Questão
ID 68200Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Teorias Curriculares Críticas, Teorias Curriculares Pós-críticas
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
A teoria curricular crítica tem avançado para além da denúncia do currículo oculto, propondo a construção de práticas pedagógicas que desafiem ativamente as estruturas de poder. Nesse movimento, o pensamento decolonial, de autores como Catherine Walsh e Aníbal Quijano, oferece ferramentas potentes. A decolonialidade do currículo implica em questionar a colonialidade do saber, ou seja, a hegemonia do conhecimento eurocêntrico, tido como universal e neutro, que historicamente silenciou e inferiorizou os saberes, as histórias e as cosmologias dos povos do Sul Global (indígenas, africanos, latino-americanos). Um currículo decolonial não busca apenas 'incluir' conteúdos sobre esses povos, mas transformar a própria estrutura do conhecimento, promovendo um 'diálogo de saberes' e desestabilizando as hierarquias epistêmicas. Isso representa uma ruptura radical com o currículo tradicional e frequentemente encontra forte resistência institucional.
Um coletivo de professores de uma escola de Ensino Médio, inspirado por estudos decoloniais, propõe uma reestruturação curricular para o 1º ano. Em vez da sequência tradicional de disciplinas, eles elaboram um projeto interdisciplinar chamado 'Epistemologias do Sul'. A proposta é que, a cada bimestre, os estudos se organizem em torno de um sistema de pensamento não europeu. Por exemplo, no primeiro bimestre, o eixo seria o 'Bem Viver' (Sumak Kawsay) andino, articulando discussões sobre economia (crítica ao desenvolvimento), filosofia (cosmovisão indígena), biologia (relação com a natureza) e artes (estética andina). A proposta é encaminhada ao conselho pedagógico da escola. A direção, no entanto, veta o projeto, com a seguinte justificativa: 'Nosso compromisso é com o currículo oficial e com a preparação para o vestibular, que cobra o conhecimento universal. Esse projeto é muito ideológico e vai prejudicar os alunos, que não aprenderão os conteúdos canônicos da ciência e da filosofia ocidental'.
Analisando o embate entre a proposta dos professores e a justificativa da direção, sob a ótica da teoria curricular, o conflito revela: