Homônimos e parônimos: o que cai na prova de concurso

Homônimos e parônimos: o que cai na prova de concurso
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 06/10 às 16h

Três palavras quase idênticas, sessão, seção e cessão, podem aparecer no mesmo edital, e a banca cobra qual delas cabe em cada frase.

Homônimos e parônimos são palavras que se parecem no som ou na escrita e têm significados diferentes. Homônimos coincidem na pronúncia, na grafia ou nas duas coisas. Parônimos apenas se aproximam, sem coincidir. Em prova, a cobrança é quase sempre de substituição: a banca troca uma pela outra e pergunta se o sentido continua correto.

Infográfico com os pares de homônimos e parônimos que mais caem na prova de concurso
Os pares de maior incidência em prova, reunidos em um cartão de revisão.

Atualizado em 6 de outubro de 2026.

O que são homônimos e parônimos?

Homônimos são palavras com a mesma pronúncia, a mesma grafia ou ambas, e sentidos distintos. Parônimos são palavras parecidas, mas não iguais, que se distinguem por uma letra ou uma sílaba. A diferença prática é esta: no homônimo a coincidência é total em algum aspecto, no parônimo ela é apenas aproximada.

O assunto entra no bloco de semântica da prova de Língua Portuguesa e costuma dividir espaço com figuras de linguagem e coesão e coerência. É conteúdo de memorização, o que é uma boa notícia: não há regra a interpretar, há pares a conhecer.

Homônimos homógrafos.

Têm a mesma escrita e pronúncia diferente. O exemplo clássico é colher, com o e fechado quando é o utensílio e aberto quando é o verbo. Também entram aí gosto, substantivo e verbo, e sede, que muda de som conforme signifique vontade de beber ou lugar onde a instituição funciona.

Homônimos homófonos.

Têm o mesmo som e escrita diferente. É o grupo mais cobrado, porque a prova é escrita e a escolha da grafia revela se o candidato entendeu o sentido. Concerto e conserto, acento e assento, cela e sela, censo e senso estão todos aqui.

Homônimos perfeitos.

Coincidem na escrita e no som, e só o contexto desfaz a ambiguidade. Manga pode ser a fruta ou a parte da camisa. Cedo pode ser advérbio de tempo ou primeira pessoa do verbo ceder. Rio é o curso de água e também é verbo rir conjugado.

Os homônimos que mais caem na prova:

A tabela abaixo reúne os pares homófonos de maior incidência. Leia uma vez por semana até a dupla soar automática.

PalavraSignificadoExemplo de uso
SessãoReunião, período de trabalho de um órgãoA sessão do tribunal foi suspensa
SeçãoDivisão, repartição, setorProcure a seção de protocolo
CessãoAto de ceder, transferirA cessão do servidor foi autorizada
ConcertoEspetáculo musical, acordoO concerto começa às 20h
ConsertoReparo, arrumaçãoO conserto do veículo saiu caro
AcentoSinal gráfico, tonicidadeA palavra leva acento agudo
AssentoLugar para sentarO assento estava reservado
CensoRecenseamento, contagem oficialO censo apontou crescimento
SensoJuízo, discernimentoFaltou bom senso na decisão
CelaCubículo, cômodo pequenoO preso voltou para a cela
SelaArreio do cavalo, verbo selarEle ajustou a sela do animal

Note que sessão, seção e cessão formam um trio, não um par. É o conjunto que aparece com mais frequência em questão de nível médio, e também em peça de análise sintática quando a banca quer confundir sujeito e complemento.

Os parônimos que mais caem na prova:

Parônimo é terreno de pegadinha fina, porque a diferença é de uma letra e o erro passa batido na leitura rápida. Esta segunda tabela é a que mais rende acerto imediato.

ParPrimeiro sentidoSegundo sentido
Iminente e eminenteIminente: que está por acontecerEminente: ilustre, elevado
Infringir e infligirInfringir: violar normaInfligir: aplicar pena
Discriminar e descriminarDiscriminar: distinguir ou segregarDescriminar: retirar o caráter de crime
Deferir e diferirDeferir: conceder, atenderDiferir: adiar ou ser diferente
Ratificar e retificarRatificar: confirmarRetificar: corrigir
Emigrar e imigrarEmigrar: sair do paísImigrar: entrar no país
Flagrante e fragranteFlagrante: evidente, em atoFragrante: perfumado
Tráfego e tráficoTráfego: movimento de veículosTráfico: comércio ilícito
Descrição e discriçãoDescrição: ato de descreverDiscrição: reserva, prudência
Comprido e cumpridoComprido: longoCumprido: realizado
Acender e ascenderAcender: pôr fogo, ligarAscender: subir, progredir
Cavaleiro e cavalheiroCavaleiro: quem monta a cavaloCavalheiro: homem cortês

As duplas preferidas das bancas.

Entre todos os pares, cinco concentram a maior parte das questões. Vale conhecer o raciocínio por trás de cada um, e não apenas o significado solto.

Ratificar e retificar.

Ratificar vem de ratus, confirmado. Retificar vem de rectus, reto, corrigido. Quando o edital é retificado, algo foi corrigido nele. Quando uma decisão é ratificada, ela foi confirmada. Essa dupla aparece muito porque o candidato convive com os dois termos no dia a dia do concurso, inclusive ao acompanhar o prazo de validade do concurso.

Infringir e infligir.

Infringir é quebrar uma regra, com o r de regra ajudando na memória. Infligir é impor um castigo, e quem inflige é quem tem poder para punir. Em prova de legislação a troca é frequente: o servidor infringe o dever e a administração lhe inflige a penalidade.

Deferir e diferir.

Deferir é conceder, atender ao pedido. Diferir é adiar ou ser diferente. Um recurso deferido foi aceito, e isso importa diretamente para quem acompanha o resultado de um pedido de inscrição ou de isenção.

Discriminar e descriminar.

Discriminar tem dois sentidos possíveis, o neutro de distinguir e o negativo de segregar. Descriminar, com s e c trocados de ordem, significa deixar de considerar crime. O contexto resolve, e a banca costuma oferecer frase jurídica para forçar a escolha.

Iminente e eminente.

Iminente é o que está prestes a ocorrer, com o i remetendo a imediato. Eminente é quem ocupa posição alta, como o eminente jurista. Perigo iminente, autoridade eminente: a colocação muda tudo.

Emigrar e imigrar.

Emigrar é sair do próprio país, e o e inicial ajuda, como em êxodo. Imigrar é entrar em país estrangeiro, com o i de ingresso. A mesma pessoa emigra do Brasil e imigra em Portugal, no mesmo deslocamento, e a banca gosta de montar a frase justamente assim para ver quem troca os verbos.

Tráfego e tráfico.

Tráfego é o movimento de veículos, pessoas ou dados. Tráfico é o comércio ilegal. Em concurso de carreira policial e de agente de trânsito os dois termos convivem no mesmo edital, o que torna a distinção obrigatória para quem presta essas provas.

Descrição e discrição.

Descrição vem de descrever, e é o relato detalhado de algo. Discrição vem de discreto, e é a qualidade de quem age com reserva. O investigador faz a descrição do suspeito e age com discrição durante a diligência: a frase inteira cabe em uma questão de interpretação.

Como a banca cobra esse conteúdo?

A cobrança vem em três formatos: substituição de palavra no texto, preenchimento de lacuna e julgamento de item como certo ou errado. O terceiro é o mais perigoso, porque a frase inteira pode estar correta e o erro ficar escondido em um único parônimo.

Veja um item no estilo certo ou errado, do tipo que aparece em prova de nível médio:

Na frase "o servidor foi punido por ter infringido o artigo 117 do estatuto", a forma verbal está empregada corretamente.

O item está errado, e por dois motivos. A palavra correta seria infringido, porque o servidor violou o artigo, e não aplicou pena a ninguém. Além do sentido, a grafia apresentada no enunciado nem existe no português: a forma do verbo infligir é infligido, sem o n extra. Quando o enunciado traz uma palavra que você não reconhece, desconfie da grafia antes de discutir o sentido.

Na prova discursiva o peso é outro. O corretor desconta por grafia incorreta, e um parônimo trocado em texto de redação oficial costuma ser penalizado duas vezes: na nota de língua e na de conteúdo, porque muda o que a frase afirma. Escrever que a administração infringiu a penalidade inverte quem violou e quem puniu, e nenhuma banca deixa passar isso.

Treinar com questões da sua banca é o que consolida esse conteúdo. Use o banco de questões para identificar os pares favoritos do examinador e os flashcards para fixar os significados, que é exatamente o tipo de memória que a revisão espaçada protege.

Os erros que mais tiram ponto.

  • Escrever "seção de julgamento" quando se trata de reunião. O correto é sessão.
  • Usar "ratificar o edital" para dizer que o documento foi corrigido. Corrigir é retificar.
  • Trocar iminente por eminente em "perigo iminente". Perigo não é ilustre.
  • Confundir emigrar e imigrar na mesma frase, invertendo quem sai e quem entra.
  • Aplicar "descriminar" com sentido de discriminar preços ou valores. Aqui o verbo é discriminar.
  • Escrever "tráfico de veículos" para falar de trânsito intenso. Trânsito é tráfego.
  • Assumir que homônimo perfeito tem grafia diferente. Ele coincide em som e em escrita.

Anotar cada troca em um caderno de erros vale mais do que reler a tabela. O erro que você cometeu tem endereço na memória; o acerto alheio não.

Resumo para revisar na véspera:

  • Homônimo: coincidência total em som, grafia ou ambos.
  • Parônimo: semelhança parcial, diferença de uma letra ou sílaba.
  • Homógrafos: mesma escrita, som diferente, como colher e colher.
  • Homófonos: mesmo som, escrita diferente, como cela e sela.
  • Perfeitos: som e escrita iguais, como manga e manga.
  • Trio obrigatório: sessão de reunião, seção de setor, cessão de ceder.
  • Ratificar confirma, retificar corrige.
  • Infringir viola, infligir aplica pena.
  • Deferir concede, diferir adia.

Esse conteúdo se encaixa bem logo depois de acentuação gráfica no seu cronograma, porque ambos exigem memória visual da palavra. Na sequência, vale revisar concordância nominal, concordância verbal, regência verbal, transitividade verbal, colocação pronominal, orações subordinadas e pronomes de tratamento, que fecham o bloco de gramática mais cobrado.

Para conferir grafia e significado em fonte de referência, o Manual de Redação da Presidência da República traz a norma usada nos documentos oficiais e é a base de muitas questões de redação oficial.

Perguntas frequentes:

Qual a diferença entre homônimo e parônimo?

Homônimos coincidem totalmente em algum aspecto, som, grafia ou os dois, com sentidos diferentes. Parônimos apenas se parecem, separados por uma letra ou sílaba. Cela e sela são homônimos homófonos; iminente e eminente são parônimos.

Sessão, seção ou cessão: qual usar?

Sessão é reunião ou período de trabalho, como a sessão de julgamento. Seção é divisão ou setor, como a seção de recursos humanos. Cessão é o ato de ceder algo, como a cessão de um servidor para outro órgão.

Como memorizar os parônimos sem decorar lista enorme?

Associe cada palavra a uma frase curta do seu dia de estudo, em vez de guardar o significado isolado. Edital retificado, recurso deferido, perigo iminente: três frases prontas valem mais do que doze definições. Depois confirme em questões, que é onde a memória vira acerto.

Homônimos e parônimos caem em prova de nível médio?

Caem, e com frequência. Em cargos de nível médio o conteúdo aparece em questão direta de significado ou de preenchimento de lacuna. Em nível superior ele costuma vir embutido em interpretação de texto ou na prova discursiva, onde a troca custa ponto de correção.

Leve essas tabelas para dentro da questão.

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