Transitividade verbal: o que cai na prova de concurso?

Transitividade verbal: o que cai na prova de concurso?
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 02/10 às 19h

Transitividade verbal quase nunca aparece com esse nome no edital. Ela se esconde dentro de regência, crase, voz passiva e colocação pronominal, e um deslize só na classificação do verbo derruba as quatro questões de uma vez.

Transitividade verbal é a relação entre o verbo e o complemento de que ele precisa para completar o sentido. O verbo pode ser intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto ou de ligação. Para classificar, pergunte ao verbo o quê e a quem, e observe se a resposta exige preposição.

Infográfico com os cinco tipos de verbo quanto à transitividade verbal em concurso
Os cinco tipos de verbo e a pergunta que revela cada um.

O que você vai encontrar neste guia:

O que é transitividade verbal?

Transitividade verbal é a propriedade que indica se o verbo precisa ou não de um complemento para que a oração faça sentido completo. Quando alguém diz apenas "o candidato entregou", a frase fica suspensa: entregou o quê? Esse buraco é a transitividade falando.

O assunto pertence à sintaxe do período simples, e não à morfologia. Isso muda o modo de estudar. Em morfologia você classifica a palavra isolada; em sintaxe, só a frase inteira revela a função. O mesmo verbo muda de classificação conforme o contexto, e é justamente aí que as provas armam a pegadinha.

Antes de avançar, vale firmar a base de análise sintática que o tema exige. Se os conceitos de sujeito, predicado e complemento ainda escorregam, comece pelo panorama de o quê mais cai de português em concurso e volte para cá.

Os cinco tipos de verbo quanto à transitividade:

A classificação tem cinco posições. Cada uma responde a uma pergunta diferente, e decorar as siglas sem entender a pergunta é o caminho mais rápido para errar.

Verbo intransitivo (VI).

Não precisa de complemento. O sentido se fecha no próprio verbo, embora possa vir acompanhado de adjunto adverbial. Em "o concurso acabou ontem", o verbo não pede objeto, e "ontem" é apenas circunstância de tempo. Nascer, morrer, chegar, ir e dormir costumam aparecer nesse grupo.

Verbo transitivo direto (VTD).

Pede complemento sem preposição obrigatória. É o objeto direto. Em "a banca anulou a questão", pergunte "anulou o quê" e a resposta vem limpa, sem preposição nenhuma. Verbos como fazer, comprar, ver, amar e estudar costumam cair nesse padrão.

Verbo transitivo indireto (VTI).

Pede complemento introduzido por preposição. É o objeto indireto. Em "o candidato recorreu da nota", a pergunta é "recorreu de quê", e a preposição "de" vem grudada no complemento. Gostar, precisar, obedecer, assistir no sentido de ver e aspirar no sentido de desejar entram aqui.

Verbo transitivo direto e indireto (VTDI).

Pede dois complementos ao mesmo tempo, um sem preposição e outro com preposição. Em "a comissão entregou o resultado aos aprovados", temos objeto direto ("o resultado") e objeto indireto ("aos aprovados"). Dar, oferecer, pedir, informar e comunicar vivem nesse grupo.

Verbo de ligação (VL).

Não indica ação, e sim estado ou mudança de estado. Ele liga o sujeito a uma característica, chamada predicativo do sujeito. Em "o edital está retificado", nada é feito: apenas se atribui um estado ao edital. Ser, estar, permanecer, continuar, ficar, parecer e andar assumem esse papel com frequência.

Como identificar a transitividade em duas perguntas?

O método mais rápido tem duas etapas. Primeiro, isole o verbo e pergunte a ele "o quê" ou "quem". Se houver resposta sem preposição, existe objeto direto. Depois, pergunte "de quê", "a quem", "em quê", "com quem". Se houver resposta com preposição exigida pelo verbo, existe objeto indireto.

A tabela abaixo reúne o roteiro completo, com exemplos que você pode levar para a revisão.

Tipo

Pergunta que revela

Exemplo

Complemento

Intransitivo

Nenhuma pergunta tem resposta

O prazo venceu.

Nenhum

Transitivo direto

O quê? Quem?

A banca divulgou o gabarito.

Objeto direto

Transitivo indireto

De quê? A quem? Em quê?

O aprovado precisa de laudo.

Objeto indireto

Transitivo direto e indireto

O quê, e a quem?

O órgão enviou o aviso ao candidato.

Os dois objetos

De ligação

O sujeito é ou está como?

A prova pareceu longa.

Predicativo do sujeito

Um cuidado prático: a preposição precisa ser exigida pelo verbo, e não trazida por um adjunto. Em "o candidato estudou na biblioteca", "na biblioteca" indica lugar, é adjunto adverbial, e o verbo continua transitivo direto quando houver objeto. Confundir adjunto com objeto indireto é o erro número um nesse tema, e ele reaparece nas questões de interpretação de texto quando o enunciado pede a função sintática de um trecho destacado.

Objeto direto, objeto indireto e os pronomes oblíquos.

Depois de classificar o verbo, a prova quase sempre pede a substituição do complemento por pronome. É aqui que a transitividade vira ponto ou vira erro. Os pronomes oblíquos átonos se dividem com clareza entre as duas funções.

Pronome

Função

Exemplo

o, a, os, as

Objeto direto

Entregou o documento, entregou-o.

lhe, lhes

Objeto indireto

Obedeceu ao chefe, obedeceu-lhe.

me, te, se, nos, vos

Objeto direto ou indireto

Avisou-me, respondeu-me.

A consequência prática é imediata. Se o verbo é transitivo direto, trocar o complemento por "lhe" está errado. "Assisti o filme" aceita "assisti-o", mas "assisti ao jogo" só aceita "assisti a ele". Esse detalhe cai sozinho, porque a banca primeiro exige a função e só depois a posição do pronome.

Há ainda os casos especiais que vivem em prova. O objeto direto preposicionado aparece quando a preposição não é exigida pelo verbo, e sim usada por ênfase ou clareza, como em "amar a Deus". Já o objeto indireto pleonástico repete o complemento para reforço, como em "a mim, ninguém me engana".

Transitividade e regência: onde as duas se encontram.

Transitividade e regência verbal são o mesmo assunto visto de dois ângulos. A transitividade diz se o verbo pede complemento; a regência diz qual preposição esse complemento exige. Por isso quem domina um tema anda muito mais rápido no outro.

O exemplo clássico é "visar". Com o sentido de mirar ou de pôr visto, é transitivo direto: o fiscal visou o documento. Com o sentido de ter como objetivo, é transitivo indireto e exige a preposição "a": o candidato visa à aprovação. Trocar a regência muda o sentido e invalida a alternativa.

O mesmo vale para "aspirar", "proceder", "implicar", "chamar" e "custar". Vale estudar a lista completa no guia de regência verbal e os verbos que a banca mais cobra, porque a prova costuma apresentar um par de frases e pedir qual delas está correta.

E tem um efeito colateral que muita gente ignora: a crase depende da regência, que depende da transitividade. Só existe crase quando o verbo exige a preposição "a" e o termo seguinte admite o artigo "a". Se o verbo é transitivo direto, não há preposição, e portanto não há crase. Quem quiser fechar esse ciclo encontra o detalhamento em crase para concurso.

Como as bancas cobram transitividade verbal?

A cobrança quase nunca vem no formato "classifique o verbo". Ela vem embutida. As formulações mais comuns pedem a função sintática de um termo destacado no texto, a possibilidade de transposição para a voz passiva, a substituição do complemento por pronome ou a correção de uma reescrita proposta.

A transposição para a voz passiva é um teste poderoso, e ele funciona como atalho de classificação: só verbo transitivo direto, ou direto e indireto, aceita voz passiva analítica. Se a reescrita na passiva funciona, o verbo tinha objeto direto. Se não funciona, não tinha.

Bancas de estilo discursivo, como as analisadas no perfil da FGV e no perfil da Vunesp, costumam apresentar o verbo dentro de um texto longo, o que obriga a leitura atenta do contexto. Já perfis mais objetivos, como o descrito no guia da FCC e no da Quadrix, tendem a cobrar o verbo isolado em frase curta.

Exercício resolvido no estilo das bancas.

Leia o trecho: "A comissão comunicou aos candidatos a nova data da prova." Classifique o verbo destacado e indique a função dos termos sublinhados.

Resolução: pergunte ao verbo "comunicou o quê" e a resposta é "a nova data da prova", sem preposição, logo objeto direto. Pergunte "comunicou a quem" e a resposta é "aos candidatos", com preposição exigida, logo objeto indireto. O verbo é transitivo direto e indireto.

Consequência da classificação: a frase aceita voz passiva analítica, porque existe objeto direto. A reescrita correta é "a nova data da prova foi comunicada aos candidatos pela comissão". Note que o objeto indireto permanece como objeto indireto, pois ele nunca vira sujeito da passiva.

Os erros que mais derrubam candidato nesse tema.

  • Classificar o verbo fora da frase, como se a transitividade fosse fixa. O mesmo verbo muda de tipo conforme o sentido empregado.

  • Tratar adjunto adverbial como objeto indireto só porque veio preposição na frente.

  • Usar "lhe" para substituir objeto direto, erro que a banca adora colocar na alternativa aparentemente elegante.

  • Esquecer que verbo de ligação não tem objeto, e sim predicativo, e por isso nunca aceita voz passiva.

  • Confundir o verbo "haver" no sentido de existir, que é transitivo direto e impessoal, com o verbo "ter" coloquial.

  • Ignorar o contexto em verbos de duplo sentido, como assistir, proceder, aspirar, implicar e chamar.

Cada um desses erros se corrige com repetição espaçada e com questões, não com releitura de teoria. A lógica está detalhada no texto sobre revisão espaçada e se aplica bem a gramática, porque sintaxe é conhecimento de procedimento, aprendido no uso.

Resumo para revisar na véspera.

  • Transitividade é relação do verbo com o complemento, assunto de sintaxe, nunca de morfologia.

  • Pergunte "o quê" para achar objeto direto e "a quem, de quê, em quê" para achar objeto indireto.

  • A preposição precisa ser exigida pelo verbo; preposição de circunstância indica adjunto.

  • Pronomes "o, a, os, as" valem para objeto direto; "lhe, lhes" valem para objeto indireto.

  • Só verbo com objeto direto aceita voz passiva analítica.

  • Verbo de ligação não pede objeto, pede predicativo do sujeito.

  • Regência e crase dependem da transitividade, então estudar os três juntos economiza tempo.

Encaixar esse resumo no seu edital verticalizado ajuda a medir o que já está dominado. E se a sua rotina ainda não tem estrutura, o guia de como estudar para concurso sozinho mostra como encaixar gramática no cronograma sem sacrificar as disciplinas de maior peso.

Depois da teoria, o caminho é treino cronometrado. O texto sobre como usar simulado para subir a nota e o guia de estratégia no dia da prova completam a preparação, porque questão de sintaxe costuma ser rápida e garante minutos para as disciplinas mais lentas.

Quem quiser ampliar a base de português pode seguir para concordância verbal, concordância nominal e figuras de linguagem. Para dúvidas de norma culta e grafia, o acervo oficial da Academia Brasileira de Letras é a referência consultada pelas bancas, e as provas anteriores publicadas pelo Cebraspe mostram o padrão de cobrança na prática.

Perguntas frequentes:

O que é transitividade verbal em poucas palavras?

É a relação entre o verbo e o complemento de que ele precisa para completar o sentido. Se o verbo se basta sozinho, é intransitivo; se pede complemento, é transitivo. A preposição exigida define se o complemento é direto ou indireto.

Transitividade verbal é morfologia ou sintaxe?

É sintaxe. A classificação só aparece quando o verbo está dentro de uma oração, porque depende do complemento que ele recebe naquele contexto. Por isso não existe lista fixa de verbos transitivos válida para toda e qualquer frase.

Como identificar objeto direto e objeto indireto?

Pergunte ao verbo "o quê" ou "quem" para encontrar o objeto direto, que vem sem preposição obrigatória. Pergunte "de quê", "a quem", "em quê" ou "com quem" para encontrar o objeto indireto, que vem com preposição exigida pelo verbo. Se a preposição indicar apenas tempo, lugar ou modo, trata-se de adjunto adverbial.

Qual a diferença entre transitividade e regência verbal?

A transitividade informa se o verbo precisa de complemento e de que tipo. A regência informa qual preposição esse complemento exige. Os dois temas andam juntos, e é a regência que determina se cabe crase diante do complemento.

Todo verbo transitivo aceita voz passiva?

Não. Só o verbo transitivo direto, e o transitivo direto e indireto, aceitam voz passiva analítica, porque é o objeto direto que vira sujeito da passiva. Verbo transitivo indireto, intransitivo e de ligação não admitem essa transposição.


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