Conclusão de redação: como fechar o texto no concurso

Conclusão de redação: como fechar o texto no concurso
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 04/10 às 23h

Conclusão de redação: como fechar o texto no concurso.

No Cebraspe, a conclusão da sua redação não tem pontuação própria. Ela é julgada dentro de estrutura textual e desenvolvimento do tema, e a proposta de intervenção que vale ponto no Enem não aparece em nenhum dos dois critérios.

A conclusão de redação em concurso retoma a tese, fecha o raciocínio dos parágrafos de desenvolvimento e aponta um encaminhamento, em cinco a oito linhas. Ela não precisa de agente, ação, meio, finalidade e detalhamento: o que a banca cobra é coerência com o que você já escreveu antes.

Infográfico com os cinco movimentos da conclusão de redação de concurso
Os cinco movimentos que cabem em um fechamento de cinco linhas.

O que você vai encontrar aqui:

A conclusão de concurso não é a do Enem.

Quem aprendeu a escrever redação no ensino médio carrega um molde pronto: último parágrafo, proposta de intervenção, cinco elementos marcados um por um. Esse molde rende nota alta no Enem e atrapalha na prova discursiva de concurso, porque o edital de concurso não pede intervenção nenhuma.

Olhe o que os editais realmente dizem. No edital de abertura da Sefa PR de 2025, organizado pelo Cebraspe, a prova discursiva vale 15,00 pontos em uma única questão de 20 a 30 linhas, e a nota de conteúdo se divide em apresentação, estrutura textual e desenvolvimento do tema. Não há item de pontuação chamado conclusão nem item chamado proposta de intervenção. A conclusão entra como parte da estrutura textual: se o texto termina sem fechar, a estrutura fica incompleta e a nota cai por ali.

A FGV trabalha com outra lógica e chega ao mesmo lugar. No edital retificado do Senado Federal de 2022, a banca avaliou acerto das respostas, grau de conhecimento do tema, fluência e coerência da exposição, com desconto de 0,1 ponto por erro de norma culta na primeira questão, até o limite de 4 pontos, conforme os editais divulgados no portal de concursos da FGV para consulta pública. Coerência da exposição é exatamente o critério em que a conclusão pesa: um fechamento que contradiz o desenvolvimento quebra a coerência do conjunto. Se quiser ver o detalhamento dessa banca, vale ler o nosso perfil de correção da redação da FGV antes de seguir.

A diferença prática é simples. No Enem, você propõe uma solução para a sociedade. Em concurso, você fecha um argumento. São movimentos de escrita diferentes, e confundir os dois é o erro mais comum de quem vem do vestibular direto para a prova discursiva. Quem está começando do zero deve antes dominar a estrutura completa da redação de concurso e só depois refinar o fechamento.

O que a banca procura no último parágrafo:

Corrigir redação é um trabalho rápido. O avaliador lê a introdução para achar sua tese, percorre o desenvolvimento para ver se você sustentou essa tese e volta ao último parágrafo para conferir se o texto chegou a algum lugar. Se o fim contradiz o começo, ele não precisa ler de novo para saber que a coerência caiu.

Veja o que cada banca registra em edital sobre o que avalia no texto como um todo, incluindo o fechamento:

BancaEm que critério a conclusão pesaO que derruba a nota
CebraspeEstrutura textual e desenvolvimento do tema, dentro da nota de conteúdoTexto que termina sem fechar o raciocínio e fuga ao tema, que zera a prova
FGVFluência e coerência da exposição, além do grau de conhecimento do temaAbordagem tangencial, parcial ou diluída em divagações, com redução proporcional
Bancas regionaisEm geral em coesão e coerência, conforme o espelho do editalConclusão genérica que não dialoga com os argumentos apresentados

Há um detalhe de aritmética que muda sua estratégia. A fórmula do Cebraspe nesse edital é NPD igual a NC menos 3 vezes NE dividido por TL, em que NC é a nota de conteúdo, NE é o número de erros de norma culta e TL é o total de linhas efetivamente escritas. O desconto por erro é dividido pelo número de linhas, de modo que linha a mais dilui a penalidade. O problema é outro: linha escrita sem conteúdo novo não aumenta a nota de conteúdo e ainda expõe o texto a mais um erro possível, e o que passar do máximo de linhas do edital é simplesmente desconsiderado na correção. Quem quiser entender a conta por dentro encontra o detalhamento no guia de recurso de prova discursiva que publicamos no blog.

Como escrever a conclusão em quatro passos:

Passo 1: releia a sua tese antes de escrever a última linha.

Antes de começar o fechamento, volte os olhos ao fim da introdução e releia a frase em que você declarou sua posição. Esse é o único trecho do texto com o qual a conclusão precisa obrigatoriamente conversar. Se você não consegue achar a tese na introdução, o problema não está na conclusão: está no começo, e o nosso material sobre como fazer a introdução da redação resolve isso antes da prova.

Passo 2: sintetize sem repetir palavra por palavra.

Síntese não é cópia. Repetir a tese com as mesmas palavras sinaliza ao corretor que você não tinha mais nada a dizer, e em bancas que medem fluência isso aparece. O movimento certo é recuperar a ideia com vocabulário novo e já incorporando o que o desenvolvimento acrescentou. Trocar o substantivo abstrato por um verbo de ação costuma resolver: em vez de repetir a palavra morosidade, escreva que os prazos se arrastam porque a estrutura não acompanhou a demanda.

Passo 3: feche com encaminhamento, não com intervenção.

Encaminhamento é diferente de proposta de intervenção. Você não precisa nomear um ministério, um programa e um orçamento. Basta indicar a direção que o seu próprio argumento aponta, usando o repertório que já está no texto. Uma frase como "o caminho passa por regra clara e fiscalização efetiva, nessa ordem" encaminha sem inventar solução. Se o seu repertório ainda é curto, o nosso guia de repertório para redação de concurso mostra onde buscar material confiável.

Passo 4: revise conectivo, tamanho e norma culta.

A conclusão é o trecho mais corrigido às pressas e por isso o que mais concentra erro bobo. Confira três coisas: o conectivo de abertura do parágrafo, o número de linhas e a concordância. Em prova com desconto por erro de norma culta, uma vírgula entre sujeito e verbo no último período custa o mesmo que no primeiro. Quem erra concordância sob pressão deve revisar as regras de concordância verbal que mais caem e também a concordância nominal cobrada pelas bancas.

Antes e depois de uma conclusão reescrita.

O exemplo abaixo usa um tema recorrente em concurso administrativo: transparência na administração pública. A tese do texto hipotético era que a transparência depende menos de novas leis e mais de dado organizado e legível.

A versão antes da revisão gastou oito linhas e não trouxe nenhuma ideia nova:

"Portanto, conclui-se que a transparência é um tema muito importante para a sociedade brasileira. É fundamental que o governo, as escolas, a mídia e a família se unam em campanhas de conscientização para que esse problema seja resolvido e todos possam ter um futuro melhor e mais justo para as próximas gerações".

A versão depois da revisão cabe em cinco linhas, retoma a tese e encaminha:

"A transparência, portanto, não depende de criar mais obrigação legal, e sim de tornar legível a informação que já é obrigatória. Enquanto o dado chega ao cidadão em formato que exige intérprete, a publicidade prevista na Constituição permanece formal. O avanço começa pela padronização dos dados abertos, porque é ela que transforma arquivo divulgado em informação de fato acessível".

Repare no que mudou. A segunda versão não trouxe fato novo, não citou autoridade, não inventou programa. Ela apenas retomou a tese com outras palavras, mostrou a consequência de não agir e indicou a direção que o próprio argumento pedia. O princípio da publicidade citado está na Constituição Federal e pode ser conferido por qualquer corretor, o que é exatamente o tipo de repertório seguro. Se você estuda os princípios para a prova objetiva, vale revisitar os princípios da administração pública com o olho na banca.

Fechamentos que servem a qualquer tema:

Decorar conclusão pronta é arriscado, porque o corretor reconhece o molde e porque o texto decorado quase nunca encaixa no tema. O que funciona é decorar o movimento, não a frase. A tabela traz três movimentos e a situação em que cada um se encaixa melhor:

MovimentoComo funcionaQuando usar
Síntese e consequênciaRetoma a tese e mostra o que acontece se nada mudarTema de problema social, gestão ou serviço público
Síntese e condiçãoRetoma a tese e define a condição para o avançoTema que envolve norma, prazo ou capacidade institucional
Síntese e hierarquiaRetoma a tese e ordena as prioridades do próprio textoTema com várias causas, quando o desenvolvimento listou mais de uma

Os conectivos de abertura mais seguros para o parágrafo final são portanto, assim, dessa forma e diante disso. Evite o clássico "em suma", que soa escolar, e nunca abra a conclusão com a palavra conclusão. Para ampliar o seu repertório de ligações entre parágrafos, o nosso painel de português para concurso reúne os conectivos por função.

Erros que tiram ponto na conclusão.

  • Apresentar fato novo no último parágrafo, o que obriga o corretor a ler um argumento que o texto não desenvolveu.
  • Repetir a tese com as mesmas palavras da introdução, sinal claro de que faltou conteúdo.
  • Usar fórmula de conscientização de mídia, escola e família, que não responde ao tema e aparece em milhares de provas.
  • Gastar dez ou mais linhas no fechamento e comer o espaço do desenvolvimento, que é a parte mais pontuada do texto.
  • Fechar com pergunta retórica, que transfere ao corretor a tarefa de concluir o seu raciocínio.
  • Encerrar com citação de autor que não foi usada em nenhum momento no desenvolvimento.

Dois desses erros têm consequência direta na nota de conteúdo. Fato novo e fórmula genérica enfraquecem o desenvolvimento do tema e, em bancas como a FGV, caracterizam a abordagem tangencial que o edital manda penalizar de forma proporcional. A fuga completa ao tema é mais grave: ela zera a prova discursiva, independentemente da qualidade do português. Quem escreve sobre o assunto errado não é salvo por gramática impecável.

Como treinar a conclusão em 15 minutos por dia:

Você não precisa escrever uma redação inteira todo dia para melhorar o fechamento. Treino isolado funciona melhor e cabe na rotina de quem tem pouco tempo. A tabela mostra uma semana de prática curta:

DiaExercícioTempo
SegundaPegar um texto de notícia e escrever só a conclusão que ele pediria15 minutos
TerçaReescrever uma conclusão sua antiga em cinco linhas, sem perder a ideia15 minutos
QuartaTreinar os quatro conectivos de abertura, um parágrafo para cada15 minutos
QuintaEscrever duas conclusões para a mesma tese, uma de consequência e uma de condição15 minutos
SextaRevisar apenas norma culta das conclusões da semana, caça ao erro15 minutos

Duas práticas aumentam muito o retorno desse treino. A primeira é ler em voz alta: fechamento travado se revela no ouvido antes de se revelar no papel. A segunda é guardar tudo no mesmo caderno, para comparar o que você escrevia há um mês com o que escreve hoje. A nossa rotina completa de como treinar redação sozinho em quatro semanas encaixa esse exercício dentro de um plano maior, e a planilha de estudos com modelo pronto ajuda a registrar a frequência.

Se a sua prova é de estudo de caso ou de peça técnica, e não de dissertação, o movimento de fechamento muda um pouco: o encerramento passa a ser a resposta objetiva ao que foi perguntado. O nosso guia de estudo de caso em concurso mostra essa diferença com exemplo. E quem vai enfrentar banca de estilo próprio deve conferir antes o perfil da prova da Vunesp ou o da prova da FCC antes de treinar, porque o espelho de correção varia.

Candidato reescrevendo a conclusão da redação em folha pautada sobre a mesa
Treino curto e diário rende mais que uma redação inteira por semana.

Perguntas frequentes:

Quantas linhas deve ter a conclusão de redação de concurso?

Em provas de 20 a 30 linhas, como as do modelo do Cebraspe, cinco a oito linhas são suficientes. O limite total do edital manda mais que qualquer regra de proporção: se o texto tem 20 linhas, a conclusão em oito linhas come espaço do desenvolvimento, que é o critério em que está a maior parte da nota de conteúdo.

Preciso de proposta de intervenção na redação de concurso?

Não, a menos que o enunciado peça expressamente uma proposta. Os critérios de correção dos editais avaliam apresentação, estrutura textual, desenvolvimento do tema e domínio da norma culta. Nenhum deles exige agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, que são exigências do modelo do Enem.

Posso usar conclusão decorada para qualquer tema?

Frase decorada é arriscada e normalmente o corretor percebe. O corretor lê centenas de provas e reconhece o molde, e o texto pronto raramente encaixa no tema proposto. Decore o movimento de escrita, como síntese seguida de consequência, e produza a frase na hora, com as palavras do seu próprio texto.

Conclusão fraca pode zerar a prova discursiva?

Zerar, não. O que zera é fuga ao tema, texto em branco, letra ilegível ou prova fora das especificações do edital, além de marca que identifique o candidato. Conclusão fraca reduz a nota de estrutura textual e de coerência, o que em prova de corte apertado já é suficiente para custar a vaga.

Leve esse treino para dentro do seu plano de estudo.

Conclusão boa não nasce de inspiração: nasce de repetição curta e orientada, encaixada entre o estudo da teoria e a bateria de questões. As trilhas do Portal Concursos já chegam com videoaulas e simulados separados pelo certame que você escolheu, o que deixa espaço na rotina para esses quinze minutos diários de escrita. Veja a trilha do seu concurso e comece pelo módulo de português.

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