Questão
ID 68197Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Problemas de Aprendizagem na Escola, Transtornos Sociais e Construção/Reconstrução Social da Educação
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
O debate sobre os conceitos de criança e infância na sociedade contemporânea é marcado pelo crescente fenômeno da medicalização. Comportamentos como agitação, desatenção, dificuldade de socialização ou de aprendizagem, que antes eram compreendidos como parte da diversidade do desenvolvimento humano ou como sintomas de questões pedagógicas e sociais, são cada vez mais enquadrados em categorias diagnósticas, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD). Críticos como Maria Aparecida Moysés, do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, alertam que esse processo transforma problemas de ordem social, política e pedagógica em problemas biológicos e individuais. A busca por uma 'pílula da obediência' ou do 'bom comportamento' isenta a escola, a família e a sociedade de refletirem sobre suas próprias práticas e sobre as condições de vida oferecidas às crianças, patologizando as diferenças e silenciando o sofrimento infantil com um rótulo e uma prescrição medicamentosa.
Miguel, um menino de 7 anos, do 2º ano, é descrito por sua professora como 'extremamente agitado, não para quieto, não se concentra e atrapalha os colegas'. A escola tem uma estrutura física pequena, com pouco espaço externo, e as aulas são majoritariamente expositivas, com as crianças sentadas por longos períodos. A professora, sobrecarregada com uma turma de 30 alunos, sugere à família que procure um neurologista para avaliar a possibilidade de TDAH. A mãe, angustiada com as queixas da escola, leva Miguel ao médico, que, após uma consulta de 15 minutos baseada no relato da mãe e da escola, prescreve um psicoestimulante. Após o início da medicação, Miguel fica mais quieto na sala, mas também apático, sonolento e perde o apetite. A professora considera o problema 'resolvido', pois o comportamento disruptivo cessou. Uma pedagoga da equipe de orientação educacional, no entanto, questiona a situação, ponderando se a 'agitação' de Miguel não seria uma resposta a um ambiente escolar pouco estimulante e inadequado às necessidades de movimento de uma criança de 7 anos.
Analisando o caso de Miguel a partir de uma perspectiva crítica sobre a medicalização da infância, a situação evidencia: