Verbos defectivos: o que são e como a banca cobra.
Não existe "eu extorço", "eu falo" no sentido de falir, nem "eu precavenho": esses verbos simplesmente não têm todas as formas.
Verbos defectivos são aqueles que não possuem conjugação completa, faltando formas em determinados tempos, modos ou pessoas. A ausência não é erro do falante, é uma característica da própria língua, e a prova de concurso cobra justamente se o candidato sabe reconhecer e, quando preciso, substituir esses verbos sem cometer um erro de conjugação que não existe.

- O que são verbos defectivos?
- Tipos de verbos defectivos
- A conjugação de extorquir em uma tabela
- Como a banca cobra verbos defectivos?
- Erros mais comuns
- Resumo em uma tabela
- Perguntas frequentes
- Continue a preparação
O que são verbos defectivos?
Verbos defectivos são verbos que não têm todas as formas da conjugação completa, ou seja, não se conjugam em alguns modos, tempos e pessoas. A ausência dessas formas tem motivos específicos: sons dissonantes, cacofonia, ou a intenção de não confundir o verbo com outra palavra de uso mais frequente na língua.
Esse ponto da gramática aparece pouco nos livros didáticos do ensino básico, mas é recorrente em provas de Português para concurso, justamente porque exige mais do que memorizar regra: exige saber reconhecer, na prática, qual forma verbal existe e qual não existe. Quem já estudou os tempos e modos verbais sabe que o sistema de conjugação do português é cheio de exceções, e os verbos defectivos são uma das mais específicas delas.
Vale diferenciar verbo defectivo de verbo irregular: o verbo irregular muda o radical em alguma conjugação, mas continua tendo todas as formas, como acontece com "fazer" ou "trazer". Já o verbo defectivo simplesmente não tem a forma, em nenhuma hipótese, para determinada pessoa ou tempo verbal. Essa distinção é cobrada em questões que também exploram concordância verbal, já que o candidato precisa primeiro saber se a forma existe antes de analisar se ela concorda corretamente com o sujeito da frase.
Tipos de verbos defectivos:
Grupo 1: verbos sem forma quando o radical é seguido de "a" ou "o".
Esse grupo perde as formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e do imperativo sempre que a terminação levaria o radical a ser seguido de "a" ou "o". Fazem parte dele verbos como aturdir, brandir, carpir, colorir, delir, demolir, exaurir, explodir, extorquir, fremir, puir e retorquir. Em todos eles, a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo simplesmente não existe na norma-padrão.
Grupo 2: verbos usados só nas formas com "i" depois do radical.
Esse segundo grupo é o espelho do primeiro: só existem as formas em que o radical é seguido da vogal "i". Estão aqui verbos como aguerrir, combalir, empedernir, esbaforir, falir, florir e fornir. É por isso que não existe "eu falo" com o sentido de "eu entro em falência": a forma correta nesse sentido simplesmente não existe no presente, e é preciso recorrer a outro tempo verbal ou a um sinônimo.
Casos especiais: grassar, precaver e reaver.
Alguns verbos formam um grupo à parte, com lacunas próprias que não seguem o padrão dos dois grupos anteriores. É o caso de grassar (usado só na 3ª pessoa, no sentido de se espalhar), precaver-se (sem a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e sem o presente do subjuntivo) e reaver (que segue o modelo do verbo haver, com lacunas semelhantes). Esses três casos aparecem com frequência em questões de interpretação de texto que citam situações de risco, prevenção ou recuperação de algo, exatamente os contextos em que esses verbos costumam ser usados.
A conjugação de extorquir em uma tabela:
| Tempo ou modo | O que acontece | Explicação |
|---|---|---|
| Presente do indicativo | Falta a 1ª pessoa do singular | A forma "extorço" não existe na norma-padrão |
| Presente do subjuntivo | Não existe | Esse tempo se forma a partir da 1ª pessoa do indicativo, que falta |
| Imperativo negativo | Não existe | Segue a mesma base do presente do subjuntivo |
| Imperativo afirmativo | Existe, sem o "s" final | Conjuga só na 2ª pessoa: "extorque tu", "extorqui vós" |
| Conjugação | 3ª conjugação | Verbo terminado em "ir", como os demais do grupo 1 |
Vale registrar o macete que a própria Conexão EMAG do TRF3 ensina para não errar o sentido de extorquir: o verbo significa arrancar algo de alguém, e por isso é correto dizer "extorquir a confissão" ou "extorquir o dinheiro de uma pessoa", mas nunca "extorquir alguém", já que não é possível arrancar uma pessoa inteira. Para checar o uso na hora da prova, basta substituir o verbo por "arrancar" na frase: se o sentido continuar lógico, o emprego de "extorquir" está correto. Esse tipo de verificação por substituição também ajuda em questões de regência verbal, outro ponto em que trocar o verbo por um sinônimo revela rapidamente se a frase está certa.
Essa mesma estratégia de substituição funciona para outros verbos defectivos: trocar "falir" por "quebrar" ou "entrar em falência", trocar "precaver-se" por "se prevenir" e trocar "reaver" por "recuperar" ajuda a construir a frase sem cair na tentação de inventar uma forma verbal que a língua simplesmente não tem.
Como a banca cobra verbos defectivos?
A pegadinha mais comum pede a conjugação de um verbo defectivo numa pessoa ou tempo que simplesmente não existe, forçando o candidato a reconhecer a lacuna em vez de inventar uma forma. Veja uma questão adaptada ao estilo das bancas de concurso, sem atribuição a uma prova real:
"Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa:
a) Eu extorço informações do suspeito durante o interrogatório, afirmou o delegado.
b) Caso o servidor falha no pagamento do tributo, o processo é instaurado de ofício.
c) O prefeito pediu que o secretário precavenha a população antes da chuva forte.
d) O boato de que a comissão seria extinta grassa entre os servidores do órgão".
Gabarito comentado: a alternativa correta é a letra d. Nas alternativas a e c, as formas "extorço" e "precavenha" simplesmente não existem na norma-padrão, porque extorquir e precaver-se são verbos defectivos sem 1ª pessoa do singular do presente do indicativo ou do subjuntivo. Na alternativa b, "falha" não é defectivo nesse sentido, mas o verbo certo para o contexto seria outro, o que torna a frase estranha semanticamente. Só a alternativa d usa corretamente o verbo "grassar" na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo, exatamente a forma em que esse verbo defectivo existe e é empregado normalmente.
Erros mais comuns com verbos defectivos:
- Inventar uma forma que não existe. "Eu extorço" e "eu precavenho" não existem na norma-padrão; a banca espera que o candidato reconheça a lacuna, não que arrisque uma conjugação.
- Esquecer que o imperativo afirmativo de extorquir perde o "s" final. A forma correta é "extorque tu", nunca "extorques tu".
- Confundir falir, no sentido de falência, com outros verbos regulares parecidos. Falir só tem as formas com "i" depois do radical, como "faliu" e "falindo", nunca "eu falo" com esse sentido.
- Usar extorquir com objeto de pessoa, sem o complemento correto. O certo é extorquir algo de alguém, nunca extorquir diretamente a pessoa.
- Não reconhecer grassar e reaver como defectivos em questões de interpretação. Esses verbos aparecem com frequência em textos jornalísticos e administrativos, e a banca explora justamente esse desconhecimento.
- Tentar aplicar a mesma lacuna de um verbo defectivo a todos os verbos da mesma terminação. A defectividade é uma característica de cada verbo específico, não da terminação em si; "demolir" é defectivo, mas "sorrir", também terminado em "ir", é completamente regular.
Resumo: verbos defectivos em uma tabela.
| Pergunta rápida | Resposta |
|---|---|
| O que é verbo defectivo? | Verbo sem conjugação completa. |
| Exemplo do grupo 1? | Extorquir, explodir, demolir. |
| Exemplo do grupo 2? | Falir, florir, aguerrir. |
| Casos especiais? | Grassar, precaver, reaver. |
| Onde cai na prova? | Conjugação verbal e interpretação de texto. |
Perguntas frequentes sobre verbos defectivos:
Existe o verbo eu falo no sentido de falência?
Não. Falir é verbo defectivo do segundo grupo e só tem formas em que o radical é seguido de "i", como "faliu" e "falido"; a 1ª pessoa do presente do indicativo com esse sentido não existe na norma-padrão.
Como saber se um verbo é defectivo?
Consultando um dicionário de verbos ou uma tabela de conjugação, já que a defectividade é uma característica própria de cada verbo e não segue uma regra única aplicável a todos. Os três grupos apresentados neste artigo cobrem os casos mais cobrados em prova.
Reaver é verbo defectivo?
Sim. Reaver segue o modelo de conjugação do verbo haver e apresenta lacunas semelhantes, faltando formas no presente do indicativo, no presente do subjuntivo e no imperativo.
Por que esses verbos não têm todas as formas?
Os motivos variam: alguns perderam formas por causarem sons dissonantes ou cacofônicos, e outros deixaram de ser usados em certas conjugações para não se confundirem com palavras de uso mais frequente na língua.
Todo verbo terminado em ir é defectivo?
Não. A terminação em "ir" não determina a defectividade; verbos como "sorrir", "partir" e "dormir" são completamente regulares, enquanto "demolir" e "extorquir", também terminados em "ir", perdem formas específicas.
Verbo defectivo é a mesma coisa que verbo irregular?
Não. O verbo irregular muda a forma, mas continua tendo todas as pessoas e tempos verbais. O verbo defectivo, em vez de mudar, simplesmente não tem a forma em determinada pessoa ou tempo, por nenhum caminho possível de conjugação.
Continue firme na preparação para a prova de Português.
Reconhecer verbos defectivos é um daqueles detalhes que poucos candidatos revisam, mas que a banca adora explorar justamente por isso. No Portal Concursos, o banco de questões reúne exercícios comentados sobre conjugação verbal e outros pontos de gramática que mais caem em concurso, e os cursos preparatórios trazem aulas de Português direcionadas ao edital do seu cargo. Conheça o curso e confira o conteúdo.