Voz passiva e ativa: regras e questões de prova

Voz passiva e ativa: regras e questões de prova
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 08/10 às 09h

Em questão de voz passiva sintética, o erro do candidato quase nunca está na voz: está na concordância do verbo com o sujeito paciente.

Voz passiva e ativa são as formas que indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação do verbo. Na voz ativa, o sujeito pratica; na voz passiva, ele recebe. A passiva tem duas construções: a analítica, com verbo auxiliar mais particípio, e a sintética, com o pronome "se", em que o verbo concorda com o sujeito paciente.

Atualizado em 8 de outubro de 2026.

O caminho deste guia:

O que é voz passiva e ativa?

Voz verbal é a flexão que mostra a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo. São três: ativa, passiva e reflexiva. A oposição entre ativa e passiva é a que domina as provas, porque é ela que permite reescrever uma frase inteira sem alterar o sentido, operação preferida das bancas.

Compare as duas construções: em "a comissão publicou o edital", o sujeito "a comissão" pratica a ação de publicar, então a voz é ativa. Em "o edital foi publicado pela comissão", o sujeito passa a ser "o edital", que recebe a ação, então a voz é passiva. O conteúdo informado é o mesmo; o que muda é quem ocupa a posição de sujeito.

Existe uma condição prévia que muita gente ignora e que decide metade das questões: só verbo transitivo direto, ou transitivo direto e indireto, admite voz passiva. Verbo intransitivo e verbo transitivo indireto não aceitam a transposição. Por isso, estudar transitividade verbal antes de voz passiva economiza tempo, e revisar regência verbal fecha o raciocínio.

As três vozes verbais e as duas formas da passiva:

Voz ativa: o sujeito pratica a ação.

É a forma básica, em que o sujeito é agente. O verbo transitivo direto aparece seguido do objeto direto, e a leitura é direta. Exemplo: O tribunal homologou o resultado. Aqui "o tribunal" é o sujeito agente e "o resultado" é o objeto direto.

A maior parte dos textos oficiais e dos enunciados de prova vem na voz ativa, justamente porque ela é mais econômica e mais clara. Reconhecê-la é o ponto de partida: só depois de identificar sujeito agente e objeto direto é possível fazer a transposição com segurança.

Voz passiva analítica: auxiliar mais particípio.

Forma-se com o verbo auxiliar "ser", "estar" ou "ficar" acompanhado do particípio do verbo principal. O objeto direto da ativa vira sujeito paciente, e o antigo sujeito, quando aparece, torna-se agente da passiva, introduzido pela preposição "por" ou, mais raramente, "de". Exemplo: O resultado foi homologado pelo tribunal.

O auxiliar carrega o tempo e o modo da frase original, e o particípio concorda em gênero e número com o sujeito paciente. É esse detalhe que a banca testa: em "as provas foram corrigidas", o particípio "corrigidas" acompanha "as provas", no feminino plural.

Voz passiva sintética: o pronome apassivador.

Aqui não há auxiliar. A passiva se constrói com o verbo na terceira pessoa acompanhado do pronome "se", chamado pronome apassivador. O agente normalmente não é expresso. Exemplo: Homologou-se o resultado. No plural: Homologaram-se os resultados.

Esta é a forma mais cobrada e a que mais derruba candidato, porque exige concordância do verbo com o sujeito paciente, e não com um sujeito indeterminado. "Vendem-se casas" está correto; "vende-se casas" contraria a norma-padrão, porque o sujeito é "casas", no plural. A posição do pronome, por sua vez, segue as regras de colocação pronominal.

Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe.

O sujeito é agente e paciente ao mesmo tempo, e o pronome "se" aqui não apassiva: ele retoma o próprio sujeito. Exemplo: O candidato inscreveu-se no concurso. Quem inscreveu foi o candidato, e quem foi inscrito também.

Existe ainda a variante recíproca, em que dois ou mais sujeitos praticam a ação um sobre o outro, como em "os colegas cumprimentaram-se". Distinguir reflexivo de apassivador é a chave de muitas questões: se o sujeito pode praticar a ação sozinho, o "se" é reflexivo; se não pode, é apassivador.

Como transformar voz ativa em voz passiva:

A transposição segue quatro passos fixos, e fazê-los na ordem evita erro. Primeiro, confirme que o verbo é transitivo direto. Segundo, mova o objeto direto para a posição de sujeito. Terceiro, mantenha o tempo e o modo originais no verbo auxiliar e coloque o principal no particípio. Quarto, transforme o sujeito da ativa em agente da passiva, com a preposição "por".

Tempo na voz ativaFrase na voz ativaFrase na voz passiva analíticaForma sintética equivalente
PresenteA banca corrige as provas.As provas são corrigidas pela banca.Corrigem-se as provas.
Pretérito perfeitoA banca corrigiu as provas.As provas foram corrigidas pela banca.Corrigiram-se as provas.
Pretérito imperfeitoA banca corrigia as provas.As provas eram corrigidas pela banca.Corrigiam-se as provas.
Futuro do presenteA banca corrigirá as provas.As provas serão corrigidas pela banca.Corrigir-se-ão as provas.
Futuro do pretéritoA banca corrigiria as provas.As provas seriam corrigidas pela banca.Corrigir-se-iam as provas.

Observe a última coluna com atenção: nos tempos futuros, a forma sintética exige mesóclise, com o pronome no meio do verbo. É um detalhe elegante e raro no dia a dia, mas aparece em prova de nível superior e distingue quem estudou de quem improvisou. Conferir isso ao lado de concordância verbal consolida o tema.

Vale um alerta sobre o inverso. Para ir da passiva à ativa, o caminho é o mesmo invertido: o sujeito paciente volta a ser objeto direto e o agente da passiva assume a posição de sujeito. Quando o agente não está expresso, a norma permite recuperar um sujeito genérico, e muitas bancas aceitam a terceira pessoa do plural sem agente definido.

Como as bancas cobram voz passiva e ativa?

Os formatos recorrentes são três: apontar em qual trecho há voz passiva, transpor uma frase de uma voz para outra mantendo a correção, e julgar se o "se" de uma frase é apassivador, reflexivo ou índice de indeterminação do sujeito. A transposição combinada com concordância é a versão mais difícil, e também a mais comum em concurso de nível superior.

Veja uma questão real, aplicada em 2026 pela banca FCC no concurso da Secretaria de Estado da Fazenda de Mato Grosso, para o cargo de Fiscal de Tributos Estaduais:

Enunciado: Transpõe-se adequadamente uma frase para a voz passiva, mantendo-se o respeito à concordância verbal, em:

  • A) De "a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios" para "suprime-se os arquivos".
  • B) De "memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação" para "misturava-se lembrança e imaginação".
  • C) De "tudo se estampava agora em imagens nítidas" para "estampava-se agora as imagens".
  • D) De "comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações" para "esse repertório começaram a me afogar".
  • E) De "impunha suas imagens à minha imaginação" para "suas imagens impunham-se à minha imaginação".

Gabarito: E.

O comentário cabe em uma única ideia, aplicada cinco vezes: na voz passiva, o verbo concorda com o sujeito paciente. Na alternativa A, o sujeito paciente proposto é "os arquivos", no plural, e o verbo ficou no singular, quando o correto seria "suprimem-se". Na alternativa B, o sujeito é composto por "lembrança e imaginação", logo o verbo deveria ir ao plural, como "misturavam-se".

Na alternativa C, o sujeito paciente é "as imagens", no plural, e o verbo permaneceu no singular, quando o correto seria "estampavam-se". Na alternativa D, o desacordo é frontal e em sentido oposto: o sujeito "esse repertório" está no singular e o verbo foi para o plural, em "começaram". Sobra a alternativa E, em que "suas imagens" é o sujeito paciente e o verbo acompanha no plural, em "impunham-se".

Repare no que a questão realmente mede: não é a definição de voz passiva, que todo candidato sabe recitar. É a capacidade de localizar o sujeito paciente dentro de uma frase longa e flexionar o verbo de acordo. Para desenvolver essa leitura rápida, resolver itens em série num banco de questões rende mais do que reler teoria, e mapear o estilo da banca examinadora antecipa o formato do item. O desempenho real aparece em simulado completo.

Erros mais comuns com voz passiva:

  • Deixar o verbo no singular na passiva sintética com sujeito plural. "Aluga-se casas" contraria a norma; o correto é "alugam-se casas", porque o sujeito é "casas".
  • Confundir pronome apassivador com índice de indeterminação do sujeito. Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina e o verbo fica no singular, como em "precisa-se de professores".
  • Tentar passar à voz passiva verbo que não admite. Verbo intransitivo, como "chegar", e transitivo indireto, como "obedecer a", não aceitam a transposição.
  • Errar a concordância do particípio. Em "as inscrições foram prorrogada", falta a flexão; o correto é "foram prorrogadas", no feminino plural.
  • Trocar o tempo verbal na transposição. Se a ativa está no pretérito perfeito, o auxiliar da passiva precisa ir para o pretérito perfeito, e não para o presente.
  • Ler todo "se" como reflexivo. Em "assinaram-se os contratos", o sujeito não assina a si mesmo, então o "se" é apassivador, e não reflexivo.

Esses tropeços nascem do mesmo hábito: decidir pelo som da frase em vez de localizar o sujeito. Vale o mesmo cuidado exigido em concordância nominal e na pontuação de períodos longos, tema do uso da vírgula. Para checar qualquer forma verbal em dúvida, a consulta oficial é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.

Resumo da voz passiva e ativa:

  • Voz ativa: o sujeito pratica a ação e o verbo transitivo direto traz objeto direto.
  • Voz passiva analítica: auxiliar "ser", "estar" ou "ficar" mais particípio, com o particípio concordando com o sujeito paciente.
  • Voz passiva sintética: verbo na terceira pessoa mais pronome "se", com o verbo concordando com o sujeito paciente.
  • Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe a ação, e o "se" retoma o sujeito.
  • Só verbo transitivo direto, ou transitivo direto e indireto, admite voz passiva.
  • Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
  • Nos tempos futuros, a passiva sintética exige mesóclise, como em "corrigir-se-ão as provas".

Treine com o material que você já tem em mãos. Pegue cinco frases de um edital, identifique a voz de cada verbo e transponha para a outra voz, conferindo a concordância em voz alta. Encaixar esse exercício num cronograma de estudos e organizar o material de estudo dá resultado em poucas semanas, inclusive para quem concilia trabalho e estudo.

O tema também rende ponto na prova discursiva, porque a alternância entre as vozes controla a ênfase do texto, assunto tratado no guia de redação para concursos. Para situar a voz verbal no conjunto da disciplina, compare com os demais blocos de Língua Portuguesa para concurso, em especial classes de palavras e interpretação de texto.

Infográfico comparando voz ativa, voz passiva analítica, voz passiva sintética e voz reflexiva
As vozes verbais e o que a banca checa em cada uma.

Perguntas frequentes sobre voz passiva e ativa:

Qual a diferença entre voz passiva analítica e sintética?

A analítica usa verbo auxiliar mais particípio, como em "as provas foram corrigidas", e pode expressar o agente da passiva. A sintética dispensa o auxiliar e usa o pronome "se", como em "corrigiram-se as provas", normalmente sem agente expresso. Nas duas, o verbo concorda com o sujeito paciente.

Como saber se o "se" é apassivador ou índice de indeterminação?

Olhe a transitividade do verbo. Com verbo transitivo direto, o "se" é apassivador e o verbo concorda com o sujeito paciente, como em "alugam-se casas". Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica obrigatoriamente no singular, como em "precisa-se de professores".

Todo verbo pode ir para a voz passiva?

Não pode. A transposição exige verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto, porque é o objeto direto que assume a posição de sujeito paciente. Verbos intransitivos, como "chegar", e transitivos indiretos, como "obedecer a", não admitem voz passiva na norma-padrão.

Por que "vende-se casas" é considerado errado?

Porque "casas" é o sujeito paciente da oração, e não objeto direto. Sendo sujeito, ele comanda a concordância, e o verbo precisa ir ao plural, resultando em "vendem-se casas". A forma no singular é frequente na linguagem comercial, mas não é aceita pela norma-padrão nem pelas bancas.

Chegue na prova sabendo onde está o sujeito paciente.

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