Uma questão de noções de informática vale o mesmo ponto que uma de direito e se resolve em menos de um minuto, desde que você não confunda firmware com hardware na hora da leitura.
Hardware é a parte física do computador, tudo aquilo que se pode tocar, como processador, memória e teclado. Software é a parte lógica, o conjunto organizado de instruções que faz esse conjunto físico executar tarefas. Entre os dois fica o firmware, um software gravado em memória não volátil que controla o hardware desde a inicialização da máquina.

Neste guia você encontra:
O que é hardware e o que é software?
Hardware designa o conjunto de componentes físicos de um sistema computacional. Processador, memória, placa-mãe, disco, fonte, teclado e monitor são hardware. A característica comum é a materialidade: existem como objeto, ocupam espaço e podem falhar por desgaste.
Software é a expressão de um conjunto organizado de instruções que determina o funcionamento da máquina. A Lei 9.609 de 1998, que trata da propriedade intelectual de programa de computador, usa exatamente essa ideia de conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada. Essa definição legal já apareceu em prova com pequenas trocas de palavra, então convém conhecê-la.
Critério | Hardware | Software |
|---|---|---|
Natureza | Física e tangível | Lógica e intangível |
Exemplos | Processador, memória, impressora | Sistema operacional, editor de texto, navegador |
Como falha | Desgaste, defeito elétrico, quebra | Erro de programação, incompatibilidade, corrupção de arquivo |
Como se corrige | Substituição ou reparo do componente | Atualização, correção de código ou reinstalação |
Proteção jurídica | Patente e desenho industrial | Direito autoral, na forma da Lei 9.609 de 1998 |
Vale acrescentar um terceiro termo que costuma completar a tríade nas provas: peopleware, que designa as pessoas envolvidas na operação do sistema. Quando a banca monta uma alternativa com os três, a chave é lembrar que peopleware não é componente da máquina.
Os componentes de hardware que mais caem.
Processador.
A unidade central de processamento executa as instruções. Internamente ela se divide em unidade de controle, que coordena o fluxo, unidade lógica e aritmética, que faz os cálculos e as comparações, e registradores, que são as memórias mais rápidas do sistema. A frequência de operação é medida em hertz, e os múltiplos usuais aparecem em gigahertz.
Placa-mãe.
É a placa de circuito que interliga os demais componentes por meio de barramentos. Quando um recurso já vem integrado a ela, diz-se que é onboard; quando depende de uma placa adicional encaixada em um slot, é offboard. Essa dupla de termos rende alternativa em prova com alguma frequência.
Memória principal.
É onde ficam os dados e os programas em execução. A memória de acesso aleatório, conhecida como RAM, permite leitura e escrita e é volátil. A memória somente de leitura, a ROM, guarda rotinas essenciais e não perde o conteúdo sem energia.
Memória secundária.
Discos rígidos e unidades de estado sólido armazenam os dados de forma permanente. O disco rígido usa pratos magnéticos e partes móveis. A unidade de estado sólido usa memória flash, sem partes móveis, o que a torna mais rápida e mais resistente a impacto.
Dispositivos de comunicação.
Placa de rede, modem e adaptadores sem fio conectam a máquina a outras máquinas. Eles são hardware, mas dependem de software de controle para funcionar, e esse software de controle é o driver. Quem quiser aprofundar o assunto encontra o desdobramento no guia sobre redes de computadores em concurso do Portal.
A hierarquia de memória que derruba candidato:
Este é o bloco que mais gera erro no tema. A regra de ouro é simples: quanto mais perto do processador, mais rápida e mais cara é a memória, e menor é a capacidade.
Memória | Volátil | Velocidade relativa | Função típica |
|---|---|---|---|
Registradores | Sim | Máxima | Guardar operandos dentro da CPU |
Cache | Sim | Muito alta | Reduzir o tempo de acesso à RAM |
RAM | Sim | Alta | Manter programas e dados em execução |
ROM | Não | Média | Armazenar rotinas de inicialização |
Unidade de estado sólido | Não | Média | Armazenamento permanente sem partes móveis |
Disco rígido | Não | Baixa | Armazenamento permanente de grande volume |
Três pegadinhas nascem dessa tabela. A primeira troca volátil por não volátil na linha da RAM. A segunda afirma que a cache fica fora do processador, quando os níveis iniciais são internos. A terceira apresenta a memória secundária como memória principal, o que inverte toda a hierarquia.
Periféricos de entrada, saída e mistos:
Classificação | Exemplos | Como identificar |
|---|---|---|
Entrada | Teclado, mouse, scanner, microfone, leitor biométrico | Envia dados para o computador |
Saída | Monitor comum, impressora simples, caixa de som, projetor | Recebe dados e apresenta ao usuário |
Entrada e saída | Monitor touchscreen, modem, placa de rede, headset, multifuncional | Faz os dois movimentos no mesmo dispositivo |
A coluna da direita resolve quase toda questão do tema. Em vez de decorar listas, pergunte-se para onde o dado está indo. Um pen drive grava e lê, logo é misto. Uma impressora multifuncional imprime e digitaliza, logo também é.
Os tipos de software cobrados em prova.
A classificação mais cobrada divide o software em três grandes grupos, e cada grupo tem um papel distinto na operação da máquina.
Software básico ou de sistema: o sistema operacional e os drivers, responsáveis por gerenciar os recursos de hardware e servir de base para tudo o mais.
Software aplicativo: os programas que atendem ao usuário final, como editores de texto, planilhas, navegadores e leitores de documento.
Software utilitário: ferramentas de manutenção e apoio, como antivírus, compactadores, desfragmentadores e programas de backup.
Alguns editais acrescentam o software de programação, que reúne compiladores, interpretadores e ambientes de desenvolvimento. Quando a banca cita firmware, ele entra como software de baixo nível gravado em memória não volátil, e não como uma quarta categoria de aplicativo.
Licenças: livre, aberto, proprietário e freeware.
Modelo | Código fonte | Custo | Observação para prova |
|---|---|---|---|
Software livre | Aberto | Pode ser pago | Define-se pelas liberdades de uso, estudo, modificação e redistribuição |
Código aberto | Aberto | Pode ser pago | Ênfase no modelo de desenvolvimento, não na filosofia de liberdade |
Proprietário | Fechado | Em regra pago | Uso limitado pelos termos da licença |
Freeware | Em regra fechado | Gratuito | Gratuito não significa livre |
Shareware | Fechado | Gratuito por tempo ou função limitada | Depois do período exige aquisição |
A linha do freeware é a que mais derruba gente. Gratuidade diz respeito ao preço, liberdade diz respeito ao que você pode fazer com o programa. O texto da Lei 9.609 de 1998 ajuda a entender o pano de fundo jurídico, já que trata o programa de computador sob o regime do direito autoral, com prazo de proteção de cinquenta anos.
Exercício resolvido.
Veja um item no formato de julgamento de certo ou errado, que é como boa parte das bancas cobra este conteúdo:
Item: a memória cache é um tipo de memória secundária, não volátil, utilizada para armazenar permanentemente os arquivos do usuário e acelerar o acesso ao disco rígido.
O item está errado, e o erro se acumula em três camadas. A cache não é memória secundária, e sim uma memória intermediária entre o processador e a memória principal. Ela é volátil, portanto não armazena nada permanentemente. Por fim, sua função é reduzir o tempo de acesso aos dados mais requisitados, e não guardar arquivos do usuário.
Repare no método de resolução: leia o item por partes e valide cada afirmação isoladamente. Bastava a primeira camada para julgar o item errado, e ela aparece nas primeiras seis palavras. Esse hábito de leitura fatiada economiza tempo precioso em prova longa, e é o mesmo raciocínio recomendado no guia sobre estudar por questões com método.
Como as bancas cobram hardware e software?
O tema costuma abrir a prova de noções de informática porque é considerado introdutório. Isso não o torna fácil, apenas previsível. As três construções mais usadas são a troca de classificação, a inversão de propriedade e a lista com um intruso.
Bancas de múltipla escolha tendem a montar listas de periféricos com um item fora da categoria. Bancas de certo ou errado preferem inverter uma propriedade, como volatilidade ou localização. Conhecer o estilo do seu examinador muda a forma de estudar, e os perfis da banca FGV e da banca Fundatec mostram bem essa diferença de abordagem. O guia sobre o que a banca examinadora decide complementa o raciocínio.
Erros mais comuns em prova.
Classificar firmware como hardware por causa do componente físico onde ele está gravado.
Tratar software livre como sinônimo de software gratuito.
Dizer que a memória RAM é não volátil ou que a ROM perde o conteúdo ao desligar.
Colocar o monitor touchscreen apenas entre os periféricos de saída.
Considerar o driver um aplicativo, quando ele é software básico de sistema.
Inverter a hierarquia e afirmar que o disco rígido é mais rápido que a memória principal.
Se algum desses itens soou familiar, o problema não é falta de estudo, é falta de revisão com espaçamento. A técnica de revisão espaçada rende bem em noções de informática porque o conteúdo é feito de pares opostos que se confundem com o tempo.
Resumo para revisão rápida:
Conceito | O que gravar |
|---|---|
Hardware | Parte física e tangível do sistema |
Software | Conjunto organizado de instruções, parte lógica |
Firmware | Software gravado em memória não volátil, controla o hardware |
RAM | Volátil, leitura e escrita, memória principal |
ROM | Não volátil, guarda rotinas de inicialização |
Periférico misto | Faz entrada e saída, como touchscreen e multifuncional |
Software livre | Liberdade de uso e modificação, podendo ser pago |
Freeware | Gratuito, em regra de código fechado |
Para montar o bloco completo de informática do seu edital, combine este guia com o panorama sobre o que cai em informática na prova, com o material de segurança da informação e com o guia de tipos de malware cobrados em prova. Quem vai enfrentar prova prática de planilha deve incluir também as fórmulas do Excel que mais caem e os protocolos de correio eletrônico mais cobrados.
Na organização da rotina, o conteúdo rende mais quando entra no edital verticalizado com peso proporcional ao número de questões, e não por ordem alfabética. Depois de estudar, feche o ciclo com simulado e com um banco de questões filtrado pela sua banca. Cargos de carreiras administrativas e de tribunais costumam reservar de cinco a dez questões para este conteúdo, e o guia do assistente administrativo ajuda a dimensionar o peso.
Perguntas frequentes:
Qual é a diferença entre hardware e software?
Hardware é a parte física do computador, formada por componentes que se pode tocar, como processador, memória e teclado. Software é a parte lógica, o conjunto organizado de instruções que faz o hardware executar tarefas. Uma frase resume a relação para a prova: sem software o hardware não sabe o que fazer, e sem hardware o software não tem onde rodar.
Firmware é hardware ou software?
Firmware é software, ainda que fique gravado em um componente físico. Ele é um programa armazenado em memória não volátil, como a que guarda a BIOS ou a UEFI da placa-mãe, e sua função é controlar diretamente o hardware na inicialização. As bancas exploram bastante essa fronteira, então a resposta certa é sempre classificá-lo como software de baixo nível.
Software livre é a mesma coisa que software gratuito?
Não. Software livre se define pelas liberdades de executar, estudar, modificar e redistribuir o programa, com acesso ao código fonte, e nada impede que seja cobrado por ele. Freeware é gratuito, mas costuma ter código fechado e restrições de modificação. Confundir os dois é um dos erros mais frequentes em noções de informática.
A memória RAM é volátil ou não volátil?
A RAM é volátil: perde todo o conteúdo quando o computador é desligado. Ela é a memória principal de trabalho, permite leitura e escrita, e guarda os dados e programas em uso naquele momento. A ROM, ao contrário, é não volátil e mantém as informações gravadas mesmo sem energia.
O monitor touchscreen é periférico de entrada ou de saída?
É periférico misto, de entrada e saída ao mesmo tempo. Ele exibe imagens, o que caracteriza a saída, e captura o toque do usuário, o que caracteriza a entrada. Outros exemplos de periféricos mistos que aparecem em prova são o modem, a placa de rede, o headset e a impressora multifuncional.
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Como você viu, o segredo para gabaritar noções de informática não é acumular horas de estudo vazio, mas sim entender o padrão das bancas e afastar as pegadinhas de vez. Uma única questão pode ser o divisor de águas entre a sua nomeação e a fila de espera.
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