Pronomes relativos: que, cujo e onde na prova
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 07/10 às 21h

Escrever "o cargo cujo eu falei" custa a questão de pronome relativo antes mesmo de o candidato terminar de ler a alternativa.

Pronomes relativos são as palavras que retomam um termo já dito, chamado antecedente, e abrem uma oração adjetiva. São oito: que, quem, o qual, cujo, onde, quando, como e quanto. Cada um exige uma condição própria de uso, e é exatamente nessa condição que a banca monta a pegadinha da prova.

Infográfico com os pronomes relativos e a exigência de uso de cada um na prova de concurso
A exigência que a banca cobra em cada pronome relativo.

Atualizado em 7 de outubro de 2026.

Neste guia você vai ver:

O que são pronomes relativos?

Pronome relativo é o pronome que faz duas coisas ao mesmo tempo: retoma um termo anterior e liga duas orações. Esse termo retomado é o antecedente, e a oração iniciada pelo relativo é uma oração subordinada adjetiva, porque funciona como adjetivo do antecedente.

Um exemplo resolve: em "o candidato que estudou passou", o relativo "que" retoma "o candidato" e abre a oração "que estudou", que caracteriza esse candidato. Note o detalhe que a prova explora: o relativo não é apenas uma emenda entre frases. Ele exerce uma função sintática dentro da oração que inicia. No exemplo, "que" é sujeito de "estudou".

Essa dupla natureza explica por que o tema conversa diretamente com transitividade verbal e com regência verbal. É a regência do verbo da oração adjetiva que decide se o relativo vem sozinho ou precedido de preposição. Antes de avançar, vale também situar o relativo entre as dez classes de palavras.

Lista dos pronomes relativos e a condição de cada um:

Que: o relativo universal.

Serve para antecedente de pessoa ou de coisa, no singular ou no plural, e é de longe o mais frequente. Pode exercer função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e até adjunto adverbial, dependendo do verbo da oração adjetiva. Exemplo com sujeito: A prova que começou às oito terminou às treze. Exemplo com objeto direto: O edital que li ontem mudou o cronograma.

Quando a regência do verbo pede preposição, ela aparece antes do relativo, e aí mora o ponto difícil. Exemplo: O cargo de que falei exige nível superior. A forma "o cargo que falei" fica fora da norma-padrão, porque o verbo falar pede a preposição "de" nesse sentido.

Quem: só para pessoa, e sempre com preposição.

O relativo "quem" exige antecedente que designe pessoa ou ser personificado, e na norma-padrão vem sempre precedido de preposição. Exemplo: O professor a quem agradeci corrigiu minha redação. Outro: Esse é o colega com quem estudo todos os sábados.

Quando a banca apresenta "quem" sem preposição retomando um antecedente, costuma estar testando justamente essa exigência. Existe o emprego de "quem" sem antecedente expresso, caso em que ele é pronome indefinido e não relativo, como em "quem estuda passa", construção diferente da que interessa aqui.

O qual e suas flexões: o relativo que desfaz ambiguidade.

As formas "o qual, a qual, os quais, as quais" flexionam em gênero e número, e essa é a sua grande vantagem: elas deixam claro qual é o antecedente quando há mais de um candidato na frase. Exemplo: Entreguei o recurso à banca, a qual indeferiu o pedido. Sem a flexão, o leitor poderia achar que o indeferimento partiu do recurso.

Há um uso obrigatório que a prova adora: depois de preposição com mais de uma sílaba, como "sobre", "perante", "mediante", "durante" e "conforme", usa-se "o qual" e não "que". Exemplo: Esta é a norma sobre a qual discutimos. Tratar disso com cuidado evita a ambiguidade que a banca costuma explorar.

Cujo e suas flexões: o relativo de posse.

"Cujo" indica posse e tem uma regra rígida, que explica quase todo erro do tema: ele concorda com o substantivo que vem depois, nunca com o antecedente, e jamais aceita artigo entre ele e esse substantivo. Exemplo correto: O candidato cuja nota foi anulada entrou com recurso. Aqui "cuja" concorda com "nota", e não com "candidato".

Três construções estão fora da norma e aparecem como alternativa errada com frequência: "cujo a", porque não cabe artigo; "o filme cujo gostei", porque falta o substantivo possuído; e "cujo os alunos", pelo mesmo motivo do artigo. Quando o verbo da adjetiva pede preposição, ela vem antes de "cujo": Aquele é o político de cuja honestidade duvidamos.

Onde: só para lugar físico.

Na norma-padrão, "onde" retoma apenas antecedente que indique lugar físico, e equivale a "em que" ou "no qual". Exemplo: A sala onde fiz a prova tinha ar-condicionado. Quando a ideia é de movimento, com verbo que pede a preposição "a", a forma é "aonde": A cidade aonde me mudei fica no interior.

Usar "onde" para retomar tempo, assunto ou situação abstrata é desvio cobrado em prova. Frases como "o edital onde constava a regra" devem ser corrigidas para "o edital em que constava a regra". Esse cuidado vale também na discursiva, tema do guia de redação para concursos.

Quando, como e quanto: os relativos de tempo, modo e quantidade.

"Quando" retoma antecedente de tempo e equivale a "em que": Lembro do dia quando saiu o resultado. "Como" retoma antecedente de modo ou maneira: Não aprovei o jeito como ele respondeu. "Quanto" aparece depois de "tudo", "todo" e "tanto": Levei tudo quanto pediram no edital.

Esses três são menos frequentes, mas rendem questão de identificação, em que o enunciado pede para apontar qual palavra é pronome relativo no período. O teste é sempre o mesmo: existe antecedente retomado e existe oração adjetiva começando ali? Se as duas respostas forem sim, é relativo.

Função sintática do pronome relativo na oração adjetiva:

RelativoAntecedente aceitoEquivalênciaExigência que a banca cobraExemplo
quePessoa ou coisao qual e flexõesRecebe preposição conforme a regência do verboO cargo de que falei.
quemApenas pessoao qual e flexõesVem sempre precedido de preposiçãoO colega com quem estudo.
o qualPessoa ou coisaqueObrigatório após preposição de duas sílabas ou maisA norma sobre a qual discutimos.
cujoPessoa ou coisa, com possedo qual e flexõesConcorda com o termo posterior e não aceita artigoO candidato cuja nota caiu.
ondeApenas lugar físicoem que, no qualNão retoma tempo nem assuntoA sala onde fiz a prova.
quandoTempoem queNão substitui onde em lugarO dia quando saiu o resultado.

Leia a tabela da direita para a esquerda quando estiver resolvendo questão: identifique primeiro a exigência que a alternativa viola, depois confirme no relativo. Esse caminho é mais rápido na prova do que percorrer a lista inteira. Vale o mesmo raciocínio aplicado em concordância nominal e em concordância verbal.

Como as bancas cobram pronomes relativos?

Três formatos dominam: identificar o antecedente de um relativo dentro de um texto, julgar se a substituição de um relativo por outro mantém a correção, e apontar a única alternativa correta no emprego de "cujo". O terceiro formato é o mais recorrente, porque "cujo" concentra o maior índice de erro entre candidatos.

Veja uma questão real, aplicada em 2014 pela banca Quadrix no concurso do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia, para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação:

Enunciado: Sobre o uso do pronome relativo cujo ou cuja, assinale a alternativa correta.

  • A) Aquele é o político de cuja honestidade duvidamos.
  • B) Aquele é o político cuja honestidade duvidamos.
  • C) Esse foi o filme cujo gostei mais.
  • D) Comprei uma casa nova, cuja casa me custou muito cara.
  • E) Feliz o professor cujo os alunos são aplicados.

Gabarito: A.

O comentário percorre as alternativas erradas, porque é nelas que está a lição. A letra B esquece a preposição exigida pelo verbo duvidar, que pede "duvidar de alguma coisa", então o relativo precisa vir como "de cuja". A letra C usa "cujo" sem o substantivo possuído e com verbo que pede outra preposição, resultado de confundir posse com complemento.

A letra D repete o antecedente depois do relativo, construção redundante que a norma rejeita: o próprio "cuja" já retoma "casa". A letra E coloca artigo entre o relativo e o substantivo, o que a regra proíbe de forma absoluta. Sobra a letra A, em que a preposição está correta, não há artigo intruso e "cuja" concorda com "honestidade", o termo possuído.

Esse desenho mostra o que de fato é testado: domínio simultâneo de posse, regência e concordância. Para ganhar velocidade nesse tipo de item, resolver em série num banco de questões funciona melhor do que reler teoria, e conhecer o perfil da banca examinadora ajuda a prever o formato.

Erros mais comuns com pronomes relativos:

  • Colocar artigo depois de "cujo". Construções como "cujo o prazo" ou "cuja a nota" não existem na norma-padrão, em nenhuma hipótese.
  • Fazer "cujo" concordar com o antecedente. Em "o candidato cuja nota", a concordância é com "nota", que vem depois, e não com "candidato".
  • Omitir a preposição exigida pelo verbo. "O livro que preciso" deve ser "o livro de que preciso", porque precisar pede a preposição "de".
  • Usar "quem" sem preposição como relativo. "O amigo quem ajudei" está errado; o correto é "o amigo a quem ajudei".
  • Empregar "onde" para tempo ou assunto. "A reunião onde decidimos" deve ser "a reunião em que decidimos", porque reunião não é lugar físico.
  • Manter "que" depois de preposição longa. Depois de "sobre", "perante" e "mediante", a forma correta é "o qual" e suas flexões.

Todos esses desvios têm a mesma origem: o candidato enxerga o relativo como palavra de ligação e esquece que ele ocupa uma função dentro da oração. Quem internaliza isso resolve o tema inteiro, e ganha também na interpretação de texto, porque passa a identificar com precisão a quem cada trecho se refere.

Resumo dos pronomes relativos:

  • Todo relativo tem antecedente e abre oração adjetiva.
  • "Que" é universal e recebe preposição conforme a regência do verbo.
  • "Quem" só retoma pessoa e sempre vem com preposição.
  • "O qual" flexiona, desfaz ambiguidade e é obrigatório após preposição de duas sílabas ou mais.
  • "Cujo" indica posse, concorda com o termo posterior e nunca aceita artigo.
  • "Onde" vale só para lugar físico; para tempo, use "quando" ou "em que".
  • "Quanto" aparece depois de "tudo", "todo" e "tanto".

Monte seu próprio banco de frases a partir de editais e de textos oficiais que você já lê. Grife o relativo, aponte o antecedente e diga a função sintática em voz alta. Encaixado num cronograma de estudos, esse exercício leva poucos minutos por dia e resolve o tema em semanas, mesmo para quem concilia trabalho e estudo.

Para situar o assunto no conjunto da disciplina, compare com os demais blocos cobrados em Língua Portuguesa para concurso, em especial colocação pronominal, uso da vírgula e crase. A grafia de qualquer forma em dúvida pode ser conferida no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.

Perguntas frequentes sobre pronomes relativos:

Quais são os pronomes relativos?

São oito: que, quem, o qual (com as flexões a qual, os quais e as quais), cujo (com cuja, cujos e cujas), onde, quando, como e quanto. O "que" é o mais frequente e o mais versátil. Os demais têm condições específicas de emprego, e é nessas condições que as bancas concentram as questões.

Como saber se "cujo" está correto na frase?

Verifique três pontos em sequência: existe um substantivo imediatamente depois dele, sem artigo no meio; a flexão concorda com esse substantivo posterior; e a preposição exigida pelo verbo, quando houver, aparece antes do relativo. Se os três estiverem em ordem, o emprego está correto.

Quando usar "o qual" em vez de "que"?

Use "o qual" quando precisar deixar claro o antecedente em frase com mais de um candidato possível, e obrigatoriamente depois de preposição com duas sílabas ou mais, como sobre, perante, mediante e durante. Nos demais casos as duas formas alternam livremente, e a escolha é de clareza.

"Onde" pode retomar qualquer antecedente?

Não pode. Na norma-padrão, "onde" retoma apenas lugar físico e equivale a "em que" ou "no qual". Para tempo, o relativo é "quando"; para assunto ou situação abstrata, a forma correta é "em que". A troca indevida é um dos desvios mais cobrados em prova de concurso.

Acerte sintaxe com quem corrige o seu raciocínio, não só a resposta.

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