Licença para capacitação: quem tem direito e como pedir?

Licença para capacitação: quem tem direito e como pedir?
Agente de Artigos Redação
Atualizado em 29/09 às 14h

Três meses de afastamento com a remuneração integral, a cada cinco anos de efetivo exercício. É isso que o artigo 87 da Lei 8.112 coloca à disposição do servidor federal que quer estudar.

A licença para capacitação é o afastamento remunerado de até três meses concedido ao servidor federal depois de cada quinquênio de efetivo exercício, para participar de ação de desenvolvimento. A previsão está no artigo 87 da Lei 8.112 de 1990 e a regulamentação, no Decreto 9.991 de 2019. A concessão não é automática: depende do interesse da Administração.

Infográfico com as regras da licença para capacitação do servidor federal
As regras centrais da licença para capacitação em um só quadro.

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O que é a licença para capacitação?

É um afastamento em que o servidor deixa de exercer o cargo por até três meses, continua recebendo a remuneração do cargo efetivo e usa esse tempo para se qualificar. O texto vigente do artigo 87 da Lei 8.112 de 1990 diz que, após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no interesse da Administração, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até três meses, para participar de curso de capacitação profissional.

Essa redação veio com a Lei 9.527 de 1997. Antes dela, o mesmo artigo 87 tratava da licença prêmio por assiduidade, e o inciso V do artigo 81 falava em prêmio por assiduidade. A troca de um instituto pelo outro é justamente o tipo de detalhe histórico que aparece em prova, e quem estuda Lei 8.112 para concurso precisa saber diferenciar os dois.

Uma observação que economiza frustração: a Lei 8.112 vale para o servidor público federal. Estados e municípios têm estatutos próprios, e muitos deles preveem licença parecida com outro nome, outro prazo ou nenhuma previsão. Se o seu vínculo é estadual ou municipal, o estatuto local manda. Quem ainda está decidindo o caminho encontra o comparativo entre regimes no texto sobre estatutário ou celetista.

Quem tem direito e a partir de quando?

Tem direito o servidor ocupante de cargo efetivo que completou cinco anos de efetivo exercício. O gatilho é o quinquênio, não a data da posse nem a data da nomeação.

O que conta como efetivo exercício?

Efetivo exercício é o tempo em que o servidor esteve desempenhando as atribuições do cargo, incluindo os afastamentos que a lei considera como de efetivo exercício. Períodos de licença sem remuneração, em regra, não entram na conta. A unidade de gestão de pessoas do órgão é quem faz esse cálculo, e vale pedir o levantamento antes de planejar qualquer curso.

Estágio probatório e o primeiro quinquênio.

Como o requisito é de cinco anos, na prática o servidor já concluiu o estágio probatório quando alcança o direito. Isso diferencia a licença para capacitação da licença para tratar de interesses particulares, do artigo 91, que exige expressamente que o servidor não esteja em estágio probatório. Se a sua posse é recente, o roteiro dos primeiros meses está reunido no guia sobre posse em concurso público.

Os períodos não são acumuláveis.

O parágrafo único do artigo 87 é direto nesse ponto: os períodos de licença de que trata o caput não são acumuláveis. Quem passou dez anos sem pedir não junta seis meses. Esse é um dos erros de leitura mais cobrados do dispositivo, e ele custa questão em prova e planejamento na vida real.

Quanto tempo dura e dá para parcelar?

A duração máxima é de três meses por quinquênio. O Decreto 9.991 de 2019 admite o parcelamento do período, e as regras operacionais de cada parcela estão na Instrução Normativa SGP do Ministério da Economia nº 21 de 2021 e nas normas internas de cada órgão.

O decreto também traz um filtro que muita gente descobre tarde: a licença é concedida quando o horário ou o local de trabalho inviabilizarem o cumprimento da ação de desenvolvimento e quando essa ação totalizar, no mínimo, trinta horas semanais. Um curso de oito horas semanais à noite, portanto, dificilmente justifica o afastamento, porque o servidor consegue conciliá-lo com a jornada.

Por isso a conversa com a chefia vem antes do requerimento, e não depois. A licença depende do interesse da Administração, expressão que aparece no próprio caput do artigo 87 e que dá à gestão margem para organizar a substituição do servidor no setor.

O que pode ser feito durante a licença?

O artigo 25 do Decreto 9.991 de 2019 lista as possibilidades, e elas vão bem além do curso presencial tradicional.

  • Ações de desenvolvimento presenciais ou a distância, desde que atendido o mínimo de horas semanais.

  • Elaboração de tese, de dissertação ou de trabalho de conclusão de curso.

  • Curso combinado com período de estágio prático em órgão ou entidade da administração pública.

  • Curso combinado com atividade voluntária.

A hipótese da tese e da dissertação é a que mais interessa a quem faz pós-graduação enquanto trabalha, porque permite dedicar um trimestre inteiro à escrita final. Já a combinação com estágio prático abre uma porta pouco explorada: conhecer por dentro a rotina de outro órgão, o que ajuda quem pensa em remoção ou em mudar de área dentro do serviço público.

Uma dúvida frequente merece resposta clara: a licença para capacitação não existe para o servidor estudar para outro concurso. O objeto é uma ação de desenvolvimento ligada às atribuições do cargo e ao plano de desenvolvimento de pessoas do órgão. Quem quer trocar de cargo precisa organizar a preparação dentro da própria rotina, e o texto sobre quantas horas estudar por dia ajuda nesse desenho.

Como pedir a licença para capacitação:

  1. Confirme com a gestão de pessoas a data em que você completa o quinquênio de efetivo exercício.

  2. Escolha a ação de desenvolvimento e reúna o comprovante de carga horária, a programação e o período exato.

  3. Verifique se a ação está alinhada ao plano de desenvolvimento de pessoas do seu órgão, porque esse alinhamento é o principal argumento do requerimento.

  4. Converse com a chefia imediata sobre o período e sobre como o setor cobre a sua ausência.

  5. Preencha o requerimento no sistema do órgão, anexando toda a documentação da ação.

  6. Acompanhe a tramitação e guarde o despacho de concessão, porque ele define as datas e as condicionantes.

  7. Ao voltar, apresente o certificado ou o comprovante de conclusão, que costuma ser exigido como contrapartida.

O prazo de protocolo varia por órgão, e há instituições que pedem o requerimento com sessenta dias de antecedência. Consulte a norma interna antes de fechar matrícula em qualquer curso pago.

As sete licenças da Lei 8.112 em uma tabela:

O artigo 81 lista todas as licenças do servidor federal. Saber o rol de memória resolve várias questões objetivas.

Licença

Base legal

Remuneração

Por motivo de doença em pessoa da família

Art. 81, I e art. 83

Com remuneração até os limites legais

Por afastamento do cônjuge ou companheiro

Art. 81, II

Sem remuneração, como regra

Para o serviço militar

Art. 81, III

Conforme legislação específica

Para atividade política

Art. 81, IV

Com remuneração em parte do período

Para capacitação

Art. 81, V e art. 87

Com remuneração do cargo efetivo

Para tratar de interesses particulares

Art. 81, VI e art. 91

Sem remuneração

Para desempenho de mandato classista

Art. 81, VII

Sem remuneração, como regra

Repare que a licença para capacitação e a licença para atividade política são as únicas do rol em que o servidor mantém remuneração por iniciativa própria. A licença para tratar de interesses particulares, do artigo 91, pode chegar a três anos, mas sem qualquer pagamento, e depende de o servidor não estar em estágio probatório.

Por que um pedido é negado?

Quase sempre por um dos quatro motivos abaixo, e três deles são evitáveis com planejamento.

  • Quinquênio incompleto na data pretendida para o afastamento.

  • Carga horária da ação abaixo do mínimo de trinta horas semanais previsto no decreto.

  • Ação de desenvolvimento sem relação com as atribuições do cargo ou com o plano do órgão.

  • Necessidade de serviço no período, já que a concessão se dá no interesse da Administração.

Uma negativa não encerra o assunto. O servidor pode reapresentar o pedido para outro período, ajustar a ação escolhida ou recorrer administrativamente, com a mesma lógica de fundamentação que se usa em recurso de prova discursiva: apontar a norma, mostrar o enquadramento e pedir o resultado específico.

Como esse assunto aparece na prova?

Em assertiva curta com um número ou um verbo trocado. O rol do artigo 81 e o prazo do artigo 87 são os alvos preferidos das bancas. Veja o padrão.

Assertiva: "Após cada quinquênio de efetivo exercício, o servidor fará jus, independentemente do interesse da Administração, a até seis meses de licença para capacitação, sendo os períodos acumuláveis".

Gabarito: errado. Três erros em uma frase só. O prazo é de até três meses, não seis. A concessão se dá no interesse da Administração, e não independentemente dele. E o parágrafo único do artigo 87 diz expressamente que os períodos não são acumuláveis.

Esse tipo de questão premia quem leu a lei seca e sabe onde ela é taxativa. Vale montar um quadro só com os prazos da Lei 8.112 e revisá-lo junto com progressão funcional, aposentadoria do servidor e processo administrativo disciplinar, que costumam cair no mesmo bloco. Um mapa mental com os sete incisos do artigo 81 funciona bem aqui.

Para quem ainda vai enfrentar o certame, entender o estatuto por dentro ajuda a escolher a carreira. O panorama de remuneração de cargos como professor concursado e analista legislativo mostra o que vem depois da aprovação, e o guia sobre o que é concurso público fecha o ciclo do edital até a posse. Se o seu edital cobra o estatuto junto com Direito Administrativo, revise os dois em sequência.

Perguntas frequentes:

Quantos meses dura a licença para capacitação?

Até três meses por quinquênio de efetivo exercício, conforme o artigo 87 da Lei 8.112 de 1990. O período pode ser parcelado segundo as regras do Decreto 9.991 de 2019 e das normas internas do órgão. Os períodos não gozados não se acumulam para o quinquênio seguinte.

A licença para capacitação é remunerada?

Sim, o servidor mantém a remuneração do cargo efetivo durante todo o afastamento. Essa é a principal diferença em relação à licença para tratar de interesses particulares, do artigo 91, que pode durar até três anos mas não tem pagamento. A remuneração é o que torna a licença do artigo 87 tão vantajosa para quem faz pós-graduação.

Posso usar a licença para estudar para outro concurso?

Não, porque a finalidade legal é a participação em ação de desenvolvimento ligada ao cargo e ao plano de desenvolvimento de pessoas do órgão. O requerimento exige comprovação da ação escolhida, com programação e carga horária. Preparação para outro certame precisa ser encaixada na rotina, fora do instituto do artigo 87.

Servidor estadual e municipal tem licença para capacitação?

Depende do estatuto do respectivo ente, porque a Lei 8.112 alcança apenas o servidor federal. Vários estados e municípios preveem licença semelhante, às vezes com outro nome, outro prazo ou exigência de contrapartida de permanência. Consulte o estatuto local e a norma de gestão de pessoas antes de planejar o afastamento.

Preciso apresentar certificado depois da licença?

Na maioria dos órgãos, sim, e o comprovante de conclusão costuma ser condição para regularizar o afastamento. Algumas normas internas também exigem relatório sobre a ação realizada. Verifique a exigência no despacho de concessão, porque ela varia entre instituições.


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