O acordo ortográfico em vigor no Brasil virou obrigatório em 1º de janeiro de 2016, depois de sete anos de transição previstos em decreto.
Ortografia oficial é o conjunto de regras que fixa a grafia correta das palavras em português, definido pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e registrado no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Nos editais o tema aparece como domínio da ortografia oficial e cobra três frentes: emprego das letras, uso do hífen e acentuação gráfica.

Atualizado em 4 de outubro de 2026.
Neste guia você encontra:
- O que é ortografia oficial
- Tipos de questão de ortografia oficial
- Emprego das letras com tabela de regras
- Uso do hífen depois do novo acordo
- Como as bancas cobram o tema
- Erros mais comuns em prova
- Resumo para revisar na véspera
- Perguntas frequentes
O que é ortografia oficial?
Ortografia oficial é a norma que determina como cada palavra deve ser escrita na língua portuguesa escrita formal. Ela não discute se a frase está bonita nem se a regência está certa: trata só da forma gráfica da palavra, letra por letra, acento por acento.
Essa norma tem base legal. O Decreto nº 6.583 de 2008 promulgou no Brasil o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa assinado em Lisboa em 1990. O próprio decreto previu um intervalo em que a grafia antiga e a nova poderiam conviver, encerrado em 31 de dezembro de 2015. Desde 2016, portanto, só uma grafia é aceita em prova.
A Academia Brasileira de Letras mantém o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que é onde a grafia de cada palavra fica registrada. Quando duas formas disputam a sua memória, é ali que a dúvida termina. Nenhum corretor automático de celular tem esse peso, e muita questão de concurso explora exatamente a palavra que o corretor erra.
Vale separar bem os conceitos antes de seguir. Ortografia cuida da escrita da palavra. Acentuação gráfica é uma parte dela, com regras próprias de tônica e terminação. Já pontuação e concordância pertencem a outros capítulos da gramática, mesmo quando caem na mesma questão.
Tipos de questão de ortografia oficial:
As bancas repetem cinco formatos. Reconhecer o formato antes de ler as alternativas economiza tempo, porque cada um pede um tipo diferente de atenção.
Identificar a palavra grafada incorretamente:
É o modelo clássico das bancas que trabalham com múltipla escolha. O enunciado traz quatro ou cinco alternativas e pede a única com erro de grafia. O truque está em ler a palavra sílaba por sílaba, sem confiar no reconhecimento visual, porque o cérebro completa a forma esperada. Um exemplo recorrente é a palavra beneficente escrita com c e não com s, apesar de muita gente pronunciar como se tivesse z. Caem também privilégio sem r depois do p e meritíssimo com dois s.
Completar a lacuna com a letra correta:
Aqui o examinador apaga a letra e pede a escolha entre s e z, g e j, x e ch. A decisão quase nunca é de ouvido, porque o som é idêntico. Ela depende da origem da palavra ou do sufixo. Em análise o s vem do radical, e por isso analisar também se escreve com s, nunca com z. Já catalisar segue a mesma lógica. Quem decora a família de palavras acerta o grupo inteiro de uma vez.
Julgar a grafia dentro de um texto corrido:
Formato preferido das bancas que usam julgamento de item certo ou errado. O erro vem escondido numa oração longa, cercado de informação irrelevante. A estratégia muda: em vez de ler o texto buscando sentido, você varre as palavras longas e as menos frequentes, que são onde o erro costuma estar. Palavras como concessão, discrição e ascensão são iscas frequentes nesse formato.
Decidir o emprego do hífen:
O hífen virou protagonista depois de 2009, porque foi a parte do acordo que mais mudou. A questão apresenta compostos e pede a forma correta. O candidato precisa saber se o prefixo termina com a mesma letra que inicia o segundo elemento, se o segundo elemento começa com h, e se a palavra já se lexicalizou. O par micro-ondas e microcomputador resume a lógica inteira: o primeiro leva hífen porque há encontro de vogais iguais, o segundo não leva.
Distinguir parônimos e homônimos:
Palavras parecidas na escrita ou no som, com sentidos diferentes, rendem questões que misturam ortografia e interpretação. Tráfego é movimento de veículos, tráfico é comércio ilícito. Flagrante é evidente, fragrante é perfumado. Ratificar é confirmar, retificar é corrigir. Trocar um pelo outro não gera só erro de grafia, gera ambiguidade no sentido da frase. Esse tipo de item cresceu nos últimos anos porque permite cobrar vocabulário e grafia na mesma questão, e combina bem com a leitura atenta que o guia de interpretação de texto ensina a treinar.
Emprego das letras: regras e exemplos.
O emprego das letras é a parte mais decorável da ortografia oficial, e também a mais rentável, porque poucas famílias de palavras explicam a maioria dos itens de prova. A tabela abaixo reúne os grupos que mais aparecem.
| Situação | Regra | Exemplos | Pegadinha comum |
|---|---|---|---|
| Uso do S | Depois de ditongo e em palavras derivadas de outra com s | coisa, maisena, análise, analisar, pesquisa | analizar, pesquizar |
| Uso do Z | Em sufixos formadores de substantivo abstrato (ez, eza) e verbos em izar sem s no radical | rigidez, beleza, realizar, civilizar | beleza escrita com s |
| Uso do G | Em substantivos terminados em agem, igem, ugem e em palavras de origem grega | viagem, origem, ferrugem, tigela | viajem como substantivo |
| Uso do J | Em palavras de origem indígena ou africana e em formas dos verbos em jar | pajé, canjica, viajem, cerejeira | viagem como verbo |
| Uso do X | Depois de ditongo, depois da sílaba inicial en e depois de me | caixa, enxada, mexer, enxergar | enchada, mecher |
| Uso do CH | Em palavras de origem francesa, inglesa ou espanhola | chefe, chute, mochila, chalé | xefe, mochila com x |
| SS e Ç | Ç nunca aparece antes de e ou i; nessas posições usa se c ou ss | caçar, cesta, assessoria, discussão | çesta, discução |
| Mal e mau | Mal é advérbio e se opõe a bem; mau é adjetivo e se opõe a bom | dormiu mal, mau humor, falou mal dele | mau feito |
Uma observação que resolve meia dúzia de questões por prova: viagem com g é substantivo, como em boa viagem. Viajem com j é verbo, como em espero que eles viajem amanhã. A banca adora essa troca porque ela sobrevive ao corretor automático.
Outro grupo rentável é o dos verbos terminados em izar e isar. Se o radical já tem s, a derivação mantém o s, como em análise e analisar, pesquisa e pesquisar. Se o radical não tem s, entra o z, como em real e realizar, civil e civilizar. É uma regra de duas linhas que vale pontos todo ano.
Uso do hífen depois do novo acordo ortográfico.
O hífen é o capítulo que mais mudou e, por isso, o que mais cai. A regra geral tem três perguntas: como termina o prefixo, como começa o segundo elemento, e se existe alguma exceção fixada.
| Situação | Usa hífen? | Exemplos |
|---|---|---|
| Prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento | Sim | micro-ondas, anti-inflamatório, contra-ataque |
| Prefixo termina com vogal diferente da inicial do segundo elemento | Não | autoescola, aeroespacial, semiaberto |
| Segundo elemento começa com h | Sim | super-homem, anti-higiênico, pré-história |
| Prefixo termina com consoante igual à inicial do segundo elemento | Sim | inter-regional, sub-bibliotecário, hiper-resistente |
| Prefixo termina com consoante diferente da inicial do segundo elemento | Não | intermunicipal, hipertensão, superinteressante |
| Prefixos sempre com hífen | Sim | ex-diretor, vice-presidente, pós-graduação, além-mar |
| Prefixo terminado em vogal antes de r ou s | Não, dobra se a consoante | antirrugas, minissaia, ultrassom, contrassenso |
Duas formas que caem muito e confundem até quem estudou: micro-ondas leva hífen pelo encontro de o com o, enquanto microssistema dobra o s e dispensa o hífen. E o verbo com pronome continua hifenizado normalmente, como em entregou-lhe e far-se-á, assunto que a colocação pronominal detalha.
Como as bancas cobram ortografia oficial na prova?
Na maior parte dos editais de nível médio e superior, ortografia aparece junto de acentuação no mesmo item do conteúdo programático. Você pode conferir a redação exata desse item nos editais publicados no portal do Concurso Nacional Unificado e comparar com o conteúdo programático do edital da sua banca.
Em prova, o formato mais comum é a questão de substituição: o examinador troca uma palavra por outra parecida e pergunta se a frase continua correta. Veja um item no estilo cobrado, escrito aqui como exemplo adaptado, não extraído de uma prova específica.
Questão adaptada, estilo banca de múltipla escolha.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas de acordo com a ortografia oficial vigente:
- a) pretensão, excessão, discrição, ascenção;
- b) pretenção, exceção, discrissão, ascensão;
- c) pretensão, exceção, discrição, ascensão;
- d) pretenssão, excessão, discrisão, acensão.
Gabarito: letra c.
O comentário vale mais que a resposta. Pretensão vem de pretender e segue a família de compreensão e extensão, sempre com s. Exceção leva c diante de e e ç diante de ã, porque o cedilha nunca aparece antes de e ou i, e a mesma família traz excetuar sem cedilha nenhuma. Discrição, que significa reserva e discernimento, se escreve com c, e não deve ser confundida com descrição, que significa relato. Ascensão vem de ascender, subir, e mantém o s do radical. Quem monta a família de palavras antes de responder não depende da memória visual.
Bancas que trabalham com julgamento de item certo ou errado preferem enterrar a palavra errada no meio de um parágrafo técnico. A defesa é mecânica: leia o item duas vezes, a primeira pelo sentido e a segunda só olhando a forma das palavras. Treinar isso no banco de questões vale mais que reler teoria.
Erros mais comuns em ortografia oficial em prova.
- Confiar no corretor automático do celular, que aceita formas antigas e grafias de Portugal, diferentes das exigidas no Brasil.
- Decorar palavra solta em vez de família de palavras, o que faz o candidato acertar análise e errar analisar.
- Tratar hífen como detalhe menor, quando ele responde por boa parte das questões do tema desde 2009.
- Misturar mal com mau por som, sem testar a oposição com bem e com bom, erro primo do que aparece no guia de mas ou mais e que custa ponto fácil.
- Escrever porque junto em pergunta direta, erro que aparece até em prova discursiva e que o guia dos porquês resolve em dez minutos.
- Ignorar parônimos de uso jurídico e administrativo, como ratificar e retificar, que caem com frequência em provas de tribunais.
Um detalhe que custa ponto na prova discursiva: erro de grafia em redação oficial quase sempre entra na tabela de penalidades do edital. Quem vai prestar prova com peça técnica deveria revisar o guia de redação oficial junto com este conteúdo.
Resumo da ortografia oficial para revisar antes da prova.
| Ponto | O que lembrar |
|---|---|
| Norma em vigor | Acordo Ortográfico de 1990, promulgado pelo Decreto nº 6.583/2008, obrigatório desde 1º de janeiro de 2016 |
| Fonte de consulta | Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras |
| S ou Z | Radical com s mantém s na derivação; sem s no radical, usa se z |
| G ou J | Substantivo em agem com g; forma verbal de verbo em jar com j |
| X ou CH | X depois de ditongo, de en e de me; ch em palavras de origem estrangeira |
| Hífen | Vogais iguais e h pedem hífen; letras diferentes dispensam; r e s dobram |
| Mal ou mau | Mal troca por bem; mau troca por bom |
| Parônimos | Tráfego e tráfico, ratificar e retificar, discrição e descrição |
Se você quiser montar uma revisão maior de língua portuguesa, encaixe este tema no mesmo bloco de estudo que o guia de crase ocupa, some a ele o de concordância nominal e feche com o de regência verbal para cobrir a gramática que mais aparece. O panorama geral da disciplina está no guia de português para concurso que reúne todos os temas em uma página só. Se a sua dificuldade começa antes, na identificação do que é substantivo e do que é verbo, comece pelo guia de classes de palavras e volte depois para a ortografia.
Perguntas frequentes:
O que é domínio da ortografia oficial no edital?
É o item do conteúdo programático que cobra a grafia correta das palavras segundo o acordo ortográfico em vigor. Na prática, ele engloba emprego das letras, uso do hífen, acentuação gráfica e, em alguns editais, divisão silábica. Quando o edital traz esse item sozinho, a banca costuma cobrar de duas a quatro questões sobre o tema.
Qual é a ortografia oficial vigente no Brasil?
É a estabelecida pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, promulgado pelo Decreto nº 6.583 de 2008. O período de convivência entre a grafia antiga e a nova terminou em 31 de dezembro de 2015. Desde então, a grafia anterior é considerada erro em prova.
O que mudou na ortografia oficial com o novo acordo?
Caíram o trema em palavras portuguesas, o acento diferencial em pares como para e pára, o acento dos ditongos abertos ei e oi em palavras paroxítonas, como ideia e heroico, e o acento do i e do u tônicos depois de ditongo em paroxítonas, como feiura. As letras k, w e y voltaram ao alfabeto e as regras de hífen foram reescritas quase por inteiro.
Como estudar ortografia oficial para concurso?
Estude por família de palavras, não por lista solta: quem entende por que análise e analisar levam s acerta todo o grupo. Depois disso, resolva questões da sua banca em blocos curtos e anote num caderno só as palavras que você errou, porque elas tendem a se repetir. Revisar essa lista pessoal na véspera rende mais que reler a teoria inteira.
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