Planilha de estudos para concurso: modelo pronto

Planilha de estudos para concurso: modelo pronto
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 04/10 às 04h

A planilha de estudos mais caprichada do concurseiro costuma registrar horas, e hora estudada é o dado que menos explica a nota na prova.

Uma planilha de estudos útil controla três coisas: questões resolvidas e percentual de acerto por assunto, data da próxima revisão de cada tópico e cobertura do edital. Horas entram só como coluna de apoio. Abaixo está o modelo completo, com as colunas, as fórmulas prontas e um exemplo preenchido para você copiar hoje para qualquer editor de planilhas gratuito.

Infográfico com as colunas essenciais da planilha de estudos para concurso
As colunas que fazem a planilha de estudos virar decisão, e não só registro.

Atualizado em 4 de outubro de 2026.

O que tem neste guia:

Planilha de estudos: o modelo pronto para copiar:

Esta é a aba principal, chamada de Controle. Cada linha é uma sessão de estudo de um tópico específico, e não de uma matéria inteira. As três primeiras linhas estão preenchidas com dados de exemplo para você ver o formato funcionando.

DataMatériaTópicoTipoMinutosQuestõesAcertos% acertoPróxima revisãoObservação
01/10PortuguêsCraseTeoria60201260%08/10Errei crase antes de pronome.
02/10Direito ConstitucionalDireitos sociaisQuestões45302480%09/10Confundi art. 6 com art. 7.
03/10InformáticaBackupRevisão30151493%17/10Tópico já estabilizado.

A coluna Tipo aceita três valores apenas: Teoria, Questões e Revisão. Essa restrição parece detalhe e evita que a planilha vire diário pessoal. A coluna Observação precisa registrar o motivo do erro, não o sentimento sobre a sessão: "errei crase antes de pronome" serve para alguma coisa, "dia difícil" não serve.

A Próxima revisão sai de uma regra fixa, que você ajusta ao seu prazo de prova: 7 dias para tópico com acerto abaixo de 70%, 14 dias entre 70% e 85%, 30 dias acima de 85%. É a aplicação prática da revisão espaçada dentro de um controle simples.

Por que controlar acerto e revisão, e não só horas?

Porque as duas técnicas de estudo com melhor evidência são justamente resolver questões e espaçar revisões, e nenhuma delas aparece numa planilha que só soma horas. Na revisão de Dunlosky, Rawson, Marsh, Nathan e Willingham publicada em 2013 na Psychological Science in the Public Interest, a prática de testes e a prática distribuída receberam avaliação de utilidade alta, enquanto releitura, grifo e resumo ficaram com utilidade baixa.

Horas medem esforço. Percentual de acerto por tópico mede resultado, e é o único número que responde à pergunta que interessa: onde eu ainda perco ponto? Antes de aumentar a carga, vale conferir quantas horas estudar por dia fazem sentido no seu caso. Um candidato com 6 horas diárias e 55% de acerto em Português está em situação pior que outro com 3 horas e 80%, mesmo com metade do tempo registrado.

Existe um segundo motivo, menos discutido. A planilha de horas premia quem senta na cadeira e pune quem tem a semana atropelada pelo trabalho, o que alimenta culpa em vez de informação. A planilha de acertos é indiferente ao seu calendário e aponta sempre a mesma coisa: o próximo tópico a atacar. Quem concilia emprego e preparação sente essa diferença rápido, como descreve o guia de como conciliar trabalho e estudo do blog.

Como montar a planilha em 5 passos:

Passo 1: liste os tópicos do edital, um por linha.

Abra uma segunda aba, chamada Edital, e coloque cada subtópico do conteúdo programático em uma linha, com a matéria ao lado. Esse inventário é a base de tudo, porque é ele que permite calcular cobertura depois.

Se o edital ainda não saiu, use o conteúdo programático do último certame do mesmo órgão. O processo é idêntico ao de montar um edital verticalizado e as duas ferramentas podem conviver na mesma pasta de trabalho.

Passo 2: crie a aba Controle com as dez colunas do modelo.

Copie exatamente os cabeçalhos da tabela acima. Dez colunas são suficientes e a tentação de acrescentar mais seis precisa ser contida, porque cada coluna extra é um campo a preencher todo dia e um motivo a mais para abandonar o sistema na terceira semana.

Passo 3: defina a regra de revisão e deixe a data calculada.

Em vez de digitar a data da próxima revisão à mão, deixe a planilha calcular pelo percentual de acerto. A fórmula está na seção seguinte e leva menos de um minuto para colar.

Quem já estuda com cronograma semanal pode amarrar as duas coisas, usando a data prevista pela planilha para decidir o que entra no bloco de revisão do seu cronograma de estudos da semana seguinte.

Passo 4: preencha ao final de cada bloco, nunca no fim da semana.

O preenchimento leva 40 segundos se for feito logo depois do estudo e vira arqueologia se ficar para domingo. Deixe a planilha aberta em uma aba do navegador durante o estudo, do lado do banco de questões que você estiver usando.

Passo 5: revise os números uma vez por semana, com decisão.

Toda semana, olhe a lista de tópicos ordenada por percentual de acerto e escolha os três piores para a semana seguinte. Essa é a única leitura obrigatória da planilha, e é ela que converte registro em ação.

Esse ritual casa bem com quem já estuda por questões desde o começo, porque a cada rodada os números mudam e a fila de prioridades se reorganiza sozinha.

Fórmulas prontas para colar:

As fórmulas abaixo funcionam em qualquer editor de planilhas gratuito. Considere que a coluna F guarda as questões resolvidas, a G guarda os acertos, a H guarda o percentual e a A guarda a data da sessão.

  • Percentual de acerto na célula H2, formatando a coluna em porcentagem: =SE(F2=0; ""; G2/F2).
  • Data da próxima revisão na célula I2, formatando a coluna em data: =SE(H2<0,7; A2+7; SE(H2<0,85; A2+14; A2+30)).
  • Acerto geral de uma matéria, em célula de resumo, trocando o nome conforme o caso: =SOMASE(B:B; "Português"; G:G)/SOMASE(B:B; "Português"; F:F).
  • Total de horas da semana, com uma casa decimal: =SOMA(E2:E200)/60.
  • Cobertura do edital, em porcentagem, usando a aba Edital: =CONT.VALORES(Controle!C:C)/CONT.VALORES(Edital!A:A).
  • Alerta de revisão vencida na célula J2, que destaca o que passou do prazo: =SE(I2<HOJE(); "Revisar"; "").

Quem preferir não mexer em fórmula nenhuma pode usar o modelo apenas como tabela preenchida à mão, em papel ou em caderno. O ganho principal vem da escolha das colunas, não da automação.

A aba de revisões, que é a mais esquecida:

Crie uma terceira aba, chamada Revisões, com quatro colunas: Tópico, Data prevista, Data feita e Acerto na revisão. Ela existe para responder se a revisão aconteceu, porque a aba Controle registra a intenção e não a execução.

TópicoData previstaData feitaAcerto na revisão
Crase08/1008/1085%
Direitos sociais09/1011/1077%
Backup17/10PendentePendente

Comparar o acerto da primeira passagem com o acerto na revisão é o indicador mais honesto de aprendizagem da planilha inteira. Crase saiu de 60% para 85%; o tópico avançou. Se o número cair ou ficar parado em duas revisões seguidas, o problema não é falta de revisão e sim o jeito de estudar aquele conteúdo, situação em que vale trocar a abordagem e atacar pelo caderno de erros em vez de reler a teoria.

Erros que transformam a planilha em enfeite:

  • Registrar só horas, deixando de fora o dado que mostra onde você perde ponto.
  • Criar 20 colunas e abandonar o preenchimento antes do primeiro mês.
  • Usar a matéria como unidade de linha, o que impede enxergar o tópico específico que derruba a nota.
  • Pintar células de cores sem critério, prática que consome tempo e não gera nenhuma decisão.
  • Preencher a semana inteira de uma vez, por memória, o que produz números inventados.
  • Nunca olhar o resultado, mantendo um registro que não muda nada no estudo seguinte.

O quarto item merece um aviso direto, porque é o mais sedutor. Montar planilha é uma forma agradável de sentir produtividade sem estudar. Se a manutenção passa de 5 minutos por dia, a ferramenta virou o objetivo e precisa encolher.

Onde montar de graça:

  • Editores de planilha online gratuitos, que salvam na nuvem e abrem no celular, boa opção para quem estuda em lugares diferentes.
  • Pacotes de escritório livres instalados no computador, úteis para quem tem internet instável.
  • Caderno quadriculado com as mesmas dez colunas, solução que funciona e dispensa qualquer fórmula.
  • Aplicativo de notas do celular, apenas para quem vai registrar no máximo três campos por sessão.

Resumo colorido e mapa mental entram na mesma categoria de risco: viram atividade bonita que consome o tempo do estudo real. A escolha importa menos que a constância. Uma planilha simples preenchida todo dia vence um sistema sofisticado usado por duas semanas, e a mesma lógica aparece na avaliação de aplicativo para estudar no dia a dia da preparação.

Como adaptar ao seu momento:

Para quem trabalha e tem pouco tempo:

Reduza para cinco colunas: data, tópico, questões, acertos e próxima revisão. Minutos e observação saem. O preenchimento cai para 20 segundos e sobrevive a uma semana puxada no trabalho.

Mantenha a regra de revisão mesmo na versão enxuta, porque ela é o que impede o conteúdo antigo de evaporar enquanto você avança, risco que a curva do esquecimento explica bem.

Para quem está começando do zero:

Nos primeiros 30 dias, use só a aba Controle e ignore cobertura de edital. Medir cobertura quando você estudou 4% do conteúdo gera desânimo sem informação útil. Acrescente a aba Edital no segundo mês, quando os números já significam algo.

Comece registrando duas matérias apenas, as de maior peso. Expandir depois é fácil; abandonar por excesso é o desfecho comum de quem tenta controlar tudo na primeira semana, como alerta o guia de como estudar para concurso do zero publicado aqui.

Para quem está na reta final:

Inverta a prioridade das colunas: cobertura e revisões vencidas passam a ser o que você olha primeiro, todos os dias. Ordene a planilha por acerto crescente e ataque de cima para baixo até a véspera da prova.

Separe também o acerto por banca quando o seu calendário tiver provas de organizadoras diferentes, já que o estilo de cobrança muda o resultado, como mostra o perfil da banca FGV em comparação com as demais. Acrescente uma linha por simulado realizado, com o percentual geral e o pior bloco de disciplinas. Essa série curta mostra a tendência da sua nota melhor que qualquer sensação, e combina com o uso de simulado descrito no plano de reta final em 60 dias do blog.

Mesa de estudo com notebook aberto em uma planilha de controle de estudos
A planilha preenchida logo após o bloco de estudo leva menos de um minuto.

Perguntas frequentes:

Qual é a melhor planilha de estudos para concurso?

A que você consegue preencher todos os dias em menos de um minuto. Modelos muito completos, com abas de metas, gráficos e metas mensais, costumam ser abandonados no primeiro mês. Comece pelas dez colunas deste guia e só acrescente campo quando sentir falta de verdade.

Devo registrar horas estudadas na planilha?

Pode registrar, como coluna de apoio, desde que não seja o número principal. Horas ajudam a enxergar se o plano semanal é realista, mas não dizem nada sobre domínio do conteúdo. A decisão sobre o que estudar amanhã sai do percentual de acerto por tópico.

Com que frequência devo atualizar a planilha?

Ao final de cada bloco de estudo, sempre no mesmo momento. Deixar para o fim do dia já aumenta o risco de dado impreciso, e deixar para o fim da semana transforma o registro em estimativa. A leitura dos números, essa sim, pode ser semanal.

Planilha de estudos funciona para quem estuda por videoaula?

Funciona do mesmo jeito, porque o que entra na linha é o tópico e o resultado em questões, não o formato do material. Registre a aula assistida na coluna Tipo como Teoria e resolva as questões do assunto na sequência para gerar o percentual.

Preciso saber fórmulas para usar o modelo?

Não precisa. As seis fórmulas deste guia são opcionais e existem para poupar digitação. O modelo preenchido à mão, em papel ou em tabela simples, entrega o mesmo diagnóstico, que é saber qual tópico tem o pior acerto e qual revisão está vencida.

Deixe os números do seu estudo prontos para você:

Preencher a planilha à mão funciona, e funciona melhor ainda quando o percentual de acerto por disciplina já chega calculado. No Portal Concursos, cada rodada de questões comentadas alimenta estatísticas por matéria e um caderno de erros montado automaticamente, com filtros por banca, ano e assunto. Conheça o banco de questões e confira o conteúdo para comparar com o que a sua planilha vem mostrando.

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