Nem toda palavra com sílaba tônica é acentuada: as palavras ideia, heroico e voo perderam o acento na última atualização do Acordo Ortográfico, vigente desde 2016.
A acentuação gráfica é o conjunto de regras que define quando uma palavra recebe acento agudo, circunflexo, til ou grave. A decisão depende de dois fatores: a localização da sílaba tônica e a terminação da palavra. Quem domina esses dois critérios resolve a maioria das questões sem precisar decorar listas de palavras.

Atualizado em 30 de setembro de 2026.
Neste guia você terá acesso a:
O que é acentuação gráfica?
Acentuação gráfica é a marcação escrita da sílaba mais forte de uma palavra, feita com acento agudo, circunflexo, til ou acento grave. Ela não existe para enfeitar o texto: serve para o leitor saber onde está a força da pronúncia e, em alguns casos, para separar palavras que seriam idênticas na escrita.
Repare na diferença entre "secretaria" e "secretária". A primeira é o setor, a segunda é a pessoa. O acento é o único sinal que separa as duas, e é exatamente esse tipo de par que aparece em prova de língua portuguesa disfarçado de pergunta sobre sentido do texto.
Um detalhe que costuma passar batido: acento gráfico e sinal diacrítico não são a mesma coisa. A cedilha de "ação" e o til de "irmã" são diacríticos, mas o til, além de indicar nasalidade, também marca tonicidade em muitas palavras. Já a crase, indicada pelo acento grave, tem regra própria e nada a ver com tonicidade, como você vê no material sobre regras de crase e concordância do blog.
Os quatro sinais e a função de cada um
Acento agudo (á, é, í, ó, ú): marca a sílaba tônica com som aberto ou vogais i e u tônicas.
Acento circunflexo (â, ê, ô): marca a sílaba tônica com som fechado.
Til (ã, õ): indica nasalidade e, em boa parte das palavras, coincide com a sílaba tônica.
Acento grave (à): hoje só aparece na contração da preposição com artigo, ou seja, na crase.
A sílaba tônica e a regra
Antes de perguntar se a palavra leva acento, descubra onde está a força. Toda regra de acentuação parte da classificação da palavra pela posição da sílaba tônica, e errar essa classificação faz o resto desandar.
Proparoxítonas
A força cai na antepenúltima sílaba. Aqui a regra é a mais generosa que existe em português: todas as proparoxítonas são acentuadas sem exceção. Médico, câmara, lâmpada, árvore, público, técnico. Se você identificou uma proparoxítona, já sabe que tem acento. É a única regra de português para concurso que não pede exceção.
Paroxítonas
A força cai na penúltima sílaba. É o grupo mais numeroso do idioma e justamente por isso a regra é restritiva: a maioria não leva acento. Recebem acento apenas as paroxítonas terminadas em determinadas letras ou grupos, como i, is, us, um, uns, l, n, r, x, ps, ã, ãs, ão, ãos e ditongo oral.
Exemplos que valem memorizar pela terminação: júri, lápis, vírus, álbum, fácil, pólen, açúcar, tórax, bíceps, órgão, série.
Oxítonas
A força cai na última sílaba. São acentuadas as terminadas em a, as, e, es, o, os, em, ens, além dos ditongos abertos éi, éu e ói. Sofá, atrás, café, português, avô, avós, além, parabéns, herói.
Monossílabos tônicos
Palavra de uma só sílaba com força própria. Acentuam-se os terminados em a, as, e, es, o, os. Pá, más, pé, mês, só, nós. Os monossílabos átonos, como as preposições e os artigos, ficam sem acento. Vale o mesmo raciocínio de leitura atenta que a prova exige em todas as etapas do concurso em si.
As regras por classificação do vocábulo
A tabela abaixo resume o que decide o acento em cada grupo. Ela é o esqueleto de praticamente toda questão de acentuação gráfica em concurso.
Classificação | Onde cai a força | Quando leva acento | Exemplos |
|---|---|---|---|
Proparoxítona | Antepenúltima sílaba | Sempre | médico, câmara, público |
Paroxítona | Penúltima sílaba | Terminadas em i, is, us, um, uns, l, n, r, x, ps, ã, ão e ditongo oral | júri, fácil, açúcar, órgão, série |
Oxítona | Última sílaba | Terminadas em a, as, e, es, o, os, em, ens | sofá, café, avô, além |
Monossílabo tônico | Única sílaba | Terminados em a, as, e, es, o, os | pá, pé, mês, só |
Dica de leitura útil para essa tabela: paroxítona e oxítona têm terminações quase opostas. O que acentua uma costuma não acentuar a outra. Quem percebe essa simetria erra muito menos, e essa é a mesma lógica de economia que vale para concordância verbal na prova.
Regras especiais que a banca adora cobrar
As regras gerais resolvem o volume, mas a prova separa candidatos nos casos especiais. São quatro blocos que aparecem com frequência desproporcional em prova objetiva de português de qualquer banca.
Hiato com i e u tônicos
Quando i ou u forma hiato com a vogal anterior e é a sílaba tônica, recebe acento: saída, baú, país, egoísmo, viúva. A condição é o hiato, ou seja, vogais em sílabas separadas. Separar sílabas corretamente é pré-requisito, e isso aparece também nas questões de interpretação e estrutura de palavras no edital.
Atenção ao freio dessa regra: se o i ou u tônico vier depois de ditongo em palavra paroxítona, o acento cai. Por isso escrevemos "feiura" e "baiuca" sem acento. E se o i ou u for seguido de nh, também não acentua: rainha, moinho, campainha.
Ditongos abertos éi, éu e ói
Em palavras oxítonas e monossílabos tônicos, os ditongos abertos levam acento: papéis, herói, céu, réis, dói. Essa parte não mudou.
O que mudou foi nas paroxítonas. Ideia, assembleia, jiboia, heróico e boia perderam o acento. É o erro mais comum de quem estudou português antes do Acordo e não revisou o tema depois.
Os verbos ter e vir e seus derivados
Na terceira pessoa do plural do presente, ter e vir levam circunflexo para se distinguir do singular: ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm. Os derivados seguem a mesma lógica com acento agudo no singular e circunflexo no plural: ele contém, eles contêm; ele intervém, eles intervêm.
Essa é uma das poucas regras em que o acento existe para marcar número, não tonicidade. A banca gosta dela porque o erro passa despercebido na leitura rápida.
O acento diferencial e o que sobrou dele
O Acordo Ortográfico eliminou quase todos os acentos diferenciais. Sobraram poucos casos de uso obrigatório: a forma verbal "pôr", para não confundir com a preposição "por", e "pôde" no pretérito, para não confundir com "pode" no presente.
Também continua permitido, em uso facultativo, o acento em "fôrma" quando houver risco real de ambiguidade com "forma". Fora disso, pares como "pelo" e "pera" ficaram sem acento.
O que o Acordo Ortográfico mudou
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi promulgado no Brasil pelo Decreto 6.583 de 2008 e teve período de transição encerrado em dezembro de 2015. Desde 2016, a nova grafia é a única aceita em prova.
Mudou menos do que a fama sugere, e é bom saber exatamente o que caiu para não acentuar por hábito antigo.
Caiu o trema, exceto em nomes próprios estrangeiros e seus derivados: linguiça, tranquilo, cinquenta.
Caiu o acento dos ditongos abertos ei e oi em palavras paroxítonas: ideia, assembleia, jiboia, heróico.
Caiu o acento nos hiatos oo e ee: vôo, enjôo, crêem, lêem, vêem.
Caiu o acento diferencial em quase todos os pares, preservando apenas pôr, pôde e o facultativo fôrma.
Caiu o acento no u tônico dos grupos gue, gui, que, qui: argui, apazigue.
Note o que não mudou: as regras de proparoxítona, paroxítona, oxítona, monossílabo tônico e hiato com i e u tônicos continuam iguais. Quem aprendeu o sistema, e não a lista, atravessou a reforma sem prejuízo. O Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras é a referência oficial para conferir qualquer palavra em dúvida.
Como as bancas cobram acentuação gráfica?
Raramente a questão pergunta a regra de forma direta. O formato dominante pede que você identifique a palavra acentuada pela mesma razão que outra, ou que aponte o único item com erro de grafia. Isso muda a forma de estudar: não basta saber acentuar, é preciso saber justificar.
Cada banca tem sua preferência de recorte. Vale conferir o perfil de quem vai organizar o seu certame nos guias sobre a banca FGV e sobre a banca Vunesp e a banca IBFC justamente porque o estilo de enunciado varia bastante. Nas provas de material gratuito para treino você mede isso rápido, e dá para medir isso rápido.
Questão comentada no formato clássico
Enunciado típico: "Assinale a alternativa em que as duas palavras são acentuadas pela mesma regra." Suponha as opções "saída e baú" contra "júri e lápis".
Em "saída" e "baú", o acento existe porque i e u tônicos formam hiato com a vogal anterior. É a mesma regra nas duas, ainda que uma leve agudo no i e a outra no u. Já "júri" e "lápis" são paroxítonas acentuadas por terminação, i e is, o que também as coloca sob a mesma regra. Em provas reais, o gabarito costuma estar no par que compartilha a justificativa, não o desenho do acento.
A leitura certa do enunciado é: "mesma regra" significa mesma justificativa gramatical, não mesmo sinal gráfico. Quem confunde as duas coisas erra a questão sabendo acentuar as quatro palavras.
O formato que cobra reescrita
Em prova discursiva e de redação a acentuação deixa de ser questão e passa a ser desconto de nota. Errar "têm" no plural ou escrever "ideia" com acento custa ponto em critério de correção gramatical, mesmo quando o conteúdo está correto. Quem presta cargos de nível médio e superior enfrenta esse critério em quase todo edital publicado hoje.
Os erros que mais derrubam candidato
Acentuar ideia, assembleia, jiboia e heróico por hábito anterior ao Acordo.
Confundir "tem" e "têm", escrevendo o plural sem circunflexo.
Acentuar "vôo", "enjôo", "crêem" e "lêem", que perderam o acento do hiato.
Esquecer que "feiura" não leva acento porque o i tônico vem depois de ditongo.
Acentuar "rainha" e "moinho", ignorando que o nh bloqueia a regra do hiato.
Usar trema em linguiça e tranquilo, sinal extinto para palavras da língua.
Classificar mal a sílaba tônica e aplicar a regra do grupo errado.
Perceba o padrão: quase todos vêm de memória antiga ou de classificação apressada. Um caderno de erros bem mantido resolve esse tipo de falha melhor que releitura de teoria, porque ele ataca exatamente a palavra que você erra.
Resumo para revisar na véspera
Situação | Decisão | Exemplo |
|---|---|---|
Proparoxítona | Acentua sempre | médico, câmara |
Paroxítona terminada em i, is, us, l, n, r, x | Acentua | júri, fácil, açúcar |
Paroxítona com ditongo aberto ei ou oi | Não acentua mais | ideia, jiboia |
Oxítona terminada em a, e, o, em | Acentua | sofá, café, além |
Hiato com i ou u tônico | Acentua | saída, baú, país |
Hiato com i ou u seguido de nh | Não acentua | rainha, moinho |
Hiatos oo e ee | Não acentua mais | vôo, lêem |
Ter e vir na terceira pessoa do plural | Circunflexo | eles têm, eles vêm |
Acento diferencial | Só pôr e pôde | pôde ontem, pode hoje |
Leve esse quadro para a revisão final junto com o material de análise de provas anteriores da sua banca. Nove linhas cobrem a esmagadora maioria das questões de acentuação gráfica que você vai encontrar.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é acentuação gráfica?
É o conjunto de regras que determina quando uma palavra recebe acento agudo, circunflexo, til ou grave na escrita. A função principal é indicar qual sílaba é tônica e, em casos específicos, diferenciar palavras de grafia igual. Sem ela, pares como "secretaria" e "secretária" ficariam indistinguíveis no texto.
Como aprender acentuação gráfica de forma rápida?
Comece classificando a palavra pela sílaba tônica, porque toda regra depende disso. Depois memorize só duas listas de terminação, a das paroxítonas e a das oxítonas, e trate hiato, ditongo aberto e os verbos ter e vir como blocos separados. Resolver questões logo na primeira semana fixa mais do que reler teoria. Vale calibrar isso com o que já funciona na sua rotina de horas diárias de estudo já definida.
Quais são as regras especiais de acentuação?
São quatro principais: hiato com i ou u tônico, ditongos abertos éi, éu e ói, os verbos ter e vir na terceira pessoa do plural e o acento diferencial que sobrou em pôr e pôde. Elas concentram a maior parte das pegadinhas de prova, justamente porque têm exceções internas.
O acento diferencial ainda existe?
Existe, mas em uso muito reduzido. Continua obrigatório em "pôr", para distinguir do "por" preposição, e em "pôde", pretérito de poder, para distinguir de "pode". O acento em "fôrma" é facultativo e só se justifica quando há risco real de ambiguidade.
Ideia e heroico levam acento?
Não levam. As duas são paroxítonas com ditongo aberto, e o Acordo Ortográfico retirou o acento desse grupo. A regra do ditongo aberto continua valendo apenas em oxítonas e monossílabos tônicos, como herói, papéis e céu.
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