Na redação da FGV para o Senado Federal, cada erro de português custou 0,1 ponto, até o teto de 4 pontos. Quarenta erros e a sua nota de forma acabou, independentemente do que você escreveu.
A FGV corrige a redação em duas frentes separadas. Primeiro avalia o conteúdo, considerando o acerto da resposta, o grau de conhecimento do tema e a fluência e coerência da exposição. Depois avalia o domínio da modalidade escrita culta, descontando pontos por erro gramatical. A nota final é a pontuação de conteúdo menos esse desconto de forma.

Atualizado em 3 de outubro de 2026.
Navegue por este guia:
- O modelo de prova discursiva da FGV
- Os critérios que a FGV usa para pontuar
- Quanto custa cada erro de norma culta
- O que a banca chama de abordagem tangencial
- Quem tem a redação corrigida
- O que zera a redação na FGV
- Como treinar para a redação da FGV
- Um parágrafo antes e depois da correção
- Resumo dos critérios
O modelo de prova discursiva da FGV.
A FGV raramente pede uma redação solta de tema livre. O padrão da banca é um bloco discursivo com uma ou duas questões de resposta curta, limite apertado de linhas e tema amarrado ao conteúdo programático do cargo.
| Concurso | Formato | Linhas | Pontuação |
|---|---|---|---|
| Senado Federal, analista, 2022 | Duas questões teóricas ou práticas | Até 20 por questão | 40 pontos cada, 80 no total |
| TCE GO, 2024 | Duas questões em formato de estudo de caso | Até 20 por questão | 20 pontos no total |
Veja o que esses dois editais têm em comum: vinte linhas por questão. Esse é o traço mais constante da banca e o que mais derruba candidato acostumado a treinar texto de trinta linhas. Em vinte linhas não cabe introdução de contextualização ampla, não cabe repertório decorativo e não cabe conclusão que repete o que já foi dito. Cabe resposta. Quem vem do modelo de trinta linhas pode comparar com a estrutura padrão da redação de concurso para enxergar o que precisa sair.
O outro traço é a natureza da questão. A FGV pergunta algo específico do conteúdo do cargo, não um tema social genérico. É por isso que preparação de redação para a FGV passa necessariamente pelo edital da sua área, e não só por técnica de escrita. Se você ainda não conhece o perfil geral da banca, vale ler a análise sobre como é a prova da FGV antes de seguir.
Os critérios que a FGV usa para pontuar:
Os editais da banca descrevem a avaliação de conteúdo com três elementos, repetidos quase palavra por palavra de um certame para outro.
- Acerto das respostas dadas: o examinador confere se você entregou o que o comando pediu, comparando com o padrão de resposta divulgado depois da prova.
- Grau de conhecimento do tema demonstrado: aqui entra a profundidade técnica, o uso do instituto correto e a precisão dos conceitos da sua área.
- Fluência e coerência da exposição: é a leitura do texto como argumento encadeado, não como lista de informações soltas. Encadeamento aqui depende de domínio de orações subordinadas e de paralelismo sintático dentro do período.
Essa redação do critério tem uma consequência prática pouco comentada. Como o primeiro item fala em acerto da resposta, a correção da FGV se aproxima mais de uma prova dissertativa de conteúdo do que de uma avaliação de estilo. Texto elegante com conceito errado perde a maior parte dos pontos. Texto direto com o conceito certo e a norma em ordem pontua bem.
O segundo efeito aparece no planejamento. Se o critério premia conhecimento do tema, estudar a disciplina específica do cargo rende mais pontos na discursiva do que treinar conectivos. Isso não dispensa a forma, que tem desconto próprio, mas define a ordem das prioridades quando o tempo é curto. Para a parte de língua, o mapa do que mais cai está no guia de português para concurso organizado por tópico.
Quanto custa cada erro de norma culta?
No edital do Senado Federal, a regra foi numérica e sem margem de interpretação: 0,1 ponto de desconto para cada erro, até o limite máximo de 4 pontos, o que equivale a 40 erros. A avaliação considerou aspectos de natureza gramatical, como ortografia, morfossintaxe e adequação vocabular.
| Erros cometidos | Desconto | Efeito em uma questão de 40 pontos |
|---|---|---|
| 5 | 0,5 ponto | Pouco relevante na classificação |
| 10 | 1,0 ponto | Começa a pesar em concurso concorrido |
| 20 | 2,0 pontos | Metade do teto de desconto consumida |
| 40 ou mais | 4,0 pontos | Teto atingido, prejuízo máximo de forma |
Olhe a coluna do meio com atenção. Quatro pontos em quarenta podem parecer pouco, mas em concurso disputado a diferença entre aprovado e excedente costuma ser menor que isso. E o detalhe que muda o cálculo: cada ocorrência conta, inclusive a repetição do mesmo erro. Escrever a mesma palavra errada seis vezes são seis descontos, não um.
Os tipos que mais aparecem na contagem são sempre os mesmos. Vale uma revisão dirigida em concordância verbal e em concordância nominal antes de passar para regência verbal e crase para fechar com acentuação gráfica na última semana de revisão.
O que a banca chama de abordagem tangencial?
Além do desconto por erro gramatical, o edital do Senado previu redução proporcional de pontos caso ocorra abordagem tangencial, parcial ou diluída em meio a divagações, além de colagem de textos. São quatro problemas distintos, e todos atacam a nota de conteúdo.
- Abordagem tangencial: você escreve sobre o assunto geral, mas não responde o que foi perguntado. É o erro mais comum de quem decorou um texto pronto antes da prova, e costuma vir junto com falha de interpretação do enunciado na hora da leitura.
- Abordagem parcial: o comando pedia dois movimentos, por exemplo conceituar e exemplificar, e você entregou só o primeiro.
- Abordagem diluída em divagações: a resposta certa está no texto, mas afogada em contexto desnecessário, o que é fatal em vinte linhas.
- Colagem de textos: reprodução literal de trechos do texto de apoio, sem elaboração própria.
Existe um hábito simples que previne os três primeiros. Antes de escrever, sublinhe os verbos do comando e escreva-os no rascunho como uma lista. Se o comando diz analise e justifique, a sua lista tem dois itens, e nenhum parágrafo entra no texto sem servir a um deles.
Quem tem a redação corrigida na FGV?
A banca limita a correção, e esse corte é feito pela nota da objetiva. No TCE GO de 2024, o edital fixou números fechados: na especialidade de Controle Externo, foram corrigidas as 220 melhores provas da ampla concorrência e 20 de candidatos com deficiência.
Quem fica fora dessa lista é eliminado sem ter o texto lido. Na prática, isso cria uma sequência que organiza a preparação: primeiro você precisa de nota de objetiva suficiente para entrar no corte, depois precisa de nota de discursiva suficiente para seguir. Tratar a redação como preocupação de última hora é apostar tudo na primeira etapa e nada na segunda.
Esse desenho também explica por que vale consultar o edital antes de montar o seu cronograma de estudos para a fase discursiva. Se o seu concurso corrige só os 200 primeiros, a conta de quanto tempo dedicar à escrita muda bastante.
O que zera a redação na FGV:
As hipóteses de nota zero no edital do Senado foram formais e verificáveis a olho nu pelo fiscal ou pelo digitalizador, antes mesmo da leitura do texto.
- Questão em branco, sem nenhum texto na folha definitiva.
- Letra ilegível, situação em que o examinador não tem o que pontuar.
- Texto escrito fora das especificações, como uso de caneta diferente da exigida ou falta de transcrição para a folha definitiva.
- Trecho escrito fora do espaço apropriado, que é desconsiderado na avaliação.
Há ainda uma hipótese mais grave, que não é nota zero e sim eliminação: texto assinado, rubricado ou com qualquer marca identificadora do candidato. Esse ponto merece atenção redobrada de quem treina em casa escrevendo o próprio nome no cabeçalho por hábito. Se a nota sair abaixo do esperado, ainda resta a via do recurso contra a correção da discursiva dentro do prazo do edital.
Como treinar para a redação da FGV?
O treino específico para a FGV tem uma particularidade: ele é curto. Como a banca pede vinte linhas, o seu exercício precisa ser escrever muito dentro de pouco espaço, e isso é uma habilidade treinável.
Passo 1: cronometre em vinte linhas.
Pegue uma questão discursiva de prova anterior da banca e responda à mão, em folha pautada, parando exatamente na vigésima linha. Marque o tempo. Nas primeiras tentativas você vai estourar o espaço, e é justamente aí que o treino começa a valer.
Passo 2: corte sem perder conteúdo.
Reescreva o mesmo texto com o objetivo único de dizer o mesmo em menos linhas. Troque orações explicativas por adjetivos, elimine advérbios de reforço e apague toda frase que apenas anuncia o que você vai dizer a seguir.
Passo 3: conte os seus erros como a banca conta.
Releia marcando cada desvio gramatical com um traço na margem. Multiplique por 0,1 e você tem o seu desconto estimado. Repetir essa conta por algumas semanas muda a forma como você enxerga gramática, porque o erro deixa de ser abstrato e vira preço.
Passo 4: compare com o padrão de resposta.
A FGV divulga as provas e os padrões de resposta na central de concursos da banca depois de cada certame, e essa comparação é o retorno mais honesto que existe. Liste os itens que o padrão esperava e marque quais apareceram no seu texto. Encaixar esse exercício em simulados periódicos evita que o treino vire leitura passiva.
Para o treino render, ele precisa caber na semana. Duas questões por semana, com reescrita, costumam ser mais produtivas que dez textos sem correção. Quem concilia estudo com trabalho encontra um modelo realista de encaixe no guia sobre conciliar trabalho e estudo sem abandonar a escrita.
Um parágrafo antes e depois da correção:
A diferença entre um parágrafo que pontua e um que não pontua costuma ser de corte, não de vocabulário. Veja o mesmo conteúdo nas duas versões, respondendo a um comando que pede a análise do princípio da eficiência na administração pública.
Antes, com 62 palavras e abordagem diluída:
É importante destacar que a administração pública brasileira, ao longo das últimas décadas, passou por diversas transformações significativas em seu modelo de gestão, e nesse contexto o princípio da eficiência, que foi introduzido em nosso ordenamento jurídico por meio de uma emenda constitucional, acabou se tornando um dos pilares que norteiam a atuação do agente público no desempenho de suas funções cotidianas.
Depois, com 44 palavras e resposta direta:
O princípio da eficiência, incluído no artigo 37 da Constituição pela Emenda Constitucional 19 de 1998, obriga o agente público a buscar o melhor resultado com o menor custo. Ele se distingue da legalidade porque não basta agir conforme a norma: é preciso agir com produtividade.
A segunda versão ocupa menos de três linhas de prova, cita a base normativa, define o conceito e já abre a distinção que o examinador procura. A primeira gasta quatro linhas sem afirmar nada avaliável. Em um texto de vinte linhas, essa economia de espaço é a diferença entre desenvolver dois argumentos e desenvolver meio argumento.
Repare também no corte do clichê de abertura. Expressões como é importante destacar e nesse contexto não pontuam em critério nenhum, ocupam espaço e sinalizam texto de preenchimento. O dispositivo legal exato, por outro lado, demonstra grau de conhecimento do tema, que é critério expresso no edital. Quem quiser conferir a redação do artigo pode consultar a Constituição Federal no portal do Planalto a qualquer momento.
Resumo dos critérios da FGV:
| Item | Como funciona |
|---|---|
| Formato típico | Uma ou duas questões discursivas ligadas ao conteúdo do cargo |
| Limite de linhas | Até 20 por questão nos editais citados |
| Critérios de conteúdo | Acerto da resposta, conhecimento do tema, fluência e coerência |
| Desconto de forma | 0,1 ponto por erro, teto de 4 pontos no edital do Senado |
| Redução adicional | Abordagem tangencial, parcial, diluída em divagações ou colagem de textos |
| Nota zero | Questão em branco, letra ilegível, texto fora das especificações |
| Eliminação | Qualquer marca que identifique o candidato |
| Correção limitada | Apenas os melhores classificados na objetiva, em número fixado no edital |
Perguntas frequentes:
Como a FGV corrige a redação?
Em duas avaliações separadas. A de conteúdo considera o acerto da resposta, o grau de conhecimento do tema e a fluência e coerência da exposição. A de forma conta os erros gramaticais e aplica desconto por ocorrência. A nota final é a pontuação de conteúdo menos o desconto de forma.
Quantas linhas tem a redação da FGV?
Nos dois editais analisados aqui, o limite foi de até 20 linhas por questão, tanto no Senado Federal de 2022 quanto no TCE GO de 2024. O número exato sempre consta do edital do seu concurso, e treinar no limite certo faz diferença grande no resultado.
Quanto vale cada erro de português na redação da FGV?
No edital do Senado Federal, o desconto foi de 0,1 ponto por erro, limitado a 4 pontos, o que corresponde a 40 ocorrências. A contagem considera ortografia, morfossintaxe e adequação vocabular, e o mesmo erro repetido conta cada vez que aparece.
A FGV cobra redação dissertativa ou estudo de caso?
Os dois formatos aparecem, e o edital define qual será usado. No TCE GO de 2024 foram questões em formato de estudo de caso. No Senado Federal de 2022 foram questões teóricas ou práticas ligadas ao conteúdo do cargo. Treinar o gênero errado custa pontos de conteúdo.
Todo mundo tem a redação corrigida?
Não. A FGV limita a correção aos melhores classificados na prova objetiva, em número fixado no edital. No TCE GO de 2024, foram 220 provas da ampla concorrência na especialidade de Controle Externo, mais 20 de pessoas com deficiência. Quem fica fora é eliminado sem ter o texto lido. Entender o que a banca examinadora decide ajuda a ler esse corte com antecedência.
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