Funções da linguagem: as 6 e como caem na prova
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 04/10 às 11h

Seis funções, seis elementos da comunicação, e a banca sempre pergunta qual deles a mensagem destaca. Quem decora a lista sem entender esse pareamento erra a questão mais simples da prova de interpretação.

Funções da linguagem são os seis usos possíveis da mensagem, definidos a partir do elemento da comunicação que ela coloca em primeiro plano: referencial, emotiva, conativa, metalinguística, poética e fática. Identificar a função predominante é identificar para onde o texto aponta, se para o fato, para quem fala, para quem ouve, para o próprio código, para a forma da mensagem ou para o canal.

Infográfico pareando as seis funções da linguagem com os elementos da comunicação em destaque
Cada função da linguagem nasce da ênfase em um elemento da comunicação.

O que você vai ver aqui:

O que são as funções da linguagem?

São os papéis que a linguagem assume dentro de um ato de comunicação. A teoria parte de uma observação simples: todo enunciado envolve alguém que fala, alguém que recebe, um assunto, um código compartilhado, um canal e a própria mensagem. Quando um desses elementos ganha destaque, a linguagem passa a exercer a função correspondente.

Duas ressalvas evitam a maior parte dos erros. A primeira: as funções não são excludentes, e um mesmo texto pode exercer várias. A prova pede a função predominante, não a única. A segunda: a função não depende do gênero textual, depende do que a mensagem enfatiza. Uma propaganda pode ser referencial, e uma notícia pode ter trecho emotivo. Este cuidado é o mesmo que a interpretação de texto exige em qualquer item.

Os seis elementos da comunicação:

Antes das funções, fixe os elementos. Cada função nasce da ênfase em um deles, e esse pareamento é a chave de tudo.

  1. Emissor: quem produz a mensagem.
  2. Receptor: quem recebe a mensagem.
  3. Referente: o assunto, o contexto de que se fala.
  4. Código: o sistema de signos compartilhado, a língua.
  5. Canal: o meio físico que leva a mensagem.
  6. Mensagem: o enunciado em si, na sua forma.

As seis funções, uma por uma:

Função referencial, também chamada denotativa.

Destaca o referente. A linguagem é objetiva, impessoal, em terceira pessoa, voltada a informar. Aparece em notícia, verbete de dicionário, relatório técnico, artigo científico e texto normativo. O vocabulário é denotativo e o emissor desaparece do enunciado. Exemplo: o índice de aprovação no concurso foi divulgado nesta sexta-feira pela comissão organizadora.

Função emotiva, também chamada expressiva.

Destaca o emissor. Marca-se por primeira pessoa, interjeições, exclamações, adjetivos de valor e carga subjetiva. Aparece em diário, carta pessoal, depoimento, poema lírico e crônica confessional. Exemplo: que alívio enorme senti quando vi meu nome na lista de aprovados.

Função conativa, também chamada apelativa.

Destaca o receptor. O texto tenta influenciar quem lê, com verbos no imperativo, vocativo e pronomes de segunda pessoa. Aparece em propaganda, discurso político, sermão e texto instrucional. Exemplo: estude com constância e garanta sua vaga neste concurso.

Função metalinguística.

Destaca o código. A linguagem fala de si mesma: a palavra que define outra palavra, o texto que comenta a própria construção, o filme sobre cinema. Aparece em dicionário, gramática, prefácio que explica o livro e resenha que analisa a forma. Exemplo: o verbo intransitivo é aquele que não exige complemento.

Função poética.

Destaca a mensagem. O cuidado com a forma vem para o primeiro plano, por meio de ritmo, rima, aliteração, figuras de linguagem e escolha sonora das palavras. Não é exclusiva de poema: um slogan publicitário muito trabalhado também é poético. Exemplo: quem estuda sem sossego colhe a sorte do sossego. Para aprofundar, veja as figuras de linguagem que mais caem.

Função fática.

Destaca o canal. Serve para abrir, testar, prolongar ou encerrar o contato, sem acrescentar informação nova. Aparece em cumprimentos, expressões de checagem e muletas de conversa. Exemplo: alô, você está me ouvindo bem?

Tabela de identificação rápida:

FunçãoElemento em destaqueMarcas no textoOnde aparece
ReferencialReferenteTerceira pessoa, objetividade, denotaçãoNotícia, relatório, texto técnico
EmotivaEmissorPrimeira pessoa, interjeição, adjetivo de valorDiário, depoimento, poema lírico
ConativaReceptorImperativo, vocativo, segunda pessoaPropaganda, discurso, manual
MetalinguísticaCódigoA linguagem explicando a linguagemDicionário, gramática, prefácio
PoéticaMensagemRima, ritmo, aliteração, figurasPoema, slogan, letra de música
FáticaCanalCumprimento, checagem, muleta de contatoConversa, ligação, mensagem rápida

Como as bancas cobram este tema:

O formato dominante é o texto curto seguido da pergunta sobre a função predominante. Veja um item no estilo mais comum, montado aqui para treino:

Enunciado: no trecho "palavra é a unidade mínima de significado dotada de autonomia", predomina a função:

Gabarito comentado: metalinguística. O enunciado usa a língua para definir um termo da própria língua, colocando o código em primeiro plano. O candidatos apressado marca referencial, porque o texto é objetivo e impessoal, mas objetividade é característica compartilhada pelas duas funções. O que decide é o objeto: se o assunto é a língua, a função é metalinguística.

Outro formato recorrente é a associação em colunas, com funções de um lado e exemplos do outro. E há o item que afirma exclusividade, por exemplo que a função poética só ocorre em poema, afirmação sempre incorreta. Treinar em volume resolve: registre cada confusão em um caderno de erros e aplique o simulado como diagnóstico.

Erros mais comuns dos candidatos:

  • Confundir referencial com metalinguística, quando o assunto do texto é a própria língua.
  • Marcar emotiva só porque o texto tem adjetivo, sem verificar se há subjetividade do emissor.
  • Associar função poética exclusivamente a poema, ignorando slogans e letras de música.
  • Tratar toda propaganda como conativa, mesmo quando o anúncio apenas informa dados do produto.
  • Esquecer a função fática, que é a menos estudada e aparece em itens de associação.
  • Procurar função única, quando a pergunta é sobre predominância.
  • Decorar os nomes sem fixar o elemento da comunicação correspondente.

Como fixar este tópico em uma hora:

Este é um conteúdo de retorno alto e esforço baixo, do tipo que compensa resolver numa única sessão bem feita.

Monte o pareamento à mão.

Escreva as seis funções em uma coluna e os seis elementos na outra, ligue com setas e repita sem olhar até acertar as seis. Este desenho vale mais que três páginas de leitura, porque a prova cobra exatamente essa ligação.

Treine com textos reais e curtos.

Pegue seis trechos quaisquer, um de notícia, um de bula, um de anúncio, um de dicionário, um de música e um de diálogo, e classifique. Classificar errado e descobrir por quê fixa melhor do que acertar por sorte.

Encaixe o tópico na revisão semanal.

Funções da linguagem conversa diretamente com interpretação de texto, com classes de palavras e com a análise de estrutura que aparece em orações subordinadas e em paralelismo sintático. Revisar os quatro juntos economiza tempo. Para o panorama completo da disciplina, veja Português para concurso.

Por que este tópico ajuda na prova discursiva?

Reconhecer função da linguagem não serve só para marcar alternativa. Quem escreve uma dissertação de concurso precisa manter a função referencial do começo ao fim, e é exatamente aí que muita redação perde ponto. O candidatos começa objetivo, se empolga no desenvolvimento e escorrega para a função emotiva, com adjetivos de valor e primeira pessoa onde o comando pedia impessoalidade.

O mesmo vale para a função conativa. Texto dissertativo não conversa com o leitor nem dá ordem, então imperativo e vocativo precisam ficar de fora. Quando a banca pede proposta de intervenção, a instrução é apresentada como medida, não como apelo. Treinar a identificação das funções em texto alheio afina o ouvido para flagrar o desvio no próprio texto.

Existe ainda um ganho na redação oficial. Ofício, memorando e parecer exigem linguagem referencial, padronizada e impessoal por determinação normativa, e o desvio costuma aparecer na forma de marca emotiva ou de apelo direto. Antes da discursiva, vale revisar concordância verbal, regência verbal e o uso da vírgula, porque são esses três que decidem a nota de clareza.

Resumo rápido para a revisão final:

  • Referencial destaca o referente: informação objetiva, terceira pessoa.
  • Emotiva destaca o emissor: primeira pessoa, subjetividade.
  • Conativa destaca o receptor: imperativo, vocativo, persuasão.
  • Metalinguística destaca o código: a língua falando da língua.
  • Poética destaca a mensagem: forma, ritmo, sonoridade.
  • Fática destaca o canal: abre, testa ou encerra o contato.
  • A prova pede a função predominante, porque elas coexistem no mesmo texto.

Perguntas frequentes:

Quantas funções da linguagem existem?

São seis, cada uma ligada a um dos seis elementos da comunicação: referencial, emotiva, conativa, metalinguística, poética e fática. Alguns materiais apresentam as duas primeiras com nomes alternativos, denotativa e expressiva, mas o conteúdo é o mesmo. A banca costuma aceitar as duas nomenclaturas no enunciado.

Qual a diferença entre função referencial e metalinguística?

As duas são objetivas, e é aí que mora a confusão. A referencial informa sobre um fato do mundo; a metalinguística informa sobre a própria língua ou sobre o código usado. Pergunte-se de que o texto fala: se o assunto é a linguagem, é metalinguística.

Função poética só aparece em poema?

Não. Ela ocorre sempre que a forma da mensagem ganha destaque, o que acontece em slogans publicitários, títulos de reportagem, letras de música e provérbios. Afirmações de exclusividade como essa são erradas por construção e aparecem com frequência em itens de certo ou errado.

Um texto pode ter mais de uma função da linguagem?

Pode, e quase sempre tem. As funções convivem no mesmo enunciado, com uma delas em primeiro plano. Por isso o comando típico da questão é sobre a função predominante, e não sobre a única presente no trecho.

Funções da linguagem cai em concurso de nível médio?

Cai com frequência, inclusive em editais de nível médio que trazem interpretação de texto no conteúdo programático. É um dos tópicos mais rentáveis da disciplina, porque exige pouca memorização e aparece em prova com estrutura previsível.

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