Questão
ID 68145Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Afetividade, Psicologia para Criança de Dois a Seis Anos
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
Uma professora de uma turma de Maternal I (crianças de 2 anos) realiza uma observação atenta das interações em um canto da sala onde há blocos de montar e bonecos. Ela registra em seu diário de campo a seguinte cena: 'Léo pega um bloco vermelho e o empurra pelo chão, fazendo barulho de motor. Ana se aproxima, pega um boneco e o coloca em cima do bloco, dizendo 'nenê no carro'. Léo imediatamente tira o boneco, franze a testa e grita 'Não! É meu!'. Ana começa a chorar. Léo, então, olha para Ana chorando, para o bloco em sua mão e para o boneco no chão. Ele hesita, empurra o bloco mais uma vez, mas depois o abandona e vai para outro canto da sala, pegando um chocalho'. Ao discutir a cena em uma reunião de formação com a coordenadora pedagógica, a professora a interpreta como um ato de 'egoísmo' típico da idade, afirmando que Léo ainda não sabe 'dividir'. A coordenadora, buscando ampliar a análise, propõe uma leitura da situação à luz da teoria psicogenética de Henri Wallon. Ela destaca um trecho de um comentador da obra de Wallon: 'Para Wallon, a construção do eu é um processo paradoxal que se dá na e pela interação com o outro. O sincretismo inicial, onde a criança mal se diferencia do mundo exterior, dá lugar a um período de autoafirmação, muitas vezes marcado por conflitos de posse e pela expulsão do outro. Este 'não' e este 'é meu' são, contraditoriamente, movimentos necessários para a diferenciação eu-outro e para a emergência da personalidade. A afetividade não é um mero apêndice, mas o motor dessa dinâmica, expressa na motricidade e na emoção'. A coordenadora sugere que a ação de Léo pode ser mais complexa do que um simples egoísmo.
A partir da perspectiva walloniana, qual é a interpretação mais acurada da cena observada e qual a intervenção pedagógica mais coerente?