Trocar sujeito indeterminado por sujeito oculto na mesma frase é o deslize que mais aparece em peça jurídica, segundo o próprio Judiciário, e é também o que mais custa pontos na prova que testa quem vai escrever esse tipo de texto.
Sujeito indeterminado é aquele que existe na frase, mas não pode ser identificado nem recuperado pelo contexto, porque o verbo não aponta para nenhuma pessoa específica. Ocorre em duas situações: verbo na terceira pessoa do plural sem nenhum termo a que se refira, ou verbo na terceira pessoa do singular acompanhado do pronome se.

Neste guia, você encontra:
- O que é sujeito indeterminado?
- Quais são os dois casos de sujeito indeterminado?
- Sujeito indeterminado ou sujeito oculto: qual a diferença?
- Sujeito indeterminado ou oração sem sujeito: como não confundir.
- Sujeito indeterminado, oculto e inexistente: tabela comparativa.
- Como a banca cobra sujeito indeterminado na prova?
- Erros mais comuns com sujeito indeterminado:
- Resumo rápido de sujeito indeterminado:
- Perguntas frequentes:
O que é sujeito indeterminado?
Todo sujeito precisa ser classificado como simples, composto, oculto, indeterminado ou inexistente. O sujeito indeterminado é o único, dessa lista, em que a pessoa que pratica a ação não pode ser descoberta de forma alguma, nem pela terminação verbal, nem pelo contexto anterior do texto. Isso acontece porque a própria estrutura da frase foi montada para não revelar quem fez a ação, seja por desconhecimento de quem escreve, seja por escolha estilística de dar impessoalidade ao texto.
O Poder Judiciário de Santa Catarina, em material oficial de orientação a servidores, trata esse ponto como central para quem redige peças jurídicas: a escolha pela indeterminação do sujeito precisa ser mantida ao longo de todo o texto, sob pena de o parágrafo seguinte cair num erro de coerência sintática, descrito em detalhe mais abaixo.
Quais são os dois casos de sujeito indeterminado?
A Nomenclatura Gramatical Brasileira reconhece apenas essas duas estruturas como geradoras de sujeito indeterminado. Qualquer outra situação em que o candidato não reconheça de imediato quem pratica a ação, mas que não se encaixe nos dois moldes abaixo, não é sujeito indeterminado: pode ser sujeito oculto, sujeito composto com elipse, ou até oração sem sujeito, dependendo da estrutura verbal envolvida.
Verbo na terceira pessoa do plural sem referência.
Quando o verbo aparece na terceira pessoa do plural e não há, antes dele, nenhum termo que ele possa retomar, o sujeito é indeterminado. Exemplo: "Roubaram a mochila do candidato durante a prova". Ninguém foi mencionado antes do verbo "roubaram", então não há como saber quem praticou a ação.
Verbo na terceira pessoa do singular com o pronome se.
Quando um verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação aparece na terceira pessoa do singular acompanhado da partícula se, o sujeito também é indeterminado. Exemplo: "Precisa-se de mais vagas no concurso". O verbo "precisar" não tem como receber objeto direto, então o "se" aqui funciona como índice de indeterminação, e não como pronome apassivador, diferença que é justamente o ponto mais cobrado nesse caso.
Se indeterminador não é o mesmo se reflexivo ou recíproco.
Outra confusão recorrente aparece quando o verbo admite leitura reflexiva ou recíproca, como em "Os candidatos se cumprimentaram na fila de entrada". Nesse caso, "se" não indetermina nada, porque ele indica que a ação do verbo "cumprimentar" recai sobre os próprios candidatos, que já são o sujeito explícito e determinado da frase, anterior ao verbo. O "se" indeterminador, ao contrário, só existe quando o verbo é intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, e nunca tem antecedente a quem a ação possa ser atribuída.
Sujeito indeterminado ou sujeito oculto: qual a diferença?
O Poder Judiciário de Santa Catarina documenta um erro muito comum nesse ponto, que também é o truque favorito das bancas: começar um texto com sujeito indeterminado e, no parágrafo seguinte, tratá-lo como se já estivesse determinado, mas oculto. Veja o problema: "Trata-se de ação ajuizada por fulano. Sustentou que o prazo não havia sido respeitado." Na primeira frase, o sujeito é indeterminado, "trata-se" não revela quem é. Na segunda, "sustentou" está no oculto, pressupondo um sujeito já conhecido, só que não há sujeito algum ainda determinado para ocultar.
A regra prática, segundo essa mesma fonte: só se pode ocultar aquilo que já foi exibido antes. Se o sujeito começou indeterminado, ele precisa ser determinado explicitamente, por exemplo "o autor sustentou que", antes de poder aparecer oculto numa oração posterior.
Sujeito indeterminado ou oração sem sujeito: como não confundir.
A diferença entre os dois é simples na teoria e traiçoeira na prática: o sujeito indeterminado existe, só não é identificável, enquanto a oração sem sujeito não tem sujeito nenhum, porque o verbo é impessoal por natureza. Isso acontece com verbos de fenômeno da natureza ("Choveu à noite inteira".), com o verbo haver no sentido de existir ("Havia poucos candidatos na sala".) e com expressões fixas como "é bom", "faz tempo" e "trata-se" quando usado isoladamente, sem a preposição "de" que abre espaço para o sujeito indeterminado descrito acima.
Sujeito indeterminado, oculto e inexistente: tabela comparativa.
| Tipo de sujeito | Como reconhecer | Exemplo |
|---|---|---|
| Indeterminado | 3ª pessoa do plural sem referência, ou 3ª do singular com "se" | Falaram mal do concurso nas redes sociais. |
| Oculto | Existe e é recuperável pela terminação verbal ou pelo contexto | Estudamos a matéria inteira (nós, oculto). |
| Inexistente (oração sem sujeito) | Verbo impessoal, sem nenhum sujeito possível | Havia poucas vagas no edital. |
Como a banca cobra sujeito indeterminado na prova?
O formato clássico pede para identificar o tipo de sujeito numa frase dada, misturando casos de indeterminação com colocação pronominal do "se" e com a voz passiva sintética, que usa o mesmo pronome com função totalmente diferente.
Questão adaptada, estilo Cebraspe: Julgue o item seguinte. Em "Precisa-se de servidores qualificados para a nova unidade", o termo "se" indica sujeito indeterminado, já que o verbo "precisar" não admite objeto direto nessa construção.
Gabarito: Certo. Comentário: como "precisar de" é verbo transitivo indireto, ele não forma voz passiva sintética, então o "se" não pode ser apassivador. Sobra apenas a leitura de índice de indeterminação do sujeito, que é exatamente o que a alternativa afirma.
Outra armadilha comum é a banca trocar o verbo da questão por um transitivo direto, como em "Vendem-se apostilas na secretaria". Aqui o "se" já não indetermina nada: "apostilas" é o sujeito, porque o verbo "vender" admite objeto direto, e a frase é voz passiva sintética, não indeterminação.
Segunda questão, estilo FCC: Assinale a alternativa em que o sujeito da oração destacada é classificado como indeterminado. "Comentou-se muito sobre a nova política de vagas." O verbo "comentar" nessa construção é transitivo indireto, pede a preposição "sobre", e por isso não forma voz passiva sintética; o "se", então, só pode indicar indeterminação, exatamente como nos demais exemplos trazidos até aqui.
Gabarito: a alternativa que aponta sujeito indeterminado está correta. Comentário: o caminho de resolução é sempre o mesmo, primeiro verificar a transitividade do verbo, depois perguntar se ele admite objeto direto. Se a resposta for não, o "se" indetermina; se for sim, o "se" apassiva.
Erros mais comuns com sujeito indeterminado:
- Misturar sujeito indeterminado com sujeito oculto no mesmo parágrafo, erro documentado pelo próprio Judiciário em peças jurídicas reais.
- Confundir o "se" indeterminador com o "se" apassivador de construções como "vendem-se casas", em que o sujeito é "casas", e não indeterminado.
- Tratar toda frase na terceira pessoa do plural como automaticamente indeterminada, sem checar se não há um sujeito explícito ou recuperável antes do verbo.
- Esquecer que verbos impessoais, como os de fenômeno da natureza, formam oração sem sujeito, e não sujeito indeterminado.
- Ignorar o impacto desse tipo de sujeito na concordância verbal: com o "se" indeterminador, o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular, mesmo quando o sentido parece plural.
- Não perceber que a transitividade do verbo é o critério decisivo para separar indeterminação de voz passiva sintética na mesma estrutura com "se".
Resumo rápido de sujeito indeterminado:
- Existe na frase, mas não pode ser identificado por nenhum meio gramatical ou contextual.
- Primeiro caso: verbo na terceira pessoa do plural, sem referência anterior.
- Segundo caso: verbo na terceira pessoa do singular com o pronome "se" indeterminador.
- É diferente de sujeito oculto, que existe e pode ser recuperado pela terminação verbal.
- É diferente de oração sem sujeito, em que não há sujeito nenhum, por o verbo ser impessoal.
- O "se" indeterminador nunca forma voz passiva sintética, porque o verbo não admite objeto direto.
- Começar um texto com indeterminação e tratá-la como oculta depois é o erro mais comum nesse tema.
- A transitividade do verbo decide se o "se" indetermina o sujeito ou apenas marca a voz passiva sintética.
Perguntas frequentes:
Sujeito indeterminado é a mesma coisa que sujeito oculto?
Não. O sujeito oculto existe, é determinado e pode ser recuperado pela terminação do verbo ou pelo contexto. O sujeito indeterminado existe, mas não há nenhuma forma de descobrir quem é, porque o verbo não fornece essa informação.
Verbo na terceira pessoa do plural é sempre sujeito indeterminado?
Não. Só é sujeito indeterminado quando esse verbo não tem nenhum termo antes a que possa se referir. Se houver um sujeito explícito ou recuperável no texto, o verbo na terceira pessoa do plural tem sujeito determinado normal.
Vendem-se casas tem sujeito indeterminado?
Não. Essa construção é voz passiva sintética, e o sujeito é casas, que sofre a ação de ser vendido. O pronome se, aqui, é apassivador, e não indeterminador, o que muda totalmente a análise sintática da frase.
Qual é a diferença entre sujeito indeterminado e oração sem sujeito?
O sujeito indeterminado existe, mas não é identificável. Já a oração sem sujeito não tem sujeito nenhum, porque o verbo é impessoal, como nos fenômenos da natureza ou no verbo haver no sentido de existir.
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