Abrir matéria nova é o que mais dá sensação de progresso e o que menos rende ponto nos últimos 60 dias. Nessa fase, quem revisa e resolve questão passa na frente de quem ainda está começando apostila.
Um plano de reta final de 60 dias dispensa teoria nova por revisão e questões. A divisão que funciona reserva cerca de 10% do tempo para teoria residual, 50% para resolução de questões e 40% para revisão e simulado, com pelo menos um simulado completo por semana nas últimas quatro semanas.

Atualizado em 24 de setembro de 2026.
O plano em oito partes:
O que muda na reta final de 60 dias?
A diferença entre a preparação longa e a reta final não é de intensidade, é de objetivo. Durante meses o alvo é cobrir o edital. Nos últimos dois meses o alvo passa a ser recuperar, sob pressão e dentro do tempo, aquilo que já foi visto.
Isso muda três coisas na prática. O volume de teoria cai, a resolução de questões vira o centro do dia e o simulado deixa de ser evento raro para virar rotina semanal. Quem não faz essa virada chega na prova com o edital coberto e sem treino de execução, e execução é o que a banca mede.
Uma ressalva importante: este texto pressupõe que você já tem um cronograma rodando. Se ainda não montou o seu, comece pelo passo a passo de cronograma de estudos, porque reta final sem base anterior é outra conversa. A versão resumida está em como montar o seu cronograma.
Por que revisar rende mais que estudar matéria nova?
A resposta vem de dois achados clássicos da psicologia cognitiva, e vale conhecê-los porque eles explicam o desenho do plano inteiro.
O primeiro é a curva de esquecimento, descrita por Hermann Ebbinghaus ainda no fim do século 19: sem nenhuma revisão, boa parte de um conteúdo recém aprendido se perde nos primeiros dias. O segundo é o efeito de teste, demonstrado por Henry Roediger e Jeffrey Karpicke em estudo publicado na revista Psychological Science em 2006: grupos que recuperaram a informação respondendo a testes retiveram mais no longo prazo do que grupos que apenas releram o mesmo material.
A tradução disso para a mesa de estudo é direta. Reler capítulo dá conforto e pouca retenção. Fechar o material e tentar responder força a recuperação, que é justamente o que a prova vai exigir. Por isso a questão ocupa metade do tempo no plano. O funcionamento detalhado está em revisão espaçada e em como estudar por questões.
O plano de 60 dias por semana
Os 60 dias se organizam em quatro blocos de duas semanas mais a semana final. Cada bloco tem uma função, e pular um deles desequilibra os outros.
Semanas 1 e 2: fechar buracos e mapear o terreno
Este é o único momento em que conteúdo inédito ainda vale a pena. Liste os tópicos de alto peso no edital que você nunca abriu ou abriu mal, escolha no máximo três e feche esses buracos agora. Ao mesmo tempo, faça um diagnóstico: resolva um bloco de questões por disciplina e anote o percentual de acerto de cada uma. Esse mapa decide onde os próximos 45 dias serão gastos.
Semanas 3 e 4: questões por disciplina, das piores para as melhores
Com o diagnóstico na mão, ataque as disciplinas de menor acerto que tenham peso relevante. Nada de distribuir tempo igual entre tudo: disciplina com 80% de acerto precisa de manutenção, não de maratona. Cada sessão fecha com a anotação dos erros, e é aqui que o caderno de erros começa a pagar o investimento.
Semanas 5 e 6: simulado semanal e revisão dirigida
Entra o simulado completo, cronometrado, no mesmo horário da prova real. A correção leva mais tempo que a execução e é onde está o ganho. Cada erro vira uma entrada de revisão para a semana seguinte. O método está em como usar o simulado para subir a nota e em onde treinar.
Semanas 7 e 8: consolidação e lei seca
Agora o foco é o que tem alta probabilidade de cair e alta chance de escapar: prazos, números, listas fechadas, exceções. É o momento de passar os olhos na letra da lei e nos resumos próprios, não nos alheios. Mantenha o simulado semanal e reduza o volume de questões novas em favor da repetição das que você errou.
A última semana: reduzir para chegar inteiro
Volume cai pela metade. Nada de conteúdo novo. Leitura do caderno de erros, revisão dos cartões, ajuste do sono para o horário da prova e resolução da logística: local, transporte, documento, o que levar. O dia anterior fica livre de estudo pesado. Chegar descansado vale mais que duas horas extras de revisão, e a estratégia no dia da prova merece ser ensaiada antes.
A rotina de um dia na reta final
O modelo abaixo considera cinco horas diárias. Se a sua carga for outra, mantenha as proporções e ajuste os blocos.
Bloco | Duração | O que fazer |
|---|---|---|
Abertura | 20 minutos | Revisão do caderno de erros do dia anterior |
Bloco 1 | 90 minutos | Questões da disciplina de menor acerto |
Intervalo | 15 minutos | Sair da cadeira, sem tela |
Bloco 2 | 90 minutos | Questões da segunda disciplina prioritária |
Bloco 3 | 50 minutos | Revisão dirigida dos erros do próprio dia |
Fechamento | 15 minutos | Anotar os três pontos a revisar amanhã |
Repare que a revisão aparece duas vezes, no começo e no fim. Esse sanduíche é o que faz o conteúdo do dia sobreviver à semana. Se você ainda está calibrando a carga, o texto sobre quantas horas estudar por dia ajuda a definir um número que você consiga sustentar por dois meses.
Erros que prejudicam o plano de reta final
Dobrar a carga horária de uma semana para a outra e quebrar antes da metade do plano.
Continuar abrindo matéria nova depois da segunda semana, por medo de deixar algo de fora.
Fazer simulado e não corrigir com calma, o que transforma três horas de treino em um número solto.
Distribuir o tempo igualmente entre disciplinas, ignorando peso no edital e percentual de acerto.
Trocar o sono por estudo na última semana, justo quando a memória precisa consolidar.
Estudar por resumo de terceiro em vez do próprio material já grifado e anotado.
O quinto item merece um parágrafo próprio. A privação de sono reduz atenção e capacidade de recuperar informação, exatamente as duas funções que a prova cobra. Estudar até tarde na véspera é o erro mais caro dessa lista. Sobre o desgaste da preparação, vale a leitura de saúde mental na preparação para concurso.
Como adaptar o plano ao seu caso
Se você trabalha o dia inteiro
Com duas ou três horas por dia, corte o bloco 2 e mantenha abertura, um bloco de questões e a revisão de fechamento. Concentre o simulado no sábado de manhã e use o domingo para corrigir. A organização detalhada está em quem trabalha e estuda para concurso e em conciliar trabalho e estudos.
Se você começou depois e não cobriu o edital
Aceite que não vai cobrir tudo e escolha. Pegue o edital, marque os cinco tópicos de maior peso e trate o resto como bônus. Uma prova é decidida por percentual, não por completude, e ninguém acerta 100%. Entender como funciona a nota de corte ajuda a calibrar essa escolha sem culpa.
Se você já reprovou por pouco na última tentativa
Seu problema provavelmente não é conteúdo, é execução: tempo, marcação, leitura apressada. Priorize simulados completos, dois por semana em vez de um, e cronometre tudo. Se a prova tem discursiva, escreva uma por semana com correção, seguindo estrutura, correção e o que zera a redação.
Ferramentas gratuitas que irão te ajudar
Uma planilha simples com disciplina, data e percentual de acerto, que substitui qualquer aplicativo pago.
Cronômetro do celular em modo avião, para blocos cronometrados sem notificação.
Cartões de revisão escritos à mão, que rendem mais que os digitais para conteúdo de lista.
O edital em PDF com marcação colorida por prioridade, revisitado toda semana.
Ferramenta boa é a que você usa sem pensar. Aplicativo demais vira procrastinação organizada, tema tratado em como usar bem um aplicativo de estudo e em o que funciona e o que atrapalha ao estudar com inteligência artificial. Para conteúdo de lista, o mapa mental tem hora certa de entrar, e a escolha do material está em as quatro funções do seu material.
Duas coisas sustentam o plano quando a vontade cai no meio do caminho: rotina previsível e resultado visível. O primeiro ponto é tratado em como manter o foco nos estudos e o segundo em o que sustenta a motivação.

Perguntas frequentes (FAQ)
Quantas horas devo estudar por dia na reta final?
Mantenha a carga que você já sustenta, em vez de dobrar de repente. Aumentar de quatro para dez horas nas últimas semanas costuma gerar cansaço e queda de rendimento antes da prova. O ganho da reta final vem da mudança de conteúdo estudado, não do número de horas.
Devo estudar matéria nova na reta final?
Só o essencial, e com limite de tempo. Se existe um tópico de alto peso no edital que você nunca abriu, vale dedicar as primeiras duas semanas a ele. Passado esse ponto, o retorno de abrir assunto inédito fica menor que o de revisar o que já foi visto.
Quantos simulados fazer nos últimos 60 dias?
Um simulado completo por semana nas últimas quatro semanas é suficiente para a maioria dos candidatos. O valor não está em fazer muitos, e sim em corrigir cada um com calma e transformar os erros em revisão dirigida. Simulado sem correção detalhada é tempo gasto sem retorno.
O que fazer na semana da prova?
Reduza o volume e priorize revisão leve, leitura do caderno de erros e ajuste do sono. Nada de conteúdo novo e nada de virar noite. Deixe o dia anterior livre de estudo pesado e resolva a logística do local de prova com antecedência.
Vale a pena parar de trabalhar na reta final?
Na maioria dos casos não é necessário nem recomendável, porque a perda de renda cria uma pressão que atrapalha o desempenho. Ajustar a rotina costuma resolver: concentrar o estudo nos blocos de maior energia do dia e usar o fim de semana para os simulados. Férias na última semana, quando possível, rendem mais que uma licença longa.
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