Um verbo transitivo direto não deveria vir com preposição, e é exatamente essa regra que a banca explora quando monta uma frase como "amar a Deus", esperando que o candidato marque erro onde não existe.
Objeto direto preposicionado é o complemento verbal que, embora exerça a função de objeto direto, aparece introduzido por uma preposição, geralmente "a". Ele ocorre em situações específicas e bem delimitadas pela gramática normativa, e a prova cobra justamente o reconhecimento dessas situações, para não confundir o termo com objeto indireto.

O que você vai encontrar aqui:
- O que é objeto direto preposicionado?
- Os casos em que a preposição aparece.
- Objeto direto preposicionado ou objeto indireto: a diferença que a banca cobra.
- Bechara e Rocha Lima: o que a gramática normativa registra.
- Como a banca cobra objeto direto preposicionado na prova:
- Erros mais comuns com objeto direto preposicionado.
- Resumo para levar à prova.
- Perguntas frequentes:
O que é objeto direto preposicionado?
Objeto direto é, por definição, o complemento verbal que não exige preposição, diferente do objeto indireto, que sempre é introduzido por uma. O objeto direto preposicionado é a exceção a essa regra: mesmo exercendo a função de objeto direto, ele aparece com uma preposição antes, quase sempre "a".
Isso significa que a presença da preposição não transforma o termo em objeto indireto. A classificação depende da função que o termo exerce em relação ao verbo, não apenas da forma como ele é introduzido na frase, o que aproxima esse tema de transitividade verbal e de regência verbal.
Na prática, isso quer dizer que o candidato não deve classificar o termo só pela forma como ele aparece escrito na frase. É preciso identificar primeiro o verbo e verificar se ele pede, por natureza, um complemento direto ou indireto, para só então decidir se a preposição presente é um caso de objeto direto preposicionado ou simplesmente a regência normal de um verbo transitivo indireto.
Os casos em que a preposição aparece:
A gramática normativa registra situações específicas em que o objeto direto recebe preposição. Veja as mais cobradas em prova.
Antes de pronome oblíquo tônico.
Quando o objeto direto é um pronome oblíquo tônico, como "mim", "ti", "si", "ele" ou "ela", a preposição "a" é obrigatória. Exemplo: "O candidato amava a si mesmo acima de qualquer resultado." Sem a preposição, a construção "amava si mesmo" seria agramatical.
Para evitar ambiguidade.
A preposição aparece quando a frase, sem ela, geraria dúvida sobre quem é sujeito e quem é objeto. Exemplo: "Ao vencedor, o público aplaudiu." Sem a preposição "a" antes de "vencedor", a frase poderia sugerir que o vencedor é quem pratica a ação de aplaudir.
Em construções de reciprocidade.
Verbos que exprimem ação mútua entre duas partes também podem receber o objeto direto preposicionado. Exemplo: "Os candidatos ajudavam-se uns aos outros durante o simulado." A expressão "uns aos outros" reforça a ideia de reciprocidade e exige a preposição.
Antes do pronome relativo "quem".
Quando o pronome relativo "quem" funciona como objeto direto, ele sempre vem precedido de preposição. Exemplo: "O professor a quem todos respeitavam se aposentou." Aqui, "a quem" retoma "o professor" na função de objeto direto do verbo "respeitavam".
No objeto direto pleonástico.
Quando o objeto direto é repetido por um pronome oblíquo átono para dar ênfase, a primeira ocorrência costuma vir preposicionada. Exemplo: "Ao diretor, todos o respeitavam." O pronome "o" retoma "ao diretor", reforçando o termo já apresentado antes do verbo.
Ligado ao vocábulo "Deus".
Por tradição gramatical, alguns verbos de devoção, como "amar", "louvar" e "adorar", admitem a preposição "a" antes de "Deus" mesmo sendo transitivos diretos. Exemplo: "O fiel amava a Deus sobre todas as coisas." A forma sem preposição, "amava Deus", também é aceita pela norma-padrão.
Objeto direto preposicionado ou objeto indireto: a diferença que a banca cobra.
O erro mais comum é concluir que todo complemento verbal introduzido por preposição é objeto indireto. A diferença real está na natureza do verbo e no tipo de complemento que ele exige, não apenas na presença da preposição.
| Critério | Objeto direto preposicionado | Objeto indireto |
|---|---|---|
| Verbo | Transitivo direto, por natureza. | Transitivo indireto, por natureza. |
| Preposição | Aparece por casos específicos, como pronome tônico, ambiguidade e reciprocidade. | Sempre exigida pela regência do verbo. |
| Teste | O verbo aceita a forma sem preposição em outros contextos. | O verbo exige a preposição em qualquer contexto. |
| Exemplo | "Amava a Deus." | "Obedecia ao regulamento." |
Bechara e Rocha Lima: o que a gramática normativa registra.
Um estudo acadêmico de análise historiográfica comparou o tratamento do objeto direto preposicionado em dois gramáticos de referência da língua portuguesa: Evanildo Bechara, na Moderna Gramática Portuguesa, e Rocha Lima, na Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Segundo esse levantamento, Bechara descreve o fenômeno em oito ocorrências, sete de uso obrigatório e uma de uso facultativo, enquanto Rocha Lima registra doze ocorrências, cinco obrigatórias e sete facultativas.
Os dois gramáticos concordam que a preposição aparece antes de pronomes oblíquos tônicos, depois de verbos que indicam sentimento, para evitar ambiguidade, em expressões de reciprocidade, antes do pronome relativo "quem", em construções paralelas e junto a um objeto direto pleonástico. Rocha Lima acrescenta casos que Bechara não detalha, como a preposição ligada ao vocábulo "Deus" e o uso com verbo transitivo direto na forma impessoal, o que mostra que o conjunto de exceções admitidas pela norma-padrão é mais amplo do que o senso comum sugere.
Essa divergência entre gramáticos de peso é justamente o que torna o tema interessante para a banca: cobrar um caso que aparece em um manual e não em outro é uma forma eficiente de separar quem estudou a fundo de quem memorizou só a regra geral.
Como a banca cobra objeto direto preposicionado na prova:
A pegadinha mais comum é apresentar uma frase com preposição antes do complemento verbal e perguntar se o termo é objeto direto preposicionado ou objeto indireto, testando se o candidato reconhece a natureza do verbo por trás da construção. Veja duas questões adaptadas.
Questão adaptada, estilo Cebraspe. Julgue o item: na frase "O servidor amava a Deus e respeitava a si mesmo", os termos "a Deus" e "a si mesmo" exercem a função de objeto direto preposicionado, mesmo introduzidos pela preposição "a".
Gabarito comentado: certo. O verbo "amar" é transitivo direto por natureza, e a preposição antes de "Deus" segue a tradição gramatical registrada por Rocha Lima. Já "respeitava a si mesmo" traz a preposição obrigatória por se tratar de pronome oblíquo tônico, outro caso clássico de objeto direto preposicionado.
Questão adaptada, estilo FCC. Assinale a alternativa em que o termo em destaque exerce a função de objeto indireto, e não de objeto direto preposicionado:
a) O professor a quem todos respeitavam se aposentou.
b) O fiel amava a Deus sobre todas as coisas.
c) O servidor obedecia ao regulamento interno.
d) Os candidatos ajudavam-se uns aos outros.
Gabarito comentado: letra c. O verbo "obedecer" é transitivo indireto por natureza e sempre exige a preposição "a" para introduzir seu complemento, o que classifica "ao regulamento interno" como objeto indireto. Nas demais alternativas, os verbos são transitivos diretos por natureza, e a preposição aparece apenas pelos casos específicos de pronome relativo, tradição com "Deus" ou reciprocidade.
Erros mais comuns com objeto direto preposicionado.
- Classificar todo complemento com preposição como objeto indireto, sem checar se o verbo é transitivo direto por natureza.
- Ignorar o caso do pronome relativo "quem", que sempre exige preposição mesmo funcionando como objeto direto.
- Não reconhecer a construção de reciprocidade, com expressões como "uns aos outros" e "um ao outro".
- Tratar "amar a Deus" como erro de regência, quando na verdade é uma construção aceita pela tradição gramatical.
- Confundir objeto direto preposicionado com complemento nominal, especialmente quando o termo acompanha um verbo nominalizado.
- Esquecer a acentuação dos pronomes oblíquos tônicos, como "si" e "ti", nas questões que cobram o tema.
Resumo para levar à prova.
| Caso | Quando aparece | Exemplo |
|---|---|---|
| Pronome oblíquo tônico | Mim, ti, si, ele, ela como objeto direto. | "amava a si mesmo" |
| Ambiguidade | Frase sem preposição geraria dúvida de sentido. | "ao vencedor, aplaudiu" |
| Reciprocidade | Ação mútua entre duas partes. | "ajudavam-se uns aos outros" |
| Pronome relativo "quem" | Sempre precedido de preposição. | "a quem respeitavam" |
| Vocábulo "Deus" | Tradição gramatical com verbos de devoção. | "amava a Deus" |
Esse tema aparece no mesmo bloco de sintaxe de predicativo do sujeito e de sujeito indeterminado, porque todos exigem reconhecer a função do termo além da forma como ele aparece na frase.
Perguntas frequentes:
Objeto direto preposicionado é a mesma coisa que objeto indireto?
Não. O objeto direto preposicionado continua exercendo a função de objeto direto, apenas com preposição aparente, enquanto o objeto indireto é exigido pela própria regência do verbo.
"Amar a Deus" está errado?
Não. É uma construção aceita pela tradição gramatical para verbos de devoção, com a preposição "a" antes de "Deus", mesmo o verbo "amar" sendo transitivo direto.
Quando a preposição "a" é obrigatória antes do objeto direto?
Ela é obrigatória antes de pronomes oblíquos tônicos, como "mim", "ti" e "si", e antes do pronome relativo "quem" quando ele exerce função de objeto direto.
Como diferenciar objeto direto preposicionado de complemento nominal?
O objeto direto preposicionado acompanha um verbo transitivo direto, enquanto o complemento nominal completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio, sem depender da transitividade de um verbo.
Bechara e Rocha Lima registram o mesmo número de casos?
Não. Segundo estudo acadêmico comparativo, Bechara descreve oito ocorrências do fenômeno, enquanto Rocha Lima registra doze, incluindo casos que Bechara não detalha, como o uso ligado ao vocábulo "Deus".
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