Como fazer um ofício: às nove partes e o modelo

Como fazer um ofício: às nove partes e o modelo
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 04/10 às 23h

Como fazer um ofício: às nove partes e o modelo.

Memorando e aviso deixaram de existir na redação oficial federal. A terceira edição do Manual de Redação da Presidência da República, aprovada em dezembro de 2018 pela Portaria nº 1.369, fundiu os três documentos em um só modelo, o padrão ofício.

Um ofício no padrão atual tem nove partes em ordem fixa: cabeçalho, identificação do expediente, local e data, endereçamento, assunto, texto, fecho, identificação do signatário e numeração das páginas. À formatação também está definida no manual: fonte Calibri ou Carlito tamanho 12, recuo de parágrafo de 2,5 cm e texto justificado.

Infográfico com as nove partes do padrão ofício na ordem exigida pelo manual
As nove partes do padrão ofício na ordem que a banca cobra.

O que você vai encontrar aqui:

O que é o ofício na redação oficial?

Ofício é a comunicação oficial escrita que um órgão da administração pública usa para tratar de assunto de serviço com outro órgão, com entidade privada ou com o cidadão. Ele serve para solicitar, informar, encaminhar, responder e requisitar, sempre em nome da instituição e nunca em nome pessoal de quem assina. Quem ainda está entendendo a lógica das etapas encontra o panorama no nosso texto sobre o que é concurso público do edital à posse.

Durante décadas a redação oficial federal trabalhou com três expedientes de mesma estrutura e destinatários diferentes. O aviso ia de ministro para ministro, o memorando circulava dentro do mesmo órgão e o ofício atendia o resto. A terceira edição do manual acabou com essa divisão, e hoje existe um documento único, com um nome único. Quem estuda por material antigo ainda encontra as três categorias e acaba marcando a alternativa errada. Esse tipo de desatualização é o mesmo problema que afeta quem revisa a nova lei de licitações por apostila velha.

Isso explica por que uma das perguntas mais buscadas sobre o assunto, se cabe ofício ou memorando em determinado caso, não tem mais resposta na norma federal: o memorando saiu do padrão. Órgãos estaduais e municipais podem manter manuais próprios, e aí a nomenclatura local vale. Vale conferir no edital qual manual a banca adotou, uma checagem que fazemos em detalhe no nosso guia de redação oficial para concurso antes de começar o estudo.

Às nove partes do padrão ofício:

A ordem das partes não é sugestão, é exigência do manual. Troca de posição entre endereçamento e assunto, por exemplo, é erro que a banca sinaliza em questão de ordenação. A tabela traz às nove partes na sequência correta:

OrdemParteO que entra
1CabeçalhoBrasão de Armas, nome do órgão principal e das unidades, com endereço e contato no rodapé
2Identificação do expedienteNome do documento, número sequencial, ano e siglas da hierarquia
3Local e dataCidade, dia, mês por extenso e ano, alinhados à direita
4EndereçamentoForma de tratamento, nome, cargo e endereço postal com CEP
5AssuntoResumo do teor em uma linha, começando por substantivo
6TextoIntrodução, desenvolvimento e conclusão, em parágrafos
7FechoRespeitosamente ou Atenciosamente, conforme a hierarquia
8Identificação do signatárioNome em letras maiúsculas e cargo, sem linha para assinatura
9Numeração das páginasObrigatória apenas a partir da segunda página

Cabeçalho e identificação do expediente.

O cabeçalho vai centralizado no alto da primeira página e identifica quem está falando. Ele traz o brasão, o nome do órgão expedidor e o nome da unidade, de cima para baixo, até chegar ao setor que escreve. Nas páginas seguintes o cabeçalho não se repete.

A identificação do expediente vem logo abaixo e usa um padrão rígido. O manual registra como exemplo a forma "OFÍCIO Nº 652/2018/SAA/SE/MT", em que o número é sequencial, o ano completo aparece depois da barra e as siglas vão da unidade menor para a maior. Candidato que inverte a ordem das siglas ou que abrevia o ano com dois dígitos perde o ponto na questão de preenchimento.

Endereçamento e assunto.

No manual, o endereçamento segue uma ordem própria: forma de tratamento, nome do destinatário, cargo e endereço postal completo com CEP. O nome vem antes do cargo, e não o contrário. Existe, porém, uma regra que se sobrepõe a essa: o Decreto nº 9.758 de 2019 manda omitir pronome e nome no endereçamento das comunicações com agentes públicos federais, salvo quando o cargo não identificar o destinatário. Na prova, leia o enunciado para saber qual das duas situações está em jogo.

O assunto é a linha mais negligenciada e a mais fácil de pontuar. Ele resume o teor do documento de forma curta, em geral começando por um substantivo, do tipo "Solicitação de cessão de espaço para capacitação" seguido do ponto final. Assunto longo, assunto que começa com verbo e assunto que repete o texto inteiro são os três erros clássicos ali. Como a linha exige síntese, treinar interpretação de texto para concurso rende efeito indireto aqui.

Fecho e identificação do signatário.

Existem apenas dois fechos no padrão ofício, e a escolha depende da hierarquia. Respeitosamente vai para autoridade de hierarquia superior à do remetente. Atenciosamente vai para autoridade de mesma hierarquia, de hierarquia inferior e para os demais casos. Qualquer outra forma, como "cordialmente" ou "sendo o que se apresenta para o momento", está fora do padrão.

A identificação do signatário fecha o documento com o nome em letras maiúsculas e o cargo na linha de baixo. O manual não prevê linha horizontal para assinatura nem o uso de "Ilmo." ou de "Digníssimo" antes do nome, formas que a própria obra declara abolidas nas comunicações oficiais. O vocativo que antecede o texto também segue regra própria, detalhada no nosso artigo de dicas de português para prova.

Texto e numeração das páginas.

O texto segue a divisão clássica em introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, o manual recomenda começar pelo assunto quando o ofício inaugura a conversa, e usar a forma de referência ao documento anterior quando se trata de resposta. Os parágrafos recebem numeração apenas quando o documento tem três ou mais parágrafos, e nesse caso a contagem começa desde o primeiro.

A numeração das páginas só é obrigatória a partir da segunda página. Documento de uma página não leva número, e esse é um detalhe que aparece com frequência em prova de banca que gosta de pegadinha objetiva. Bancas de alternativa curta exploram muito esse detalhe, e os nossos perfis da Consulplan e da Fundatec mostram o padrão de enunciado de cada uma.

Formatação exigida pelo manual:

À formatação do padrão ofício é cobrada tanto em questão objetiva quanto em prova prática de digitação de documento. Decorar essa tabela rende ponto fácil:

ItemRegra atual
Fonte do corpo do textoCalibri ou Carlito, tamanho 12
Símbolos não disponíveisFontes Symbol e Wingdings
Recuo de parágrafo2,5 cm da margem esquerda
Espaçamento entre linhasSimples
Espaço entre parágrafos6 pontos após cada parágrafo
Margem esquerdaNo mínimo 3 cm
Margem direita1,5 cm
Alinhamento do textoJustificado
Formato do arquivoDOCX, ODT ou RTF
Numeração de parágrafosSó com três ou mais parágrafos, desde o primeiro

Atenção a um ponto que confunde quem estudou por apostila antiga. A edição anterior do manual mandava usar Times New Roman 12 e arquivo em Rich Text. A edição vigente trocou a fonte por Calibri ou Carlito e ampliou os formatos aceitos. Material desatualizado circula muito, por isso compare sempre com a norma vigente da Presidência da República antes de decorar número.

Modelo de ofício comentado parte por parte.

O exemplo abaixo é fictício e serve só para mostrar o encaixe das partes. Leia o comentário entre parênteses como se fosse a anotação de um corretor.

No alto da página, centralizado, vem o cabeçalho com brasão, nome do órgão e nome da unidade (parte 1, que nunca se repete nas páginas seguintes). Abaixo, alinhado à esquerda, a identificação "OFÍCIO Nº 45/2026/DRH/SG" (parte 2, número sequencial, ano completo e siglas da unidade menor para a maior). À direita, "Brasília, 4 de outubro de 2026." (parte 3, mês por extenso, sem zero à frente do dia e com ponto final, como o manual determina).

Em seguida, o endereçamento, em linhas separadas: "Ao Senhor", o nome do destinatário, o cargo de Diretor-Geral do Departamento de Logística e o endereço com CEP (parte 4, nome antes do cargo, com a ressalva do decreto para agente público federal). Depois, "Assunto: Solicitação de cessão de veículo oficial para diligência" (parte 5, resumo curto começando por substantivo). Abaixo, o vocativo "Senhor Diretor-Geral," com vírgula, e só então o texto.

O texto abre com a finalidade, desenvolve a justificativa e fecha com o pedido concreto (parte 6). Encerrado o texto, vem "Respeitosamente," porque o destinatário é hierarquicamente superior (parte 7). Por último, o nome em maiúsculas e o cargo na linha de baixo (parte 8). Como o documento ocupou uma página só, não há numeração de página (parte 9).

Repare que não há nada decorativo. Sem itálico, sem sublinhado, sem linha de assinatura, sem despedida longa e sem "Ilustríssimo", já que o manual reserva o negrito ao assunto e a destaques pontuais. A redação oficial tem como atributos a clareza, a impessoalidade e a concisão, e cada enfeite retirado aproxima o documento desses atributos. A clareza e a concisão também pesam na prova de gramática, assunto que o nosso mapa de português para concurso destrincha por tópico.

As bancas cobram o padrão ofício de três formas.

São três formatos de cobrança. O primeiro é a questão objetiva de ordenação, que embaralha as partes e pede a sequência correta. O segundo é a questão de julgamento, típica do modelo certo ou errado, que afirma uma regra de formatação e espera que você detecte o número trocado. O terceiro é a prova prática ou discursiva, em que você redige o documento inteiro a partir de uma situação dada.

Veja um exemplo no estilo julgamento, construído a partir das regras do manual vigente:

Enunciado: "No padrão ofício, a numeração das páginas é obrigatória em todas as páginas do documento, inclusive na primeira." Gabarito: errado. Comentário: o manual determina a numeração apenas a partir da segunda página, de modo que documento de página única não leva número, e documento de três páginas numera a segunda e a terceira. A pegadinha está na palavra inclusive, que generaliza uma regra restrita. Banca de perfil analítico usa muito esse recurso, como mostramos no perfil da prova da FGV em detalhe.

Outro exemplo, agora de ordenação. Se a questão apresenta assunto antes do endereçamento, a alternativa está errada: o endereçamento é a quarta parte e o assunto a quinta. A sequência completa precisa estar na memória, e não ser deduzida na hora. Para treinar esse tipo de questão em volume, use o nosso roteiro de banco de questões para concurso e filtre por redação oficial.

Se a cobrança for discursiva, o critério muda de natureza: a banca passa a avaliar estrutura, adequação ao gênero e norma culta. O nosso texto sobre estrutura e correção da redação de concurso cobre esse recorte, e o guia de estudo de caso em concurso trata da variante prática. Para treinar sem corretor por perto, siga a rotina de quatro semanas de redação sozinho que montamos no blog.

Erros mais comuns no ofício.

  • Usar memorando ou aviso como se ainda existissem no padrão federal, erro que vem de apostila anterior a 2018.
  • Escrever o ano com dois dígitos na identificação do expediente, quando o padrão pede o ano completo.
  • Inverter a ordem das siglas, colocando a unidade maior antes da menor.
  • Empregar "Ilustríssimo" ou "Digníssimo" no endereçamento, formas que o manual declara abolidas.
  • Inventar fecho, do tipo cordialmente, quando existem apenas dois fechos padronizados.
  • Deixar linha horizontal para assinatura, que não consta das partes do documento.
  • Numerar os parágrafos em documento de um ou dois parágrafos, contrariando a regra dos três parágrafos.
  • Começar o assunto por verbo, em vez de resumir o teor por substantivo.

A origem desses tropeços é quase sempre a mesma: material velho e cópia de modelo achado na internet. Modelos de ofício que circulam em site genérico quase nunca seguem o manual vigente, e muitos ainda trazem a fonte Times New Roman e o campo de assinatura. Na dúvida, confirme a regra na norma oficial, e não no modelo mais bonito. Vale a mesma disciplina que aplicamos ao estudar atos administrativos e poderes administrativos pela fonte primária.

Resumo do padrão ofício:

Pergunta rápidaResposta
Quantas partes tem?Nove, em ordem fixa
Memorando ainda existe?Não no padrão federal desde a terceira edição do manual
Qual fonte usar?Calibri ou Carlito, tamanho 12
Quais são os fechos?Respeitosamente e Atenciosamente, só esses dois
Quando numerar parágrafo?A partir de três parágrafos, desde o primeiro
Quando numerar página?A partir da segunda página
Cargo ou nome no endereçamento?Cargo, com nome apenas quando indispensável

Guarde esse resumo e releia antes da prova. Ele cobre a maior parte do que as bancas pedem em questão objetiva sobre o tema, e serve de checklist para quem vai redigir o documento na prova prática. Se a sua nota discursiva vier abaixo do esperado, veja como funciona o recurso de prova discursiva antes de o prazo fechar. Se o seu edital também traz pronome de tratamento, conheça as regras do Decreto nº 9.758, disponível na íntegra no site do Planalto para consulta direta.

Perguntas frequentes:

O que é um ofício e para que ele serve?

É a comunicação oficial escrita usada por órgão público para tratar de assunto de serviço com outro órgão, com entidade privada ou com o cidadão. Serve para solicitar, informar, encaminhar, responder e requisitar, sempre em nome da instituição. Desde a terceira edição do manual, é o único expediente do padrão na esfera federal.

Qual a diferença entre ofício e memorando hoje?

Na redação oficial federal não existe mais diferença, porque o memorando foi extinto como formato próprio e absorvido pelo padrão ofício. A distinção antiga era de destinatário: memorando circulava dentro do mesmo órgão. Manuais estaduais e municipais podem manter o nome memorando, e nesses casos vale a norma local indicada no edital.

Como se faz a numeração de um ofício?

A identificação do expediente segue o padrão nome do documento, número sequencial, barra, ano completo, barra e siglas das unidades, da menor para a maior. O manual exemplifica com a forma "OFÍCIO Nº 652/2018/SAA/SE/MT". Ano abreviado com dois dígitos e siglas em ordem invertida são os dois erros mais frequentes nessa linha.

Preciso assinar com linha e carimbo no ofício?

O padrão não prevê linha horizontal para assinatura. Depois do fecho vem apenas o nome do signatário em letras maiúsculas e, na linha abaixo, o cargo. Em documento eletrônico tramitado por sistema próprio, a assinatura digital do sistema substitui a manuscrita, e o bloco de identificação continua igual.

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