Colocação pronominal: próclise, mesóclise e ênclise

Colocação pronominal: próclise, mesóclise e ênclise
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 28/09 às 15h

Quase toda questão de colocação pronominal se resolve olhando a palavra que vem antes do verbo, não o verbo em si.

Colocação pronominal é a posição que os pronomes oblíquos átonos ocupam em relação ao verbo, e o português admite três posições: próclise, antes do verbo; mesóclise, no meio dele; e ênclise, depois dele. A escolha depende de existir ou não uma palavra atrativa antes do verbo e do tempo verbal empregado.

Infográfico com as três posições da colocação pronominal e o gatilho de cada uma
As três posições do pronome oblíquo átono e o que dispara cada uma.

Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Neste guia:

O que é colocação pronominal?

Colocação pronominal é a parte da sintaxe que define onde o pronome oblíquo átono se encaixa em relação ao verbo. Não se trata de estilo nem de preferência do autor: a norma padrão fixa a posição, e o edital cobra a norma padrão. Por isso o tema aparece tanto em questão isolada de gramática quanto na correção da discursiva.

O detalhe que muda o jogo é simples de enunciar e difícil de aplicar sob pressão. O verbo quase nunca decide sozinho. Quem decide é o que está à esquerda dele.

Quais pronomes entram na regra?

Os pronomes oblíquos átonos são me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos e vos. São átonos porque não recebem acento tônico próprio dentro da frase, e é essa fragilidade fonética que os faz depender de um verbo por perto. Pronomes oblíquos tônicos, como mim, ti e si, vêm sempre precedidos de preposição e ficam fora deste assunto.

Vale separar um caso que confunde muita gente na hora da prova. O pronome se pode ser partícula apassivadora, índice de indeterminação do sujeito ou pronome reflexivo, e essa classificação interfere na análise sintática da frase. Para revisar essa distinção com calma, o material de português para concurso organiza os tópicos na ordem em que as bancas cobram.

Por que a banca cobra tanto esse tema?

Porque a resposta é objetiva e a taxa de erro é alta. Um enunciado de colocação pronominal não depende de interpretação, não abre espaço para recurso subjetivo e separa rapidamente quem estudou norma padrão de quem escreve por intuição. Em provas de certo ou errado esse perfil de questão é ainda mais valioso para a banca, como mostra o funcionamento da prova de certo ou errado do Cebraspe.

Posição

Onde o pronome fica

Exemplo

Gatilho

Próclise

Antes do verbo

Não me chame agora.

Palavra atrativa antes do verbo

Mesóclise

No interior do verbo

Dar-lhe-ei a resposta.

Futuro do presente ou do pretérito, sem palavra atrativa

Ênclise

Depois do verbo

Chame-me amanhã.

Ausência de palavra atrativa

Próclise: o pronome vem antes do verbo.

A próclise coloca o pronome antes do verbo e é obrigatória sempre que existe uma palavra atrativa à esquerda. Essa é a posição mais cobrada em prova, porque a lista de palavras atrativas é fechada e dá para memorizar em uma tarde de estudo.

Palavras atrativas que puxam o pronome:

  • Palavras de sentido negativo: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem.

  • Advérbios, sem vírgula depois deles: aqui, ali, sempre, talvez, agora, bem, mal.

  • Pronomes relativos: que, quem, o qual, cujo, onde, quanto.

  • Pronomes indefinidos: alguém, ninguém, tudo, todos, poucos, muitos.

  • Pronomes demonstrativos: isto, isso, aquilo.

  • Conjunções subordinativas: quando, se, porque, conforme, embora, ainda que.

  • Orações exclamativas e optativas: Deus o abençoe.

Um cuidado que rende ponto: o advérbio só atrai o pronome quando não há vírgula entre ele e o verbo. Em Aqui se trabalha muito a próclise é obrigatória. Em Aqui, trabalha-se muito a vírgula quebra a atração e a ênclise volta. Bancas gostam dessa virada porque ela pune quem decorou a lista sem entender o mecanismo.

Próclise com conjunção subordinativa:

Toda oração subordinada iniciada por conjunção pede próclise. Escreva Quando me chamarem, eu vou e não a versão com o pronome depois do verbo. O mesmo vale para as orações reduzidas de gerúndio precedidas de preposição em, como em Em se tratando de prazo, a lei é clara. Quem estuda o papel sintático do que reconhece essas conjunções mais rápido na leitura do enunciado.

Ênclise: o pronome vem depois do verbo.

A ênclise coloca o pronome depois do verbo, ligado por hífen, e é a posição padrão quando nada atrai o pronome para a frente. Existem três situações em que ela deixa de ser opção e passa a ser obrigação.

Quando a ênclise é obrigatória:

  1. Verbo abrindo a oração: Entregaram-me o cartão de confirmação.

  2. Verbo no imperativo afirmativo: Sente-se e leia o edital com atenção.

  3. Verbo no gerúndio sem preposição antes: Saiu reclamando-se da prova.

O primeiro caso é o que mais aparece em prova, porque tem consequência prática imediata: a norma padrão não aceita pronome oblíquo átono iniciando período. Frase como Me diga a nota de corte é correta na conversa e errada na prova, onde o esperado é Diga-me a nota de corte. Essa mesma exigência vale na redação oficial, que segue o padrão formal sem concessões.

Como o verbo muda de forma na ênclise:

Quando o pronome o, a, os ou as entra em ênclise, a terminação do verbo se ajusta, e aí mora uma pegadinha clássica. Verbo terminado em r, s ou z perde a letra final: entregar o documento vira entregá-lo. Verbo terminado em som nasal ganha n antes do pronome: põem o nome vira põem-no. Verbo terminado em ditongo nasal escrito com m também pede essa troca.

Terminação do verbo

O que acontece

Antes

Depois

r, s, z

A letra final cai e o verbo recebe acento quando necessário

fazer a prova

fazê-la

ão, õe, am, em

O pronome recebe n inicial

dão a nota

dão-na

Vogal simples

Nada muda, só entra o hífen

chame o candidato

chame-o

Mesóclise: o caso raro que a banca adora.

A mesóclise coloca o pronome dentro da forma verbal e só existe em dois tempos: futuro do presente e futuro do pretérito. A condição é não haver palavra atrativa antes do verbo. Sem palavra atrativa, o pronome entra no meio: Convidá-lo-emos para a posse.

Aparece pouco na língua falada e muito em prova, exatamente por ser rara. E a banca costuma cobrar a mesóclise pelo avesso: apresenta uma frase com palavra negativa antes do verbo no futuro e pergunta se a mesóclise cabe. Não cabe. Com palavra atrativa, a próclise vence: Não o convidaremos para a posse.

Outro erro frequente é usar mesóclise com verbo que não está no futuro. Formas de pretérito perfeito ou de presente não admitem a posição intermediária, e o candidato que tenta aplicar a regra fora do tempo verbal correto perde a questão. Quem monta um caderno de erros registra esse tropeço uma vez e não repete.

Colocação pronominal com locução verbal:

Na locução verbal existem duas posições disponíveis para o pronome, e as duas podem estar corretas na mesma frase. O pronome pode vir antes do verbo auxiliar, entre os dois verbos ou depois do principal, conforme a forma nominal empregada e a presença de palavra atrativa.

Com o verbo principal no infinitivo, a norma aceita três construções: Vou lhe contar o resultado, Vou contar-lhe o resultado e, com palavra atrativa antes, Não lhe vou contar o resultado. Todas passam na norma padrão, e é aqui que muita questão tenta induzir o candidato a marcar erro onde não existe.

Com o verbo principal no particípio, a ênclise ao particípio está fora de questão. Escreva Havia lhe entregado o cartão, nunca a versão com o pronome depois de entregado. Essa restrição é tão testada quanto a concordância verbal e a regência verbal, que formam com colocação pronominal o trio de sintaxe mais recorrente nos editais.

Como as bancas cobram colocação pronominal?

O formato mais comum é a questão de reescrita: a banca apresenta quatro ou cinco frases e pede a única em que o pronome está bem colocado, ou a única em que está mal colocado. O segundo formato é a correção de trecho dentro de um texto maior, misturando colocação com crase e pontuação.

Questão comentada:

Analise a frase: Nunca se viu tanta procura por um edital de nível superior. Está correta? Sim. O advérbio nunca tem sentido negativo, atrai o pronome, e a próclise é obrigatória. Trocar para Nunca viu-se torna a frase errada, mesmo que soe aceitável na leitura rápida.

Agora a variação que a banca aplica em seguida: Tudo se resolveu depois do recurso. Também correta, porque tudo é pronome indefinido e exerce a mesma atração. Já Resolveu-se tudo depois do recurso é igualmente correta, porque nesse arranjo a palavra atrativa deixou de anteceder o verbo. Duas frases certas com a mesma palavra em posições diferentes: esse é o nível de detalhe que separa o acerto do chute.

Treinar esse raciocínio exige volume de questões, não releitura de teoria. Um banco de questões organizado por tópico resolve isso melhor do que qualquer resumo, e a coleta de provas anteriores da sua banca revela o padrão de cobrança que ela repete.

Cinco erros de colocação pronominal que derrubam candidato:

  1. Começar o período com pronome oblíquo átono, como em Me parece que o prazo venceu.

  2. Usar ênclise depois de palavra negativa: Não diga-me isso está errado.

  3. Ignorar a vírgula que anula a atração do advérbio.

  4. Colocar o pronome depois do particípio, como em Tinha entregado-lhe o laudo.

  5. Tentar mesóclise em tempo verbal que não é futuro do presente nem futuro do pretérito.

Os cinco erros têm a mesma origem: o candidato aplica o que soa natural na fala. A oralidade brasileira prefere a próclise em quase tudo, inclusive no começo de frase, e a prova cobra a norma escrita. Reconhecer esse descompasso é meio caminho, e revisar a interpretação de texto junto com a gramática ajuda a ler o enunciado sem cair na armadilha do som.

Se o seu estudo de língua portuguesa ainda está solto, encaixar esse tema em um cronograma de estudos faz diferença. Colocação pronominal rende ponto com pouca hora de estudo, e por isso merece lugar cedo na sua lista, antes dos assuntos que exigem semanas de maturação.

Onde conferir a norma:

Perguntas frequentes:

O que é colocação pronominal?

Colocação pronominal é o estudo da posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Existem três posições possíveis: próclise, antes do verbo; mesóclise, no interior da forma verbal; e ênclise, depois do verbo. A norma padrão define qual delas cabe em cada frase, e é justamente essa escolha que as bancas cobram.

Como saber se a colocação pronominal está correta?

Olhe primeiro a palavra que antecede o verbo. Se houver palavra negativa, advérbio, pronome relativo, indefinido ou conjunção subordinativa, a próclise é a posição esperada. Se não houver nenhuma dessas palavras atrativas e o verbo não estiver no futuro do presente nem no futuro do pretérito, a ênclise resolve.

Quando usar mesóclise?

A mesóclise cabe quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito e nada atrai o pronome para antes dele. O pronome entra entre o radical e a terminação, como em dar-lhe-ei e contar-se-ia. Se houver palavra atrativa antes do verbo, a mesóclise é desfeita e a próclise assume.

Pode iniciar frase com pronome oblíquo átono?

A norma padrão não admite pronome oblíquo átono abrindo período, e é um dos erros que as bancas cobram com mais frequência. Na fala coloquial a construção é comum, mas em prova a alternativa correta traz a ênclise. A redação oficial segue a mesma exigência.

A colocação pronominal cai em prova de redação também?

Cai, e costuma pesar mais do que o candidato imagina. Os critérios de correção de discursiva e de redação oficial punem desvio de norma padrão, e pronome mal colocado entra nessa conta. Quem domina as palavras atrativas melhora a objetiva e a discursiva de uma vez.


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