Crase para concurso: as regras que mais caem e um teste de três segundos para acertar

Crase para concurso: as regras que mais caem e um teste de três segundos para acertar
Agente de Artigos Redação

Leia rápido: "Entreguei o relatório à diretora". Soou natural? Pois falta um acento ali, e é justamente essa sensação de naturalidade que faz a crase render tantos pontos para as bancas. A frase correta é "Entreguei o relatório à diretora", porque quem entrega, entrega algo a alguém, e "à diretora" já traz o artigo feminino.

Esse raciocínio, preposição mais artigo, resolve a maior parte das questões. O resto é conhecer os casos proibidos, os facultativos e as locuções. Vamos por partes.

O que é crase, afinal?

Crase é a fusão de duas vogais "a" iguais, quase sempre a preposição "a" exigida por um verbo ou nome com o artigo feminino "a" que acompanha a palavra seguinte. O acento grave (à) é o sinal gráfico que indica essa fusão. Sem as duas peças presentes ao mesmo tempo, não existe crase.

Por isso a pergunta que resolve a questão tem duas metades: a palavra anterior pede a preposição "a"? A palavra seguinte aceita o artigo "a"? Se as duas respostas forem sim, use o acento.

Como saber se tem crase: os testes práticos.

Nenhum candidato tem tempo de fazer análise sintática completa em cada alternativa. Por isso existem três testes de substituição que levam segundos.

Teste 1: troque a palavra feminina por uma masculina.

Se aparecer "ao", havia crase. "Fui à reunião" vira "Fui ao encontro". "Conheci à diretora" vira "Conheci o diretor", sem "ao", então não há crase. Esse é o teste que resolve a maioria das questões de múltipla escolha.

Teste 2: para nomes de lugar, use o verbo voltar.

"Volto da Bahia" mostra que Bahia aceita artigo, logo "Vou à Bahia". "Volto de Curitiba" mostra que Curitiba não aceita, logo "Vou a Curitiba". A rima que muitos professores usam resume: "vou a, volto da, crase há; vou a, volto de, crase pra quê?".

Teste 3: para horas, troque por "meio-dia".

"À reunião começa às 14h" vira "À reunião começa ao meio-dia", então há crase. "Aguardamos desde as 14h" vira "Aguardamos desde o meio-dia", sem "ao", então não há crase, porque a preposição ali é "desde".

Quando a crase é obrigatória?

Além do encontro de preposição com artigo, há casos em que o acento aparece de forma regular e a banca cobra quase sempre do mesmo jeito.

CasoExemplo correto
Horas determinadasO expediente termina às 18h.
Locuções adverbiais femininasSaiu às pressas; estudou à noite; ficou à vontade.
Locuções prepositivasFicou à espera do resultado; sentou-se à frente da mesa.
Locuções conjuntivasÀ medida que estudava, errava menos.
Expressão "à moda de", mesmo ocultaPediu um bife à milanesa; escreveu à Machado de Assis.
Pronomes demonstrativos "aquele(s)", "aquela(s)", "aquilo" após preposição "a"Referiu-se àquele edital; não dei atenção àquilo.
Pronome relativo "à qual", "as quais" com verbo que pede preposiçãoA prova à qual me refiro foi anulada.

O caso dos demonstrativos merece atenção especial: "aquele" é masculino e mesmo assim leva acento, porque a crase aqui é a fusão da preposição com o "a" inicial do pronome. Faça o teste: "Referiu-se a este edital" mostra que há preposição, então "àquele" está certo.

Quando a crase é proibida?

Não há crase antes de palavra masculina, antes de verbo, antes da maioria dos pronomes (pessoais, de tratamento, indefinidos e demonstrativos como "esta" e "essa"), entre palavras repetidas e antes de "a" no singular seguido de palavra no plural. Em todos esses casos falta o artigo feminino, então a fusão não acontece.

  • Antes de masculino: "Andou a cavalo", "Pagamento a prazo".
  • Antes de verbo: "Começou a estudar", "Está disposto a recorrer".
  • Antes de pronome pessoal e de tratamento: "Entreguei a ela", "Solicito a Vossa Senhoria". As exceções são "senhora", "senhorita" e "dona" em alguns contextos, que aceitam artigo: "Entreguei à senhora".
  • Entre palavras repetidas: "cara a cara", "gota a gota", "frente a frente".
  • Com "a" singular diante de plural: "Não fui a festas neste mês". Se houver "as" no plural, aí sim há crase: "Não fui às festas da empresa".
  • Antes de numeral cardinal que não indica hora: "O número de inscritos chegou a duas mil pessoas".
  • Antes de nomes de cidade sem determinante: "Viajou a Brasília". Com determinante, muda: "Viajou à Brasília dos anos 60".

Quando a crase é facultativa?

Três situações permitem usar ou não o acento, e as bancas adoram pedir para você marcar a alternativa em que a retirada do acento "mantém a correção gramatical".

  1. Antes de nome próprio feminino de pessoa: "Entreguei o livro à Mariana" ou "à Mariana". O artigo antes de nome de pessoa é opcional no português do Brasil.
  2. Antes de pronome possessivo feminino no singular: "Referiu-se à sua proposta" ou "à sua proposta". Novamente, o artigo é opcional.
  3. Depois da preposição "até": "Caminhou até à praia" ou "até à praia". A forma sem acento é mais comum no Brasil.

Cuidado com o possessivo no plural. "Fiz críticas às suas ideias" e "Fiz críticas a suas ideias" são ambas possíveis, mas a banca pode cobrar a concordância entre artigo e substantivo: "a suas ideias" (sem artigo) ou "às suas ideias" (com artigo no plural). O que não existe é "à suas ideias".

Quais são as pegadinhas de crase mais comuns nas provas?

Quem resolve muitas questões de crase percebe que as bancas repetem o mesmo repertório de armadilhas. Estas são as mais frequentes:

  • "À distância". Sem especificação, a norma tradicional recomenda "ensino à distância", sem acento. Com especificação, o acento aparece: "ficou à distância de dez metros". Algumas gramáticas aceitam o acento também no primeiro caso por clareza, então leia o enunciado para ver qual posição a banca adota.
  • "Terra" e "casa". Terra no sentido de terra firme, oposta a bordo, não leva crase: "Os marinheiros desceram a terra". Casa no sentido de lar, sem determinante, também não: "Voltei à casa cedo". Com determinante, ambos aceitam: "Voltei à casa dos meus pais".
  • Verbos com regência dupla. "Assistir" no sentido de ver pede preposição: "Assisti à audiência pública". No sentido de dar assistência, não: "O médico assistiu a paciente". Regência é o outro lado da crase, e vale ler o conteúdo de português para concurso para ver como os dois temas aparecem juntos.
  • "Às vezes" e "as vezes". A locução adverbial, com sentido de "de vez em quando", leva acento: "Às vezes erro a regência". Como substantivo com artigo, não: "Contei as vezes em que errei".
  • Locução com palavra implícita. "Comprei sapatos à Luís XV" tem crase porque equivale a "à moda de Luís XV". A banca esconde a palavra "moda" de propósito.

Como as bancas costumam cobrar crase?

O formato muda de uma examinadora para outra, e reconhecer o formato economiza tempo na prova. Algumas bancas apresentam quatro ou cinco frases e pedem a única correta. Outras reescrevem um trecho do texto de apoio e perguntam se a retirada do acento prejudica a correção. Em provas de certo ou errado, a afirmação costuma dizer que "o emprego do acento grave é facultativo" em determinado ponto, e o candidato precisa saber se aquele caso está entre os três facultativos. Se o seu concurso usa esse formato, o guia sobre a prova de certo ou errado ajuda a calibrar a estratégia.

Um padrão aparece em quase todas as bancas: a questão de crase raramente é isolada. Ela vem misturada com regência verbal e nominal, porque a crase depende da preposição, e a preposição depende da regência. Por isso, quem domina os verbos de regência mais cobrados (assistir, aspirar, visar, obedecer, preferir, chegar, ir) resolve crase com muito mais segurança.

Como estudar crase de forma eficiente?

Crase é conteúdo de retorno rápido. Em uma semana bem feita, dá para sair do "chuto e torço" para a segurança de marcar a alternativa sem hesitar. Um roteiro que funciona:

  1. Dia 1: estude a regra básica e os três testes de substituição. Resolva 20 questões simples só com o teste do masculino.
  2. Dia 2: casos proibidos. Resolva 20 questões e anote cada erro com o nome da regra que você esqueceu.
  3. Dia 3: casos facultativos e locuções. Mais 20 questões, de preferência da sua banca.
  4. Dia 4: regência dos verbos mais cobrados, porque ela sustenta a crase.
  5. Dia 5: simulado de 30 questões misturando crase e regência.
  6. Dias seguintes: revise os erros anotados em intervalos crescentes, até eles pararem de aparecer.

Esse modelo de estudar resolvendo e registrando erros é o mesmo que funciona em qualquer matéria. Se quiser aprofundar a técnica, leia como estudar por questões.

Crase também conta pontos na redação e na discursiva.

Muita gente trata crase como assunto exclusivo da prova objetiva, e perde nota onde menos espera. Nas provas discursivas e de redação, a correção gramatical costuma ter peso próprio na grade de avaliação, e o acento grave é um dos desvios que o corretor enxerga primeiro, porque salta aos olhos numa linha escrita à mão.

Os deslizes mais frequentes nos textos de candidatos seguem um padrão. O primeiro é colocar acento antes de verbo, como em "passou à estudar", quase sempre por excesso de zelo. O segundo é esquecer o acento nas locuções que o próprio candidato usa para organizar o texto: "à medida que", "à luz de", "à exceção de". O terceiro é a confusão entre "a partir de", que nunca leva acento, e "à parte", que leva.

Uma estratégia simples reduz o problema: ao revisar a redação, procure cada "a" isolado e aplique o teste do masculino em segundos. Parece lento, mas numa folha de 30 linhas raramente há mais de oito ou dez ocorrências, e cada acerto protege pontos que custaram horas de estudo. Se quiser entender como o corretor desconta esses desvios, vale ler o guia de redação para concurso, com estrutura e critérios de correção.

Crase para concurso em cinco frases: você acertaria?

Faça o teste antes de olhar as respostas.

  1. O candidato chegou a prova com antecedência.
  2. Ele se referiu à sua aprovação com orgulho.
  3. A partir de amanhã, o edital estará disponível.
  4. O recurso foi enviado à comissão organizadora.
  5. Começou a revisar a matéria as 5h.

Respostas: (1) "chegou à prova", porque quem chega, chega a algum lugar, e "a prova" tem artigo; (2) facultativo, "à sua" ou "à sua"; (3) sem crase, porque "partir" é verbo; (4) "à comissão", pelo teste do masculino ("ao comitê"); (5) "às 5h", porque é hora determinada.

Como o Portal Concursos ajuda você a dominar crase?

O que separa quem acerta crase de quem erra não é saber a regra, é ter visto a pegadinha antes. No Portal Concursos, as aulas ao vivo de português trazem questões reais comentadas, o banco de questões permite filtrar crase pela banca do seu concurso e os simulados mostram se o acerto se mantém sob pressão de tempo. Quando aparece aquela frase que parece exceção de tudo, o suporte individualizado explica o caso específico, sem você precisar esperar a próxima aula.

Perguntas frequentes:

Qual é a regra básica da crase?

Há crase quando a palavra anterior exige a preposição a e a palavra seguinte aceita o artigo feminino a. A fusão das duas vogais é marcada pelo acento grave. Se faltar uma das duas peças, não há crase.

Como saber se tem crase de forma rápida?

Troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, havia crase. Para lugares, use o verbo voltar: se disser volto da, há crase; se disser volto de, não há.

Tem crase antes de verbo?

Não. Verbo não aceita artigo feminino, então não há fusão. Por isso se escreve começou a estudar, voltou a revisar e está disposto a recorrer, sempre sem acento.

Quando a crase é facultativa?

Em três casos: antes de nome próprio feminino de pessoa, antes de pronome possessivo feminino no singular e depois da preposição até. Nesses contextos o artigo é opcional, então o acento também é.

Tem crase antes de horas?

Sim, quando indica hora determinada, como em às 14h. Se houver outra preposição antes, como desde ou para, não há crase, porque a preposição a não aparece.

Ensino à distância tem crase?

A norma tradicional recomenda ensino à distância, sem acento, quando à distância não é especificada. Com especificação, como à distância de dez metros, o acento é usado.

Tem crase antes de aquele e aquela?

Sim, quando a palavra anterior exige a preposição a. A preposição se funde com o a inicial do pronome: referiu-se àquele edital, dedicou-se àquela tarefa.

Por que a crase aparece junto com regência nas provas?

Porque a crase depende da preposição, e a preposição é determinada pela regência do verbo ou do nome. Quem domina a regência dos verbos mais cobrados acerta crase com mais facilidade.

Crase se aprende errando cedo, não no dia da prova. No Portal Concursos você resolve questões de crase filtradas pela sua banca, assiste a aulas ao vivo de português e conta com suporte individualizado quando uma frase não encaixa em nenhuma regra. Veja os cursos direcionados para o seu concurso.

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