Em questão de voz passiva sintética, o erro do candidato quase nunca está na voz: está na concordância do verbo com o sujeito paciente.
Voz passiva e ativa são as formas que indicam se o sujeito pratica ou recebe a ação do verbo. Na voz ativa, o sujeito pratica; na voz passiva, ele recebe. A passiva tem duas construções: a analítica, com verbo auxiliar mais particípio, e a sintética, com o pronome "se", em que o verbo concorda com o sujeito paciente.
Atualizado em 8 de outubro de 2026.
O caminho deste guia:
- O que é voz passiva e ativa?
- As três vozes verbais e as duas formas da passiva
- Como transformar voz ativa em voz passiva
- Como as bancas cobram voz passiva e ativa?
- Erros mais comuns com voz passiva
- Resumo da voz passiva e ativa
- Perguntas frequentes sobre voz passiva e ativa
O que é voz passiva e ativa?
Voz verbal é a flexão que mostra a relação entre o sujeito e a ação expressa pelo verbo. São três: ativa, passiva e reflexiva. A oposição entre ativa e passiva é a que domina as provas, porque é ela que permite reescrever uma frase inteira sem alterar o sentido, operação preferida das bancas.
Compare as duas construções: em "a comissão publicou o edital", o sujeito "a comissão" pratica a ação de publicar, então a voz é ativa. Em "o edital foi publicado pela comissão", o sujeito passa a ser "o edital", que recebe a ação, então a voz é passiva. O conteúdo informado é o mesmo; o que muda é quem ocupa a posição de sujeito.
Existe uma condição prévia que muita gente ignora e que decide metade das questões: só verbo transitivo direto, ou transitivo direto e indireto, admite voz passiva. Verbo intransitivo e verbo transitivo indireto não aceitam a transposição. Por isso, estudar transitividade verbal antes de voz passiva economiza tempo, e revisar regência verbal fecha o raciocínio.
As três vozes verbais e as duas formas da passiva:
Voz ativa: o sujeito pratica a ação.
É a forma básica, em que o sujeito é agente. O verbo transitivo direto aparece seguido do objeto direto, e a leitura é direta. Exemplo: O tribunal homologou o resultado. Aqui "o tribunal" é o sujeito agente e "o resultado" é o objeto direto.
A maior parte dos textos oficiais e dos enunciados de prova vem na voz ativa, justamente porque ela é mais econômica e mais clara. Reconhecê-la é o ponto de partida: só depois de identificar sujeito agente e objeto direto é possível fazer a transposição com segurança.
Voz passiva analítica: auxiliar mais particípio.
Forma-se com o verbo auxiliar "ser", "estar" ou "ficar" acompanhado do particípio do verbo principal. O objeto direto da ativa vira sujeito paciente, e o antigo sujeito, quando aparece, torna-se agente da passiva, introduzido pela preposição "por" ou, mais raramente, "de". Exemplo: O resultado foi homologado pelo tribunal.
O auxiliar carrega o tempo e o modo da frase original, e o particípio concorda em gênero e número com o sujeito paciente. É esse detalhe que a banca testa: em "as provas foram corrigidas", o particípio "corrigidas" acompanha "as provas", no feminino plural.
Voz passiva sintética: o pronome apassivador.
Aqui não há auxiliar. A passiva se constrói com o verbo na terceira pessoa acompanhado do pronome "se", chamado pronome apassivador. O agente normalmente não é expresso. Exemplo: Homologou-se o resultado. No plural: Homologaram-se os resultados.
Esta é a forma mais cobrada e a que mais derruba candidato, porque exige concordância do verbo com o sujeito paciente, e não com um sujeito indeterminado. "Vendem-se casas" está correto; "vende-se casas" contraria a norma-padrão, porque o sujeito é "casas", no plural. A posição do pronome, por sua vez, segue as regras de colocação pronominal.
Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe.
O sujeito é agente e paciente ao mesmo tempo, e o pronome "se" aqui não apassiva: ele retoma o próprio sujeito. Exemplo: O candidato inscreveu-se no concurso. Quem inscreveu foi o candidato, e quem foi inscrito também.
Existe ainda a variante recíproca, em que dois ou mais sujeitos praticam a ação um sobre o outro, como em "os colegas cumprimentaram-se". Distinguir reflexivo de apassivador é a chave de muitas questões: se o sujeito pode praticar a ação sozinho, o "se" é reflexivo; se não pode, é apassivador.
Como transformar voz ativa em voz passiva:
A transposição segue quatro passos fixos, e fazê-los na ordem evita erro. Primeiro, confirme que o verbo é transitivo direto. Segundo, mova o objeto direto para a posição de sujeito. Terceiro, mantenha o tempo e o modo originais no verbo auxiliar e coloque o principal no particípio. Quarto, transforme o sujeito da ativa em agente da passiva, com a preposição "por".
| Tempo na voz ativa | Frase na voz ativa | Frase na voz passiva analítica | Forma sintética equivalente |
|---|---|---|---|
| Presente | A banca corrige as provas. | As provas são corrigidas pela banca. | Corrigem-se as provas. |
| Pretérito perfeito | A banca corrigiu as provas. | As provas foram corrigidas pela banca. | Corrigiram-se as provas. |
| Pretérito imperfeito | A banca corrigia as provas. | As provas eram corrigidas pela banca. | Corrigiam-se as provas. |
| Futuro do presente | A banca corrigirá as provas. | As provas serão corrigidas pela banca. | Corrigir-se-ão as provas. |
| Futuro do pretérito | A banca corrigiria as provas. | As provas seriam corrigidas pela banca. | Corrigir-se-iam as provas. |
Observe a última coluna com atenção: nos tempos futuros, a forma sintética exige mesóclise, com o pronome no meio do verbo. É um detalhe elegante e raro no dia a dia, mas aparece em prova de nível superior e distingue quem estudou de quem improvisou. Conferir isso ao lado de concordância verbal consolida o tema.
Vale um alerta sobre o inverso. Para ir da passiva à ativa, o caminho é o mesmo invertido: o sujeito paciente volta a ser objeto direto e o agente da passiva assume a posição de sujeito. Quando o agente não está expresso, a norma permite recuperar um sujeito genérico, e muitas bancas aceitam a terceira pessoa do plural sem agente definido.
Como as bancas cobram voz passiva e ativa?
Os formatos recorrentes são três: apontar em qual trecho há voz passiva, transpor uma frase de uma voz para outra mantendo a correção, e julgar se o "se" de uma frase é apassivador, reflexivo ou índice de indeterminação do sujeito. A transposição combinada com concordância é a versão mais difícil, e também a mais comum em concurso de nível superior.
Veja uma questão real, aplicada em 2026 pela banca FCC no concurso da Secretaria de Estado da Fazenda de Mato Grosso, para o cargo de Fiscal de Tributos Estaduais:
Enunciado: Transpõe-se adequadamente uma frase para a voz passiva, mantendo-se o respeito à concordância verbal, em:
- A) De "a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios" para "suprime-se os arquivos".
- B) De "memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação" para "misturava-se lembrança e imaginação".
- C) De "tudo se estampava agora em imagens nítidas" para "estampava-se agora as imagens".
- D) De "comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações" para "esse repertório começaram a me afogar".
- E) De "impunha suas imagens à minha imaginação" para "suas imagens impunham-se à minha imaginação".
Gabarito: E.
O comentário cabe em uma única ideia, aplicada cinco vezes: na voz passiva, o verbo concorda com o sujeito paciente. Na alternativa A, o sujeito paciente proposto é "os arquivos", no plural, e o verbo ficou no singular, quando o correto seria "suprimem-se". Na alternativa B, o sujeito é composto por "lembrança e imaginação", logo o verbo deveria ir ao plural, como "misturavam-se".
Na alternativa C, o sujeito paciente é "as imagens", no plural, e o verbo permaneceu no singular, quando o correto seria "estampavam-se". Na alternativa D, o desacordo é frontal e em sentido oposto: o sujeito "esse repertório" está no singular e o verbo foi para o plural, em "começaram". Sobra a alternativa E, em que "suas imagens" é o sujeito paciente e o verbo acompanha no plural, em "impunham-se".
Repare no que a questão realmente mede: não é a definição de voz passiva, que todo candidato sabe recitar. É a capacidade de localizar o sujeito paciente dentro de uma frase longa e flexionar o verbo de acordo. Para desenvolver essa leitura rápida, resolver itens em série num banco de questões rende mais do que reler teoria, e mapear o estilo da banca examinadora antecipa o formato do item. O desempenho real aparece em simulado completo.
Erros mais comuns com voz passiva:
- Deixar o verbo no singular na passiva sintética com sujeito plural. "Aluga-se casas" contraria a norma; o correto é "alugam-se casas", porque o sujeito é "casas".
- Confundir pronome apassivador com índice de indeterminação do sujeito. Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina e o verbo fica no singular, como em "precisa-se de professores".
- Tentar passar à voz passiva verbo que não admite. Verbo intransitivo, como "chegar", e transitivo indireto, como "obedecer a", não aceitam a transposição.
- Errar a concordância do particípio. Em "as inscrições foram prorrogada", falta a flexão; o correto é "foram prorrogadas", no feminino plural.
- Trocar o tempo verbal na transposição. Se a ativa está no pretérito perfeito, o auxiliar da passiva precisa ir para o pretérito perfeito, e não para o presente.
- Ler todo "se" como reflexivo. Em "assinaram-se os contratos", o sujeito não assina a si mesmo, então o "se" é apassivador, e não reflexivo.
Esses tropeços nascem do mesmo hábito: decidir pelo som da frase em vez de localizar o sujeito. Vale o mesmo cuidado exigido em concordância nominal e na pontuação de períodos longos, tema do uso da vírgula. Para checar qualquer forma verbal em dúvida, a consulta oficial é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras.
Resumo da voz passiva e ativa:
- Voz ativa: o sujeito pratica a ação e o verbo transitivo direto traz objeto direto.
- Voz passiva analítica: auxiliar "ser", "estar" ou "ficar" mais particípio, com o particípio concordando com o sujeito paciente.
- Voz passiva sintética: verbo na terceira pessoa mais pronome "se", com o verbo concordando com o sujeito paciente.
- Voz reflexiva: o sujeito pratica e recebe a ação, e o "se" retoma o sujeito.
- Só verbo transitivo direto, ou transitivo direto e indireto, admite voz passiva.
- Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
- Nos tempos futuros, a passiva sintética exige mesóclise, como em "corrigir-se-ão as provas".
Treine com o material que você já tem em mãos. Pegue cinco frases de um edital, identifique a voz de cada verbo e transponha para a outra voz, conferindo a concordância em voz alta. Encaixar esse exercício num cronograma de estudos e organizar o material de estudo dá resultado em poucas semanas, inclusive para quem concilia trabalho e estudo.
O tema também rende ponto na prova discursiva, porque a alternância entre as vozes controla a ênfase do texto, assunto tratado no guia de redação para concursos. Para situar a voz verbal no conjunto da disciplina, compare com os demais blocos de Língua Portuguesa para concurso, em especial classes de palavras e interpretação de texto.

Perguntas frequentes sobre voz passiva e ativa:
Qual a diferença entre voz passiva analítica e sintética?
A analítica usa verbo auxiliar mais particípio, como em "as provas foram corrigidas", e pode expressar o agente da passiva. A sintética dispensa o auxiliar e usa o pronome "se", como em "corrigiram-se as provas", normalmente sem agente expresso. Nas duas, o verbo concorda com o sujeito paciente.
Como saber se o "se" é apassivador ou índice de indeterminação?
Olhe a transitividade do verbo. Com verbo transitivo direto, o "se" é apassivador e o verbo concorda com o sujeito paciente, como em "alugam-se casas". Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica obrigatoriamente no singular, como em "precisa-se de professores".
Todo verbo pode ir para a voz passiva?
Não pode. A transposição exige verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto, porque é o objeto direto que assume a posição de sujeito paciente. Verbos intransitivos, como "chegar", e transitivos indiretos, como "obedecer a", não admitem voz passiva na norma-padrão.
Por que "vende-se casas" é considerado errado?
Porque "casas" é o sujeito paciente da oração, e não objeto direto. Sendo sujeito, ele comanda a concordância, e o verbo precisa ir ao plural, resultando em "vendem-se casas". A forma no singular é frequente na linguagem comercial, mas não é aceita pela norma-padrão nem pelas bancas.
Chegue na prova sabendo onde está o sujeito paciente.
Quem erra voz passiva raramente erra a definição: erra a análise da frase sob pressão de tempo, e isso só melhora com correção dirigida. Nos cursos do Portal Concursos você estuda Língua Portuguesa com aulas ao vivo, suporte individualizado para destravar a dúvida no mesmo dia e questões selecionadas pelo estilo da sua banca. Conheça o curso e confira o conteúdo.