Oração Coordenada: os Cinco Tipos que a Banca Cobra

Oração Coordenada: os Cinco Tipos que a Banca Cobra
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 28/10 às 00h

Confundir o tipo de conjunção dentro de uma oração coordenada é o erro que mais derruba o candidato bem preparado nas questões de sintaxe, porque muda a classificação da frase inteira sem mudar uma única vírgula.

Oração coordenada é aquela que tem sentido completo por si mesma dentro de um período composto, sem depender gramaticalmente de outra oração, ainda que apareça ligada a ela por uma conjunção. Existem cinco tipos, que variam conforme a relação de sentido criada por essa conjunção: aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva e explicativa.

Infográfico com os cinco tipos de oração coordenada e suas conjunções
Os cinco tipos de oração coordenada e as conjunções que os identificam.

Neste guia, você encontra:

O que é oração coordenada?

Dentro de um período composto, cada oração coordenada preserva autonomia sintática e semântica diante das demais: ela não exerce nenhuma função gramatical dentro de outra oração, apenas se junta a ela para formar um raciocínio mais completo. É esse traço que separa a coordenação da subordinação, descrita em detalhe no guia sobre orações subordinadas, nas quais uma oração sempre depende da outra para ter sentido ou função completa.

A prova explora exatamente esse ponto: como nenhuma oração coordenada depende da outra para existir, a banca troca a conjunção de uma frase para testar se o candidato enxerga a mudança de sentido sem se deixar levar pela pontuação, que costuma permanecer igual.

Essa classificação não é uma invenção recente de livro didático. Ela vem da Nomenclatura Gramatical Brasileira, documento do Ministério da Educação que, desde 1959, padroniza os termos de gramática usados nas escolas e, por consequência, nas provas de concurso em todo o país. É por isso que a divisão em cinco tipos aparece igual em qualquer banca, de Cebraspe a FGV, de FCC a bancas regionais pequenas: o nome pode variar um pouco na ementa do edital, mas a lógica da classificação é sempre a mesma.

Quais são os cinco tipos de oração coordenada?

A classificação considera a relação de sentido que a conjunção estabelece entre a oração coordenada e a que vem antes dela.

Aditiva: soma uma ideia à outra.

Aparece com e e nem. Exemplo: "O candidato revisou a matéria e também refez os simulados da semana anterior".

Aditiva enfática: reforça a soma com uma correlação.

As correlativas não só, mas também e tanto, quanto também formam oração coordenada aditiva, só que com mais força expressiva do que o simples e. Exemplo: "O servidor não só cumpriu o prazo, mas também revisou o processo duas vezes". Essa variante enfática é a que mais aparece em provas de nível superior, porque exige reconhecer que a correlação equivale, em sentido, a uma soma comum.

Adversativa: marca oposição ou contraste.

Conjunções típicas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto. Exemplo: "O edital previa cem vagas, mas a convocação ainda não saiu".

Alternativa: apresenta opções que se excluem.

Marcadores comuns: ou repetido (ou-ou), ora repetido (ora-ora), quer repetido (quer-quer) e seja repetido (seja-seja). Exemplo: "Ou o candidato estuda redação todos os dias, ou perde pontos decisivos na etapa discursiva".

Conclusiva: fecha um raciocínio iniciado antes.

Conjunções: logo, portanto, por isso, assim, por conseguinte e também pois, quando aparece depois do verbo. Exemplo: "O recurso foi indeferido, portanto o gabarito preliminar está mantido".

Explicativa: justifica o que foi dito na oração anterior.

Conjunções: que, porque e pois, quando vem antes do verbo. Exemplo: "Não desista da prova discursiva, pois ela costuma ter nota de corte mais baixa que a objetiva".

Oração coordenada sindética ou assindética: qual a diferença?

Toda oração coordenada que aparece acompanhada de uma conjunção coordenativa explícita é chamada de sindética, prefixo que vem justamente da palavra conjunção em grego. Quando a ligação entre as orações é feita só pela vírgula, sem nenhuma conjunção visível, a oração é assindética, mas o sentido de adição, em geral, continua presente mesmo sem a palavra que o expressaria. Exemplo de assindética: "O fiscal recolheu as provas, organizou os gabaritos, encerrou a sala".

Vale notar que a oração coordenada assindética praticamente só existe com valor aditivo. Não há, na norma-padrão, uma forma natural de construir uma assindética com sentido adversativo ou alternativo sem recorrer a algum recurso de pontuação mais raro, como o ponto e vírgula antes de uma ideia de contraste. É por isso que a banca raramente pede para classificar uma assindética fora do valor de soma.

Conjunções coordenativas: tabela com os cinco tipos.

TipoConjunções mais comunsExemplo
Aditivae, nem, não só / mas tambémEstudou a teoria e resolveu questões.
Adversativamas, porém, contudo, todaviaSabia a matéria, mas se atrapalhou no tempo.
Alternativaou-ou, ora-ora, quer-querOu revisa hoje, ou perde o ritmo da reta final.
Conclusivalogo, portanto, por isso, pois (depois do verbo)Fez um bom simulado, logo está no caminho certo.
Explicativaque, porque, pois (antes do verbo)Estude redação, pois ela decide muitas aprovações.

Como a banca cobra oração coordenada na prova de Português?

O formato mais comum pede para o candidato classificar o tipo de oração coordenada dentro de uma frase dada, geralmente escondendo o truque na posição da conjunção pois ou na força semântica do ou, que pode indicar alternativa real, de exclusão, ou apenas equivalência entre termos. Outro formato comum mistura, no mesmo período, uma oração coordenada e uma oração subordinada, para verificar se o candidato separa corretamente o que depende do que é independente.

Questão adaptada, estilo Cebraspe: Julgue o item seguinte. Em "O servidor revisou o edital, mas não encontrou o erro apontado no recurso.", a oração "mas não encontrou o erro apontado no recurso" classifica-se como oração coordenada sindética adversativa.

Gabarito: Certo. Comentário: a oração destacada tem sentido completo por si mesma, está ligada à primeira por uma conjunção explícita, "mas", e essa conjunção estabelece uma relação de contraste com a ideia anterior, o que caracteriza exatamente a coordenada sindética adversativa.

Um segundo truque recorrente está na conjunção ou, que nem sempre indica exclusão real entre as orações. Em "O candidato pode protocolar o recurso pela internet, ou pode entregá-lo pessoalmente na sede da banca", as duas opções coexistem como alternativas válidas, sem que uma elimine totalmente a outra, mas a classificação sintática continua sendo coordenada alternativa, porque o que importa para a gramática é a estrutura da conjunção, não o grau de exclusão no mundo real.

Erros mais comuns ao analisar oração coordenada:

  • Tratar toda vírgula como coordenada assindética, sem verificar antes se ela não introduz aposto, vocativo ou oração subordinada adverbial deslocada para o início do período.
  • Esquecer que a posição de pois muda a classificação inteira da oração: antes do verbo, o valor é explicativo; depois do verbo, geralmente isolado por vírgulas, o valor passa a ser conclusivo.
  • Classificar como coordenada uma oração que, apesar de parecer independente à primeira leitura, na verdade exerce uma função sintática dentro da outra, como sujeito ou complemento, o que a tornaria subordinada, e não coordenada.
  • Ignorar que as correlativas, como não só, mas também, formam uma única oração coordenada aditiva com valor enfático, e não duas classificações separadas dentro do mesmo período.
  • Confundir senão, estudado em detalhe no artigo sobre se não ou senão, com uma simples negação, quando na verdade ele também pode funcionar como conjunção coordenativa de valor adversativo ou alternativo dentro do período.
  • Supor que a conjunção e é sempre aditiva: em contextos de contraste marcado, como "Estudou a vida inteira, e não passou", ela pode assumir valor adversativo, equivalente a "mas".

Oração coordenada e oração subordinada: por que elas se confundem.

A confusão nasce porque as duas aparecem dentro do mesmo período composto e, em muitos casos, usam conectivos parecidos. A diferença prática está na dependência: a oração subordinada sempre exerce uma função sintática dentro da oração principal, como sujeito, objeto ou complemento, enquanto a oração coordenada nunca exerce função dentro de outra, apenas soma, contrasta, alterna, conclui ou explica em pé de igualdade.

Resumo rápido de oração coordenada:

  • Nenhuma oração coordenada depende gramaticalmente da outra dentro do período composto, mesmo quando uma vem logo depois da outra.
  • São cinco tipos reconhecidos pela Nomenclatura Gramatical Brasileira: aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva e explicativa.
  • Sindética tem conjunção coordenativa explícita, assindética é ligada apenas por vírgula, quase sempre com valor de adição.
  • A posição de pois decide a classificação: antes do verbo é explicativa, depois do verbo é conclusiva.
  • Correlativas como não só, mas também e tanto, quanto formam uma única coordenada aditiva enfática.
  • A conjunção ou pode indicar alternativa mesmo sem exclusão total entre as opções apresentadas.
  • Cada oração coordenada mantém seu próprio sujeito, verbo e complementos, ainda que o sujeito apareça oculto por elipse.
  • A banca costuma misturar coordenação e subordinação no mesmo período para testar se o candidato separa os dois conceitos corretamente.

Perguntas frequentes:

Toda vírgula dentro de um período composto indica oração coordenada assindética?

Não. A vírgula também aparece em aposto, vocativo e oração subordinada adverbial anteposta. Só é coordenada assindética quando as duas orações são independentes entre si e a vírgula substitui uma conjunção coordenativa que poderia estar ali.

A conjunção pois sempre indica oração coordenada explicativa?

Não. Antes do verbo, pois tem valor explicativo e a oração é coordenada explicativa. Depois do verbo, geralmente entre vírgulas, pois assume valor conclusivo e a oração passa a ser coordenada conclusiva.

Correlativas como não só mas também formam uma única oração coordenada?

Sim. Esse tipo de correlação reforça a ideia de adição e classifica a oração introduzida por mas também como coordenada sindética aditiva, com valor enfático em relação a um simples e.

Qual é a diferença entre oração coordenada e período simples?

O período simples tem apenas uma oração, com um único verbo ou locução verbal. A oração coordenada só existe dentro de um período composto, que reúne duas ou mais orações, nesse caso todas independentes entre si.

Oração coordenada tem sujeito próprio?

Sim. Cada oração coordenada mantém sua própria estrutura sintática completa, incluindo sujeito, verbo e complementos, mesmo quando esse sujeito aparece oculto por elipse para evitar repetição.

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