Trocar portanto por porém em uma frase deixa a gramática intacta e inverte o sentido inteiro. É exatamente nesse ponto que a banca derruba candidato na questão de coesão.
Coesão é a amarração formal do texto, feita por conectivos, pronomes, sinônimos e elipses que ligam uma parte à outra. Coerência é a relação lógica entre as ideias, que faz o texto fazer sentido como um todo. Um texto pode ser coeso e incoerente, e é essa combinação que a prova objetiva explora.

O que você vai ver aqui:
O que são coesão e coerência?
Coesão é o conjunto de recursos que ligam as partes do texto na superfície: conectivos, pronomes, advérbios, sinônimos, repetições e omissões controladas. São as costuras visíveis entre frases e parágrafos.
Coerência é outra camada. Ela está no sentido, não na forma. Um texto coerente não se contradiz, progride para algum lugar, respeita o conhecimento que o leitor já tem do mundo e mantém um tema reconhecível do começo ao fim.
Por que a distinção importa na prova?
Porque a banca monta questões justamente no desencontro entre as duas. O enunciado apresenta um período com conectivo gramaticalmente bem empregado, mas que estabelece relação lógica errada entre as orações, e pergunta se a substituição mantém o sentido. Quem só checa a gramática marca certo e erra.
Esse raciocínio é o mesmo que sustenta a interpretação de texto em concurso, e os dois assuntos costumam dividir a mesma leva de questões no edital.
Qual é a diferença entre coesão e coerência?
Critério | Coesão | Coerência |
|---|---|---|
Onde atua | Na superfície do texto, entre as palavras e as orações. | No plano do sentido, entre as ideias. |
Recursos | Conectivos, pronomes, sinônimos, elipse, repetição. | Progressão temática, não contradição, relevância. |
Como falha | Conectivo inadequado, referência ambígua, pronome sem antecedente. | Contradição, circularidade, conclusão que não decorre das premissas. |
É visível ao olho | Sim, está marcada por palavras no texto. | Não, depende da leitura do conjunto. |
Um exemplo resolve a dúvida. A frase choveu muito, portanto a rua ficou seca é coesa, porque o conectivo está bem colocado e a estrutura sintática está correta. E é incoerente, porque a conclusão contraria o que se sabe sobre chuva e asfalto. O contrário também existe: ideias encadeadas de forma lógica, mas sem nenhuma costura entre as frases, resultam em texto coerente e pouco coeso.
Quais são os mecanismos de coesão?
A classificação mais cobrada divide a coesão em duas grandes famílias: referencial, que retoma ou antecipa elementos, e sequencial, que encadeia as partes do texto. Dentro delas ficam os recursos que a banca nomeia nas alternativas.
Coesão referencial por anáfora.
Anáfora é a retomada de algo já dito. Em o candidato leu o edital, e ele percebeu a mudança de banca, o pronome ele retoma o candidato. Quando há mais de um substantivo possível antes do pronome, surge a ambiguidade que a prova adora cobrar.
Coesão referencial por catáfora.
Catáfora é o movimento inverso: o elemento antecipa o que vem depois. Em era isto que ele queria: revisar o edital inteiro antes da prova, o pronome isto aponta para a frase seguinte. Confundir anáfora com catáfora é erro recorrente, e o truque é olhar a direção da seta.
Substituição e coesão lexical.
Em vez de repetir a mesma palavra, o texto usa sinônimo, hiperônimo ou expressão equivalente. Em o Supremo decidiu o caso, e a Corte fixou tese de repercussão geral, a palavra Corte substitui Supremo. Esse recurso também é chamado de substituição lexical e resolve a maior parte das questões de reescrita.
Elipse.
Elipse é a omissão de um termo recuperável pelo contexto. Em uns estudaram pela manhã, outros, à noite, o verbo estudaram está elidido na segunda oração. Em prova de reescrita, apagar o termo errado quebra a frase, e é por aí que a banca pune.
Coesão sequencial por conectivos.
É o encadeamento feito por conjunções, locuções e advérbios que marcam relação lógica. Esse é o mecanismo mais cobrado de todos, por um motivo simples: cada conectivo carrega um sentido fixo, e trocar um pelo outro muda o argumento. Vale revisar junto as funções do QUE e a colocação pronominal, que aparecem nas mesmas questões de reescrita.
Conectivos e as relações de sentido que eles marcam:
Relação | Conectivos típicos | O que a banca testa |
|---|---|---|
Oposição | mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto | Trocar por conectivo de conclusão e inverter o argumento. |
Conclusão | portanto, logo, por isso, assim, então | Usar onde a causa não sustenta a conclusão. |
Causa | porque, já que, uma vez que, como, visto que | Confundir causa com consequência na reescrita. |
Consequência | de modo que, tanto que, de forma que | Inverter a ordem lógica entre as orações. |
Condição | se, caso, desde que, salvo se, contanto que | Trocar por concessiva e alterar a hipótese. |
Concessão | embora, ainda que, mesmo que, apesar de | Trocar por adversativa, que é parecida mas não igual. |
Finalidade | para que, a fim de que, com o objetivo de | Confundir com causa, invertendo o propósito. |
Adição | e, também, não só, bem como | Somar ideias que o texto apresentava em contraste. |
Guarde o par que mais engana: embora e mas. Os dois sinalizam contraste, mas a concessiva admite o fato e segue adiante, enquanto a adversativa opõe duas informações no mesmo nível. Em embora tenha estudado, foi reprovado, o estudo é admitido. Em estudou, mas foi reprovado, as duas informações se contrapõem. A banca aproveita essa proximidade para montar alternativa falsa de substituição equivalente.
O que quebra a coerência de um texto?
Contradição interna, quando um trecho afirma o que outro nega.
Falta de progressão, quando o texto repete a mesma ideia com outras palavras e não avança.
Circularidade, quando a conclusão só repete a premissa.
Conclusão que não decorre dos fatos narrados, o vício que aparece até no artigo 330 do Código de Processo Civil como causa de inépcia.
Ruptura de tema, quando um parágrafo abandona o assunto sem transição.
Violação do conhecimento compartilhado, quando o texto afirma algo que contraria fato notório.
Note que o item da conclusão ilógica tem valor jurídico, e não apenas textual: quem escreve peça ou parecer em prova discursiva é avaliado por isso. Essa é a ponte entre gramática e redação oficial, onde clareza e concisão deixam de ser estilo e passam a ser exigência.
Como a banca cobra coesão e coerência na objetiva?
Em três formatos, basicamente: substituição de conectivo, identificação do referente de um pronome e julgamento de reescrita de trecho. Os três pedem leitura do período inteiro, nunca só da palavra sublinhada.
Exemplo 1, substituição de conectivo.
Enunciado: a prova foi longa, mas o candidato terminou dentro do tempo. A substituição de "mas" por "portanto" preserva o sentido original do período.
Gabarito: errado. O conectivo mas marca oposição entre a extensão da prova e o fato de ter sido concluída no prazo. Portanto marcaria conclusão, como se terminar no tempo fosse resultado de a prova ser longa. A gramática aceita as duas construções, o sentido não.
Exemplo 2, referência pronominal.
Enunciado: o examinador entregou o caderno ao fiscal, porque ele havia solicitado a conferência. O pronome "ele" retoma "examinador".
Gabarito: a ambiguidade é real e a questão costuma vir acompanhada de contexto adicional que resolve a referência. Sem esse contexto, nada obriga a leitura de que o pronome retome o primeiro substantivo. A lição prática é simples: quando houver dois antecedentes possíveis, procure no período anterior o elemento que a lógica do texto exige, e não o mais próximo.
Exemplo 3, reescrita de trecho.
Enunciado pede a reescrita que mantém sentido e correção. A alternativa correta costuma ser a que preserva a relação lógica original mesmo alterando a ordem das orações, e as distratoras trocam concessão por oposição, causa por finalidade ou apagam um termo necessário. Treinar volume de questões desse tipo é o que faz diferença, e um banco de questões bem usado acelera o reconhecimento do padrão.
Como coesão e coerência valem pontos na discursiva?
Na prova discursiva e na redação, coesão e coerência quase sempre formam um critério próprio na grade de correção, ao lado de conteúdo e de gramática. Perder ponto ali é comum em texto que tem boa tese e parágrafos soltos.
O que o corretor procura?
Transição explícita entre parágrafos, sem salto de assunto.
Retomada variada do tema, sem repetir a mesma palavra em toda frase.
Conectivo compatível com o movimento do argumento.
Pronome com antecedente claro, inclusive entre parágrafos distantes.
Progressão real, com cada parágrafo acrescentando informação nova.
O Manual de Redação da Presidência da República é a referência oficial para esse padrão de escrita no serviço público e vale uma leitura antes de treinar texto. Se a sua banca cobra discursiva, combine este conteúdo com o guia de redação para concursos e com o passo a passo de como estruturar o texto. Se já recebeu nota e discorda dela, veja como funciona o recurso contra nota de discursiva.
Quais erros mais custam pontos nesse tema?
Tratar coesão e coerência como sinônimos e responder por intuição.
Checar só a gramática da substituição e ignorar a relação lógica.
Confundir anáfora com catáfora por não olhar a direção da retomada.
Assumir que o pronome retoma sempre o substantivo mais próximo.
Aceitar a troca entre concessiva e adversativa como equivalente.
Repetir a mesma palavra na redação por medo de errar o sinônimo.
Se você erra muito em reescrita, o problema raramente é vocabulário. Costuma ser a mesma lacuna que atrapalha em regência verbal, em concordância verbal e na crase: ler o período até o fim antes de decidir.
Resumo para revisão rápida:
Conceito | Em uma linha |
|---|---|
Coesão | Ligação formal entre as partes do texto, marcada por palavras. |
Coerência | Relação lógica de sentido entre as ideias do texto. |
Anáfora | Retoma elemento já mencionado, aponta para trás. |
Catáfora | Antecipa elemento que vem depois, aponta para frente. |
Elipse | Omite termo recuperável pelo contexto. |
Substituição lexical | Troca a palavra por sinônimo, hiperônimo ou equivalente. |
Erro mais cobrado | Troca de conectivo que mantém a gramática e muda o sentido. |
Par mais confundido | Concessiva com embora contra adversativa com mas. |
Para fechar o bloco de língua portuguesa do seu edital, vale revisar também acentuação gráfica, concordância nominal e o panorama de o que mais cai em português.

Perguntas frequentes:
O que são coesão e coerência em um texto?
Coesão é a ligação formal entre as partes do texto, feita por conectivos, pronomes, sinônimos e elipses. Coerência é a relação lógica entre as ideias, que mantém o sentido do conjunto sem contradição e com progressão. A coesão se vê nas palavras, a coerência só aparece na leitura inteira.
Qual é a diferença entre coesão e coerência?
A coesão opera na superfície, com marcas visíveis no texto, e a coerência opera no plano do sentido. Por isso um texto pode ser perfeitamente coeso e, ainda assim, incoerente, como em "choveu muito, portanto a rua ficou seca". A banca explora exatamente esse descolamento.
Coesão e coerência caem na prova objetiva ou só na redação?
Caem nas duas. Na objetiva aparecem como substituição de conectivo, identificação de referente pronominal e julgamento de reescrita de trecho. Na discursiva costumam formar critério próprio na grade de correção, somando pontos independentes de conteúdo e de gramática.
Quais são os mecanismos de coesão mais cobrados?
Os conectivos lideram, porque cada um carrega relação lógica fixa e a troca altera o argumento. Em seguida vêm a referência pronominal, com as questões de anáfora e catáfora, a substituição lexical por sinônimo e a elipse. Dominar esses quatro resolve a maior parte das questões.
Pare de perder ponto em reescrita de trecho:
Coesão e coerência são o tipo de conteúdo que não se resolve lendo teoria uma vez: resolve-se reconhecendo o padrão da banca em dezenas de questões. Nos cursos do Portal Concursos você tem aula ao vivo para destravar a dúvida que a teoria não resolveu, banco de questões separado por mecanismo e simulados que repetem o estilo de reescrita da sua banca.