Um erro de correlação verbal derruba a questão inteira de reescrita, mesmo quando todas as outras palavras da frase estão certas.
Tempo verbal indica quando a ação acontece: presente, pretérito ou futuro. Modo verbal indica como quem fala encara essa ação, e são três: indicativo para o que é tido como certo, subjuntivo para hipótese e dúvida, imperativo para ordem e pedido. Em concurso, os dois conceitos caem juntos na correlação verbal e na reescrita de frases.

Atualizado em 5 de outubro de 2026.
O que você vai revisar aqui:
- O que são tempos e modos verbais
- Os três modos verbais e as formas nominais
- Tabela dos tempos do indicativo e do subjuntivo
- Correlação verbal na prática
- Como as bancas cobram o tema
- Erros mais comuns em prova
- Resumo para revisar na véspera
- Perguntas frequentes
O que são tempos e modos verbais?
O verbo é a classe de palavras que mais flexiona em português. Ele varia em pessoa, número, tempo, modo e voz, e essa riqueza de formas explica por que ele ocupa tanto espaço nos editais. Dentro desse conjunto, tempo e modo são duas flexões diferentes que viajam sempre juntas na mesma desinência.
O tempo situa a ação na linha do tempo. Em cantei, a ação já terminou. Em canto, ela acontece agora. Em cantarei, ela ainda vai acontecer. São os três tempos básicos: pretérito, presente e futuro, cada um com subdivisões.
O modo revela a atitude de quem fala diante do fato. Quando digo que o candidato estuda todos os dias, apresento o fato como real, e uso o indicativo. Quando digo que espero que o candidato estude todos os dias, apresento o fato como desejo, e uso o subjuntivo. Quando digo estude todos os dias, dou uma instrução, e uso o imperativo.
Repare que a mesma raiz verbal, estud, recebe terminações diferentes em cada caso. Essas terminações carregam, ao mesmo tempo, a informação de pessoa, número, tempo e modo. Reconhecer a desinência é o atalho que a banca testa. Se você ainda confunde verbo com outras classes gramaticais, o guia de classes de palavras resolve essa base antes de seguir.
Os três modos verbais e as formas nominais:
Cada modo tem um conjunto fechado de tempos. Saber quantos são e qual o valor de cada um responde boa parte das questões sem precisar conjugar nada.
Modo indicativo:
Apresenta o fato como certo, real ou provável. Tem seis tempos: presente, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito. O exemplo clássico de pegadinha mora no futuro do pretérito, que não indica passado nem futuro puro, e sim uma hipótese condicionada, como em eu faria a prova se tivesse me inscrito na data certa. Muita gente classifica essa forma como condicional, nome que a nomenclatura oficial brasileira não adota.
Modo subjuntivo:
Apresenta o fato como possível, duvidoso ou desejado. Tem apenas três tempos: presente, pretérito imperfeito e futuro. O futuro do subjuntivo é o que mais confunde, porque sua forma se parece com o infinitivo pessoal em verbos regulares, como em quando eu chegar, aviso você por mensagem. Em verbos irregulares a diferença aparece, e é aí que a banca ataca, como em quando eu vier e não quando eu vir, ou se eu puser e não se eu por.
Modo imperativo:
Exprime ordem, pedido, conselho ou convite. Divide se em afirmativo e negativo e não tem primeira pessoa do singular, porque ninguém dá ordem a si mesmo nessa estrutura. O detalhe cobrado em prova é a formação: o imperativo afirmativo de tu e vós vem do presente do indicativo sem o s final, e todas as outras pessoas vêm do presente do subjuntivo. Por isso se diz fala tu com s cortado e fale você com a forma do subjuntivo.
Formas nominais:
Infinitivo, gerúndio e particípio ficam fora dos modos porque não marcam tempo nem modo por conta própria. Elas funcionam como substantivo, advérbio e adjetivo dentro da frase. O particípio é o mais cobrado, por causa dos verbos abundantes, que têm duas formas: tinha aceitado com os auxiliares ter e haver, e foi aceito com ser e estar. Essa distinção aparece com frequência em questões de voz passiva, e as duas formas aceitas de cada verbo abundante estão registradas no Vocabulário Ortográfico mantido pela Academia Brasileira de Letras para consulta gratuita.
Tabela dos tempos do indicativo e do subjuntivo.
A tabela abaixo usa o verbo estudar na primeira pessoa do singular para você comparar as formas lado a lado.
| Modo | Tempo | Forma | Valor de uso |
|---|---|---|---|
| Indicativo | Presente | estudo | Fato atual ou habitual |
| Indicativo | Pretérito perfeito | estudei | Ação concluída no passado |
| Indicativo | Pretérito imperfeito | estudava | Ação contínua ou repetida no passado |
| Indicativo | Pretérito mais que perfeito | estudara | Ação anterior a outra ação passada |
| Indicativo | Futuro do presente | estudarei | Ação posterior ao momento da fala |
| Indicativo | Futuro do pretérito | estudaria | Hipótese condicionada ou polidez |
| Subjuntivo | Presente | que eu estude | Desejo ou possibilidade no presente |
| Subjuntivo | Pretérito imperfeito | se eu estudasse | Hipótese improvável ou irreal |
| Subjuntivo | Futuro | quando eu estudar | Possibilidade projetada no futuro |
Uma leitura que vale ouro na prova: o pretérito mais que perfeito simples, como estudara, quase não aparece na fala, mas aparece muito em texto formal de banca. Ele equivale a tinha estudado. Quando você encontrar uma forma assim num enunciado, traduza mentalmente para a forma composta e o sentido se abre. Esse hábito de traduzir a forma difícil antes de responder é o mesmo que o guia de interpretação de texto recomenda para enunciados longos.
Correlação verbal na prática.
Correlação verbal é a combinação coerente entre o verbo da oração principal e o verbo da oração subordinada. A banca testa isso porque é onde o candidato escorrega sem perceber, trocando um tempo por outro que soa parecido.
| Oração principal | Oração subordinada | Exemplo correto |
|---|---|---|
| Presente do indicativo | Presente do subjuntivo | Espero que você estude hoje |
| Pretérito imperfeito do indicativo | Pretérito imperfeito do subjuntivo | Esperava que você estudasse |
| Futuro do presente | Futuro do subjuntivo | Avisarei quando a prova começar |
| Pretérito imperfeito do subjuntivo | Futuro do pretérito | Se estudasse mais, passaria |
| Presente do indicativo | Futuro do subjuntivo | Aviso você quando o edital sair |
A linha mais cobrada é a quarta. Se eu estudasse, eu passaria está correto. Se eu estudaria, eu passaria está errado, porque o futuro do pretérito não entra na oração condicional iniciada por se. Esse par aparece todo ano em prova de nível superior. Para entender a estrutura da frase onde essa correlação acontece, o guia de orações subordinadas ajuda bastante.
Há ainda a correlação no interior de um mesmo texto, que é matéria de coesão. Uma narrativa iniciada no pretérito perfeito não pode saltar para o presente sem motivo, e a banca costuma pedir a reescrita que corrige esse salto. Esse tipo de exigência conversa diretamente com o paralelismo sintático e com os gêneros estudados em tipologia textual na mesma disciplina.
Como as bancas cobram tempos e modos verbais?
Nos conteúdos programáticos, o tema costuma aparecer com a redação emprego e correlação de tempos e modos verbais, geralmente no mesmo item que trata de flexão verbal e formas nominais. Você encontra essa redação nos editais publicados no portal do Concurso Nacional Unificado e no edital da maioria das bancas de nível superior.
Três formatos dominam. O primeiro pede a classificação da forma destacada. O segundo pede a reescrita de uma frase mantendo o sentido, trocando o tempo verbal. O terceiro apresenta um período com dois verbos e pergunta se a correlação está adequada. O exemplo a seguir foi escrito no estilo das bancas de reescrita, como item adaptado, e não corresponde a uma prova específica.
Questão adaptada, estilo reescrita de frase.
Considere o período: Se o candidato apresentasse a documentação completa, a inscrição seria homologada. Assinale a alternativa cuja reescrita mantém a correção gramatical e o sentido original:
- a) Se o candidato apresentaria a documentação completa, a inscrição seria homologada;
- b) Caso o candidato apresente a documentação completa, a inscrição será homologada;
- c) Se o candidato apresentar a documentação completa, a inscrição seria homologada;
- d) Quando o candidato apresentasse a documentação completa, a inscrição seria homologada.
Gabarito: letra b.
Vale entender cada descarte. A alternativa a comete o erro mais clássico da língua portuguesa escrita: usar o futuro do pretérito na oração iniciada por se, posição reservada ao pretérito imperfeito do subjuntivo. A alternativa c mistura futuro do subjuntivo na subordinada com futuro do pretérito na principal, combinação que quebra a correlação. A alternativa d troca a conjunção condicional por uma temporal e muda o sentido do período, porque quando indica momento e se indica condição. Já a letra b desloca o par inteiro para a hipótese provável, com presente do subjuntivo na subordinada e futuro do presente na principal, mantendo a condição e a correção.
Esse tipo de item recompensa quem treina volume. Separar vinte questões de verbo da sua banca no banco de questões e refazer os erros na semana seguinte funciona melhor que reler a tabela de conjugação.
Erros mais comuns com tempos e modos verbais.
- Usar o futuro do pretérito depois de se em oração condicional, como em se eu teria tempo, quando o correto é se eu tivesse tempo.
- Confundir futuro do subjuntivo com infinitivo pessoal em verbos irregulares, escrevendo quando eu ver em vez de quando eu vir.
- Trocar o particípio regular pelo irregular com o auxiliar errado, dizendo foi pagado em vez de foi pago.
- Misturar tempos dentro do mesmo parágrafo sem motivo, erro que aparece bastante na prova discursiva e que o guia de redação para concurso detalha.
- Chamar o futuro do pretérito de condicional, nome que a nomenclatura gramatical brasileira oficial não usa.
- Esquecer o acento que distingue tem de têm e vem de vêm no plural, detalhe tratado no guia de acentuação gráfica e cobrado em quase toda prova.
- Ignorar que o imperativo negativo vem todo do presente do subjuntivo, escrevendo não fala em vez de não fales.
Esses erros raramente aparecem sozinhos. Eles costumam vir acompanhados de deslize de concordância verbal ou de regência verbal na mesma oração, porque todos partem do mesmo ponto cego: o candidato lê o verbo rápido demais.
Resumo dos tempos e modos verbais para revisar.
| Ponto | O que lembrar |
|---|---|
| Modos | Indicativo para o certo, subjuntivo para o hipotético, imperativo para a ordem |
| Quantidade de tempos | Seis no indicativo, três no subjuntivo, dois no imperativo |
| Formas nominais | Infinitivo, gerúndio e particípio, sem marca própria de tempo e modo |
| Futuro do pretérito | Hipótese condicionada, nunca depois de se na oração condicional |
| Futuro do subjuntivo | Quando eu vier, se eu puser, assim que ele dispuser |
| Correlação clássica | Se estudasse, passaria; se estudar, passará |
| Imperativo | Tu e vós vêm do indicativo sem s; as demais pessoas vêm do subjuntivo |
| Particípio duplo | Ter e haver pedem a forma regular; ser e estar pedem a irregular |
Para fechar o bloco de morfologia e sintaxe, encaixe esta revisão ao lado da colocação pronominal e do uso da vírgula em questões de reescrita, porque os três aparecem na mesma frase. O mapa completo da disciplina está no guia de português para concurso que organiza o estudo por tema.
Perguntas frequentes:
Quantos tempos e modos verbais existem em português?
São três modos: indicativo, subjuntivo e imperativo. O indicativo tem seis tempos, o subjuntivo tem três e o imperativo tem dois, o afirmativo e o negativo. Somando as formas simples, chega se a onze tempos distribuídos pelos três modos, sem contar os tempos compostos formados com ter e haver.
Qual a diferença entre tempo verbal e modo verbal?
Tempo verbal responde quando a ação acontece, e modo verbal responde como quem fala enxerga essa ação. Em estudei, o tempo é pretérito perfeito e o modo é indicativo, porque o fato é apresentado como real. Em estudasse, o tempo é pretérito imperfeito e o modo é subjuntivo, porque o fato aparece como hipótese. As duas informações vêm na mesma terminação do verbo.
Como identificar o modo verbal de uma frase?
O caminho mais rápido é testar a companhia do verbo. Se a forma aceita antes dela expressões como talvez, espero que ou caso, o modo é subjuntivo. Se a forma convive bem com certamente ou de fato, o modo é indicativo. Se a frase dá uma instrução direta ao interlocutor, o modo é imperativo.
O que é correlação de tempos e modos verbais?
É a combinação adequada entre o verbo da oração principal e o da oração subordinada, de modo que os dois descrevam a mesma situação temporal sem contradição. Um exemplo correto é esperava que você estudasse, e um exemplo incorreto é esperava que você estude. As bancas cobram essa combinação sobretudo em questões de reescrita de frase.
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