Metáfora e comparação descrevem a mesma imagem. O que separa o acerto do erro na questão é uma palavra só: o conectivo como.
Figuras de linguagem são recursos que alteram o sentido literal, a construção da frase ou a sonoridade das palavras para criar efeito expressivo. A gramática as divide em quatro grupos: figuras de palavra, de pensamento, de sintaxe e de som. Em concurso, nove delas concentram quase toda a cobrança: metáfora, comparação, metonímia, catacrese, hipérbole, eufemismo, ironia, antítese e prosopopeia.

Atualizado em 28 de setembro de 2026.
Sumário deste guia:
- O que são figuras de linguagem
- Como as figuras se classificam
- Figuras de palavra
- Figuras de pensamento
- Figuras de sintaxe
- Figuras de som
- Como as bancas cobram o assunto
- Erros que mais derrubam candidatos
- Resumo para revisão rápida
- Perguntas frequentes
O que são figuras de linguagem?
Figura de linguagem é todo desvio proposital em relação ao uso comum da língua com finalidade expressiva. O desvio pode estar no significado da palavra, na estrutura sintática da frase ou no som que ela produz.
Existe um mal-entendido comum entre concurseiros: a ideia de que figura de linguagem é assunto de literatura e cai pouco. Não é o caso. O tema aparece em questão fechada de gramática, entra na análise de trechos dentro de interpretação de texto e volta na correção da prova discursiva, quando o examinador avalia se o candidato controla o registro formal. Quem escreve com hipérbole em texto oficial perde ponto, e o guia de redação oficial explica o porquê.
O assunto também se conecta ao estudo geral da disciplina. Se você está organizando o que priorizar, o panorama de português para concurso mostra o peso relativo de cada tópico no edital médio.
Como as figuras se classificam:
Nem todo autor usa exatamente a mesma divisão, mas as bancas trabalham com quatro famílias. Guardar a família já elimina alternativas em questão de múltipla escolha.
| Família | O que é alterado | Figuras principais |
|---|---|---|
| Figuras de palavra, ou semânticas | O significado do termo | Metáfora, comparação, metonímia, catacrese, sinestesia |
| Figuras de pensamento | A relação entre a ideia e a realidade | Hipérbole, eufemismo, ironia, antítese, paradoxo, prosopopeia |
| Figuras de sintaxe, ou de construção | A estrutura da frase | Elipse, zeugma, pleonasmo, anacoluto, silepse |
| Figuras de som, ou harmonia | A sonoridade das palavras | Aliteração, assonância, onomatopeia, paronomásia |
Figuras de palavra:
São as que mudam o sentido do termo. Concentram a maior parte das questões e também a maior parte das confusões.
Metáfora.
Transfere sentido por semelhança, sem conectivo comparativo. Exemplo: aquele setor é um formigueiro no fim do mês. Não existe formigueiro nenhum, existe a imagem de agitação.
Comparação, também chamada de símile.
Faz a mesma transferência, mas com conectivo explícito: como, tal qual, assim como, que nem. Exemplo: aquele setor fica como um formigueiro no fim do mês. A presença do conectivo é o único critério seguro para distinguir da metáfora.
Metonímia.
Substitui um termo por outro que mantém com ele relação de proximidade real, não de semelhança. As relações mais cobradas são autor pela obra, marca pelo produto, continente pelo conteúdo, parte pelo todo e lugar pela instituição. Exemplo: o Palácio ainda não se pronunciou sobre o decreto.
Catacrese.
É a metáfora que se fossilizou no idioma porque faltava nome próprio para a coisa. Pé da mesa, asa do copo, dente de alho e braço da cadeira são catacreses. O traço decisivo é a perda da consciência da imagem original.
Sinestesia.
Mistura sensações de sentidos diferentes na mesma expressão. Exemplo: voz macia cruza audição e tato; cor quente cruza visão e temperatura.
Figuras de pensamento:
Aqui o desvio não está na palavra isolada, e sim na relação entre o que se diz e o que se pensa ou se observa no mundo.
Hipérbole.
Exagero intencional. Exemplo: esperei uma eternidade no protocolo. É a figura que aparece na maioria das questões que pedem identificação de exagero.
Eufemismo.
Suaviza uma ideia desagradável. Exemplo: o servidor foi convidado a deixar o cargo. O oposto é a disfemismo, que agrava a expressão.
Ironia.
Diz o contrário do que se quer comunicar, com intenção crítica ou humorística. Exemplo: que pontualidade admirável, só duas horas de atraso.
Antítese.
Aproxima palavras de sentido oposto sem gerar contradição lógica. Exemplo: muito barulho na campanha, silêncio total na execução.
Paradoxo, também chamado de oxímoro.
Vai além da antítese: une ideias que se excluem, produzindo contradição aparente. Exemplo: é um silêncio ensurdecedor. A diferença em relação à antítese é justamente a incompatibilidade lógica, e a banca cobra esse detalhe com frequência.
Prosopopeia, ou personificação.
Atribui características humanas a seres inanimados ou irracionais. Exemplo: o edital finalmente resolveu aparecer.
Figuras de sintaxe:
Mexem na estrutura da frase. Costumam aparecer em questões que também testam concordância verbal e regência, porque o desvio sintático interfere nessas regras.
Elipse.
Omite um termo que o contexto permite recuperar. Exemplo: na sala, apenas três candidatos. O verbo foi omitido sem prejuízo do sentido.
Zeugma.
É a elipse de um termo já expresso antes. Exemplo: ele estudou Direito; a irmã, Contabilidade. O verbo estudou não se repete.
Pleonasmo.
Repete uma ideia para reforçá-la. Quando o reforço é proposital e expressivo, é figura; quando é descuido, é vício de linguagem, e a banca gosta de explorar essa fronteira.
Anacoluto.
Quebra a estrutura iniciada, deixando um termo solto na frase. Exemplo: o candidato aprovado, ninguém avisou a ele sobre a posse.
Silepse.
A concordância se faz com a ideia, não com a forma escrita. Pode ser de gênero, de número ou de pessoa. Exemplo de silepse de número: a turma saiu da prova e foram direto comentar o gabarito.
Figuras de som:
São as menos cobradas, mas aparecem em questão de interpretação de trecho poético e em prova de carreiras de educação. Vale reconhecer quatro:
- Aliteração: repetição de sons consonantais, como em uma sequência de palavras iniciadas por s.
- Assonância: repetição de sons vocálicos ao longo do verso ou da frase.
- Onomatopeia: palavra que imita um ruído, como tique-taque ou zunzum.
- Paronomásia: aproximação de palavras parecidas no som e diferentes no sentido, como conselho e concelho.
Paronomásia costuma cair junto de questões de ortografia sobre palavras parecidas. Dois casos clássicos estão explicados nos textos sobre perda ou perca e de novo ou denovo, e a diferença entre os porquês aparece no guia dos porquês.
Como as bancas cobram o assunto:
Existem três formatos dominantes. O primeiro apresenta um trecho e pede a figura predominante. O segundo dá o nome da figura e pede o exemplo correspondente entre as alternativas. O terceiro é o mais difícil: o enunciado descreve o mecanismo da figura sem nomeá-la, e você precisa reconhecer o conceito.
Veja um item no estilo de julgamento de assertiva, montado aqui a partir dos conceitos gramaticais para treino:
Assertiva: na frase o restaurante inteiro parou para ouvir o anúncio, há metáfora, pois um prédio não pode ouvir.
Gabarito: errado. O trecho traz metonímia, e não metáfora. O nome do lugar foi usado para designar as pessoas que estavam nele, numa relação de continente por conteúdo. Não existe transferência por semelhança entre restaurante e clientes, existe contiguidade real. Quem decorou apenas a definição de metáfora cai nesse tipo de item.
Identificar o estilo da sua banca poupa tempo. O texto sobre banca examinadora ajuda nessa leitura antes de começar a resolver questões em volume.
Erros que mais derrubam candidatos:
- Usar a presença de imagem poética como critério: o critério da metáfora é semelhança, o da metonímia é contiguidade.
- Chamar toda catacrese de metáfora, ignorando que a catacrese preenche uma lacuna do vocabulário.
- Tratar antítese e paradoxo como sinônimos, quando o paradoxo exige contradição lógica.
- Confundir pleonasmo figura de estilo com pleonasmo vício de linguagem.
- Esquecer que a silepse concorda com a ideia, e por isso marcar a alternativa que aponta erro de concordância.
- Estudar só a lista de nomes sem treinar reconhecimento em trecho corrido, que é como a banca cobra.
Cada um desses erros reaparece com enunciado novo. Registrar o que você errou em um caderno de erros e revisitar o registro com revisão espaçada corta a taxa de repetição de forma rápida. Para quem gosta de esquema, o texto sobre mapa mental mostra quando o recurso ajuda de verdade.
Resumo para revisão rápida:
| Figura | Mecanismo | Exemplo curto |
|---|---|---|
| Metáfora | Semelhança sem conectivo | O setor é um formigueiro |
| Comparação | Semelhança com conectivo | O setor fica como um formigueiro |
| Metonímia | Contiguidade real | O Palácio não se pronunciou |
| Catacrese | Metáfora cristalizada por falta de termo | Pé da mesa |
| Hipérbole | Exagero proposital | Esperei uma eternidade |
| Eufemismo | Suavização | Foi convidado a deixar o cargo |
| Antítese | Opostos sem contradição | Barulho na campanha, silêncio na execução |
| Paradoxo | Opostos com contradição lógica | Silêncio ensurdecedor |
| Prosopopeia | Humanização do inanimado | O edital resolveu aparecer |
A norma ortográfica em vigor no Brasil está no Decreto 6.583 de 2008, que promulgou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Vale a consulta sempre que a dúvida for de grafia, e não de estilo.
Perguntas frequentes:
O que são figuras de linguagem?
São recursos expressivos que alteram o sentido literal das palavras, a ordem da frase ou a sonoridade do texto para produzir um efeito de estilo. A gramática as agrupa em quatro famílias: figuras de palavra, de pensamento, de sintaxe e de som. Em prova de concurso, elas aparecem tanto em questão específica quanto dentro da interpretação de texto.
Qual a diferença entre metáfora e comparação?
A comparação traz um conectivo explícito, como as palavras como, tal qual ou assim como. A metáfora suprime esse conectivo e afirma a identificação de forma direta. Dizer que alguém corre como um leão é comparação; dizer que a pessoa é um leão na corrida é metáfora.
Metonímia e metáfora se confundem em prova?
Confundem com frequência, e a chave é o tipo de relação entre os termos. A metáfora se baseia em semelhança entre coisas de campos diferentes; a metonímia se baseia em contiguidade real, como autor pela obra, marca pelo produto ou parte pelo todo. Pedir um copo quando se quer a água é metonímia.
Catacrese é a mesma coisa que metáfora?
A catacrese nasce de uma metáfora que já se cristalizou no idioma por falta de termo próprio. Falar em pé da mesa, asa do copo ou dente de alho é catacrese, porque ninguém percebe mais a imagem original. A banca usa esse traço de desgaste para separar as duas figuras.
Fechada a teoria, o rendimento vem do treino. O método está no guia de estudo por questões, com apoio de banco de questões e de simulado cronometrado. Na discursiva, controlar figura de linguagem evita perder ponto por registro inadequado, tema dos guias de redação passo a passo, de estrutura e correção e do guia definitivo de redação. Quem escreve com naturalidade também acerta mais em crase.
Pare de errar figura de linguagem por detalhe de definição:
Reconhecer metonímia em trecho corrido é habilidade treinada, não decoreba de lista. No Portal Concursos você estuda Português com aulas ao vivo, banco de questões separado por assunto e suporte individualizado para tirar dúvida de interpretação na hora em que ela aparece. Conheça o curso e confira o conteúdo de língua portuguesa aplicado ao seu concurso.