum truque rápido para não esquecer a regra na prova?

Sim. Pergunte sempre "quem haveria" ou "quem faria" essa ação: se a resposta não existir, o verbo é impessoal e o auxiliar fica no singular, independentemente do que vier depois dele na frase.

Pronto para eliminar esse erro de concordância da sua prova?

Verbos impessoais, concordância verbal e pontos invariáveis da língua aparecem juntos na maioria das provas de português, e o jeito mais rápido de fixar a regra é resolver questão comentada com explicação passo a passo, que é o formato das aulas de português do Portal Concursos, com banco de questões próprio e revisão de pontos próximos da gramática. Conheça o curso de português do Portal Concursos e confira o conteúdo completo de Dicas de Português.

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