Diagramas lógicos: como resolver todo, algum e nenhum
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 03/10 às 17h

A negação de "todo A é B" não é "nenhum A é B". É "algum A não é B", e quem troca uma pela outra perde a questão antes de desenhar o primeiro círculo.

Diagramas lógicos são a representação de proposições categóricas, aquelas com "todo", "algum" e "nenhum", por meio de conjuntos desenhados, para testar se um argumento é válido. O critério é único: o argumento só é válido quando não existe nenhum desenho possível em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa.

Infográfico com a negação correta de cada proposição categórica em diagramas lógicos
A negação correta de cada proposição categórica, lado a lado com a pegadinha da banca.

Atualizado em 3 de outubro de 2026.

Neste guia:

O que são diagramas lógicos?

Diagrama lógico é um desenho de conjuntos que traduz frases com quantificador. Em vez de raciocinar com a frase, você raciocina com a figura, e isso elimina a maior fonte de erro do assunto, que é a intuição. A lógica formal não se importa se a frase é verdadeira no mundo real. Ela só verifica se a conclusão é forçada pelas premissas.

Por que esse tópico rende tanto em prova?

Uma questão de diagrama lógico se resolve em menos de dois minutos quando você domina o método, e vale o mesmo que uma questão longa de legislação. É uma das melhores relações entre tempo investido e ponto ganho dentro de raciocínio lógico, disciplina que aparece em praticamente todo edital de nível médio e superior.

O vocabulário mínimo.

Premissa é a informação dada como verdadeira. Conclusão é o que a questão afirma decorrer dela. Argumento válido é aquele em que a conclusão é obrigatória. Argumento inválido é aquele em que a conclusão apenas pode acontecer, mas não precisa.

As quatro proposições categóricas:

Resposta direta: existem quatro formas quantificadas, e toda questão de diagrama parte de uma delas. Duas são universais, "todo" e "nenhum", e duas são particulares, "algum" e "algum não".

FormaNome clássicoTipoLeitura correta
Todo A é BUniversal afirmativaUniversalO conjunto A está inteiro dentro de B
Nenhum A é BUniversal negativaUniversalA e B não têm nenhum elemento em comum
Algum A é BParticular afirmativaParticularExiste pelo menos um elemento em A e em B
Algum A não é BParticular negativaParticularExiste pelo menos um elemento em A e fora de B

O significado de "algum" na lógica.

Na linguagem do dia a dia, "algum" sugere "nem todos". Na lógica, "algum" significa apenas "pelo menos um", e admite que sejam todos. Se todos os aprovados estudaram, então é verdade dizer que algum aprovado estudou. Confundir os dois sentidos é o erro número um do assunto.

Como desenhar cada proposição:

Todo A é B: um círculo dentro do outro.

Desenhe B grande e A completamente dentro dele. Nada de A pode ficar de fora. Consequência que a banca cobra: de "todo A é B" não se conclui "todo B é A". O desenho mostra que pode existir parte de B que não é A.

Nenhum A é B: dois círculos separados.

Desenhe A e B sem nenhum ponto de encontro. Essa é a única forma em que a relação é simétrica: se nenhum A é B, então nenhum B é A.

Algum A é B: dois círculos que se cruzam.

Desenhe A e B com uma área comum e marque um ponto nessa área. O ponto é essencial: ele registra que existe pelo menos um elemento ali. E essa também é simétrica, ou seja, se algum A é B, então algum B é A.

Algum A não é B: ponto fora da interseção.

Desenhe os dois círculos cruzados e marque o ponto na parte de A que está fora de B. Repare que essa proposição não diz nada sobre o resto de A, que pode ou não estar dentro de B.

O truque de marcar o ponto.

Universal se representa com linha, particular se representa com ponto. Desenhe primeiro todas as universais, porque elas fecham o formato da figura, e só depois posicione os pontos das particulares. Fazendo nessa ordem, você raramente precisa apagar e redesenhar.

Negação de proposições categóricas:

Resposta direta: a negação troca universal por particular e inverte a afirmação. A negação de "todo" é "algum não", e a negação de "algum" é "nenhum". Nunca se nega "todo" com "nenhum", porque as duas podem ser falsas ao mesmo tempo.

ProposiçãoNegação corretaNegação errada que a banca oferece
Todo A é BAlgum A não é BNenhum A é B
Nenhum A é BAlgum A é BTodo A é B
Algum A é BNenhum A é BAlgum A não é B
Algum A não é BTodo A é BNenhum A é B

Por que "nenhum" não nega "todo"?

Pense em uma sala com dez candidatos, seis aprovados e quatro reprovados. "Todo candidato foi aprovado" é falso. "Nenhum candidato foi aprovado" também é falso. Duas frases falsas ao mesmo tempo não podem ser negação uma da outra, porque negar uma frase falsa tem que produzir uma frase verdadeira. Já "algum candidato não foi aprovado" é verdadeiro, e é essa a negação.

Validade: o teste do contraexemplo.

Resposta direta: para checar validade, tente construir um desenho em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Se você conseguir esse desenho, o argumento é inválido. Se for impossível construir, o argumento é válido.

O procedimento em quatro passos:

  1. Desenhe todas as premissas universais, respeitando cada inclusão e cada separação.
  2. Posicione os pontos das premissas particulares na posição mais "rebelde" possível.
  3. Leia a conclusão na figura e pergunte se ela é obrigatória.
  4. Se existir uma posição alternativa do ponto que quebra a conclusão, o argumento é inválido.

A regra dos dois "algum".

Duas premissas com "algum" quase nunca sustentam conclusão válida. Se a questão apresentar "algum A é B" e "algum B é C" e concluir "algum A é C", a resposta é inválido: os pontos podem estar em partes diferentes de B.

Exercício resolvido, passo a passo.

Exercício 1: com duas universais.

Premissas: todo servidor é concursado. Todo concursado prestou prova. Conclusão: todo servidor prestou prova.

Resolução: desenhe "prestou prova" como o círculo maior, "concursado" dentro dele e "servidor" dentro de concursado. Como servidor está dentro de concursado, e concursado está dentro de quem prestou prova, servidor está obrigatoriamente dentro de quem prestou prova. Não existe desenho alternativo. Argumento válido.

Exercício 2: com uma particular.

Premissas: todo aprovado estudou. Algum candidato estudou. Conclusão: algum candidato foi aprovado.

Resolução: desenhe "estudou" como círculo maior e "aprovado" dentro dele. Agora posicione o ponto de "candidato que estudou". Nada obriga esse ponto a cair dentro de "aprovado": ele pode ficar na parte de "estudou" que está fora de "aprovado". Existe um desenho com premissas verdadeiras e conclusão falsa. Argumento inválido.

Por que a intuição engana aqui: a frase soa plausível porque, no mundo real, quem estuda tende a passar. A lógica não julga plausibilidade, só obrigatoriedade. Sempre que a conclusão "parecer razoável", desconfie e procure o contraexemplo.

Diagrama lógico e teoria dos conjuntos não são a mesma coisa.

Os dois assuntos usam o mesmo desenho e resolvem perguntas diferentes. Diagrama lógico pergunta se um argumento é válido, e a resposta é "válido" ou "inválido". Já a teoria dos conjuntos e o diagrama de Venn perguntam quantos elementos existem em cada região, e a resposta é um número.

CritérioDiagramas lógicosTeoria dos conjuntos
Pergunta típicaA conclusão é obrigatória?Quantas pessoas estão em A e em B?
Dado de entradaFrases com todo, algum, nenhumQuantidades e totais
FerramentaContraexemploSoma e subtração de regiões
RespostaVálido ou inválidoUm número

Quando o enunciado traz números, você está em conjuntos. Quando traz quantificadores e a palavra "logo" ou "portanto", você está em lógica de argumentação. Identificar isso na primeira leitura evita aplicar a fórmula errada.

Os erros que mais custam ponto:

  • Ler "algum" como "nem todos": na lógica, "algum" aceita que sejam todos.
  • Negar "todo" com "nenhum": a negação correta de "todo A é B" é "algum A não é B".
  • Inverter a universal afirmativa: de "todo A é B" não se conclui "todo B é A".
  • Aceitar conclusão só porque ela parece verdadeira no mundo real.
  • Esquecer de testar a posição alternativa do ponto antes de marcar válido.
  • Desenhar as particulares antes das universais e travar a figura cedo demais.

Resumo para a prova:

  • Quatro formas: todo A é B, nenhum A é B, algum A é B, algum A não é B.
  • Universais viram linha no desenho; particulares viram ponto.
  • Desenhe universais primeiro, pontos depois.
  • Negação de "todo" é "algum não"; negação de "algum" é "nenhum".
  • "Nenhum A é B" e "algum A é B" são simétricas; "todo A é B" não é.
  • Argumento é inválido se existir um único desenho com premissas verdadeiras e conclusão falsa.
  • Duas premissas com "algum" quase nunca geram conclusão válida.

Para consolidar, encaixe diagramas lógicos numa sequência com probabilidade, análise combinatória e matemática financeira. Quem está começando pela base pode seguir o roteiro de matemática para concurso de nível médio e organizar tudo num cronograma de estudos.

Treinar sem cair no automático:

Resolva questões da mesma banca em blocos, porque o padrão de enunciado se repete. Compare o estilo da FCC, da IBFC e da Fundatec antes de decidir quantas questões fazer por dia. Depois, use um banco de questões e feche o ciclo com simulado cronometrado. Provas anteriores oficiais ficam nos sites das organizadoras, como o do Cebraspe.

Candidato desenhando diagramas lógicos em folha de rascunho durante estudo de raciocínio lógico
Diagrama lógico se aprende com lápis na mão e folha de rascunho.

Perguntas frequentes:

O que são diagramas lógicos?

São desenhos de conjuntos usados para representar proposições com quantificadores, como todo, algum e nenhum, e assim testar se um argumento é válido. O desenho substitui a intuição por um procedimento verificável. A conclusão só é válida quando nenhum desenho possível a torna falsa com as premissas verdadeiras.

Qual a negação de "todo A é B"?

A negação é "algum A não é B". Muita gente responde "nenhum A é B", e isso está errado porque as duas proposições podem ser falsas simultaneamente. Basta imaginar um caso em que parte de A é B e parte não é: nesse cenário, "todo" e "nenhum" são ambas falsas.

Como saber se um argumento é válido?

Tente desenhar uma situação em que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Se você conseguir montar essa figura, o argumento é inválido. Se for impossível, ele é válido. Esse teste do contraexemplo funciona para qualquer combinação de premissas categóricas.

"Algum" quer dizer que não são todos?

Não. Na lógica, "algum" significa "pelo menos um" e é compatível com "todos". Se todos os candidatos passaram, continua verdadeiro dizer que algum candidato passou. Esse é um dos pontos em que a linguagem comum e a linguagem lógica se separam, e a banca explora essa diferença.

Diagrama lógico é a mesma coisa que diagrama de Venn?

O desenho é parecido, mas a pergunta é outra. Diagrama lógico avalia validade de argumento e devolve válido ou inválido. Diagrama de Venn em teoria dos conjuntos calcula quantidades de elementos por região e devolve um número. Se o enunciado traz números, o assunto é conjuntos.

Sua prova de raciocínio lógico pode ser a mais rápida do gabarito.

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