Como escrever redação para concurso público: guia com passo a passo e dicas!

Como escrever redação para concurso público: guia com passo a passo e dicas!
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 14/09 às 23h

Para fazer uma redação para concurso, você precisa de três coisas: entender exatamente o que o comando pede, montar um esqueleto de quatro parágrafos antes de escrever a primeira linha e reservar tempo para revisar a norma culta no final. A maioria das reprovações em prova discursiva não vem de falta de repertório, vem de fuga parcial do tema e de erro de estrutura.

Tem um detalhe crucial na prova discursiva de concurso: ela vale muitos pontos e é a etapa que o candidato pode negligenciar. É comum encontrar gente que resolveu quatro mil questões objetivas e escreveu três redações inteiras na vida. Aí chega na prova, olha o comando, e percebe que deveria ter praticado mais aquela etapa tão relevante, que é transformar conhecimento em texto dentro de um limite de linhas e de tempo.

A boa notícia é que redação de concurso é bem mais previsível do que redação de vestibular. Ela não pede criatividade nem estilo literário. Pede clareza, estrutura e domínio do assunto cobrado no edital. Isso é treinável.

O que a banca realmente avalia na sua redação

Praticamente todo edital divide a nota da discursiva em três grandes blocos. Os nomes mudam de banca para banca, mas a lógica se repete.

Bloco avaliado

O que significa na prática

Onde o candidato perde ponto

Domínio do conteúdo

Responder exatamente o que o comando pediu, com os conceitos corretos da matéria

Responder só parte do comando ou trocar o conceito técnico por senso comum

Estrutura textual

Introdução, desenvolvimento e conclusão ligados, com parágrafos coerentes

Texto sem tese clara, parágrafos soltos, conclusão que não conclui nada

Domínio da língua

Norma culta, pontuação, concordância, regência, coesão

Erro de concordância repetido, período longo demais, vírgula separando sujeito e verbo

Repare na coluna do meio. Domínio do conteúdo aparece primeiro porque é o que mais pesa e o que menos se resolve na hora da prova. Se o comando pede que você discorra sobre os princípios da administração pública aplicados a um caso concreto, não existe estrutura bonita que salve um texto que não sabe o que é impessoalidade.

Como fazer redação para concurso: passo a passo

Este é o processo que cabe dentro do tempo de prova. Ele leva entre 60 e 90 minutos para um texto de 30 linhas, dependendo da complexidade do tema.

  1. Leia o comando duas vezes e sublinhe os verbos. Discorra, analise, apresente, compare, aponte. Cada verbo é uma tarefa. Um comando com três verbos exige que o texto entregue três coisas, e deixar uma de fora custa pontos mesmo que o resto esteja excelente.

  2. Escreva o esqueleto na folha de rascunho, em tópicos. Não frases inteiras, só palavras-chave: tese da introdução, argumento 1, argumento 2, fechamento. Cinco minutos aqui economizam quinze depois.

  3. Confira se o esqueleto responde a todos os verbos do comando. Esse é o momento de perceber que você esqueceu a metade do que foi pedido, e não depois de vinte linhas escritas.

  4. Escreva direto na folha definitiva se o tempo estiver curto. Passar a limpo consome muito tempo. Com o esqueleto pronto, escrever direto é seguro para a maioria dos candidatos.

  5. Reserve os últimos dez minutos para revisão de língua. Leia procurando especificamente concordância, vírgula e período longo. Revisar sem procurar nada específico não encontra quase nada.

A estrutura de redação básica para qualquer tema

Modelo pronto de redação não existe, e quem promete um está vendendo ilusão: banca reconhece texto decorado e o comando muda todo ano. O que existe é uma estrutura de parágrafos que serve de andaime para qualquer assunto.

  • Parágrafo 1, introdução (3 a 4 linhas): uma frase que contextualiza o tema e uma frase que apresenta a tese, ou seja, o que o seu texto vai defender ou explicar. Nada de rodeio histórico. Introdução longa rouba linhas do desenvolvimento, que é onde a nota está.

  • Parágrafo 2, primeiro argumento (8 a 10 linhas): apresente o conceito, explique com suas palavras e aplique ao que o comando pediu. A ordem importa: conceito, explicação, aplicação.

  • Parágrafo 3, segundo argumento (8 a 10 linhas): mesma lógica, tratando de outro aspecto do comando. Se o comando tem três verbos, este parágrafo pode virar dois.

  • Parágrafo 4, conclusão (3 a 4 linhas): retome a tese com outras palavras e feche. Se o comando pedir proposta ou solução, ela entra aqui, e precisa ser concreta.

Um erro clássico: usar o quarto parágrafo para introduzir um argumento novo. Conclusão que abre assunto novo deixa o texto sem fechamento e costuma ser penalizada na estrutura.

Dissertativa- argumentativa, estudo de caso e peça: gêneros textuais distintos

Concursos solicitam, geralmente, um desses três gêneros textuais em provas discursivas, e confundi-los é fatal.

O dissertativo-argumentativa pede posicionamento fundamentado sobre um tema. É o formato mais próximo do que se estuda no ensino médio, embora com linguagem mais técnica e sem espaço para opinião pessoal solta.

O estudo de caso apresenta uma situação concreta e pede que você aplique a norma ou o conceito. Aqui não se pede opinião, se pede aplicação correta. Texto bem escrito com o conceito errado tira nota baixa.

A peça técnica ou processual aparece em cargos jurídicos e exige forma específica, com endereçamento, qualificação e fundamentação. Não é redação, é documento, e treinar dissertação não prepara para ela.

Antes de treinar qualquer coisa, veja qual formato o edital do seu concurso cobra. Treinar o formato errado é o gasto de tempo mais silencioso da preparação.

Fatores que causam mais perda de nota na discursiva

Depois de olhar padrões de correção, os mesmos problemas aparecem em quase todo texto mal avaliado.

  1. Fuga parcial do tema. O candidato responde o que sabe, não o que foi perguntado. É o erro mais caro de todos e o mais fácil de evitar com cinco minutos de esqueleto.

  2. Período longo demais. Frases de cinco linhas quase sempre carregam erro de pontuação ou de concordância. Ponto final é gratuito, use.

  3. Repetição de palavra. Usar o mesmo termo seis vezes em um parágrafo sinaliza vocabulário pobre. Trocar por sinônimo ou reorganizar a frase resolve.

  4. Generalidade. Texto que poderia ter sido escrito sem estudar a matéria não pontua no bloco de conteúdo, por melhor que seja o português.

  5. Ultrapassar ou não atingir o limite de linhas. Muitos editais anulam o que passa do limite e penalizam o texto curto demais. Conte as linhas do rascunho.

  6. Letra ilegível. Corretor não adivinha. Escrever com pressa nas últimas linhas custa pontos que você já tinha ganhado.

Como treinar redação para concurso sem ter corretor

A objeção mais comum é que sem alguém corrigindo não adianta escrever. Adianta, desde que você use um método de autoavaliação em vez de só reler e achar bom.

Funciona assim: escolha um tema cobrado em prova anterior do seu concurso, escreva no tempo real da prova e guarde o texto por 48 horas sem olhar. Depois, releia com uma grade em mãos, checando item por item.

  • Respondi todos os verbos do comando?

  • A tese aparece de forma explícita na introdução?

  • Cada parágrafo de desenvolvimento tem conceito, explicação e aplicação?

  • Existe algum período com mais de quatro linhas?

  • Quantas vezes repeti a mesma palavra-chave?

  • A conclusão retoma a tese ou abre assunto novo?

Uma redação por semana com essa grade, durante três meses, muda o resultado de forma perceptível. Doze textos é mais do que a imensa maioria dos candidatos escreve na preparação inteira.

Dito isso, correção externa acelera muito. Quem tem acesso a um professor que aponta o erro recorrente encurta meses de tentativa e erro, porque a gente é péssimo em enxergar o próprio vício de escrita. No Portal Concursos, o suporte individualizado e as aulas ao vivo servem exatamente para esse tipo de dúvida que trava o candidato sozinho, e os cursos direcionados por concurso já trazem a discursiva no formato que a sua prova cobra, não no formato genérico.

Onde buscar fundamentação sem virar decoreba

Repertório em redação de concurso não é citação de filósofo. É o conteúdo do edital usado com precisão. Quem escreve sobre licitação citando o princípio da isonomia e a regra correta da modalidade pontua mais que quem enfeita o texto com uma frase de efeito.

Três fontes rendem muito e custam pouco tempo:

  • A letra da lei ou da norma cobrada no edital. Não precisa decorar artigo por artigo, mas saber nomear o princípio ou o instituto corretamente muda o bloco de conteúdo da correção.

  • Provas discursivas anteriores da mesma banca, com o padrão de resposta. O padrão de resposta é o documento mais subestimado da preparação: ele mostra literalmente o que o corretor esperava ver no texto.

  • Relatórios e dados oficiais do órgão. Um número real de fonte oficial, usado com parcimônia, dá peso ao argumento. Um número inventado destrói a credibilidade do texto inteiro, então só entra o que você tem certeza.

Uma técnica que funciona bem no dia da prova: para cada conceito que você domina, tenha na cabeça uma aplicação prática de uma linha. Conceito sem aplicação vira definição de dicionário, e definição de dicionário não responde comando nenhum.

Os erros de português mais recorrentes em prova discursiva

O bloco de língua costuma ser onde o candidato bem preparado perde pontos bobos, porque escreve rápido e sob pressão. Cinco erros concentram boa parte das perdas.

Erro

Exemplo do que acontece

Como evitar na hora

Concordância verbal com sujeito distante

Sujeito no começo do período e verbo dez palavras depois, no número errado

Encurte o período. Sujeito e verbo perto um do outro quase nunca erram

Vírgula entre sujeito e verbo

Uma vírgula solta antes do verbo principal

Na revisão, olhe especificamente as vírgulas que antecedem verbos

Regência trocada

Preposição errada depois de verbos como implicar, visar e obedecer

Se não tiver certeza da regência, reescreva com outro verbo que você domina

Uso de crase

Acento aplicado por hábito, sem checar a regra

Reformule a frase para não precisar do acento quando estiver inseguro

Coesão frouxa

Parágrafos que começam sem ligação nenhuma com o anterior

Abra cada parágrafo retomando uma palavra ou ideia do parágrafo de cima

Existe um princípio simples por trás de quase todos eles: quanto mais simples a construção, menor a chance de erro. Prova discursiva não premia frase complexa. Premia frase correta que diz exatamente o que precisa dizer.

Vale um treino específico para isso, e ele leva dez minutos por dia. Pegue um parágrafo qualquer que você escreveu e reescreva quebrando cada período longo em dois. Depois compare. Em duas semanas, o texto sai mais limpo já na primeira versão.

Quanto tempo dedicar à redação no dia da prova?

A divisão de tempo entre objetiva e discursiva decide muita aprovação. Como referência prática, para uma prova de quatro horas com objetiva e discursiva na mesma aplicação, reserve entre 70 e 90 minutos para o texto, incluindo esqueleto e revisão.

Faça a objetiva primeiro se a discursiva for corrigida apenas para quem passar no corte da objetiva, o que é comum. Mas cuidado com a armadilha: gente que se empolga na objetiva e deixa 35 minutos para escrever costuma entregar um texto que joga fora meses de estudo.

Se a prova é só discursiva, a conta muda: cerca de 15% do tempo para planejamento, 65% para escrita e 20% para revisão.

Perguntas frequentes (FAQ)

Sobre estrutura e formato

Como fazer redação para concurso público do zero?
Comece descobrindo qual formato o seu edital cobra, se dissertativa argumentativa, estudo de caso ou peça técnica, porque cada um tem regras diferentes. Depois treine a estrutura de quatro parágrafos com temas de provas anteriores da mesma banca. Escrever um texto por semana com autoavaliação já coloca você acima da média dos candidatos.

A redação para concurso precisa de título?
Depende do edital, e essa é uma informação que precisa ser conferida no texto do seu concurso. Muitos editais dispensam o título e alguns chegam a penalizar quem coloca, porque o título ocupa linha do limite. Na dúvida, siga literalmente o que o comando da questão instruir.

Como começar uma redação para concurso?
Abra com uma frase que contextualiza o tema e siga direto para a tese, que é o que você vai defender ou explicar no texto. Evite abertura histórica genérica do tipo "desde os primórdios da humanidade", que gasta linhas sem entregar conteúdo. Introdução de três a quatro linhas é o suficiente.

Sobre treino e material

Existe modelo pronto de redação para concurso?
Existe estrutura pronta, que é a organização dos parágrafos, mas não existe texto pronto que funcione. Bancas identificam texto decorado com facilidade e o comando muda a cada prova, então redação memorizada gera fuga do tema. Use modelos apenas para entender a arquitetura do texto.

Como treinar redação para concurso sozinho?
Escreva no tempo real da prova usando temas de provas anteriores, guarde o texto por dois dias e depois avalie com uma grade fixa de perguntas sobre comando, tese, estrutura e norma culta. O intervalo é importante porque você lê o próprio texto com olhos mais críticos. Doze redações bem avaliadas valem mais que cinquenta escritas sem retorno.

Qual a diferença entre redação dissertativa e discursiva para concurso?
Discursiva é o nome geral da prova escrita subjetiva, e a dissertação argumentativa é um dos formatos que ela pode assumir. Uma prova discursiva também pode pedir estudo de caso, resposta a questões abertas ou peça técnica. Por isso o edital é o documento que define o que você deve treinar.

Sobre correção e recurso

Como fazer uma boa redação para concurso?
Responda integralmente ao comando, use os conceitos técnicos corretos da matéria e escreva em períodos curtos com pontuação bem cuidada. Boa redação de concurso é clara e completa, não literária. Se o corretor precisa reler uma frase para entender, ela pode ser reescrita.

Como fazer recurso de redação de concurso?
O recurso precisa apontar objetivamente onde a correção divergiu do critério publicado no edital, citando o trecho do seu texto e o item do padrão de resposta. Recurso baseado em opinião sobre a nota costuma ser indeferido. Peça vista da folha de correção sempre que o edital permitir, porque sem ela o argumento fica frágil.

Quantas linhas deve ter a redação de concurso?
O limite é definido pelo edital de cada concurso e varia bastante, com faixas comuns entre 20 e 30 linhas. Escrever abaixo do mínimo e ultrapassar o máximo têm penalidades previstas no próprio edital, então conte as linhas ainda no rascunho. Treinar sempre no limite da sua prova evita surpresa no dia.

Escreva a primeira ainda esta semana

Redação é a etapa em que o candidato médio mais deixa ponto na mesa, e é também onde o retorno por hora treinada é mais alto. Doze textos ao longo de três meses colocam você em outro patamar, e isso começa com abrir o edital, ver qual formato a sua prova cobra e escrever o primeiro hoje.

Se quiser treinar com material já direcionado para a sua prova, com aulas, questões e apoio de professor quando travar, conheça os cursos do Portal Concursos.

Assinatura PortalAssine o Portal e estude para qualquer concursoTodos os cursos, simulados e o banco de questões em um único plano.
Ver planos

Compartilhar:

Comentários

Carregando comentários…

Pular para o conteúdo principal