Coesão e coerência: como a banca cobra na prova?

Coesão e coerência: como a banca cobra na prova?
Atualizado em 03/10 às 15h

Trocar portanto por porém em uma frase deixa a gramática intacta e inverte o sentido inteiro. É exatamente nesse ponto que a banca derruba candidato na questão de coesão.

Coesão é a amarração formal do texto, feita por conectivos, pronomes, sinônimos e elipses que ligam uma parte à outra. Coerência é a relação lógica entre as ideias, que faz o texto fazer sentido como um todo. Um texto pode ser coeso e incoerente, e é essa combinação que a prova objetiva explora.

Infográfico comparando coesão e coerência textual para prova de concurso
A coesão aparece nas palavras, a coerência só na leitura do conjunto.

O que você vai ver aqui:

O que são coesão e coerência?

Coesão é o conjunto de recursos que ligam as partes do texto na superfície: conectivos, pronomes, advérbios, sinônimos, repetições e omissões controladas. São as costuras visíveis entre frases e parágrafos.

Coerência é outra camada. Ela está no sentido, não na forma. Um texto coerente não se contradiz, progride para algum lugar, respeita o conhecimento que o leitor já tem do mundo e mantém um tema reconhecível do começo ao fim.

Por que a distinção importa na prova?

Porque a banca monta questões justamente no desencontro entre as duas. O enunciado apresenta um período com conectivo gramaticalmente bem empregado, mas que estabelece relação lógica errada entre as orações, e pergunta se a substituição mantém o sentido. Quem só checa a gramática marca certo e erra.

Esse raciocínio é o mesmo que sustenta a interpretação de texto em concurso, e os dois assuntos costumam dividir a mesma leva de questões no edital.

Qual é a diferença entre coesão e coerência?

Critério

Coesão

Coerência

Onde atua

Na superfície do texto, entre as palavras e as orações.

No plano do sentido, entre as ideias.

Recursos

Conectivos, pronomes, sinônimos, elipse, repetição.

Progressão temática, não contradição, relevância.

Como falha

Conectivo inadequado, referência ambígua, pronome sem antecedente.

Contradição, circularidade, conclusão que não decorre das premissas.

É visível ao olho

Sim, está marcada por palavras no texto.

Não, depende da leitura do conjunto.

Um exemplo resolve a dúvida. A frase choveu muito, portanto a rua ficou seca é coesa, porque o conectivo está bem colocado e a estrutura sintática está correta. E é incoerente, porque a conclusão contraria o que se sabe sobre chuva e asfalto. O contrário também existe: ideias encadeadas de forma lógica, mas sem nenhuma costura entre as frases, resultam em texto coerente e pouco coeso.

Quais são os mecanismos de coesão?

A classificação mais cobrada divide a coesão em duas grandes famílias: referencial, que retoma ou antecipa elementos, e sequencial, que encadeia as partes do texto. Dentro delas ficam os recursos que a banca nomeia nas alternativas.

Coesão referencial por anáfora.

Anáfora é a retomada de algo já dito. Em o candidato leu o edital, e ele percebeu a mudança de banca, o pronome ele retoma o candidato. Quando há mais de um substantivo possível antes do pronome, surge a ambiguidade que a prova adora cobrar.

Coesão referencial por catáfora.

Catáfora é o movimento inverso: o elemento antecipa o que vem depois. Em era isto que ele queria: revisar o edital inteiro antes da prova, o pronome isto aponta para a frase seguinte. Confundir anáfora com catáfora é erro recorrente, e o truque é olhar a direção da seta.

Substituição e coesão lexical.

Em vez de repetir a mesma palavra, o texto usa sinônimo, hiperônimo ou expressão equivalente. Em o Supremo decidiu o caso, e a Corte fixou tese de repercussão geral, a palavra Corte substitui Supremo. Esse recurso também é chamado de substituição lexical e resolve a maior parte das questões de reescrita.

Elipse.

Elipse é a omissão de um termo recuperável pelo contexto. Em uns estudaram pela manhã, outros, à noite, o verbo estudaram está elidido na segunda oração. Em prova de reescrita, apagar o termo errado quebra a frase, e é por aí que a banca pune.

Coesão sequencial por conectivos.

É o encadeamento feito por conjunções, locuções e advérbios que marcam relação lógica. Esse é o mecanismo mais cobrado de todos, por um motivo simples: cada conectivo carrega um sentido fixo, e trocar um pelo outro muda o argumento. Vale revisar junto as funções do QUE e a colocação pronominal, que aparecem nas mesmas questões de reescrita.

Conectivos e as relações de sentido que eles marcam:

Relação

Conectivos típicos

O que a banca testa

Oposição

mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto

Trocar por conectivo de conclusão e inverter o argumento.

Conclusão

portanto, logo, por isso, assim, então

Usar onde a causa não sustenta a conclusão.

Causa

porque, já que, uma vez que, como, visto que

Confundir causa com consequência na reescrita.

Consequência

de modo que, tanto que, de forma que

Inverter a ordem lógica entre as orações.

Condição

se, caso, desde que, salvo se, contanto que

Trocar por concessiva e alterar a hipótese.

Concessão

embora, ainda que, mesmo que, apesar de

Trocar por adversativa, que é parecida mas não igual.

Finalidade

para que, a fim de que, com o objetivo de

Confundir com causa, invertendo o propósito.

Adição

e, também, não só, bem como

Somar ideias que o texto apresentava em contraste.

Guarde o par que mais engana: embora e mas. Os dois sinalizam contraste, mas a concessiva admite o fato e segue adiante, enquanto a adversativa opõe duas informações no mesmo nível. Em embora tenha estudado, foi reprovado, o estudo é admitido. Em estudou, mas foi reprovado, as duas informações se contrapõem. A banca aproveita essa proximidade para montar alternativa falsa de substituição equivalente.

O que quebra a coerência de um texto?

  • Contradição interna, quando um trecho afirma o que outro nega.

  • Falta de progressão, quando o texto repete a mesma ideia com outras palavras e não avança.

  • Circularidade, quando a conclusão só repete a premissa.

  • Conclusão que não decorre dos fatos narrados, o vício que aparece até no artigo 330 do Código de Processo Civil como causa de inépcia.

  • Ruptura de tema, quando um parágrafo abandona o assunto sem transição.

  • Violação do conhecimento compartilhado, quando o texto afirma algo que contraria fato notório.

Note que o item da conclusão ilógica tem valor jurídico, e não apenas textual: quem escreve peça ou parecer em prova discursiva é avaliado por isso. Essa é a ponte entre gramática e redação oficial, onde clareza e concisão deixam de ser estilo e passam a ser exigência.

Como a banca cobra coesão e coerência na objetiva?

Em três formatos, basicamente: substituição de conectivo, identificação do referente de um pronome e julgamento de reescrita de trecho. Os três pedem leitura do período inteiro, nunca só da palavra sublinhada.

Exemplo 1, substituição de conectivo.

Enunciado: a prova foi longa, mas o candidato terminou dentro do tempo. A substituição de "mas" por "portanto" preserva o sentido original do período.

Gabarito: errado. O conectivo mas marca oposição entre a extensão da prova e o fato de ter sido concluída no prazo. Portanto marcaria conclusão, como se terminar no tempo fosse resultado de a prova ser longa. A gramática aceita as duas construções, o sentido não.

Exemplo 2, referência pronominal.

Enunciado: o examinador entregou o caderno ao fiscal, porque ele havia solicitado a conferência. O pronome "ele" retoma "examinador".

Gabarito: a ambiguidade é real e a questão costuma vir acompanhada de contexto adicional que resolve a referência. Sem esse contexto, nada obriga a leitura de que o pronome retome o primeiro substantivo. A lição prática é simples: quando houver dois antecedentes possíveis, procure no período anterior o elemento que a lógica do texto exige, e não o mais próximo.

Exemplo 3, reescrita de trecho.

Enunciado pede a reescrita que mantém sentido e correção. A alternativa correta costuma ser a que preserva a relação lógica original mesmo alterando a ordem das orações, e as distratoras trocam concessão por oposição, causa por finalidade ou apagam um termo necessário. Treinar volume de questões desse tipo é o que faz diferença, e um banco de questões bem usado acelera o reconhecimento do padrão.

Como coesão e coerência valem pontos na discursiva?

Na prova discursiva e na redação, coesão e coerência quase sempre formam um critério próprio na grade de correção, ao lado de conteúdo e de gramática. Perder ponto ali é comum em texto que tem boa tese e parágrafos soltos.

O que o corretor procura?

  • Transição explícita entre parágrafos, sem salto de assunto.

  • Retomada variada do tema, sem repetir a mesma palavra em toda frase.

  • Conectivo compatível com o movimento do argumento.

  • Pronome com antecedente claro, inclusive entre parágrafos distantes.

  • Progressão real, com cada parágrafo acrescentando informação nova.

O Manual de Redação da Presidência da República é a referência oficial para esse padrão de escrita no serviço público e vale uma leitura antes de treinar texto. Se a sua banca cobra discursiva, combine este conteúdo com o guia de redação para concursos e com o passo a passo de como estruturar o texto. Se já recebeu nota e discorda dela, veja como funciona o recurso contra nota de discursiva.

Quais erros mais custam pontos nesse tema?

  • Tratar coesão e coerência como sinônimos e responder por intuição.

  • Checar só a gramática da substituição e ignorar a relação lógica.

  • Confundir anáfora com catáfora por não olhar a direção da retomada.

  • Assumir que o pronome retoma sempre o substantivo mais próximo.

  • Aceitar a troca entre concessiva e adversativa como equivalente.

  • Repetir a mesma palavra na redação por medo de errar o sinônimo.

Se você erra muito em reescrita, o problema raramente é vocabulário. Costuma ser a mesma lacuna que atrapalha em regência verbal, em concordância verbal e na crase: ler o período até o fim antes de decidir.

Resumo para revisão rápida:

Conceito

Em uma linha

Coesão

Ligação formal entre as partes do texto, marcada por palavras.

Coerência

Relação lógica de sentido entre as ideias do texto.

Anáfora

Retoma elemento já mencionado, aponta para trás.

Catáfora

Antecipa elemento que vem depois, aponta para frente.

Elipse

Omite termo recuperável pelo contexto.

Substituição lexical

Troca a palavra por sinônimo, hiperônimo ou equivalente.

Erro mais cobrado

Troca de conectivo que mantém a gramática e muda o sentido.

Par mais confundido

Concessiva com embora contra adversativa com mas.

Para fechar o bloco de língua portuguesa do seu edital, vale revisar também acentuação gráfica, concordância nominal e o panorama de o que mais cai em português.

Pessoa escrevendo texto à mão em folha pautada durante prova discursiva
Na discursiva, coesão e coerência costumam formar critério próprio de correção.

Perguntas frequentes:

O que são coesão e coerência em um texto?

Coesão é a ligação formal entre as partes do texto, feita por conectivos, pronomes, sinônimos e elipses. Coerência é a relação lógica entre as ideias, que mantém o sentido do conjunto sem contradição e com progressão. A coesão se vê nas palavras, a coerência só aparece na leitura inteira.

Qual é a diferença entre coesão e coerência?

A coesão opera na superfície, com marcas visíveis no texto, e a coerência opera no plano do sentido. Por isso um texto pode ser perfeitamente coeso e, ainda assim, incoerente, como em "choveu muito, portanto a rua ficou seca". A banca explora exatamente esse descolamento.

Coesão e coerência caem na prova objetiva ou só na redação?

Caem nas duas. Na objetiva aparecem como substituição de conectivo, identificação de referente pronominal e julgamento de reescrita de trecho. Na discursiva costumam formar critério próprio na grade de correção, somando pontos independentes de conteúdo e de gramática.

Quais são os mecanismos de coesão mais cobrados?

Os conectivos lideram, porque cada um carrega relação lógica fixa e a troca altera o argumento. Em seguida vêm a referência pronominal, com as questões de anáfora e catáfora, a substituição lexical por sinônimo e a elipse. Dominar esses quatro resolve a maior parte das questões.


Pare de perder ponto em reescrita de trecho:

Coesão e coerência são o tipo de conteúdo que não se resolve lendo teoria uma vez: resolve-se reconhecendo o padrão da banca em dezenas de questões. Nos cursos do Portal Concursos você tem aula ao vivo para destravar a dúvida que a teoria não resolveu, banco de questões separado por mecanismo e simulados que repetem o estilo de reescrita da sua banca.

Assinatura PortalAssine o Portal e estude para qualquer concursoTodos os cursos, simulados e o banco de questões em um único plano.
Ver planos→

Compartilhar:

Comentários

Carregando comentários…

Pular para o conteúdo principal