Questão
ID 68072Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Afetividade, Fases do Desenvolvimento Motor, Teoria Psicogenética (Wallon)
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Em uma turma de crianças de 4 anos, a professora observa uma cena recorrente: durante a brincadeira de construção com blocos, Miguel tenta pegar um bloco da torre que Laura está construindo. Laura reage imediatamente, empurrando Miguel e gritando 'É meu!'. Miguel chora, e a professora intervém, geralmente dizendo a Laura que 'não pode bater no colega' e a Miguel que 'ele precisa esperar sua vez'. Embora a intervenção resolva o conflito momentaneamente, a professora sente que não está contribuindo para o desenvolvimento da compreensão das crianças sobre si mesmas e sobre o outro. Em um grupo de estudos, ela lê sobre a teoria do desenvolvimento de Henri Wallon, que descreve a construção do eu como um processo dialético, marcado por uma alternância entre movimentos centrípetos (voltados para a construção do eu, como na crise de oposição ou 'birra' dos 3 anos) e centrífugos (voltados para o mundo exterior e para o outro). Wallon argumenta que a afetividade, a motricidade e a inteligência são campos funcionais integrados e que o conflito é inerente e constitutivo do desenvolvimento. A oposição ('É meu!') não seria apenas 'egoísmo', mas uma etapa crucial da diferenciação entre o eu e o outro. A partir dessa leitura, a professora muda sua forma de intervir. Na próxima vez que o conflito ocorre, ela se aproxima, acolhe o choro de Miguel e valida o sentimento de Laura: 'Eu entendo que você ficou brava porque queria esse bloco para a sua torre'. Em seguida, ela ajuda a mediar a situação, não impondo uma solução, mas ajudando-os a pensar juntos: 'Miguel também quer muito brincar com esse bloco. Como podemos resolver? Será que podemos construir uma torre bem grande juntos? Ou você empresta esse e ele te ajuda a encontrar outro?'. A intervenção desloca-se da mera repreensão para a mediação da afetividade e a construção de uma inteligência prática e social.
A mudança na prática da professora, fundamentada na concepção de desenvolvimento de Henri Wallon, demonstra a compreensão de que o conflito na educação infantil deve ser visto como: