Sujeito e predicado: como identificar na prova de concurso

Sujeito e predicado: como identificar na prova de concurso
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 05/10 às 09h

Quem erra o sujeito de uma oração erra também a concordância do verbo, e a banca cobra as duas coisas na mesma questão.

Sujeito é o termo da oração sobre o qual se declara alguma coisa, e predicado é tudo aquilo que se declara a respeito dele. Para achar o sujeito, pergunte ao verbo quem ou o que praticou a ação. Em prova de concurso aparecem cinco tipos de sujeito e três tipos de predicado, e saber distinguir cada um resolve a maioria das questões de sintaxe.

Infográfico com os cinco tipos de sujeito e os três tipos de predicado cobrados em prova de concurso
Os cinco tipos de sujeito e os três de predicado, com um exemplo de cada.

Atualizado em 5 de outubro de 2026.

Neste guia você encontra:

O que são sujeito e predicado?

São os dois termos essenciais da oração. O sujeito é o ser ou a coisa de quem se fala; o predicado é a informação que se dá sobre esse sujeito. Em "O candidato resolveu a prova", o sujeito é "o candidato" e o predicado é "resolveu a prova".

Essa divisão parece óbvia e é justamente onde mora o problema. A oração em prova raramente vem na ordem direta. Ela vem invertida, com o sujeito depois do verbo, encaixada em outra oração, ou com um verbo que não tem sujeito nenhum. É aí que o candidato perde o ponto.

Todo sujeito tem um núcleo, que é a palavra mais importante dele, sempre um substantivo ou um pronome. Em "Os três candidatos aprovados chegaram cedo", o sujeito completo é "os três candidatos aprovados" e o núcleo é "candidatos". O verbo concorda com o núcleo, nunca com a palavra que estiver mais perto dele.

Esse é o motivo pelo qual sintaxe e concordância verbal andam juntas no edital. Uma é o diagnóstico, a outra é o tratamento.

Como achar o sujeito de uma oração em três passos:

  1. Localize o verbo da oração. Ele é o ponto de partida, não o começo da frase.
  2. Pergunte ao verbo: quem é que faz isso, ou o que é que é isso? A resposta é o sujeito.
  3. Confirme a concordância. Se o verbo e o candidato a sujeito não combinam em número e pessoa, você escolheu o termo errado.

Teste com uma oração invertida: "Faltaram à prova dezoito inscritos". O verbo é "faltaram". Quem faltou? "Dezoito inscritos". O sujeito está no fim da frase, e o verbo está no plural porque concorda com ele.

Agora um caso em que o passo 3 salva a resposta: "Chegou ontem os documentos". O candidato desatento aceita a frase. O verbo "chegou" está no singular, mas o sujeito "os documentos" está no plural, logo a frase tem erro de concordância e o correto é "chegaram". Esse padrão de sujeito posposto é um dos preferidos das bancas.

Os cinco tipos de sujeito:

Sujeito simples: um só núcleo.

Tem um único núcleo, mesmo que venha acompanhado de vários adjuntos. Exemplo: "A banca examinadora divulgou o resultado". O núcleo é "banca", e "examinadora" apenas o caracteriza. Sujeito simples continua simples por mais longo que fique.

Sujeito composto: dois ou mais núcleos.

Exemplo: "O fiscal e o candidato assinaram a ata". Dois núcleos, "fiscal" e "candidato", ligados por "e". Quando o sujeito composto vem antes do verbo, o verbo vai obrigatoriamente para o plural. Quando vem depois, admite singular ou plural, e essa é uma das questões mais recorrentes do tema.

Sujeito oculto: identificável pela terminação do verbo.

Também chamado de elíptico ou desinencial. Exemplo: "Chegamos atrasados ao local de prova". Ninguém escreveu "nós", mas a terminação do verbo entrega o sujeito. Cuidado com o nome: o sujeito existe e é determinado, só não está escrito.

Sujeito indeterminado: existe, mas não se sabe quem é.

Acontece em duas situações. Na primeira, o verbo está na terceira pessoa do plural sem referente: "Roubaram a mochila do candidato". Na segunda, o verbo está na terceira pessoa do singular acompanhado do pronome "se", com verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação: "Precisa-se de fiscais para o domingo". Nesse segundo caso, o "se" é índice de indeterminação do sujeito.

Sujeito inexistente: a oração não tem sujeito.

Ocorre com verbos impessoais. São três grupos que a banca cobra sem variação: "haver" no sentido de existir ("Havia mil inscritos na sala"), "fazer" indicando tempo ("Faz dois anos que estudo") e verbos que indicam fenômeno da natureza ("Choveu no dia da prova"). Verbo impessoal fica sempre na terceira pessoa do singular.

Os três tipos de predicado:

Predicado verbal: o núcleo é um verbo de ação.

Exemplo: "O candidato recorreu do gabarito". O verbo traz a informação principal e indica ação ou fenômeno. Se o verbo é significativo e não há predicativo do sujeito, o predicado é verbal.

Predicado nominal: verbo de ligação mais predicativo.

Exemplo: "A prova estava difícil". O verbo "estava" não indica ação, apenas liga o sujeito à característica atribuída a ele. O núcleo do predicado é "difícil", que é o predicativo do sujeito. Os verbos de ligação mais cobrados são ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar e tornar-se.

Predicado verbo-nominal: dois núcleos ao mesmo tempo.

Exemplo: "O candidato saiu nervoso da prova". Há ação ("saiu") e há característica atribuída ao sujeito ("nervoso"). Dois núcleos, portanto predicado verbo-nominal. A dica prática é testar se dá para desdobrar a frase em duas: "o candidato saiu" e "o candidato estava nervoso".

Sujeito e concordância verbal: onde a banca arma a pegadinha.

Classificar o sujeito só vale a nota se o candidato souber o efeito disso no verbo. A tabela abaixo reúne os casos que mais aparecem em prova objetiva.

ConstruçãoForma corretaPor quê
Haver no sentido de existirHavia dez candidatosVerbo impessoal, oração sem sujeito, sempre singular
Existir no mesmo sentidoExistiam dez candidatosExistir tem sujeito e concorda com ele
Partícula apassivadoraVendem-se casasO sujeito é casas, então o verbo vai ao plural
Índice de indeterminaçãoPrecisa-se de casasVerbo transitivo indireto, sujeito indeterminado, singular
Sujeito composto pospostoChegou o fiscal e o candidatoAdmite também chegaram, pela proximidade do primeiro núcleo
Expressão mais de umMais de um candidato recorreuA expressão exige verbo no singular
Expressão um dos queEle é um dos que mais estudamO verbo concorda com o pronome relativo no plural
Porcentagem como sujeito20% dos inscritos faltaramConcorda com o substantivo que acompanha o número

Quem domina essa tabela resolve junto boa parte das questões de concordância nominal e de regência verbal, porque os três assuntos partem da mesma análise sintática.

A pontuação também depende disso. A regra de ouro do uso da vírgula é nunca separar sujeito de verbo, e só quem identifica o sujeito consegue cumprir essa regra em frase longa.

Como as bancas cobram sujeito e predicado?

Em quatro formatos. O primeiro é a classificação direta, que pede o tipo de sujeito de uma oração destacada. O segundo é a análise de concordância, que esconde a questão de sintaxe dentro de uma questão de certo ou errado. O terceiro é a reescrita de frase, que pede a alternativa que mantém o sentido sem erro gramatical. O quarto é a pergunta sobre a função do pronome "se", que exige saber se ele é apassivador ou índice de indeterminação.

Questão comentada sobre o pronome se:

Enunciado adaptado: analise as frases "Alugam-se salas para prova" e "Precisa-se de salas para prova". A concordância está correta nas duas?

Sim, está. Na primeira, "alugar" é transitivo direto, o "se" é partícula apassivadora e o sujeito é "salas", que está no plural, portanto o verbo vai ao plural. Na segunda, "precisar" é transitivo indireto, o "se" é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica obrigatoriamente no singular. A diferença está na regência do verbo, não no sentido da frase.

Esse par de frases já apareceu em muitas provas com palavras diferentes. Reconhecer o mecanismo é mais rápido que analisar cada frase de novo, e é o que o estudo por questões treina.

Vale decorar as classificações ou entender o mecanismo?

Entender o mecanismo rende mais. A nomenclatura é curta e se fixa sozinha depois de algumas dezenas de questões, enquanto o raciocínio de localizar verbo, achar o sujeito e conferir a concordância serve para qualquer frase nova que a banca inventar. Quem só decora a lista de tipos congela diante de uma oração invertida.

Na prática, o caminho mais curto é resolver questões em banco de questões, anotar o que errou em um caderno de erros e revisar em intervalos crescentes, segundo a revisão espaçada.

Os erros mais comuns ao classificar o sujeito:

  • Chamar sujeito oculto de indeterminado. No oculto o sujeito é conhecido e está na terminação do verbo; no indeterminado ninguém sabe quem é.
  • Dizer que oração com haver tem sujeito. O verbo haver no sentido de existir é impessoal, e a oração simplesmente não tem sujeito.
  • Confundir sujeito com objeto na frase invertida. Em "Faltaram dezoito inscritos", o termo "dezoito inscritos" é sujeito, não objeto, porque o verbo faltar é intransitivo.
  • Tomar o adjunto mais próximo como núcleo. Em "A lista de aprovados saiu", o núcleo é "lista" e o verbo fica no singular, mesmo com "aprovados" colado nele.
  • Classificar predicado verbo-nominal como verbal. Se há característica atribuída ao sujeito junto da ação, há dois núcleos.

Os mesmos deslizes reaparecem na prova de redação, onde erro de concordância tira ponto direto do critério de norma padrão.

Resumo de sujeito e predicado:

TermoTipoExemplo rápido
SujeitoSimplesA banca divulgou o edital
SujeitoCompostoO fiscal e o candidato assinaram
SujeitoOcultoChegamos atrasados
SujeitoIndeterminadoPrecisa-se de fiscais
SujeitoInexistenteHavia mil inscritos
PredicadoVerbalO candidato recorreu
PredicadoNominalA prova estava difícil
PredicadoVerbo-nominalO candidato saiu nervoso

Para fechar o bloco de sintaxe, estude em seguida as funções da palavra que e a colocação pronominal, que dependem da mesma análise. Depois siga para interpretação de texto, que é a maior fatia da prova de Português.

Em caso de dúvida sobre grafia ou classe de uma palavra, a consulta oficial é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. As regras de escrita em vigor no Brasil vêm do Acordo Ortográfico promulgado pelo Decreto 6.583 de 2008, que também orienta os temas de acentuação gráfica e uso do hífen.

Antes da prova, confira o panorama do que mais cai em Português e resolva as provas anteriores da banca do seu edital.

Perguntas frequentes:

Qual a diferença entre sujeito e predicado?

O sujeito é o termo sobre o qual se declara algo e o predicado é tudo o que se declara sobre ele. Em "A banca divulgou o gabarito", o sujeito é "a banca" e o predicado é "divulgou o gabarito". O predicado sempre contém o verbo da oração.

Como identificar o sujeito de uma frase?

Localize o verbo e pergunte quem ou o que praticou a ação. A resposta é o sujeito, esteja ela antes ou depois do verbo. Se a resposta não combinar em número e pessoa com o verbo, revise a escolha, porque sujeito e verbo concordam sempre.

Quais são os cinco tipos de sujeito?

Simples, composto, oculto, indeterminado e inexistente. O simples tem um núcleo e o composto tem dois ou mais. O oculto se revela pela terminação do verbo, o indeterminado não pode ser identificado e o inexistente aparece com verbos impessoais como haver no sentido de existir.

Oração sem sujeito existe?

Existe e tem nome técnico: sujeito inexistente. Aparece com verbos impessoais, como haver significando existir, fazer indicando tempo decorrido e os verbos de fenômeno da natureza. Nesses casos o verbo fica na terceira pessoa do singular, sem exceção.

O que cai de análise sintática em concurso?

Termos essenciais, integrantes e acessórios da oração, com destaque para sujeito, predicado, complementos verbais e orações subordinadas. A cobrança quase nunca é só de nomenclatura: a banca usa a sintaxe para testar concordância, regência e pontuação na mesma questão.

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