Quem escreve "prefiro estudar do que trabalhar" já perdeu a questão. A norma padrão não admite "do que" depois do verbo preferir, e essa troca aparece em prova todos os anos.
Regência verbal é a relação entre o verbo e o complemento que ele exige, e ela define se esse complemento entra direto, sem preposição, ou indireto, com preposição obrigatória. Em concurso o tema cai quase sempre pelo mesmo caminho: verbos que trocam de sentido conforme a preposição, como assistir, aspirar, visar, proceder e implicar.

O que você vai aprender neste guia:
Regência verbal e regência nominal: a diferença em uma frase.
Regência e crase: o ponto em que os dois temas se encontram.
O que é regência verbal?
Regência verbal é o estudo da relação entre o verbo, que é o termo regente, e seus complementos, que são os termos regidos. Quando o verbo pede complemento sem preposição, ele é transitivo direto. Quando exige preposição, é transitivo indireto. Quando pede os dois ao mesmo tempo, é transitivo direto e indireto.
Parece simples e seria, se a língua fosse constante. O problema é que vários verbos mudam de regência quando mudam de sentido. "Aspirar" com o sentido de inalar dispensa preposição. O mesmo verbo com o sentido de almejar exige a preposição "a". É nessa dobra que a banca arma a pegadinha.
Outro fator complica o estudo: a distância entre a língua falada e a norma padrão. No dia a dia quase ninguém diz "assisti ao jogo", e é justamente por isso que a forma correta soa estranha na hora da prova. O acervo de dicas de Português do blog existe para encurtar essa distância.
Regência verbal e regência nominal: a diferença
A regência verbal trata do complemento exigido por um verbo. A regência nominal trata do complemento exigido por um substantivo, adjetivo ou advérbio. "Obedecer às regras" é regência verbal. "Obediência às regras" é regência nominal, e a preposição se mantém porque o substantivo herda a exigência do verbo.
Esse paralelismo ajuda muito em prova. Se você sabe que o verbo "simpatizar" pede a preposição "com", acerta também "simpatia por" quando ela aparecer, porque a banca costuma cobrar os dois lados na mesma questão. Vale a mesma lógica de estudo aplicada a concordância verbal e a outros temas em que a regra tem exceção mapeável.
Transitividade: a base que sustenta a regência
Antes de decorar lista de verbos, vale fixar a classificação. Ela responde adequadamente boa parte das questões.
Classificação | O que exige | Exemplo |
|---|---|---|
Verbo intransitivo | Nenhum complemento | A alegação procede |
Transitivo direto | Objeto sem preposição | O candidato leu o edital |
Transitivo indireto | Objeto com preposição | O candidato obedeceu às normas |
Transitivo direto e indireto | Dois objetos | Informei o resultado aos aprovados |
Um teste rápido de sala de aula resolve a dúvida na hora: pergunte ao verbo "o quê?" e "a quem?" ou "de quê?". Se a resposta vier sem preposição, o objeto é direto. Se vier com preposição, é indireto. Funciona na maioria esmagadora dos casos de prova.
Os verbos que a banca mais cobra
A lista abaixo concentra os verbos que aparecem com mais frequência em provas de níveis médio e superior. Guardar o sentido ao lado da preposição vale mais do que decorar a regra isolada.
Verbo | Sentido | Regência | Exemplo |
|---|---|---|---|
Assistir | Ver, presenciar | Transitivo indireto, com "a" | Assisti ao debate dos candidatos |
Assistir | Prestar socorro | Transitivo direto | O enfermeiro assistiu o paciente |
Assistir | Caber, pertencer | Transitivo indireto, com "a" | Assiste ao servidor o direito de recurso |
Aspirar | Inalar, sorver | Transitivo direto | Aspirou o ar frio da manhã |
Aspirar | Almejar, desejar | Transitivo indireto, com "a" | Aspira ao cargo de analista |
Visar | Mirar ou dar visto | Transitivo direto | Visou o alvo e visou o documento |
Visar | Ter em vista, pretender | Transitivo indireto, com "a" | A medida visa à redução de gastos |
Proceder | Ter fundamento | Intransitivo | O argumento não procede |
Proceder | Originar-se | Transitivo indireto, com "de" | A ordem procede do tribunal |
Proceder | Dar início, executar | Transitivo indireto, com "a" | A banca procedeu à correção das provas |
Implicar | Acarretar, provocar | Transitivo direto | O atraso implica eliminação |
Implicar | Ter implicância | Transitivo indireto, com "com" | Implicava com o colega de sala |
Preferir | Escolher entre dois | Direto e indireto, com "a" | Prefiro questões a videoaulas |
Obedecer | Acatar | Transitivo indireto, com "a" | Obedeça ao cronograma |
Namorar | Manter relacionamento | Transitivo direto | Namora a colega de curso |
Simpatizar | Ter afinidade | Transitivo indireto, com "com" | Simpatizei com a proposta |
Preferir, o campeão de eliminação
Preferir é transitivo direto e indireto: prefere-se uma coisa a outra. A norma padrão rejeita "do que", "mais do que", "antes" e "em vez de" como conectivo desse verbo. Também condena o reforço: "prefiro muito mais" não passa em correção de prova discursiva de nenhuma banca.
Esquecer e lembrar na forma pronominal alteram a regência
Sem pronome, os dois são transitivos diretos: "esqueci o prazo", "lembrei a data". Com pronome, viram indiretos e pedem "de": "esqueci-me do prazo", "lembrei-me da data". A banca gosta de misturar as duas construções na mesma assertiva para ver quem percebe a troca.
Pagar e perdoar dependem do complemento
A regência referente a algo fica a cargo do objeto direto e a referente a alguém rege preposição, funciona como objeto indireto. Paga-se a taxa e paga-se ao fornecedor. Perdoa-se a dívida e perdoa-se ao devedor. Quando os dois aparecem juntos, o verbo assume o caráter de bitransitivo, ou seja, admite um objeto direto e um indireto na mesma ocasião: "paguei a taxa ao banco".
Custar tem sujeito oracional
Com o significado de ser difícil, custar não aceita pessoa como sujeito. O correto é "custou-me acreditar na nota", e não "custei a acreditar". A forma popular é tão comum que a banca utiliza a variação informal como distração, é o parecer certo.
Regência de crase
Crase é o fenômeno de contração entre a preposição "a", regida por um verbo, e o artigo definido "a", regido por um substantivo feminino- por isso não há ocorrência de crase antes de substantivos masculinos-, e a ocorrência é representada por adição de acento grave ao "a"= à.
Compare: "assisti à sessão" leva acento grave porque o verbo pede "a" e "sessão" admite artigo. Já "visou o documento", no sentido de dar visto, dispensa qualquer preposição, e crase ali seria erro. Antes de decidir pelo acento, identifique a regência do verbo. O guia de crase para concurso traz o teste rápido que confirma o acento em poucos segundos.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa publicado pela Academia Brasileira de Letras é a referência oficial para conferir grafia quando a dúvida passa da regência para a ortografia.
Como as bancas abordam regência verbal
Três formatos dominam. O primeiro pede a substituição de um trecho por outro equivalente, mudando a preposição no caminho. O segundo apresenta cinco frases e pede a única correta. O terceiro, típico de prova de certo ou errado, afirma que determinada troca preserva o sentido e a correção gramatical.
Veja um item no estilo das provas do Cebraspe em língua portuguesa:
"No trecho 'a comissão procedeu à análise dos recursos', o acento indicativo de crase poderia ser suprimido sem prejuízo da correção gramatical." Certo ou errado?
Gabarito: errado. No sentido de executar ou dar início, proceder é transitivo indireto e exige a preposição "a". Como "análise" é substantivo feminino que admite artigo, ocorre a fusão e o acento grave é obrigatório. Suprimi-lo cria erro de regência e de crase ao mesmo tempo.
Repare na engenharia do enunciado: ele não pergunta sobre regência, pergunta sobre crase. Quem estudou os dois temas separados costuma travar. Treinar com volume real resolve, e o banco de questões do Portal Concursos permite filtrar itens de regência por banca e por ano. Estudar por questões é especialmente eficiente em Português, onde a variação de enunciado é maior que a variação de conteúdo.
Os erros que mais derrubam candidato
Usar "do que" com o verbo preferir. A norma pede apenas a preposição "a".
Escrever "assisti ao filme" no sentido de ver. Nesse caso o verbo é indireto.
Colocar crase depois de verbo transitivo direto, como em "visou à meta" no sentido de mirar.
Tratar "implicar" como indireto no sentido de acarretar. "Implica em eliminação" é erro.
Usar "simpatizar-se". O verbo não é pronominal na norma padrão.
Dizer "custei a entender". O sujeito de custar, nesse sentido, é a oração, não a pessoa.
Seis correções que rendem mais pontos do que reler a gramática inteira. Registre cada uma no seu caderno de erros e volte a elas em ciclos de revisão espaçada porque regência é conteúdo que some rápido da memória se não for revisitado.
Resumo de véspera
Verbo transitivo direto não pede preposição e, por isso, não admite crase no complemento.
Assistir com sentido de ver pede "a". Com sentido de socorrer, dispensa preposição.
Aspirar e visar seguem a mesma lógica: sentido literal vai direto, sentido de almejar vai com "a".
Proceder tem três regências conforme o sentido, e a forma com "a" é a mais cobrada.
Preferir pede "a" e nunca "do que".
Esquecer e lembrar só exigem "de" quando aparecem com pronome.
Regência e crase são o mesmo assunto visto de dois ângulos.
Quem está montando a base de Português faz bem em combinar este guia com o panorama de o que mais cai na disciplina e com o material sobre redação oficial e com os guias completos publicados no blog. Em prova discursiva, regência mal resolvida custa ponto duas vezes: na gramática e na clareza do argumento.

Perguntas frequentes (FAQ)
O que é regência verbal?
É a relação entre o verbo e o complemento que ele exige. Em "obedeça ao regulamento", o verbo obedecer pede a preposição "a", então o complemento é indireto. Já em "leu o regulamento", o verbo leu não pede preposição, e o complemento é direto.
Qual é a diferença entre regência verbal e regência nominal?
Na regência verbal, quem exige o complemento é o verbo. Na regência nominal, quem exige é um substantivo, adjetivo ou advérbio. "Obedecer às normas" é verbal e "obediência às normas" é nominal, com a mesma preposição nos dois casos.
Assisti o filme ou assisti ao filme?
No sentido de ver ou presenciar, o correto é "assisti ao filme", porque o verbo é transitivo indireto. A forma sem preposição só vale quando assistir significa prestar socorro, como em "o médico assistiu o ferido".
Por que "prefiro isso do que aquilo" está errado?
Porque preferir é transitivo direto e indireto e rege a preposição "a". A construção correta é "prefiro isso àquilo". Expressões como "do que", "mais do que" e "em vez de" não são aceitas pela norma padrão com esse verbo.
Regência verbal cai em prova de nível médio?
Cai, e com frequência. Em cargos de nível médio o tema costuma aparecer junto com crase e concordância, geralmente em questões que pedem a identificação da frase correta. A lista de verbos cobrados é praticamente a mesma dos cargos de nível superior.
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