Formas nominais do verbo: infinitivo, gerúndio e particípio na prova.
Em fevereiro de 2022, um candidato ao cargo de controlador interno recorreu de uma questão de Língua Portuguesa alegando infinitivo pessoal. A banca indeferiu o recurso: o verbo estava no infinitivo impessoal, e o ponto se perdeu numa distinção de duas linhas.
As formas nominais do verbo são três: infinitivo, gerúndio e particípio. Elas recebem esse nome porque, além do valor verbal, assumem papel de nome na oração, funcionando como substantivo, advérbio ou adjetivo. Sozinhas, não indicam tempo nem modo, e é exatamente essa ausência que o examinador transforma em questão.

Atualizado em 6 de outubro de 2026.
Roteiro deste guia:
- O que são as formas nominais do verbo
- As três formas, uma a uma
- Infinitivo pessoal e impessoal
- Particípio regular e irregular
- Quadro de emprego das três formas
- Como as bancas cobram o tema
- Erros que mais derrubam candidato
- Resumo para a véspera
- Perguntas frequentes
O que são as formas nominais do verbo?
Formas nominais são as flexões verbais que não se prendem a tempo nem a modo e que, dentro da oração, podem desempenhar função de nome. Infinitivo tende ao substantivo, gerúndio tende ao advérbio e particípio tende ao adjetivo. É daí que vem o rótulo "nominal", e essa é a primeira pista para resolver questão de sujeito e predicado com oração reduzida.
Compare: em "estudar cansa", o infinitivo estudar ocupa a posição de sujeito, exatamente como faria o substantivo "estudo". Em "saiu correndo", o gerúndio correndo indica o modo da saída, como faria um advérbio. Em "prova corrigida", o particípio corrigida qualifica o substantivo, como faria um adjetivo.
Essa dupla natureza é o motivo de o tema aparecer em dois pontos diferentes do edital: dentro de verbo e dentro de classes de palavras do blog. Quem estuda só pela lista de conjugação costuma chegar à prova sem perceber essa ponte.
Por que as formas nominais não têm tempo próprio?
Tempo e modo são marcas que aparecem nas formas finitas, as que concordam com o sujeito e se encaixam no presente, no pretérito ou no futuro. As nominais ficam fora desse sistema e só ganham referência temporal quando entram numa locução verbal, como em "vai estudar" ou "tinha corrigido". Entender isso resolve metade das questões sobre o assunto e ajuda também no estudo de tempos e modos verbais na prova.
As três formas nominais, uma a uma.
Infinitivo: a forma que vale por um substantivo.
O infinitivo termina em ar, er ou ir e nomeia o processo verbal de modo geral, sem amarrá-lo a nenhum sujeito específico. É a forma que aparece no dicionário e nos enunciados de concurso: "é vedado ao servidor ausentar-se do setor". Exerce função de sujeito, de objeto direto, de complemento nominal e de núcleo de oração subordinada reduzida.
Na prática da prova, o infinitivo chega quase sempre acompanhado de uma pergunta sobre flexão. O examinador quer saber se o candidato percebe quando a forma deve concordar com um sujeito expresso e quando deve permanecer invariável, assunto do próximo tópico.
Gerúndio: a forma que vale por um advérbio.
O gerúndio termina sempre em ndo e indica processo em curso, simultaneidade ou circunstância: "resolvendo questões todos os dias, ele passou". Pode expressar tempo, modo, causa, condição e concessão, o que o aproxima das orações subordinadas adverbiais reduzidas.
Há um uso condenado pela norma padrão, popularmente chamado de gerundismo, que é a locução do tipo "vou estar enviando" no lugar de "vou enviar" ou "enviarei". Não é erro de conjugação, e sim de adequação ao registro formal. A banca costuma cobrá-lo em questão de reescrita ou de redação oficial com foco em concisão.
Particípio: a forma que vale por um adjetivo.
O particípio regular termina em ado ou ido e indica processo concluído: "documento assinado", "prazo cumprido". Quando acompanha os verbos ser e estar, forma a voz passiva analítica e varia em gênero e número. Quando acompanha ter e haver, fica invariável e compõe os tempos compostos.
Essa diferença de concordância é fonte constante de erro e conversa diretamente com concordância nominal e com o tópico de voz verbal. Guardar a dupla "ter e haver pedem forma fixa, ser e estar pedem forma flexionada" já evita boa parte das pegadinhas.
Infinitivo pessoal e infinitivo impessoal: a divisão que mais confunde.
O infinitivo impessoal não tem sujeito próprio e não se flexiona: "é proibido fumar". O infinitivo pessoal tem sujeito identificável e pode receber desinência de pessoa: "é preciso estudarmos mais". A flexão é facultativa em muitos contextos, o que aumenta a confusão e, não por acaso, rende recurso.
| Situação | Forma recomendada | Exemplo |
|---|---|---|
| Sem sujeito expresso, sentido geral | Impessoal, sem flexão | É proibido entrar sem crachá |
| Sujeito próprio e diferente do verbo principal | Pessoal, flexionado | O chefe pediu para nós assinarmos |
| Mesmo sujeito dos dois verbos, oração curta | Impessoal, sem flexão | Eles querem estudar à noite |
| Ênfase ou clareza sobre quem pratica | Pessoal, flexionado | Convém estudarem antes da prova |
| Locução verbal com auxiliar | Impessoal, sem flexão | Vamos resolver as questões agora |
O caso do recurso citado na abertura é exemplar. No documento oficial, a comissão organizadora do Concurso Público nº 001/2022 da Prefeitura Municipal de São José do Povo, no Mato Grosso, manteve o gabarito e registrou que o verbo analisado "não é infinitivo pessoal, mas sim infinitivo impessoal", porque não havia no poema nenhuma referência a sujeito. O julgamento está publicado no Edital Complementar nº 007/2022 da Prefeitura de São José do Povo e serve de prova de que a distinção vale ponto de verdade.
Particípio regular e particípio irregular: os verbos abundantes.
Alguns verbos têm duas formas de particípio, uma regular e outra irregular, e por isso são chamados de abundantes. A regra de emprego é direta: a forma regular acompanha ter e haver; a irregular acompanha ser e estar.
| Verbo | Particípio regular (ter, haver) | Particípio irregular (ser, estar) |
|---|---|---|
| aceitar | tinha aceitado | foi aceito |
| entregar | havia entregado | estava entregue |
| imprimir | tinha imprimido | foi impresso |
| pagar | havia pagado | estava pago |
| eleger | tinha elegido | foi eleito |
| suspender | havia suspendido | foi suspenso |
| salvar | tinha salvado | estava salvo |
Perceba que a coluna da direita é a que aparece em edital e em ato administrativo: prova anulada, candidato eliminado, inscrição deferida, concurso suspenso. Quem lê documento oficial com frequência acaba internalizando a lista sem decorar, e essa leitura também rende repertório para interpretação de texto na hora da prova.
Quadro de emprego das três formas nominais:
| Forma | Terminação | Valor na oração | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Infinitivo | ar, er, ir | Substantivo | Estudar exige rotina |
| Gerúndio | ndo | Advérbio | Saiu correndo da sala |
| Particípio | ado, ido e formas irregulares | Adjetivo | Edital publicado ontem |
Esse quadro responde à pergunta mais frequente do tema e funciona bem como cartão de revisão. Combine-o com o guia de Português para concurso e com a tabela de infinitivo pessoal e impessoal e você terá o conteúdo essencial em menos de uma página, útil para a reta final de qualquer concurso.
Como as bancas cobram as formas nominais do verbo?
Três formatos concentram quase tudo. O primeiro pede a classificação da forma destacada no texto. O segundo testa a flexão do infinitivo num período com dois sujeitos. O terceiro cobra a escolha entre particípio regular e irregular dentro de uma locução verbal, quase sempre num trecho de linguagem administrativa.
Questão comentada no estilo das bancas.
A questão abaixo foi escrita por nós no estilo das bancas, de forma adaptada, e não reproduz item de prova aplicada. Resolva antes de abrir o comentário.
(Adaptada, estilo banca de prova objetiva, nível superior) Assinale a alternativa em que a forma nominal do verbo foi empregada de acordo com a norma padrão.
- a) A comissão havia suspenso o concurso por determinação judicial.
- b) Os documentos foram entregados na secretaria antes do prazo.
- c) É necessário que os candidatos assinarem a lista de presença.
- d) O relatório foi impresso e entregue à chefia na mesma tarde.
- e) Vamos estar encaminhando o processo ainda nesta semana.
Gabarito: letra d.
A alternativa d está correta porque os dois particípios irregulares, impresso e entregue, acompanham o verbo ser, que exige a forma breve. Na letra a o erro é o inverso: com haver, a norma pede o particípio regular suspendido. Na letra b, entregados aparece com o verbo ser, quando o correto seria entregues. A letra c mistura duas estruturas: ou se usa "é necessário que os candidatos assinem", com verbo finito no subjuntivo, ou "é necessário os candidatos assinarem", com infinitivo pessoal flexionado, estrutura que também aparece em questão de concordância verbal com sujeito oracional. A letra e traz o gerundismo, locução condenada no registro formal, que deveria ser trocada por "encaminharemos".
O peso do tema por estilo de banca.
Em provas de certo ou errado, o item costuma afirmar algo sobre a função sintática da forma nominal dentro de um período longo, exigindo análise de oração reduzida. Em múltipla escolha, o formato dominante é o da questão acima, com cinco frases e um desvio em quatro delas. Vale conferir como cada examinadora monta a prova nos guias da banca IBFC e da banca Cesgranrio antes de escolher o material de treino.
Erros mais comuns com as formas nominais:
- Flexionar o infinitivo sem sujeito próprio. Em "é proibido fumarem", a flexão não tem a quem se referir e cria desvio.
- Usar particípio regular com ser e estar. "Foi pagado" soa estranho justamente porque a norma pede "foi pago".
- Usar particípio irregular com ter e haver. O caminho inverso também é desvio: prefira "tinha pagado".
- Trocar gerúndio por gerundismo. "Vou estar verificando" alonga a frase sem acrescentar informação e destoa do registro formal.
- Confundir forma nominal com tempo verbal. Gerúndio não é tempo; ele só ganha referência temporal dentro da locução.
- Esquecer que particípio concorda na voz passiva. Em "as provas foram anuladas", a forma varia em gênero e número com o sujeito.
O quinto item é o que mais aparece em questão de interpretação disfarçada de gramática. Treinar com banco de questões comentado e revisar com a técnica Feynman funciona bem aqui, porque obriga você a explicar a regra em voz alta antes de marcar, hábito que o método de resolução em seis passos reforça.
Resumo para revisar antes da prova:
| Ponto | O que lembrar |
|---|---|
| Quantas são | Três: infinitivo, gerúndio e particípio |
| Por que nominais | Funcionam como substantivo, advérbio e adjetivo |
| Tempo e modo | Não têm por si mesmas, só na locução verbal |
| Infinitivo impessoal | Sem sujeito próprio, não flexiona |
| Infinitivo pessoal | Com sujeito identificável, pode flexionar |
| Particípio com ter e haver | Forma regular e invariável |
| Particípio com ser e estar | Forma irregular, concorda em gênero e número |
| Gerundismo | Desvio de registro, não de conjugação |
Vale conectar esse resumo com outros tópicos cobrados junto. A análise de oração reduzida exige reconhecer a forma nominal; a regência verbal aparece quando o infinitivo pede preposição; e o paralelismo sintático cobra coerência quando uma enumeração mistura infinitivos e substantivos na mesma lista.
Perguntas frequentes:
Quais são as formas nominais do verbo?
São três: infinitivo, gerúndio e particípio. Elas recebem esse nome porque, além do valor verbal, podem exercer função de substantivo, advérbio ou adjetivo na oração. Nenhuma delas indica tempo ou modo por conta própria.
Qual é a diferença entre infinitivo pessoal e impessoal?
O infinitivo impessoal não tem sujeito próprio e permanece invariável, como em "é proibido fumar". O pessoal tem sujeito identificável e pode receber desinência de pessoa, como em "convém estudarmos mais". Em muitos contextos a flexão é facultativa, e a escolha se justifica pela clareza.
Quando usar particípio regular ou irregular?
Use a forma regular, terminada em ado ou ido, com os verbos ter e haver. Use a forma irregular, mais curta, com os verbos ser e estar. A frase "o prazo foi suspenso, embora o edital tivesse suspendido apenas uma etapa" aplica as duas regras na sequência.
O gerúndio é errado em português?
Não é errado. O gerúndio é forma legítima e necessária para indicar processo em curso ou circunstância. O que a norma padrão condena é o gerundismo, a locução do tipo "vou estar enviando", que alonga a frase sem acrescentar sentido e destoa do registro formal exigido em prova.
Formas nominais caem em qual parte do edital?
Elas aparecem sob rubricas como verbo, emprego de tempos e modos verbais, morfologia, e também dentro de sintaxe do período composto, por causa das orações reduzidas. Mesmo quando o edital não cita o termo, o tema entra pelas questões de reescrita e de concordância.
Treine verbo com questão corrigida e pare de perder ponto fácil:
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