Orações subordinadas: tipos, exemplos e como identificar

Orações subordinadas: tipos, exemplos e como identificar
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 03/10 às 15h

Tirar a vírgula de uma oração subordinada adjetiva explicativa transforma ela em restritiva, e o sentido da frase inteira vira do avesso. É uma vírgula de diferença entre acertar e errar a questão.

Orações subordinadas são orações que dependem sintaticamente de outra para ter sentido completo, exercendo dentro dela a função de sujeito, objeto, complemento nominal, adjetivo ou advérbio. Elas se dividem em três grupos: substantivas, adjetivas e adverbiais. A classificação vem da função que a oração cumpre na principal, nunca da conjunção que aparece na frente dela.

Infográfico com os três tipos de orações subordinadas e o teste de substituição de cada um
Os três grupos de oração subordinada e o teste que identifica cada um.

Atualizado em 3 de outubro de 2026.

O que você vai encontrar aqui:

O que são orações subordinadas?

Oração subordinada é a oração que não se sustenta sozinha: ela ocupa, dentro de outra oração, o lugar de um termo que faltava. Quando você lê "Espero que você venha", a segunda parte não é um recado solto. Ela é o objeto direto do verbo "espero", só que em forma de oração.

Oração principal e oração subordinada.

A oração principal é a que recebe a subordinada, e ela costuma ficar incompleta sem a companheira. Em "Convém que todos leiam o edital", o verbo "convém" pede um sujeito, e o sujeito é a oração toda "que todos leiam o edital". Note uma consequência prática: como o sujeito é uma oração, o verbo fica na terceira pessoa do singular, e é justamente aí que a banca monta a pegadinha de concordância verbal.

Período composto por subordinação.

Período com duas ou mais orações em que uma depende da outra é período composto por subordinação. Se as orações forem independentes, ligadas por "e", "mas", "porém", "logo", o período é composto por coordenação. Essa distinção decide a pontuação da frase, e por isso ela caminha junto com o estudo do uso da vírgula.

Por que a banca gosta tanto desse assunto?

Porque quase toda regra de norma culta depende de reconhecer a estrutura da frase primeiro. Regência, concordância, colocação pronominal e pontuação são consequências da análise sintática. Quem enxerga a oração subordinada resolve quatro assuntos com uma única leitura.

Os três tipos de oração subordinada:

Resposta direta: substantivas fazem papel de substantivo, adjetivas fazem papel de adjetivo e adverbiais fazem papel de advérbio. O teste mais rápido é tentar substituir a oração por uma palavra daquela classe. Se couber "isso", é substantiva. Se couber um adjetivo, é adjetiva. Se couber "assim", "ontem" ou "por isso", é adverbial.

TipoFaz papel deIntroduzida porTeste de substituição
SubstantivaSubstantivoque, se (conjunções integrantes)Troque por "isso"
AdjetivaAdjetivoque, qual, quem, cujo, onde (pronomes relativos)Troque por um adjetivo
AdverbialAdvérbioquando, porque, se, embora, para queTroque por "assim", "então", "por isso"

A regra de ouro que resolve a maioria das questões.

Olhe para o "que" e pergunte: ele pode ser trocado por "o qual"? Se sim, é pronome relativo e a oração é adjetiva. Se não, é conjunção integrante e a oração é substantiva. Em "O edital que saiu ontem", cabe "o qual", logo é adjetiva. Em "Sei que o edital saiu", não cabe, logo é substantiva.

Orações subordinadas substantivas:

São seis, e o nome de cada uma vem da função sintática que ela exerce na oração principal. Todas são introduzidas por conjunção integrante, quase sempre "que" ou "se".

Subjetiva: funciona como sujeito.

Exemplo: É necessário que o candidato leia o edital. O que é necessário? Que o candidato leia o edital. A oração é o sujeito de "é necessário". Sinal típico: verbo de ligação mais adjetivo, ou verbos como convém, importa, urge, consta.

Objetiva direta: funciona como objeto direto.

Exemplo: Todos perceberam que a prova estava difícil. Perceberam o quê? Que a prova estava difícil. O verbo não pede preposição, então a oração é objeto direto.

Objetiva indireta: funciona como objeto indireto.

Exemplo: Lembre-se de que o prazo termina hoje. O verbo "lembrar-se" exige a preposição "de", e a oração completa esse pedido. Aqui vale revisar regência verbal, porque a banca adora cortar a preposição para ver se você percebe.

Completiva nominal: completa um nome.

Exemplo: Tenho certeza de que a nomeação sai. Quem pede o complemento não é um verbo, é o substantivo "certeza". Essa é a diferença entre completiva nominal e objetiva indireta: olhe se o termo completado é nome ou verbo.

Predicativa: funciona como predicativo do sujeito.

Exemplo: Meu receio é que a nota de corte suba. Vem sempre depois de verbo de ligação, e a oração diz o que o sujeito é.

Apositiva: explica um termo anterior.

Exemplo: Só peço uma coisa: que você revise as questões erradas. Costuma aparecer depois de dois pontos e retoma um termo já citado.

Orações subordinadas adjetivas:

Resposta direta: a oração adjetiva caracteriza um substantivo anterior e é sempre introduzida por pronome relativo. São apenas duas espécies, restritiva e explicativa, e a vírgula é o que separa uma da outra.

Restritiva: sem vírgula, restringe o grupo.

Exemplo: Os candidatos que estudaram passaram. Só passaram os que estudaram. A oração limita o conjunto, e retirar ela muda o sentido da frase.

Explicativa: entre vírgulas, comenta o todo.

Exemplo: Os candidatos, que estudaram, passaram. Agora todos estudaram e todos passaram. A oração só acrescenta uma informação, e dá para apagar sem alterar o núcleo do sentido.

Os pronomes relativos que você precisa reconhecer.

  • que: o mais comum, substituível por "o qual".
  • quem: sempre com preposição e sempre referido a pessoa.
  • cujo: indica posse e nunca vem acompanhado de artigo.
  • onde: só para lugar físico, e a banca testa exatamente isso.
  • quanto: aparece depois de "tudo", "todos", "tanto".

O detalhe de "cujo" que quase todo mundo erra.

"Cujo" concorda com o substantivo que vem depois dele, não com o anterior. Em "o órgão cujas vagas foram ampliadas", "cujas" concorda com "vagas". E nunca existe "cujo o": escrever "cujo o edital" está errado.

Orações subordinadas adverbiais:

São nove tipos, e cada um responde a uma circunstância diferente. O caminho seguro é decorar a conjunção típica de cada valor, porque a conjunção entrega o sentido em quase todos os casos.

TipoCircunstânciaConjunções típicasExemplo curto
CausalCausaporque, já que, como, uma vez queFaltou porque adoeceu.
ConsecutivaConsequênciatão que, tal que, de modo queEstudou tanto que passou.
ComparativaComparaçãocomo, do que, tanto quantoAcertou mais do que esperava.
ConcessivaConcessãoembora, ainda que, mesmo queEmbora chovesse, foi à prova.
CondicionalCondiçãose, caso, salvo se, contanto queSe revisar, acerta.
ConformativaConformidadeconforme, segundo, comoFez conforme o edital exigia.
FinalFinalidadepara que, a fim de queRevisa para que não esqueça.
ProporcionalProporçãoà medida que, quanto maisQuanto mais treina, mais rende.
TemporalTempoquando, enquanto, assim queAssim que saiu o edital, começou.

As três conjunções que mudam de valor.

"Como" pode ser causal ("Como chovia, não saiu"), comparativa ("Correu como um atleta") ou conformativa ("Fez como pediram"). "Se" pode ser condicional ou conjunção integrante. E "que" aparece em quase tudo. Nesses casos, esqueça a conjunção e pergunte qual circunstância a oração expressa.

Orações reduzidas: sem conjunção, mesma função.

Resposta direta: oração reduzida é a que aparece sem conjunção e com o verbo numa forma nominal, ou seja, infinitivo, gerúndio ou particípio. A função sintática continua idêntica, só a roupa muda. Para classificar, desenvolva a oração de volta.

Desenvolver uma reduzida em três passos:

  1. Localize o verbo em forma nominal, terminado em "r", "ndo" ou "do".
  2. Reescreva com conjunção e verbo conjugado.
  3. Classifique a versão desenvolvida, e transfira a classificação para a reduzida.

Na prática: "Terminada a prova, saiu da sala" desenvolve para "Quando a prova terminou, saiu da sala". Logo é adverbial temporal reduzida de particípio.

Reduzidas e vírgula.

Reduzida deslocada para o começo da frase pede vírgula. Essa é uma das aplicações mais cobradas em questões de pontuação, e vale treinar junto com interpretação de texto, porque a banca costuma cobrar reescrita mantendo o sentido.

Como as bancas cobram orações subordinadas:

Raramente a questão pede o nome da oração de forma direta. O formato mais comum é a reescrita: a banca troca a estrutura da frase e pergunta se o sentido foi preservado. O segundo formato é a pontuação, em que mexer numa vírgula muda restritiva para explicativa.

Exemplo comentado no estilo das bancas.

Enunciado: na frase "Os servidores, que foram nomeados em janeiro, já concluíram o estágio probatório", a retirada das vírgulas altera o sentido do período?

Resposta: sim, altera. Com vírgulas, a oração é explicativa e a frase afirma que todos os servidores foram nomeados em janeiro e todos concluíram o estágio. Sem vírgulas, ela passa a restritiva, e a frase afirma que apenas parte dos servidores, os nomeados em janeiro, concluiu o estágio. O sentido muda de "todos" para "alguns".

Comentário: o gabarito não depende de decorar nomenclatura. Depende de perceber que a vírgula isola informação acessória. Quando o enunciado fala em "alteração de sentido", o alvo quase sempre é esse par restritiva e explicativa.

Estilo por banca.

Perfis diferentes cobram o mesmo conteúdo de formas distintas, e conhecer isso economiza tempo. Vale comparar o modo de perguntar da banca FCC, da banca Vunesp e da banca FGV antes de montar a revisão. Provas anteriores estão disponíveis nos sites oficiais das organizadoras, como o do Cebraspe.

Os erros que mais derrubam candidato:

  • Classificar pela conjunção em vez da função: "que" não é sempre conjunção integrante, e "como" não é sempre comparativo.
  • Confundir completiva nominal com objetiva indireta: a pergunta certa é se quem pede o complemento é nome ou verbo.
  • Usar "onde" para retomar algo que não é lugar: para tempo, use "quando"; para ideia, use "em que".
  • Escrever "cujo o": o pronome "cujo" nunca aceita artigo depois dele.
  • Ignorar a vírgula da adjetiva: a presença dela é uma informação semântica, não um enfeite.
  • Não desenvolver a reduzida antes de classificar: chutar a classificação com o verbo em gerúndio é o caminho mais curto para o erro.

Resumo para levar à prova:

  • Subordinada depende de outra oração e exerce nela uma função sintática.
  • Se o "que" aceita troca por "o qual", a oração é adjetiva; se não aceita, é substantiva.
  • Substantivas são seis: subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal, predicativa e apositiva.
  • Adjetivas são duas: restritiva, sem vírgula, e explicativa, entre vírgulas.
  • Adverbiais são nove, e a conjunção entrega a circunstância na maioria dos casos.
  • Reduzida usa forma nominal do verbo; desenvolva antes de classificar.
  • Adjetiva deslocada e reduzida deslocada pedem vírgula.

Para fechar a disciplina com segurança, encaixe esse tópico numa revisão maior de português para concurso e pratique junto com concordância nominal, colocação pronominal, crase e acentuação gráfica. Sintaxe também rende pontos na prova de redação e na redação oficial, em que período mal construído custa nota de clareza.

Perguntas frequentes:

O que são orações subordinadas?

São orações que dependem sintaticamente de outra oração para ter sentido completo e que exercem nela a função de um termo, como sujeito, objeto, complemento nominal, adjetivo ou advérbio. Elas se dividem em substantivas, adjetivas e adverbiais. O que define o grupo é a função exercida, não a conjunção usada.

Como classificar as orações subordinadas rapidamente?

Tente substituir a oração por uma única palavra. Se couber "isso", ela é substantiva; se couber um adjetivo, é adjetiva; se couber "assim" ou "por isso", é adverbial. Depois disso, refine dentro do grupo: nas substantivas, olhe a função na principal; nas adjetivas, olhe a vírgula; nas adverbiais, olhe a circunstância.

Qual a diferença entre oração coordenada e subordinada?

Coordenadas são independentes entre si e poderiam existir como frases separadas. Subordinadas não, porque uma delas ocupa um lugar sintático dentro da outra. Um jeito prático de checar é isolar as orações: se as duas continuarem fazendo sentido sozinhas, o período é coordenado.

Por que a vírgula muda a oração adjetiva?

Porque a vírgula marca informação acessória. Sem vírgula, a oração restringe o substantivo e delimita um subgrupo. Com vírgula, ela apenas comenta o substantivo inteiro. Em prova, essa troca é o gatilho mais comum das questões que perguntam se houve alteração de sentido.

O que é oração subordinada reduzida?

É a oração subordinada que aparece sem conjunção, com o verbo em infinitivo, gerúndio ou particípio. A função sintática permanece a mesma da forma desenvolvida. Para classificar com segurança, reescreva a oração com conjunção e verbo conjugado e só então nomeie o tipo.

Quer parar de errar sintaxe por falta de treino?

Reconhecer oração subordinada é habilidade que se constrói resolvendo questão atrás de questão, com correção na hora e explicação do porquê. No Portal Concursos você estuda português em videoaulas com professores que conhecem o jeito de cada banca cobrar, e treina em questões comentadas, simulados e trilhas de estudo montadas para o concurso que você escolheu. Conheça os cursos e confira o conteúdo.

Assinatura PortalAssine o Portal e estude para qualquer concursoTodos os cursos, simulados e o banco de questões em um único plano.
Ver planos→
Compartilhar:

Comentários

Carregando comentários…

Pular para o conteúdo principal