Questão
ID 68073Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos, Educação de Jovens e Adultos (EJA)
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Uma pedagoga assume a coordenação de um segmento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma escola periférica. A turma é composta por estudantes com idades entre 20 e 60 anos, a maioria trabalhadores da construção civil, do comércio e do trabalho doméstico, que retornam à escola após muitos anos. A pedagoga percebe que a prática docente predominante na EJA daquela escola é uma mera adaptação infantilizada do currículo do ensino regular. Os professores utilizam os mesmos materiais didáticos, as mesmas cantigas e os mesmos exemplos (como 'Ivo viu a uva') que usariam com crianças de 6 anos. Como resultado, a evasão é alta e os estudantes presentes demonstram desinteresse e, por vezes, sentem-se humilhados. A coordenadora decide propor uma mudança radical, baseada nos princípios da educação popular de Paulo Freire. Em uma reunião de formação, ela argumenta que a EJA não pode ignorar a vasta experiência de vida e os saberes que os estudantes trazem consigo. Ela cita Freire: 'O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos'. Ela propõe que o ponto de partida do currículo sejam os 'temas geradores', investigados a partir da realidade dos próprios estudantes. Em vez de 'Ivo viu a uva', a alfabetização poderia partir de palavras significativas do universo deles, como 'TIJOLO', 'SALÁRIO', 'DIREITOS', 'SAUDADE'. O planejamento passaria a ser construído a partir de rodas de conversa sobre suas condições de trabalho, seus sonhos e suas dificuldades, articulando a aprendizagem da leitura, da escrita e da matemática às questões concretas de suas vidas.
A proposta da coordenadora pedagógica, inspirada em Paulo Freire, representa uma ruptura com a concepção de aprendizagem e desenvolvimento que infantiliza o estudante da EJA, em favor de uma abordagem que: