Objeto Direto Preposicionado: Quando a Preposição Aparece

Objeto Direto Preposicionado: Quando a Preposição Aparece
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 31/10 às 00h

Um verbo transitivo direto não deveria vir com preposição, e é exatamente essa regra que a banca explora quando monta uma frase como "amar a Deus", esperando que o candidato marque erro onde não existe.

Objeto direto preposicionado é o complemento verbal que, embora exerça a função de objeto direto, aparece introduzido por uma preposição, geralmente "a". Ele ocorre em situações específicas e bem delimitadas pela gramática normativa, e a prova cobra justamente o reconhecimento dessas situações, para não confundir o termo com objeto indireto.

Infográfico com os casos em que o objeto direto recebe preposição e exemplos de cada um
Os casos em que o objeto direto preposicionado aparece e como reconhecer cada um.

O que você vai encontrar aqui:

O que é objeto direto preposicionado?

Objeto direto é, por definição, o complemento verbal que não exige preposição, diferente do objeto indireto, que sempre é introduzido por uma. O objeto direto preposicionado é a exceção a essa regra: mesmo exercendo a função de objeto direto, ele aparece com uma preposição antes, quase sempre "a".

Isso significa que a presença da preposição não transforma o termo em objeto indireto. A classificação depende da função que o termo exerce em relação ao verbo, não apenas da forma como ele é introduzido na frase, o que aproxima esse tema de transitividade verbal e de regência verbal.

Na prática, isso quer dizer que o candidato não deve classificar o termo só pela forma como ele aparece escrito na frase. É preciso identificar primeiro o verbo e verificar se ele pede, por natureza, um complemento direto ou indireto, para só então decidir se a preposição presente é um caso de objeto direto preposicionado ou simplesmente a regência normal de um verbo transitivo indireto.

Os casos em que a preposição aparece:

A gramática normativa registra situações específicas em que o objeto direto recebe preposição. Veja as mais cobradas em prova.

Antes de pronome oblíquo tônico.

Quando o objeto direto é um pronome oblíquo tônico, como "mim", "ti", "si", "ele" ou "ela", a preposição "a" é obrigatória. Exemplo: "O candidato amava a si mesmo acima de qualquer resultado." Sem a preposição, a construção "amava si mesmo" seria agramatical.

Para evitar ambiguidade.

A preposição aparece quando a frase, sem ela, geraria dúvida sobre quem é sujeito e quem é objeto. Exemplo: "Ao vencedor, o público aplaudiu." Sem a preposição "a" antes de "vencedor", a frase poderia sugerir que o vencedor é quem pratica a ação de aplaudir.

Em construções de reciprocidade.

Verbos que exprimem ação mútua entre duas partes também podem receber o objeto direto preposicionado. Exemplo: "Os candidatos ajudavam-se uns aos outros durante o simulado." A expressão "uns aos outros" reforça a ideia de reciprocidade e exige a preposição.

Antes do pronome relativo "quem".

Quando o pronome relativo "quem" funciona como objeto direto, ele sempre vem precedido de preposição. Exemplo: "O professor a quem todos respeitavam se aposentou." Aqui, "a quem" retoma "o professor" na função de objeto direto do verbo "respeitavam".

No objeto direto pleonástico.

Quando o objeto direto é repetido por um pronome oblíquo átono para dar ênfase, a primeira ocorrência costuma vir preposicionada. Exemplo: "Ao diretor, todos o respeitavam." O pronome "o" retoma "ao diretor", reforçando o termo já apresentado antes do verbo.

Ligado ao vocábulo "Deus".

Por tradição gramatical, alguns verbos de devoção, como "amar", "louvar" e "adorar", admitem a preposição "a" antes de "Deus" mesmo sendo transitivos diretos. Exemplo: "O fiel amava a Deus sobre todas as coisas." A forma sem preposição, "amava Deus", também é aceita pela norma-padrão.

Objeto direto preposicionado ou objeto indireto: a diferença que a banca cobra.

O erro mais comum é concluir que todo complemento verbal introduzido por preposição é objeto indireto. A diferença real está na natureza do verbo e no tipo de complemento que ele exige, não apenas na presença da preposição.

CritérioObjeto direto preposicionadoObjeto indireto
VerboTransitivo direto, por natureza.Transitivo indireto, por natureza.
PreposiçãoAparece por casos específicos, como pronome tônico, ambiguidade e reciprocidade.Sempre exigida pela regência do verbo.
TesteO verbo aceita a forma sem preposição em outros contextos.O verbo exige a preposição em qualquer contexto.
Exemplo"Amava a Deus.""Obedecia ao regulamento."

Bechara e Rocha Lima: o que a gramática normativa registra.

Um estudo acadêmico de análise historiográfica comparou o tratamento do objeto direto preposicionado em dois gramáticos de referência da língua portuguesa: Evanildo Bechara, na Moderna Gramática Portuguesa, e Rocha Lima, na Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Segundo esse levantamento, Bechara descreve o fenômeno em oito ocorrências, sete de uso obrigatório e uma de uso facultativo, enquanto Rocha Lima registra doze ocorrências, cinco obrigatórias e sete facultativas.

Os dois gramáticos concordam que a preposição aparece antes de pronomes oblíquos tônicos, depois de verbos que indicam sentimento, para evitar ambiguidade, em expressões de reciprocidade, antes do pronome relativo "quem", em construções paralelas e junto a um objeto direto pleonástico. Rocha Lima acrescenta casos que Bechara não detalha, como a preposição ligada ao vocábulo "Deus" e o uso com verbo transitivo direto na forma impessoal, o que mostra que o conjunto de exceções admitidas pela norma-padrão é mais amplo do que o senso comum sugere.

Essa divergência entre gramáticos de peso é justamente o que torna o tema interessante para a banca: cobrar um caso que aparece em um manual e não em outro é uma forma eficiente de separar quem estudou a fundo de quem memorizou só a regra geral.

Como a banca cobra objeto direto preposicionado na prova:

A pegadinha mais comum é apresentar uma frase com preposição antes do complemento verbal e perguntar se o termo é objeto direto preposicionado ou objeto indireto, testando se o candidato reconhece a natureza do verbo por trás da construção. Veja duas questões adaptadas.

Questão adaptada, estilo Cebraspe. Julgue o item: na frase "O servidor amava a Deus e respeitava a si mesmo", os termos "a Deus" e "a si mesmo" exercem a função de objeto direto preposicionado, mesmo introduzidos pela preposição "a".

Gabarito comentado: certo. O verbo "amar" é transitivo direto por natureza, e a preposição antes de "Deus" segue a tradição gramatical registrada por Rocha Lima. Já "respeitava a si mesmo" traz a preposição obrigatória por se tratar de pronome oblíquo tônico, outro caso clássico de objeto direto preposicionado.

Questão adaptada, estilo FCC. Assinale a alternativa em que o termo em destaque exerce a função de objeto indireto, e não de objeto direto preposicionado:

a) O professor a quem todos respeitavam se aposentou.
b) O fiel amava a Deus sobre todas as coisas.
c) O servidor obedecia ao regulamento interno.
d) Os candidatos ajudavam-se uns aos outros.

Gabarito comentado: letra c. O verbo "obedecer" é transitivo indireto por natureza e sempre exige a preposição "a" para introduzir seu complemento, o que classifica "ao regulamento interno" como objeto indireto. Nas demais alternativas, os verbos são transitivos diretos por natureza, e a preposição aparece apenas pelos casos específicos de pronome relativo, tradição com "Deus" ou reciprocidade.

Erros mais comuns com objeto direto preposicionado.

  • Classificar todo complemento com preposição como objeto indireto, sem checar se o verbo é transitivo direto por natureza.
  • Ignorar o caso do pronome relativo "quem", que sempre exige preposição mesmo funcionando como objeto direto.
  • Não reconhecer a construção de reciprocidade, com expressões como "uns aos outros" e "um ao outro".
  • Tratar "amar a Deus" como erro de regência, quando na verdade é uma construção aceita pela tradição gramatical.
  • Confundir objeto direto preposicionado com complemento nominal, especialmente quando o termo acompanha um verbo nominalizado.
  • Esquecer a acentuação dos pronomes oblíquos tônicos, como "si" e "ti", nas questões que cobram o tema.

Resumo para levar à prova.

CasoQuando apareceExemplo
Pronome oblíquo tônicoMim, ti, si, ele, ela como objeto direto."amava a si mesmo"
AmbiguidadeFrase sem preposição geraria dúvida de sentido."ao vencedor, aplaudiu"
ReciprocidadeAção mútua entre duas partes."ajudavam-se uns aos outros"
Pronome relativo "quem"Sempre precedido de preposição."a quem respeitavam"
Vocábulo "Deus"Tradição gramatical com verbos de devoção."amava a Deus"

Esse tema aparece no mesmo bloco de sintaxe de predicativo do sujeito e de sujeito indeterminado, porque todos exigem reconhecer a função do termo além da forma como ele aparece na frase.

Perguntas frequentes:

Objeto direto preposicionado é a mesma coisa que objeto indireto?

Não. O objeto direto preposicionado continua exercendo a função de objeto direto, apenas com preposição aparente, enquanto o objeto indireto é exigido pela própria regência do verbo.

"Amar a Deus" está errado?

Não. É uma construção aceita pela tradição gramatical para verbos de devoção, com a preposição "a" antes de "Deus", mesmo o verbo "amar" sendo transitivo direto.

Quando a preposição "a" é obrigatória antes do objeto direto?

Ela é obrigatória antes de pronomes oblíquos tônicos, como "mim", "ti" e "si", e antes do pronome relativo "quem" quando ele exerce função de objeto direto.

Como diferenciar objeto direto preposicionado de complemento nominal?

O objeto direto preposicionado acompanha um verbo transitivo direto, enquanto o complemento nominal completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio, sem depender da transitividade de um verbo.

Bechara e Rocha Lima registram o mesmo número de casos?

Não. Segundo estudo acadêmico comparativo, Bechara descreve oito ocorrências do fenômeno, enquanto Rocha Lima registra doze, incluindo casos que Bechara não detalha, como o uso ligado ao vocábulo "Deus".

Continue sua preparação em Língua Portuguesa com o Portal Concursos.

Reconhecer o objeto direto preposicionado evita marcar como erro uma construção que a norma-padrão aceita, e evita também confundir o termo com objeto indireto nas questões de regência e transitividade verbal. O Portal Concursos oferece cursos completos de Língua Portuguesa, um banco de questões comentadas e mais dicas de Português para fixar justamente esse tipo de pegadinha. Conheça o curso, confira as assinaturas disponíveis e continue treinando com questões reais de concurso.

Assinatura PortalAssine o Portal e estude para qualquer concursoTodos os cursos, simulados e o banco de questões em um único plano.
Ver planos→
Compartilhar:

Comentários

Carregando comentários…

Pular para o conteúdo principal