Estatística descritiva para concurso: o que mais cai

Estatística descritiva para concurso: o que mais cai
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 28/09 às 16h

Média, moda e mediana respondem à maior parte das questões de estatística em concurso, e as três saem da mesma tabela de frequência que a banca já entrega pronta no enunciado.

Estatística descritiva é o ramo que organiza, resume e apresenta dados já coletados, sem generalizar para uma população maior. Em prova ela se concentra em quatro blocos: tipos de variável, tabela de frequência, medidas de posição e medidas de dispersão. As fórmulas são poucas, e o erro quase sempre está na leitura do enunciado.

Infografico com as medidas de estatistica descritiva mais cobradas em concurso
As medidas que resolvem a maioria das questões de estatística.

Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Neste guia:

O que é estatística descritiva?

Estatística descritiva descreve o conjunto de dados que você tem diante de si. Ela não estima, não projeta e não testa hipótese: apenas organiza o que já foi observado, em tabela, gráfico ou medida resumida.

Essa fronteira é o que separa a descritiva da estatística inferencial, e a banca cobra a distinção em assertiva curta. Enunciado que fala em estimar a média da população a partir de uma amostra, calcular intervalo de confiança ou testar hipótese saiu do campo descritivo. Enunciado que pede a média de uma tabela pronta está no campo descritivo.

O tema entrou com força nos editais junto com atualidades ligadas a dados oficiais, como se vê no material sobre o censo populacional de rua do IBGE. Quem estuda atualidades lendo pesquisa e indicador já ganha meio caminho nessa matéria.

Tipos de variável: o primeiro filtro de toda questão.

Antes de calcular qualquer coisa, identifique o tipo de variável. Essa classificação define quais medidas fazem sentido e quais estão proibidas, e é a origem de boa parte dos erros de candidato apressado.

Tipo

Subtipo

O que é

Exemplo

Qualitativa

Nominal

Categoria sem ordem

Cargo pretendido, estado civil

Qualitativa

Ordinal

Categoria com ordem natural

Escolaridade, grau de satisfação

Quantitativa

Discreta

Contagem, valores inteiros

Número de questões acertadas

Quantitativa

Contínua

Medição, admite fração

Altura, tempo de prova

Duas consequências caem direto em prova. A primeira: média e desvio padrão só fazem sentido em variável quantitativa. Calcular a média de uma variável nominal como estado civil é erro conceitual, e a alternativa que propõe isso está errada. A segunda: a moda funciona em qualquer tipo de variável, inclusive nominal, porque ela apenas aponta o valor mais frequente.

A mediana exige ordenação, então serve para quantitativa e também para qualitativa ordinal. Esse detalhe é fino e separa o candidato que estudou do que decorou fórmula. Anote no caderno de erros na primeira vez que errar.

Tabela de frequência: absoluta, relativa e acumulada.

A tabela de frequência é o instrumento central da estatística descritiva, e a maioria das questões parte dela. São quatro colunas que você precisa saber montar e ler de cabeça.

  • Frequência absoluta, representada por fi: quantas vezes cada valor aparece.

  • Frequência relativa, fr: a absoluta dividida pelo total, em decimal ou em porcentagem.

  • Frequência absoluta acumulada, Fi: a soma das absolutas até aquela linha.

  • Frequência relativa acumulada: a soma das relativas até aquela linha, fechando em 100 por cento na última.

Veja a tabela que vamos usar no exercício resolvido. São as notas de 20 candidatos em um simulado, com valores inteiros de 5 a 9.

Nota

fi

fr

Fi acumulada

5

2

10 por cento

2

6

5

25 por cento

7

7

6

30 por cento

13

8

4

20 por cento

17

9

3

15 por cento

20

Total

20

100 por cento

20

Um cuidado de apresentação que aparece em prova de cargos ligados a estatística oficial: tabela não fica com casa vazia. As normas de apresentação tabular do IBGE definem sinais convencionais para dado inexistente, dado não disponível e valor arredondado, e há banca que cobra essa convenção diretamente.

Medidas de posição: média, moda e mediana.

As três medidas de tendência central resumem o conjunto em um número só, cada uma com uma lógica diferente. Saber quando cada uma engana é mais valioso do que decorar as fórmulas.

Média aritmética:

A média soma todos os valores e divide pelo total de observações. Em tabela de frequência, multiplique cada valor pela sua frequência, some e divida pelo total. Na nossa tabela: 5 vezes 2, mais 6 vezes 5, mais 7 vezes 6, mais 8 vezes 4, mais 9 vezes 3, resultando em 141, que dividido por 20 dá média 7,05.

O ponto fraco da média é a sensibilidade a valor extremo. Um único dado muito distante desloca o resultado, e é por isso que salário médio conta uma história diferente do salário mediano. Bancas de carreiras fiscais e de carreiras de controle exploram essa interpretação em questão discursiva.

Moda:

A moda é o valor de maior frequência. Na tabela, a nota 7 aparece 6 vezes, mais que qualquer outra, então a moda é 7. Um conjunto pode ter uma moda, duas, várias ou nenhuma: quando todas as frequências são iguais, o conjunto é amodal, e a alternativa que afirma existir moda nesse caso está errada.

Mediana:

A mediana é o valor que divide o conjunto ordenado em duas metades iguais. Com 20 observações, o número é par, então a mediana é a média do décimo e do décimo primeiro valores. Pela coluna acumulada, até a nota 6 temos 7 candidatos e até a nota 7 temos 13, logo as duas posições centrais caem na nota 7 e a mediana é 7.

Repare que média 7,05 e mediana 7 ficaram próximas, sinal de distribuição relativamente simétrica. Quando média e mediana se distanciam muito, há assimetria, e a banca costuma pedir a leitura desse desvio em vez do cálculo.

Medidas de dispersão: amplitude, variância e desvio padrão.

Medida de posição diz onde o conjunto está. Medida de dispersão diz o quanto ele se espalha. Duas turmas podem ter a mesma média e realidades opostas, e é essa diferença que a dispersão captura.

Medida

Como se obtém

Resultado na nossa tabela

Amplitude total

Maior valor menos menor valor

9 menos 5, igual a 4

Variância populacional

Média dos quadrados dos desvios em relação à média

1,4475

Desvio padrão populacional

Raiz quadrada da variância

Aproximadamente 1,20

Coeficiente de variação

Desvio padrão dividido pela média

Aproximadamente 17 por cento

Populacional ou amostral: onde mora a pegadinha.

A variância populacional divide a soma dos quadrados dos desvios pelo total de observações. A variância amostral divide por esse total menos 1. Na nossa tabela, a populacional dá 1,4475 e a amostral dá aproximadamente 1,5237, com desvio padrão de aproximadamente 1,23.

O enunciado sempre indica qual das duas ele quer, com palavras como população, universo, amostra ou subconjunto. Ler rápido e aplicar a fórmula errada é o erro mais custoso do assunto, porque a conta fica toda certa e a resposta final fica errada. Esse tipo de armadilha aparece também em matemática financeira e em análise combinatória, sempre na forma de um detalhe do enunciado que muda a fórmula.

Três propriedades do desvio padrão rendem questão sozinhas. Ele nunca é negativo. Ele vale zero somente quando todos os valores são iguais. E ele se expressa na mesma unidade dos dados, ao contrário da variância, que fica na unidade ao quadrado.

Exercício resolvido:

Enunciado: considere as notas dos 20 candidatos da tabela de frequência acima. Determine a média, a moda, a mediana, a amplitude e o coeficiente de variação, tratando o conjunto como população.

  1. Média: 141 dividido por 20, igual a 7,05.

  2. Moda: a nota 7, com frequência 6, a maior da tabela.

  3. Mediana: décimo e décimo primeiro valores caem na nota 7, então a mediana é 7.

  4. Amplitude: 9 menos 5, igual a 4.

  5. Variância: soma dos desvios ao quadrado ponderados, 28,95, dividida por 20, igual a 1,4475.

  6. Desvio padrão: raiz de 1,4475, aproximadamente 1,20.

  7. Coeficiente de variação: 1,20 dividido por 7,05, aproximadamente 17 por cento.

O que a banca faz com esse mesmo enunciado: pede a mediana e oferece 7,05 entre as alternativas, para capturar quem confundiu com a média. Ou pede o desvio padrão e apresenta 1,4475, que é a variância. As duas armadilhas custam a questão inteira, e nenhuma delas exige conta a mais.

Treinar esse tipo de leitura é questão de repetição dirigida. Um banco de questões filtrado por estatística revela em poucas horas quais medidas a sua banca prefere, e montar as tabelas em planilha acelera a conferência, como mostra o guia de fórmulas de planilha para concurso.

Erros mais comuns em questão de estatística descritiva:

  1. Calcular média de variável qualitativa nominal.

  2. Trocar variância por desvio padrão na resposta final.

  3. Usar a fórmula populacional quando o enunciado descreve amostra.

  4. Somar os valores da coluna de notas em vez de ponderar pela frequência.

  5. Localizar a mediana pela posição na tabela e não na frequência acumulada.

  6. Afirmar que todo conjunto tem moda, ignorando o caso amodal.

Perceba o padrão: nenhum desses erros é de cálculo, todos são de leitura. Por isso a matéria rende tanto para quem organiza a revisão com método, e um cronograma de estudos com bloco fixo de exatas resolve mais do que maratona de véspera.

O estilo da cobrança varia por organizadora. Em prova de certo ou errado a exigência é de precisão conceitual, como descreve o guia da prova de certo ou errado do Cebraspe, enquanto a banca FGV tende ao enunciado longo com tabela e a banca Fundatec tem padrão próprio. Levantar isso em provas anteriores vale mais que uma apostila extra.

Vale conhecer onde o assunto pesa mais: além das carreiras fiscais, ele aparece em concursos bancários e em cargos de tecnologia da informação, com recorte de análise de dados. E se você usa ferramenta digital para acelerar a revisão, o guia de inteligência artificial nos estudos mostra onde ela ajuda e onde atrapalha em exatas.

Fontes oficiais para consultar:

Infografico com os erros mais comuns em questao de estatistica descritiva de concurso
Os erros que custam a questão sem exigir conta a mais.

Perguntas frequentes:

O que é estatística descritiva?

Estatística descritiva é o ramo da estatística que organiza, resume e apresenta dados já coletados, sem tirar conclusões sobre um universo maior. Ela trabalha com tabelas, gráficos, medidas de posição como média e mediana, e medidas de dispersão como variância e desvio padrão. É a parte que mais aparece em concurso de nível médio e superior.

Qual a diferença entre estatística descritiva e inferencial?

A descritiva descreve o conjunto que você tem em mãos. A inferencial usa uma amostra para estimar características da população inteira, com margem de erro e nível de confiança. Em prova, questão que fala em estimar, projetar ou testar hipótese é inferencial; questão que pede média, moda ou desvio de uma tabela é descritiva.

Como calcular a mediana quando o número de dados é par?

Coloque os valores em ordem crescente, localize os dois termos centrais e calcule a média deles. Em um conjunto de 20 dados, a mediana é a média do décimo e do décimo primeiro valores. Com número ímpar de dados, a mediana é o valor central e nenhuma média é necessária.

O que é coeficiente de variação?

Coeficiente de variação é o desvio padrão dividido pela média, geralmente expresso em porcentagem. Ele mede a dispersão relativa e permite comparar conjuntos com unidades ou escalas diferentes. Quanto menor o coeficiente, mais homogêneo é o conjunto, e essa leitura é o que a banca cobra na alternativa.

Estatística descritiva é difícil para quem não gosta de matemática?

A parte descritiva exige pouca álgebra e muita leitura de tabela, o que a torna acessível mesmo para quem tem resistência a exatas. As fórmulas são poucas e repetitivas, e o ganho por hora de estudo é alto. O maior obstáculo costuma ser interpretar o enunciado, não fazer a conta.


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