Escrever "o cargo cujo eu falei" custa a questão de pronome relativo antes mesmo de o candidato terminar de ler a alternativa.
Pronomes relativos são as palavras que retomam um termo já dito, chamado antecedente, e abrem uma oração adjetiva. São oito: que, quem, o qual, cujo, onde, quando, como e quanto. Cada um exige uma condição própria de uso, e é exatamente nessa condição que a banca monta a pegadinha da prova.

Atualizado em 7 de outubro de 2026.
Neste guia você vai ver:
- O que são pronomes relativos?
- Lista dos pronomes relativos e a condição de cada um
- Função sintática do pronome relativo na oração adjetiva
- Como as bancas cobram pronomes relativos?
- Erros mais comuns com pronomes relativos
- Resumo dos pronomes relativos
- Perguntas frequentes sobre pronomes relativos
O que são pronomes relativos?
Pronome relativo é o pronome que faz duas coisas ao mesmo tempo: retoma um termo anterior e liga duas orações. Esse termo retomado é o antecedente, e a oração iniciada pelo relativo é uma oração subordinada adjetiva, porque funciona como adjetivo do antecedente.
Um exemplo resolve: em "o candidato que estudou passou", o relativo "que" retoma "o candidato" e abre a oração "que estudou", que caracteriza esse candidato. Note o detalhe que a prova explora: o relativo não é apenas uma emenda entre frases. Ele exerce uma função sintática dentro da oração que inicia. No exemplo, "que" é sujeito de "estudou".
Essa dupla natureza explica por que o tema conversa diretamente com transitividade verbal e com regência verbal. É a regência do verbo da oração adjetiva que decide se o relativo vem sozinho ou precedido de preposição. Antes de avançar, vale também situar o relativo entre as dez classes de palavras.
Lista dos pronomes relativos e a condição de cada um:
Que: o relativo universal.
Serve para antecedente de pessoa ou de coisa, no singular ou no plural, e é de longe o mais frequente. Pode exercer função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal e até adjunto adverbial, dependendo do verbo da oração adjetiva. Exemplo com sujeito: A prova que começou às oito terminou às treze. Exemplo com objeto direto: O edital que li ontem mudou o cronograma.
Quando a regência do verbo pede preposição, ela aparece antes do relativo, e aí mora o ponto difícil. Exemplo: O cargo de que falei exige nível superior. A forma "o cargo que falei" fica fora da norma-padrão, porque o verbo falar pede a preposição "de" nesse sentido.
Quem: só para pessoa, e sempre com preposição.
O relativo "quem" exige antecedente que designe pessoa ou ser personificado, e na norma-padrão vem sempre precedido de preposição. Exemplo: O professor a quem agradeci corrigiu minha redação. Outro: Esse é o colega com quem estudo todos os sábados.
Quando a banca apresenta "quem" sem preposição retomando um antecedente, costuma estar testando justamente essa exigência. Existe o emprego de "quem" sem antecedente expresso, caso em que ele é pronome indefinido e não relativo, como em "quem estuda passa", construção diferente da que interessa aqui.
O qual e suas flexões: o relativo que desfaz ambiguidade.
As formas "o qual, a qual, os quais, as quais" flexionam em gênero e número, e essa é a sua grande vantagem: elas deixam claro qual é o antecedente quando há mais de um candidato na frase. Exemplo: Entreguei o recurso à banca, a qual indeferiu o pedido. Sem a flexão, o leitor poderia achar que o indeferimento partiu do recurso.
Há um uso obrigatório que a prova adora: depois de preposição com mais de uma sílaba, como "sobre", "perante", "mediante", "durante" e "conforme", usa-se "o qual" e não "que". Exemplo: Esta é a norma sobre a qual discutimos. Tratar disso com cuidado evita a ambiguidade que a banca costuma explorar.
Cujo e suas flexões: o relativo de posse.
"Cujo" indica posse e tem uma regra rígida, que explica quase todo erro do tema: ele concorda com o substantivo que vem depois, nunca com o antecedente, e jamais aceita artigo entre ele e esse substantivo. Exemplo correto: O candidato cuja nota foi anulada entrou com recurso. Aqui "cuja" concorda com "nota", e não com "candidato".
Três construções estão fora da norma e aparecem como alternativa errada com frequência: "cujo a", porque não cabe artigo; "o filme cujo gostei", porque falta o substantivo possuído; e "cujo os alunos", pelo mesmo motivo do artigo. Quando o verbo da adjetiva pede preposição, ela vem antes de "cujo": Aquele é o político de cuja honestidade duvidamos.
Onde: só para lugar físico.
Na norma-padrão, "onde" retoma apenas antecedente que indique lugar físico, e equivale a "em que" ou "no qual". Exemplo: A sala onde fiz a prova tinha ar-condicionado. Quando a ideia é de movimento, com verbo que pede a preposição "a", a forma é "aonde": A cidade aonde me mudei fica no interior.
Usar "onde" para retomar tempo, assunto ou situação abstrata é desvio cobrado em prova. Frases como "o edital onde constava a regra" devem ser corrigidas para "o edital em que constava a regra". Esse cuidado vale também na discursiva, tema do guia de redação para concursos.
Quando, como e quanto: os relativos de tempo, modo e quantidade.
"Quando" retoma antecedente de tempo e equivale a "em que": Lembro do dia quando saiu o resultado. "Como" retoma antecedente de modo ou maneira: Não aprovei o jeito como ele respondeu. "Quanto" aparece depois de "tudo", "todo" e "tanto": Levei tudo quanto pediram no edital.
Esses três são menos frequentes, mas rendem questão de identificação, em que o enunciado pede para apontar qual palavra é pronome relativo no período. O teste é sempre o mesmo: existe antecedente retomado e existe oração adjetiva começando ali? Se as duas respostas forem sim, é relativo.
Função sintática do pronome relativo na oração adjetiva:
| Relativo | Antecedente aceito | Equivalência | Exigência que a banca cobra | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| que | Pessoa ou coisa | o qual e flexões | Recebe preposição conforme a regência do verbo | O cargo de que falei. |
| quem | Apenas pessoa | o qual e flexões | Vem sempre precedido de preposição | O colega com quem estudo. |
| o qual | Pessoa ou coisa | que | Obrigatório após preposição de duas sílabas ou mais | A norma sobre a qual discutimos. |
| cujo | Pessoa ou coisa, com posse | do qual e flexões | Concorda com o termo posterior e não aceita artigo | O candidato cuja nota caiu. |
| onde | Apenas lugar físico | em que, no qual | Não retoma tempo nem assunto | A sala onde fiz a prova. |
| quando | Tempo | em que | Não substitui onde em lugar | O dia quando saiu o resultado. |
Leia a tabela da direita para a esquerda quando estiver resolvendo questão: identifique primeiro a exigência que a alternativa viola, depois confirme no relativo. Esse caminho é mais rápido na prova do que percorrer a lista inteira. Vale o mesmo raciocínio aplicado em concordância nominal e em concordância verbal.
Como as bancas cobram pronomes relativos?
Três formatos dominam: identificar o antecedente de um relativo dentro de um texto, julgar se a substituição de um relativo por outro mantém a correção, e apontar a única alternativa correta no emprego de "cujo". O terceiro formato é o mais recorrente, porque "cujo" concentra o maior índice de erro entre candidatos.
Veja uma questão real, aplicada em 2014 pela banca Quadrix no concurso do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia, para o cargo de Analista em Tecnologia da Informação:
Enunciado: Sobre o uso do pronome relativo cujo ou cuja, assinale a alternativa correta.
- A) Aquele é o político de cuja honestidade duvidamos.
- B) Aquele é o político cuja honestidade duvidamos.
- C) Esse foi o filme cujo gostei mais.
- D) Comprei uma casa nova, cuja casa me custou muito cara.
- E) Feliz o professor cujo os alunos são aplicados.
Gabarito: A.
O comentário percorre as alternativas erradas, porque é nelas que está a lição. A letra B esquece a preposição exigida pelo verbo duvidar, que pede "duvidar de alguma coisa", então o relativo precisa vir como "de cuja". A letra C usa "cujo" sem o substantivo possuído e com verbo que pede outra preposição, resultado de confundir posse com complemento.
A letra D repete o antecedente depois do relativo, construção redundante que a norma rejeita: o próprio "cuja" já retoma "casa". A letra E coloca artigo entre o relativo e o substantivo, o que a regra proíbe de forma absoluta. Sobra a letra A, em que a preposição está correta, não há artigo intruso e "cuja" concorda com "honestidade", o termo possuído.
Esse desenho mostra o que de fato é testado: domínio simultâneo de posse, regência e concordância. Para ganhar velocidade nesse tipo de item, resolver em série num banco de questões funciona melhor do que reler teoria, e conhecer o perfil da banca examinadora ajuda a prever o formato.
Erros mais comuns com pronomes relativos:
- Colocar artigo depois de "cujo". Construções como "cujo o prazo" ou "cuja a nota" não existem na norma-padrão, em nenhuma hipótese.
- Fazer "cujo" concordar com o antecedente. Em "o candidato cuja nota", a concordância é com "nota", que vem depois, e não com "candidato".
- Omitir a preposição exigida pelo verbo. "O livro que preciso" deve ser "o livro de que preciso", porque precisar pede a preposição "de".
- Usar "quem" sem preposição como relativo. "O amigo quem ajudei" está errado; o correto é "o amigo a quem ajudei".
- Empregar "onde" para tempo ou assunto. "A reunião onde decidimos" deve ser "a reunião em que decidimos", porque reunião não é lugar físico.
- Manter "que" depois de preposição longa. Depois de "sobre", "perante" e "mediante", a forma correta é "o qual" e suas flexões.
Todos esses desvios têm a mesma origem: o candidato enxerga o relativo como palavra de ligação e esquece que ele ocupa uma função dentro da oração. Quem internaliza isso resolve o tema inteiro, e ganha também na interpretação de texto, porque passa a identificar com precisão a quem cada trecho se refere.
Resumo dos pronomes relativos:
- Todo relativo tem antecedente e abre oração adjetiva.
- "Que" é universal e recebe preposição conforme a regência do verbo.
- "Quem" só retoma pessoa e sempre vem com preposição.
- "O qual" flexiona, desfaz ambiguidade e é obrigatório após preposição de duas sílabas ou mais.
- "Cujo" indica posse, concorda com o termo posterior e nunca aceita artigo.
- "Onde" vale só para lugar físico; para tempo, use "quando" ou "em que".
- "Quanto" aparece depois de "tudo", "todo" e "tanto".
Monte seu próprio banco de frases a partir de editais e de textos oficiais que você já lê. Grife o relativo, aponte o antecedente e diga a função sintática em voz alta. Encaixado num cronograma de estudos, esse exercício leva poucos minutos por dia e resolve o tema em semanas, mesmo para quem concilia trabalho e estudo.
Para situar o assunto no conjunto da disciplina, compare com os demais blocos cobrados em Língua Portuguesa para concurso, em especial colocação pronominal, uso da vírgula e crase. A grafia de qualquer forma em dúvida pode ser conferida no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.
Perguntas frequentes sobre pronomes relativos:
Quais são os pronomes relativos?
São oito: que, quem, o qual (com as flexões a qual, os quais e as quais), cujo (com cuja, cujos e cujas), onde, quando, como e quanto. O "que" é o mais frequente e o mais versátil. Os demais têm condições específicas de emprego, e é nessas condições que as bancas concentram as questões.
Como saber se "cujo" está correto na frase?
Verifique três pontos em sequência: existe um substantivo imediatamente depois dele, sem artigo no meio; a flexão concorda com esse substantivo posterior; e a preposição exigida pelo verbo, quando houver, aparece antes do relativo. Se os três estiverem em ordem, o emprego está correto.
Quando usar "o qual" em vez de "que"?
Use "o qual" quando precisar deixar claro o antecedente em frase com mais de um candidato possível, e obrigatoriamente depois de preposição com duas sílabas ou mais, como sobre, perante, mediante e durante. Nos demais casos as duas formas alternam livremente, e a escolha é de clareza.
"Onde" pode retomar qualquer antecedente?
Não pode. Na norma-padrão, "onde" retoma apenas lugar físico e equivale a "em que" ou "no qual". Para tempo, o relativo é "quando"; para assunto ou situação abstrata, a forma correta é "em que". A troca indevida é um dos desvios mais cobrados em prova de concurso.
Acerte sintaxe com quem corrige o seu raciocínio, não só a resposta.
Pronome relativo não se resolve relendo a regra: resolve-se quando alguém mostra onde a sua análise sintática escorregou. Nos cursos do Portal Concursos você tem aulas ao vivo de Língua Portuguesa, suporte individualizado para tirar dúvida na hora e simulados com questões no estilo da sua banca. Conheça o curso e confira o conteúdo.