A palavra que ocupa seis classes gramaticais diferentes em português, e a banca cobra justamente o que poucas pessoas revisam.
As funções do que são seis: substantivo, advérbio de intensidade, preposição acidental, pronome relativo ou interrogativo, conjunção e partícula expletiva de realce. A classificação nunca vem da palavra isolada, e sim do papel que ela cumpre dentro da frase. Quem domina três testes de substituição resolve praticamente toda questão do tema.

Atualizado em 27 de setembro de 2026.
Neste artigo você encontrará:
Por que a mesma palavra muda de classe?
Em português, classe gramatical não é etiqueta fixa colada na palavra. É resultado da função que ela exerce no contexto. O que é o exemplo mais extremo disso no idioma, e é por isso que ele virou queridinho de banca.
Compare duas frases curtas. Em Não sei o que dizer. a palavra é pronome. Em Ele disse que viria. a mesma sequência de letras é conjunção. Nada mudou na grafia, tudo mudou na função. Quem estuda a lista de classes sem estudar o mecanismo continua errando, porque a prova apresenta frases, não classificações prontas.
Vale um aviso sobre nomenclatura. Algumas gramáticas listam cinco funções, outras chegam a sete, porque discordam se a preposição acidental e a interjeição merecem entrada própria. Para prova de concurso isso raramente importa: o enunciado cobra o reconhecimento em frase concreta, e as bancas trabalham com o conjunto consolidado que você vai ver aqui. Se a sua apostila trouxer uma contagem diferente, não é erro dela nem daqui, é escolha de autor.
Esse raciocínio é o mesmo que sustenta outros temas de português para concurso e aparece com força em interpretação de texto também.
As seis funções
Substantivo
Quando vem acentuado e precedido de artigo ou de outro determinante, o quê é substantivo e significa alguma coisa, o assunto em si. Exemplo: Havia um quê de ironia na resposta dele. Reconhece-se pelo acento circunflexo e pela possibilidade de trocar por um substantivo comum, como toque ou traço.
Advérbio de intensidade
Aparece em frases exclamativas modificando adjetivo ou advérbio, com sentido de quão. Exemplo: Que bonita ficou a redação! O teste é substituir por quão ou por como sem perder o sentido de intensidade.
Preposição acidental
Nesse caso a palavra equivale a de e liga dois termos, sobretudo em locuções verbais coloquiais. Exemplo: Tenho que estudar hoje. A gramática normativa prefere tenho de estudar, mas as bancas cobram o reconhecimento dessa função em texto corrente.
Pronome relativo
É a função que mais cai. O que retoma um termo anterior, o antecedente, e inicia oração adjetiva. Exemplo: O edital que saiu ontem traz cem vagas. Aqui o que retoma edital e funciona como sujeito da oração adjetiva. O teste definitivo é a troca por o qual, a qual, os quais ou as quais.
Pronome interrogativo
Introduz pergunta direta ou indireta e pode ser substituído por qual coisa. Exemplo: Que matéria você deixou para o fim? Em pergunta indireta ele não perde a função: Perguntei que matéria você deixou para o fim.
Conjunção
Liga duas orações sem retomar termo nenhum. A subdivisão mais cobrada é a conjunção integrante, que introduz oração substantiva. Exemplo: É certo que o prazo encerra hoje. A oração toda pode ser trocada por isso, e essa troca é o que revela a função. O que também atua como conjunção consecutiva, comparativa e causal, dependendo do sentido.
Partícula expletiva de realce
Existe apenas para dar ênfase e pode ser apagada sem ferir a estrutura. Exemplo: Quase que esqueci a documentação. Retire a palavra e a frase continua correta, o que confirma a classificação.
Tabela de testes rápidos
Função | Teste de substituição | Exemplo |
|---|---|---|
Substantivo | Troca por toque, traço, algo | Tem um quê de mistério |
Advérbio de intensidade | Troca por quão | Que difícil estava a prova |
Preposição acidental | Troca por de | Tenho que sair agora |
Pronome relativo | Troca por o qual e flexões | A lei que citei é de 1990 |
Pronome interrogativo | Troca por qual coisa | Que disciplina cai mais |
Conjunção integrante | Oração inteira troca por isso | Sei que você estudou |
Partícula expletiva | Pode ser apagada | Quase que desisti |
Essa mesma lógica de teste rápido funciona em outros temas espinhosos, como o critério de três segundos que organiza a crase em prova e as listas de regência verbal que a banca repete de edital em edital.
Como as bancas abordam o tema?
O enunciado quase nunca pergunta a classe de forma direta. Ele chega disfarçado, e reconhecer o disfarce vale meio ponto na prova.
Reescrita de frase
A banca pede a alternativa que mantém o sentido original trocando o que por o qual. Só funciona se a palavra for pronome relativo, e é aí que o candidato desavisado marca errado. Essa mecânica é típica de provas da FGV e da Fundatec em cargos de nível superior.
Função sintática do pronome relativo
Depois de identificar o pronome relativo, o enunciado pede a função dele dentro da oração adjetiva: sujeito, objeto direto, objeto indireto ou complemento nominal. Aqui não tem atalho, é preciso montar a oração e analisar.
Item de certo ou errado
Em provas de julgamento, a afirmação vem inteira e você decide se a classificação apresentada procede. O formato exige domínio conceitual, porque não há alternativa para comparar. Quem vai enfrentar esse estilo deve entender antes como funciona a prova de certo ou errado do Cebraspe.
Classificação em texto longo
A banca marca uma ocorrência específica em um trecho de vinte linhas e pergunta a classe dela. Bancas como a Quadrix gostam desse formato, que mistura gramática com leitura atenta.
Modelo de questão comentada
O exemplo abaixo segue o estilo das bancas e serve para treinar o raciocínio, não é transcrição de prova aplicada.
Enunciado: na frase Todos sabem que a nomeação que saiu ontem depende de dotação. classifique as duas ocorrências da palavra que, na ordem em que aparecem.
Comentário do gabarito: a primeira ocorrência liga a oração seguinte ao verbo sabem e não retoma termo nenhum. Troque a oração toda por isso, e teremos todos sabem isso, o que confirma conjunção integrante. A segunda ocorrência retoma nomeação e admite a troca por a qual, resultando em a nomeação a qual saiu ontem. Logo é pronome relativo, com função de sujeito na oração adjetiva. A resposta correta é conjunção integrante e pronome relativo.
Repare que os dois testes resolveram a questão em menos de vinte segundos, sem nenhuma memorização de nomenclatura. É esse tipo de automatismo que se constrói resolvendo provas anteriores da própria banca desde o começo do estudo.
Os cinco erros mais comuns
Classificar como pronome relativo sem verificar se existe antecedente na frase.
Confundir a conjunção integrante com a consecutiva, esquecendo que a integrante introduz oração substantiva.
Esquecer o acento circunflexo no quê substantivo e no quê em final de frase interrogativa.
Tratar a partícula expletiva como erro de português, quando ela é recurso de ênfase previsto na norma.
Decorar a lista de funções sem treinar os testes de substituição, que é o que a prova realmente exige.
Há ainda um erro de método, mais silencioso que os cinco acima. Muita gente estuda o tema uma vez, acerta duas questões seguidas e considera a matéria vencida. O reconhecimento das funções do que é habilidade perecível: sem revisão espaçada, ele se desfaz em poucas semanas e volta a custar ponto na prova. Encaixar o tema numa rodada curta de revisão a cada quinze dias sai mais barato que reestudar tudo perto do concurso, e mantém o automatismo de pé.
Erro repetido tem endereço certo, e ele não é a mesma folha de resumo de sempre. Registrar cada tropeço num caderno de erros bem montado resolve mais que reler teoria pela quarta vez.
Resumo para revisar
Se admite troca por o qual, é pronome relativo, e tem antecedente.
Se a oração inteira vira isso, é conjunção integrante.
Se pode ser apagada, é partícula expletiva de realce.
Se vem acentuada com artigo antes, é substantivo.
Se equivale a quão em frase exclamativa, é advérbio de intensidade.
Se equivale a de numa locução verbal, é preposição acidental.
Para fechar o bloco de gramática, vale revisar na sequência concordância verbal e conferir dúvidas pontuais de escrita, como a diferença entre perda e perca ou o uso de de novo e denovo na norma padrão. Quem vai enfrentar prova discursiva ainda precisa dominar redação oficial e a estrutura tratada no guia de redação para concursos deste portal.
A referência normativa da língua está no vocabulário e nas publicações da Academia Brasileira de Letras e o Acordo Ortográfico em vigor foi promulgado pelo Decreto 6.583 de 2008 para consulta direta.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quais são as funções do que?
São seis: substantivo, advérbio de intensidade, preposição acidental, pronome (relativo ou interrogativo), conjunção e partícula expletiva de realce. A classificação nunca sai da palavra isolada, sempre do papel que ela cumpre na frase. Por isso a mesma palavra muda de classe de um período para outro.
Como saber se o que é pronome relativo ou conjunção integrante?
Troque o que por o qual, a qual, os quais ou as quais. Se a frase continuar de pé, é pronome relativo, porque ele retoma um antecedente. Se a troca destruir a frase, teste substituir a oração inteira por isso: funcionando, é conjunção integrante, já que a oração exerce função de sujeito ou de complemento.
O que é partícula expletiva de realce?
É o que que pode ser retirado da frase sem prejuízo de sentido nem de estrutura, como em quase que perdi a prova. Serve apenas para enfatizar. O teste é direto: apague a palavra e leia de novo, e se a frase permanecer correta, era expletiva.
O que cai mais em prova sobre a palavra que?
As bancas concentram a cobrança em três pontos: distinguir pronome relativo de conjunção integrante, identificar a função sintática do pronome relativo dentro da oração adjetiva e reconhecer a partícula expletiva. Questões de reescrita de frase também exploram muito a troca por o qual.
Preciso decorar a lista das seis funções?
Decorar a lista ajuda menos que dominar os três testes de substituição. Na prova você não recebe a classificação pronta, recebe uma frase e precisa decidir. Treinar com questões comentadas fixa o raciocínio mais rápido que memorizar nomenclatura solta.
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