Questão
ID 68270Disciplina: Pedagogia
Assunto: Práticas Linguístico-discursivas e Formação do Leitor e do Escritor
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Terceiro Simulado Pnd
Uma professora de Língua Portuguesa do 6º ano, ao realizar uma roda de leitura, propõe a discussão de um conto. Após a leitura, ela inicia com a pergunta: 'Qual é a mensagem que o autor quis passar com essa história?'. Os alunos, habituados a esse tipo de abordagem, tentam adivinhar a 'resposta certa', aquela que eles supõem que a professora espera. O debate não flui e a interpretação se resume a uma busca por uma moral da história. A coordenadora pedagógica, que observa a aula, sugere à professora uma mudança de enfoque. Ela se baseia em teóricos da estética da recepção, como Wolfgang Iser, que defendem que o sentido de um texto literário não está depositado nele como um objeto, mas é construído na interação entre o texto e o leitor. O texto tem 'vazios', 'lugares de indeterminação', que são preenchidos pela imaginação e pelo repertório do leitor. A mediação de leitura, nessa perspectiva, não deve buscar uma interpretação única e correta, mas sim abrir espaço para a multiplicidade de leituras possíveis.
Analise as seguintes práticas de mediação de leitura à luz dessa perspectiva teórica:
I. Iniciar o debate com perguntas abertas que convidem à projeção e à interpretação pessoal, como: 'Que parte da história mais mexeu com vocês? Por quê?', 'Se vocês estivessem no lugar do personagem, o que fariam?', 'Que outros finais vocês imaginam para essa história?'.
II. Entregar aos alunos um resumo da 'análise correta' do conto, feita por um crítico literário renomado, e pedir que eles a memorizem para a prova, garantindo que todos tenham acesso à interpretação validada pela academia.
III. Focar a discussão na identificação dos elementos da narrativa (personagens, tempo, espaço, narrador), sem entrar no mérito das interpretações e dos sentidos produzidos pelos alunos, por considerá-los subjetivos e irrelevantes.
IV. Valorizar as diferentes interpretações que surgem no grupo, mesmo que sejam contraditórias, e usar os momentos de divergência para voltar ao texto, buscando nele as pistas que sustentam cada leitura, em um movimento de negociação de sentidos.
Correspondem a uma prática de letramento literário que promove a autonomia do leitor e a construção de sentidos as afirmativas: