Regência Verbal para Concursos: o que mais cai
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 25/09 às 16h

Quem escreve "prefiro estudar do que trabalhar" já perdeu a questão. A norma padrão não admite "do que" depois do verbo preferir, e essa troca aparece em prova todos os anos.

Regência verbal é a relação entre o verbo e o complemento que ele exige, e ela define se esse complemento entra direto, sem preposição, ou indireto, com preposição obrigatória. Em concurso o tema cai quase sempre pelo mesmo caminho: verbos que trocam de sentido conforme a preposição, como assistir, aspirar, visar, proceder e implicar.

Infográfico de regência verbal com os verbos mais cobrados e a preposição exigida por cada um
Os verbos de regência dupla que mais aparecem em prova de concurso.

O que você vai aprender neste guia:

O que é regência verbal?

Regência verbal é o estudo da relação entre o verbo, que é o termo regente, e seus complementos, que são os termos regidos. Quando o verbo pede complemento sem preposição, ele é transitivo direto. Quando exige preposição, é transitivo indireto. Quando pede os dois ao mesmo tempo, é transitivo direto e indireto.

Parece simples e seria, se a língua fosse constante. O problema é que vários verbos mudam de regência quando mudam de sentido. "Aspirar" com o sentido de inalar dispensa preposição. O mesmo verbo com o sentido de almejar exige a preposição "a". É nessa dobra que a banca arma a pegadinha.

Outro fator complica o estudo: a distância entre a língua falada e a norma padrão. No dia a dia quase ninguém diz "assisti ao jogo", e é justamente por isso que a forma correta soa estranha na hora da prova. O acervo de dicas de Português do blog existe para encurtar essa distância.

Regência verbal e regência nominal: a diferença

A regência verbal trata do complemento exigido por um verbo. A regência nominal trata do complemento exigido por um substantivo, adjetivo ou advérbio. "Obedecer às regras" é regência verbal. "Obediência às regras" é regência nominal, e a preposição se mantém porque o substantivo herda a exigência do verbo.

Esse paralelismo ajuda muito em prova. Se você sabe que o verbo "simpatizar" pede a preposição "com", acerta também "simpatia por" quando ela aparecer, porque a banca costuma cobrar os dois lados na mesma questão. Vale a mesma lógica de estudo aplicada a concordância verbal e a outros temas em que a regra tem exceção mapeável.

Transitividade: a base que sustenta a regência

Antes de decorar lista de verbos, vale fixar a classificação. Ela responde adequadamente boa parte das questões.

Classificação

O que exige

Exemplo

Verbo intransitivo

Nenhum complemento

A alegação procede

Transitivo direto

Objeto sem preposição

O candidato leu o edital

Transitivo indireto

Objeto com preposição

O candidato obedeceu às normas

Transitivo direto e indireto

Dois objetos

Informei o resultado aos aprovados

Um teste rápido de sala de aula resolve a dúvida na hora: pergunte ao verbo "o quê?" e "a quem?" ou "de quê?". Se a resposta vier sem preposição, o objeto é direto. Se vier com preposição, é indireto. Funciona na maioria esmagadora dos casos de prova.

Os verbos que a banca mais cobra

A lista abaixo concentra os verbos que aparecem com mais frequência em provas de níveis médio e superior. Guardar o sentido ao lado da preposição vale mais do que decorar a regra isolada.

Verbo

Sentido

Regência

Exemplo

Assistir

Ver, presenciar

Transitivo indireto, com "a"

Assisti ao debate dos candidatos

Assistir

Prestar socorro

Transitivo direto

O enfermeiro assistiu o paciente

Assistir

Caber, pertencer

Transitivo indireto, com "a"

Assiste ao servidor o direito de recurso

Aspirar

Inalar, sorver

Transitivo direto

Aspirou o ar frio da manhã

Aspirar

Almejar, desejar

Transitivo indireto, com "a"

Aspira ao cargo de analista

Visar

Mirar ou dar visto

Transitivo direto

Visou o alvo e visou o documento

Visar

Ter em vista, pretender

Transitivo indireto, com "a"

A medida visa à redução de gastos

Proceder

Ter fundamento

Intransitivo

O argumento não procede

Proceder

Originar-se

Transitivo indireto, com "de"

A ordem procede do tribunal

Proceder

Dar início, executar

Transitivo indireto, com "a"

A banca procedeu à correção das provas

Implicar

Acarretar, provocar

Transitivo direto

O atraso implica eliminação

Implicar

Ter implicância

Transitivo indireto, com "com"

Implicava com o colega de sala

Preferir

Escolher entre dois

Direto e indireto, com "a"

Prefiro questões a videoaulas

Obedecer

Acatar

Transitivo indireto, com "a"

Obedeça ao cronograma

Namorar

Manter relacionamento

Transitivo direto

Namora a colega de curso

Simpatizar

Ter afinidade

Transitivo indireto, com "com"

Simpatizei com a proposta

Preferir, o campeão de eliminação

Preferir é transitivo direto e indireto: prefere-se uma coisa a outra. A norma padrão rejeita "do que", "mais do que", "antes" e "em vez de" como conectivo desse verbo. Também condena o reforço: "prefiro muito mais" não passa em correção de prova discursiva de nenhuma banca.

Esquecer e lembrar na forma pronominal alteram a regência

Sem pronome, os dois são transitivos diretos: "esqueci o prazo", "lembrei a data". Com pronome, viram indiretos e pedem "de": "esqueci-me do prazo", "lembrei-me da data". A banca gosta de misturar as duas construções na mesma assertiva para ver quem percebe a troca.

Pagar e perdoar dependem do complemento

A regência referente a algo fica a cargo do objeto direto e a referente a alguém rege preposição, funciona como objeto indireto. Paga-se a taxa e paga-se ao fornecedor. Perdoa-se a dívida e perdoa-se ao devedor. Quando os dois aparecem juntos, o verbo assume o caráter de bitransitivo, ou seja, admite um objeto direto e um indireto na mesma ocasião: "paguei a taxa ao banco".

Custar tem sujeito oracional

Com o significado de ser difícil, custar não aceita pessoa como sujeito. O correto é "custou-me acreditar na nota", e não "custei a acreditar". A forma popular é tão comum que a banca utiliza a variação informal como distração, é o parecer certo.

Regência de crase

Crase é o fenômeno de contração entre a preposição "a", regida por um verbo, e o artigo definido "a", regido por um substantivo feminino- por isso não há ocorrência de crase antes de substantivos masculinos-, e a ocorrência é representada por adição de acento grave ao "a"= à.

Compare: "assisti à sessão" leva acento grave porque o verbo pede "a" e "sessão" admite artigo. Já "visou o documento", no sentido de dar visto, dispensa qualquer preposição, e crase ali seria erro. Antes de decidir pelo acento, identifique a regência do verbo. O guia de crase para concurso traz o teste rápido que confirma o acento em poucos segundos.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa publicado pela Academia Brasileira de Letras é a referência oficial para conferir grafia quando a dúvida passa da regência para a ortografia.

Como as bancas abordam regência verbal

Três formatos dominam. O primeiro pede a substituição de um trecho por outro equivalente, mudando a preposição no caminho. O segundo apresenta cinco frases e pede a única correta. O terceiro, típico de prova de certo ou errado, afirma que determinada troca preserva o sentido e a correção gramatical.

Veja um item no estilo das provas do Cebraspe em língua portuguesa:

"No trecho 'a comissão procedeu à análise dos recursos', o acento indicativo de crase poderia ser suprimido sem prejuízo da correção gramatical." Certo ou errado?

Gabarito: errado. No sentido de executar ou dar início, proceder é transitivo indireto e exige a preposição "a". Como "análise" é substantivo feminino que admite artigo, ocorre a fusão e o acento grave é obrigatório. Suprimi-lo cria erro de regência e de crase ao mesmo tempo.

Repare na engenharia do enunciado: ele não pergunta sobre regência, pergunta sobre crase. Quem estudou os dois temas separados costuma travar. Treinar com volume real resolve, e o banco de questões do Portal Concursos permite filtrar itens de regência por banca e por ano. Estudar por questões é especialmente eficiente em Português, onde a variação de enunciado é maior que a variação de conteúdo.

Os erros que mais derrubam candidato

  • Usar "do que" com o verbo preferir. A norma pede apenas a preposição "a".

  • Escrever "assisti ao filme" no sentido de ver. Nesse caso o verbo é indireto.

  • Colocar crase depois de verbo transitivo direto, como em "visou à meta" no sentido de mirar.

  • Tratar "implicar" como indireto no sentido de acarretar. "Implica em eliminação" é erro.

  • Usar "simpatizar-se". O verbo não é pronominal na norma padrão.

  • Dizer "custei a entender". O sujeito de custar, nesse sentido, é a oração, não a pessoa.

Seis correções que rendem mais pontos do que reler a gramática inteira. Registre cada uma no seu caderno de erros e volte a elas em ciclos de revisão espaçada porque regência é conteúdo que some rápido da memória se não for revisitado.

Resumo de véspera

  • Verbo transitivo direto não pede preposição e, por isso, não admite crase no complemento.

  • Assistir com sentido de ver pede "a". Com sentido de socorrer, dispensa preposição.

  • Aspirar e visar seguem a mesma lógica: sentido literal vai direto, sentido de almejar vai com "a".

  • Proceder tem três regências conforme o sentido, e a forma com "a" é a mais cobrada.

  • Preferir pede "a" e nunca "do que".

  • Esquecer e lembrar só exigem "de" quando aparecem com pronome.

  • Regência e crase são o mesmo assunto visto de dois ângulos.

Quem está montando a base de Português faz bem em combinar este guia com o panorama de o que mais cai na disciplina e com o material sobre redação oficial e com os guias completos publicados no blog. Em prova discursiva, regência mal resolvida custa ponto duas vezes: na gramática e na clareza do argumento.

Candidata escrevendo à mão em caderno durante estudo de regência verbal para concurso
Escrever as frases à mão fixa a regência mais rápido do que só ler a regra.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é regência verbal?

É a relação entre o verbo e o complemento que ele exige. Em "obedeça ao regulamento", o verbo obedecer pede a preposição "a", então o complemento é indireto. Já em "leu o regulamento", o verbo leu não pede preposição, e o complemento é direto.

Qual é a diferença entre regência verbal e regência nominal?

Na regência verbal, quem exige o complemento é o verbo. Na regência nominal, quem exige é um substantivo, adjetivo ou advérbio. "Obedecer às normas" é verbal e "obediência às normas" é nominal, com a mesma preposição nos dois casos.

Assisti o filme ou assisti ao filme?

No sentido de ver ou presenciar, o correto é "assisti ao filme", porque o verbo é transitivo indireto. A forma sem preposição só vale quando assistir significa prestar socorro, como em "o médico assistiu o ferido".

Por que "prefiro isso do que aquilo" está errado?

Porque preferir é transitivo direto e indireto e rege a preposição "a". A construção correta é "prefiro isso àquilo". Expressões como "do que", "mais do que" e "em vez de" não são aceitas pela norma padrão com esse verbo.

Regência verbal cai em prova de nível médio?

Cai, e com frequência. Em cargos de nível médio o tema costuma aparecer junto com crase e concordância, geralmente em questões que pedem a identificação da frase correta. A lista de verbos cobrados é praticamente a mesma dos cargos de nível superior.

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