Uma questão sobre silepse decidiu parte da nota de quem disputou o concurso de secretário escolar da Prefeitura de Fortaleza em 2025, e o erro mais comum entre os candidatos foi confundir a figura de linguagem com um simples erro de concordância.
Silepse é a concordância que segue a ideia presente na frase, e não a palavra escrita visivelmente nela. Ela se divide em três tipos, de pessoa, de número e de gênero, e as bancas cobram justamente a capacidade de reconhecer cada um deles em um texto real.

Sumário:
- O que é silepse?
- Quais são os tipos de silepse?
- Silepse é erro de concordância ou figura de linguagem?
- Mais exemplos de silepse para fixar os três tipos.
- Como a banca cobra silepse na prova?
- Erros mais comuns ao identificar silepse.
- Resumo: silepse em uma tabela.
- Perguntas frequentes sobre silepse.
- Pronto para transformar figuras de linguagem em pontos garantidos?
O que é silepse?
Silepse é a concordância verbal, nominal ou de gênero que acompanha uma ideia subentendida na frase, e não a forma gramatical da palavra que está escrita. Por isso a concordância verbal tradicional exige que o verbo combine com o sujeito tal como ele aparece na frase, enquanto a silepse aceita que o verbo combine com o que o sujeito representa na cabeça de quem escreve. É justamente por seguir uma lógica própria, chamada de concordância ideológica, que a silepse nunca é tratada como erro de português, e sim como recurso previsto pela própria gramática normativa.
Quais são os tipos de silepse?
Silepse de pessoa: a concordância com quem fala.
Ocorre quando o verbo concorda com a pessoa que fala ou escreve, mesmo que o sujeito da frase esteja gramaticalmente na terceira pessoa. Exemplo clássico: "os brasileiros somos um povo receptivo", frase em que o sujeito "os brasileiros" pede, pela forma, a terceira pessoa do plural, mas o verbo vai para a primeira pessoa porque quem fala se inclui no grupo mencionado.
Silepse de número: a concordância com a ideia de conjunto.
Ocorre quando um sujeito coletivo, escrito no singular, é seguido por um verbo no plural, porque a ideia de vários elementos pesa mais do que a forma singular da palavra. Exemplo: "o povo saiu às ruas e gritavam por justiça", frase em que povo, substantivo singular, concorda no plural porque representa uma multiplicidade de pessoas.
Silepse de gênero: a concordância com o sentido, não com a palavra.
Ocorre quando o adjetivo concorda com a ideia que a palavra representa, e não com o gênero gramatical dela. Exemplo: "São Paulo é generoso com quem chega sem nada", frase em que São Paulo recebe adjetivo no masculino porque a ideia subentendida é "o estado", mesmo que "a cidade" seja um substantivo de gênero feminino.
Silepse é erro de concordância ou figura de linguagem?
A diferença entre as duas coisas decide se a banca vai marcar a frase como certa ou como errada, por isso a tabela a seguir resume o critério.
| Situação | Classificação | Por que |
|---|---|---|
| Verbo concorda com a ideia de um sujeito coletivo ou oculto. | Silepse, correta. | A concordância ideológica é prevista pela própria norma-padrão. |
| Verbo deixa de concordar com o sujeito sem seguir nenhuma ideia implícita. | Erro de concordância. | Não há sujeito coletivo, pessoa oculta ou gênero subentendido que justifique a troca. |
| Adjetivo concorda com o sentido de um nome próprio ou coletivo. | Silepse de gênero, correta. | A concordância segue a classe do referente, não a palavra escrita. |
Esse mesmo cuidado de separar o que é regra prevista do que é desvio aparece também na concordância nominal cobrada em concurso, em que nem toda variação de gênero ou número é considerada erro.
Mais exemplos de silepse para fixar os três tipos.
Quanto mais frases diferentes o candidato analisar, mais fácil fica reconhecer a figura sob pressão na hora da prova. Veja mais situações, organizadas pelo tipo de silepse:
- "Vossa Excelência está preocupado com a segurança pública", frase em que o pronome de tratamento pede a terceira pessoa, mas o adjetivo concorda com o gênero de quem efetivamente é interlocutor, uma silepse de gênero.
- "A maioria dos servidores concordaram com a nova escala", frase em que o sujeito maioria, singular, é seguido por verbo no plural por causa da ideia de vários servidores, uma silepse de número.
- "Nós, professores, lutamos por salários melhores", exemplo em que o aposto explica quem está incluído na primeira pessoa do plural, reforçando a silepse de pessoa já marcada pelo pronome nós.
- "O Brasil é conhecido por sua hospitalidade com estrangeiros", frase em que o nome do país recebe concordância no masculino pela ideia de "o país", mesmo quando o substantivo correspondente, "a nação", seria gramaticalmente feminino.
Esse exercício de identificar o sujeito real por trás da palavra escrita também ajuda em outras questões de sintaxe, como as que envolvem orações reduzidas e a distinção entre homônimos e parônimos, temas em que a banca também testa a capacidade de ir além da forma visível da palavra.
Como a banca cobra silepse na prova?
A questão a seguir é real, verificada diretamente no documento oficial de resposta a recursos divulgado pelo órgão responsável pelo concurso.
Questão real. Concurso da Prefeitura de Fortaleza (CE), Edital nº 214/2025, para o cargo em comissão de secretário escolar, organizado pelo Instituto Municipal de Desenvolvimento de Recursos Humanos, o IMPARH. A questão trouxe o trecho oficial da fórmula de promulgação de leis: "O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei". O comando pedia: tendo em vista os preceitos que regulam a sintaxe de concordância verbal, no trecho citado observa-se a concordância siléptica, ou seja, a silepse de: (A) grau; (B) pessoa; (C) gênero; (D) número.
Gabarito oficial: alternativa B, silepse de pessoa. Segundo o parecer oficial de resposta a recursos do Edital 214/2025, o sujeito do verbo fazer é o termo "o Presidente da República", que corresponde gramaticalmente à terceira pessoa do singular, mas a forma verbal "faço" está flexionada na primeira pessoa do singular, o que caracteriza a silepse de pessoa. O exemplo é recorrente em manuais de português jurídico porque a fórmula de promulgação de leis brasileiras, usada desde a Constituição de 1988, sempre flexiona o verbo na primeira pessoa, já que quem assina a lei fala em nome próprio, mesmo representando um cargo que é, por definição, de terceira pessoa.
Erros mais comuns ao identificar silepse.
Estes são os deslizes que mais custam pontos em questões desse tipo:
- Achar que toda concordância diferente da esperada é erro de português, quando na verdade pode ser silepse correta.
- Confundir silepse com concordância ideológica em geral, sem saber apontar qual dos três tipos, pessoa, número ou gênero, está em jogo na frase.
- Tentar "corrigir" a frase mudando o verbo para concordar com a palavra escrita, quando o comando da questão pede o reconhecimento da figura, e não a correção do texto.
- Tratar nomes de cidades, estados e empresas sempre pelo gênero gramatical da palavra, sem considerar a ideia subentendida que pode mudar a concordância do adjetivo.
- Não revisar as formas nominais do verbo ao lado da concordância, já que um gerúndio ou um participio mal concordado costuma aparecer na mesma questão que testa silepse, aumentando a chance de confundir os dois pontos.
- Memorizar apenas o exemplo clássico do povo que grita e não perceber variações com sujeitos como a maioria, o grupo, a equipe e a torcida, que seguem a mesma lógica.
- Ignorar que a silepse também aparece misturada a outras figuras, como sinônimos e antônimos dentro do mesmo texto, o que exige ler a questão com atenção a mais de um fenômeno ao mesmo tempo.
Resumo: silepse em uma tabela.
Guarde esta síntese antes de seguir para o próximo tópico de português.
| Tipo | O que concorda | Exemplo |
|---|---|---|
| Silepse de pessoa. | Verbo com quem fala, não com o sujeito gramatical. | Os brasileiros somos receptivos. |
| Silepse de número. | Verbo no plural com sujeito coletivo singular. | O povo gritavam por justiça. |
| Silepse de gênero. | Adjetivo com a ideia subentendida, não com a palavra escrita. | São Paulo é generoso. |
Essa mesma lógica de olhar para o sentido antes da forma aparece em outras figuras de linguagem cobradas em concurso e também nos vícios de linguagem, que, ao contrário da silepse, são sempre considerados desvio a ser evitado no texto.
Perguntas frequentes sobre silepse.
Silepse é a mesma coisa que erro de concordância?
Não. A silepse segue uma ideia implícita na frase e é prevista pela norma-padrão, enquanto o erro de concordância não tem nenhuma justificativa de sentido por trás da troca.
Como reconhecer silepse de pessoa rapidamente?
Verifique se o sujeito está na terceira pessoa, mas o verbo aparece na primeira ou na segunda pessoa, sinal de que quem fala se inclui ou se dirige diretamente ao grupo mencionado.
Toda frase com sujeito coletivo tem silepse de número?
Não. A silepse de número só acontece quando o verbo realmente muda para o plural por causa da ideia de conjunto, já que a concordância no singular com um sujeito coletivo também está correta e é, inclusive, a opção mais comum.
Silepse aparece em textos oficiais e jurídicos?
Sim, como mostra o próprio exemplo da fórmula de promulgação de leis, em que o verbo faço acompanha quem assina a lei, e não o cargo de Presidente da República mencionado na frase.
Silepse é conteúdo de nível médio ou de nível superior?
Aparece em concursos de qualquer nível de escolaridade, porque o tema costuma ser cobrado como reconhecimento de figura dentro de um texto, e não como regra que exige formação jurídica ou técnica específica.
Pronto para transformar figuras de linguagem em pontos garantidos?
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