A prova discursiva que o Cebraspe aplicou para a Polícia Civil de Pernambuco deu 30 linhas ao candidato e reservou 1,50 ponto só para o quesito estrutura textual. A introdução cabe em quatro dessas linhas.
Para fazer introdução de redação de concurso, escreva de três a cinco linhas com três movimentos na ordem: contextualize o tema em uma frase, delimite o recorte que o enunciado pediu e apresente a tese de forma explícita. Nada de citação decorada, pergunta retórica ou aviso do que o texto vai fazer depois.

Esse parágrafo é o primeiro contato do corretor com o seu raciocínio. Ele define se o resto do texto vai ser lido como desenvolvimento de uma ideia clara ou como tentativa de achar um rumo. Vale aprender o desenho dele separado do resto, e este guia faz isso com modelo comentado, contagem de linhas e os erros que mais aparecem em folha de concurso.
Neste guia você encontra:
Por que a introdução pesa tanto na correção?
A introdução pesa porque é nela que o corretor identifica o tema que você entendeu e a tese que vai cobrar no resto do texto. Quando o primeiro parágrafo erra o recorte, o desenvolvimento seguinte desenvolve a coisa errada, e aí não é mais um problema de parágrafo: é fuga ao tema.
A folha de prova deixa isso concreto. Na prova discursiva do Cebraspe para a Polícia Civil de Pernambuco, a avaliação foi dividida em apresentação com até 1,50 ponto, estrutura textual com até 1,50 ponto e domínio do conteúdo com até 30,00 pontos. O edital de abertura do concurso de Técnico Federal de Controle Externo do TCU, também organizado pelo Cebraspe, vai além e fixa a fórmula da peça técnica: a nota é a nota de conteúdo menos quatro vezes o número de erros gramaticais dividido pelo total de linhas escritas. O mesmo documento registra que, em caso de fuga ao tema ou de texto em branco, a nota é zero.
O que o corretor lê primeiro?
O corretor abre a folha, confere se há marca identificadora e lê o parágrafo de abertura. Esse é o momento em que ele forma a hipótese de leitura do seu texto. Um candidato que anuncia a tese ali entrega o roteiro da correção de graça. Quem abre com frase de efeito genérica obriga o corretor a procurar o argumento, e procurar cansa.
Vale lembrar que essa leitura acontece depois de muitas outras. Clareza na primeira frase não é elegância, é cortesia com quem está com a caneta na mão. Se você quer entender o desenho completo da prova antes de descer ao detalhe do parágrafo, o Portal tem um passo a passo de redação para concurso que cobre as três partes do texto.
Fuga ao tema começa na introdução.
Fuga ao tema raramente nasce no terceiro parágrafo. Ela nasce quando o candidato lê o enunciado rápido, decide sobre o que quer falar e escreve a abertura a partir do que decidiu, não do que foi pedido. Treinar interpretação de texto para concurso reduz esse risco, porque o enunciado da discursiva também é um texto a ser interpretado.
As três partes de uma introdução de concurso:
Uma introdução de concurso tem contextualização, delimitação e tese. Três frases dão conta. A ordem pode variar, mas a tese precisa estar lá, escrita com sujeito e verbo, sem depender de adivinhação.
Contextualização: uma frase, não um parágrafo.
A contextualização situa o assunto no mundo real: uma mudança de lei, um dado público, um problema administrativo conhecido. Uma frase basta. Em prova de 30 linhas, gastar três linhas contextualizando é tirar espaço do argumento que vale 30 pontos.
Evite abertura de enciclopédia. Começar com definição de dicionário sinaliza que o candidato não tinha o que dizer e precisou ocupar linha. O mesmo vale para generalização histórica sobre a humanidade, que serve para qualquer tema e por isso não serve para nenhum.
Delimitação: o recorte que o enunciado pede.
Delimitar é dizer de qual pedaço do assunto você vai tratar. Se o enunciado fala em transparência na administração pública e cobra dois aspectos, a introdução precisa deixar visível que são esses dois aspectos que vêm adiante. Quando o comando pede aspectos numerados, repetir a numeração na abertura ajuda o corretor a encontrar cada quesito.
Tese: a frase que o corretor precisa achar.
A tese é a sua posição. Ela é afirmativa, específica e verificável no resto do texto. Compare duas versões sobre o mesmo tema. A primeira diz que a transparência é importante para a sociedade, o que ninguém discute e nada compromete. A segunda diz que a transparência só produz controle efetivo quando o dado publicado é legível por quem não é especialista, e isso já é uma posição que o desenvolvimento pode sustentar.
A diferença entre as duas versões está na possibilidade de defesa. Tese que não pode ser contrariada não é tese, é frase de efeito. Para firmar o uso de concordância verbal e de regência verbal nessa frase central, vale revisar as duas regras antes do simulado, porque erro gramatical na tese é o mais caro de todos pela visibilidade.
Como fazer introdução de redação em 5 minutos:
Cinco minutos bastam quando a ordem de trabalho é fixa. O que consome tempo na prova não é escrever, é decidir o que escrever com a caneta já no papel. Os quatro passos abaixo tiram essa decisão da hora da escrita.
Passo 1: sublinhe o verbo de comando do enunciado.
Discorra, analise, compare, posicione, apresente proposta. Cada verbo pede um texto diferente e cada um deles muda a tese. Sublinhe também os substantivos que limitam o tema, porque é neles que mora o recorte.
Passo 2: escreva a tese antes da contextualização.
Parece invertido e é de propósito. Quem escreve a contextualização primeiro tende a seguir o embalo da frase bonita e chegar ao fim do parágrafo sem posição nenhuma. Escrevendo a tese no rascunho antes de tudo, a contextualização nasce já apontando para ela.
Passo 3: monte a contextualização a partir da tese.
Com a tese pronta, pergunte qual fato do mundo real justifica levantar aquilo. A resposta é a sua primeira frase. Esse encaixe elimina a abertura solta que não conversa com o resto do parágrafo.
Passo 4: leia baixinho e corte a palavra sobrando.
Leia o parágrafo em voz baixa no rascunho. Toda palavra que você consegue tirar sem perder sentido sai. Em folha com limite de linhas, cada palavra cortada na abertura é espaço devolvido ao conteúdo, que é onde está a maior parte da pontuação.
Modelo de introdução: antes e depois.
Suponha este comando: discorra sobre os limites da transparência ativa na administração pública, abordando o acesso ao dado e a sua compreensão pelo cidadão. Veja o que muda entre uma abertura comum e uma abertura trabalhada.
Versão antes, com 3 linhas gastas e nenhuma posição: desde os tempos mais remotos, a sociedade busca saber o que acontece nos governos. Com o avanço da tecnologia, esse tema se tornou cada vez mais relevante no Brasil e no mundo. Diante disso, é fundamental discutir a transparência na administração pública.
Versão depois, com 4 linhas e tese explícita: a publicação obrigatória de gastos em portais oficiais ampliou o volume de informação disponível sobre o poder público no Brasil. O acesso ao dado, porém, não garante o seu entendimento. A transparência ativa só produz controle social efetivo quando o dado publicado é compreensível para o cidadão que não é especialista, condição que depende tanto da forma de publicação quanto da educação para o uso dessa informação.
A segunda versão cita um fato verificável, delimita os dois aspectos pedidos e fecha com posição defensável. Nenhuma palavra rara, nenhuma citação de autor. Esse é o padrão que você consegue repetir sob pressão, e repetir sob pressão é o que vale na prova.
Quantas linhas deve ter a introdução?
A introdução ocupa entre 10% e 15% do espaço disponível. O limite real vem do edital: a peça técnica do concurso do TCU trabalhou com até 30 linhas e as questões discursivas, com até 10 linhas cada. Qualquer fragmento escrito além da extensão máxima é desconsiderado, como registra a folha da prova da Polícia Civil de Pernambuco.
Espaço da folha | Introdução | Desenvolvimento | Conclusão |
|---|---|---|---|
10 linhas | 1 a 2 linhas | 6 a 8 linhas | 1 linha |
20 linhas | 3 linhas | 13 a 15 linhas | 2 a 3 linhas |
30 linhas | 4 linhas | 21 a 23 linhas | 3 a 4 linhas |
45 linhas | 5 a 6 linhas | 33 a 35 linhas | 4 a 5 linhas |
Essa divisão é proporção de trabalho, não exigência de banca. O que a banca exige está no edital de cada concurso, e é sempre ele que manda. Use a tabela no treino para calibrar a mão e confira o limite oficial em cada página de concurso acompanhada pelo Portal.
Erros que derrubam a introdução:
Os erros abaixo aparecem com regularidade em folha de treino e custam ponto em apresentação, estrutura ou conteúdo.
Abrir com pergunta retórica, que transfere ao corretor o trabalho de formular a sua posição.
Anunciar o texto em vez de começá-lo, com frases do tipo este texto pretende analisar.
Encher de citação decorada que não conversa com o recorte do enunciado.
Tese genérica e inatacável, que serve para qualquer tema e não sustenta desenvolvimento.
Repetir o enunciado palavra por palavra, o que ocupa linha sem acrescentar raciocínio.
Errar a vírgula ou a crase justamente na frase da tese, onde o erro fica mais visível.
Estourar o espaço previsto e comer linha do desenvolvimento, que concentra a nota de conteúdo.
Dois reforços ajudam a limpar esses pontos: revisar acentuação gráfica e manter um caderno de erros só com o que você erra na abertura. Em três semanas o padrão de recaída fica visível.
Introdução de concurso e introdução do Enem: o que muda?
Quem vem do Enem chega com um modelo treinado que atrapalha em concurso. A estrutura do Enem premia repertório sociocultural e proposta de intervenção, duas coisas que a maioria dos editais de concurso não pede.
Elemento | Enem | Concurso |
|---|---|---|
Repertório na abertura | Pontua no critério de competência 2 | Só entra se sustentar o argumento |
Proposta de intervenção | Exigida na conclusão | Apenas quando o enunciado pedir |
Espaço total | 30 linhas | Varia por edital, de 10 a 60 linhas |
Foco da nota | Cinco competências | Conteúdo, estrutura e norma culta |
Título | Opcional | Conforme o edital de cada concurso |
A consequência prática é simples: em concurso, a introdução trabalha a serviço do comando do enunciado, não de um gabarito de competências. Entender o estilo de cada organizadora ajuda, e o Portal mantém perfis da banca Cebraspe, da banca FGV e da banca Vunesp, além de um panorama de como estudar pelo estilo da banca examinadora.
Resumo da introdução em seis linhas:
Três movimentos na abertura: contextualização, delimitação e tese.
Tamanho entre 10% e 15% do espaço, respeitando sempre o limite do edital.
Tese afirmativa, específica e defensável no desenvolvimento.
Rascunho da tese primeiro, contextualização depois.
Zero citação decorada, zero pergunta retórica, zero anúncio do texto.
Revisão de vírgula, crase e concordância na frase da tese, que é a mais lida.
Com esse resumo na parede do seu canto de estudo, a abertura deixa de ser decisão e passa a ser procedimento. Vale encaixar o treino no seu cronograma de estudos em blocos curtos, duas ou três vezes por semana, e revisar a teoria de Português para concurso em paralelo. Se a sua discursiva já foi corrigida e a nota veio abaixo do esperado, o caminho é o recurso de prova discursiva, que tem regra e prazo próprios. E para medir evolução sob tempo, use simulado com cronômetro e o banco de questões do Portal.

Perguntas frequentes:
Como começar uma introdução de redação?
Comece por um fato verificável ligado ao tema do enunciado, em uma única frase. Pode ser uma mudança de regra, um dado público ou um problema administrativo conhecido. Esse fato prepara a delimitação e a tese que vêm nas frases seguintes, sem gastar o espaço reservado ao conteúdo.
O que colocar na introdução de redação?
Contextualização em uma frase, delimitação do recorte pedido pelo enunciado e tese explícita. Nada mais. Repertório, dado estatístico e exemplo rendem muito mais no desenvolvimento, onde há espaço para explicar a relação deles com o argumento.
A introdução de uma redação deve ter quantas linhas?
Entre 10% e 15% do espaço total da folha, o que dá cerca de quatro linhas em uma prova de 30 linhas. O número exato depende do limite fixado no edital do seu concurso, e fragmento escrito além da extensão máxima é desconsiderado pela banca.
Precisa colocar título na redação de concurso?
Depende do edital, e é ele que decide. Alguns pedem título, outros não mencionam e há casos em que o comando proíbe qualquer marca que identifique o candidato. Leia o capítulo da prova discursiva antes de criar hábito de treino, porque corrigir esse automatismo em cima da hora é difícil.
Como fazer introdução de redação dissertativa argumentativa?
A lógica é a mesma, com atenção extra à tese, que no texto dissertativo argumentativo precisa anunciar o ponto de vista que será defendido com argumentos. Escreva a tese no rascunho, confira se ela pode ser contrariada por alguém e só depois construa a contextualização que leva até ela.
Quer saber se a sua introdução passaria na banca?
Treinar abertura sem devolutiva é escrever no escuro, porque o erro que você não vê é justamente o que o corretor enxerga primeiro. No Redatop do Portal Concursos, professores especializados em bancas corrigem a sua redação seguindo os critérios oficiais da organizadora e devolvem em até 72 horas úteis nota simulada, comentários em cada parágrafo e um modelo de redação nota máxima.