Questão
ID 68029Disciplina: Pedagogia
Assunto: Currículo e Diversidade
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
Uma professora de Sociologia, em um curso de formação de professores, busca aprofundar a crítica ao eurocentrismo, focando na dimensão existencial da colonialidade. Ela introduz o conceito de 'colonialidade do ser', desenvolvido pelo filósofo porto-riquenho Nelson Maldonado-Torres. A professora apresenta um trecho adaptado de seus escritos: “A colonialidade não é apenas sobre o poder (Quijano) ou o saber (Dussel), mas também sobre o 'ser'. A colonialidade do ser se refere à experiência vivida da colonização e seu impacto na percepção de si mesmo. O projeto moderno/colonial traçou uma 'linha do humano', separando os europeus (considerados plenamente humanos, dotados de razão e civilidade) dos povos colonizados (considerados sub-humanos, bárbaros, próximos da natureza). A experiência do sujeito racializado é a de ser percebido e tratado como um 'não-ser', um ser 'dispensável'. A pergunta colonial por excelência, dirigida ao colonizado, não é 'quem é você?', mas 'o que é você?'. A descolonização, portanto, não é apenas uma luta política ou epistêmica, mas uma luta ontológica, uma luta pela reafirmação da própria humanidade.” (Adaptado de Maldonado-Torres, N. Sobre a colonialidade do ser. 2007). A professora pede que o grupo analise como a 'colonialidade do ser' pode se manifestar no currículo escolar.
Com base nesse conceito, analise as seguintes manifestações curriculares:
I. Um currículo de História que narra a história da humanidade a partir da Grécia, Roma e Europa, e trata os povos africanos e indígenas apenas como apêndices, como 'objetos' da ação dos colonizadores, e não como sujeitos de sua própria história.
II. Um currículo de Literatura que canoniza exclusivamente autores brancos e europeus, tratando a produção literária de autoras e autores negros e indígenas como 'literatura regional', 'folclore' ou 'militância', e não como 'literatura universal'.
III. A ausência de filósofos, cientistas e intelectuais africanos e latino-americanos no currículo, o que implicitamente reforça a ideia de que o pensamento crítico e a produção de conhecimento universal são um monopólio europeu.
IV. Um currículo que promove projetos de valorização da cultura afro-brasileira e indígena, convidando mestres de saberes para a escola e estudando a história da resistência negra e indígena, em um esforço de combate à colonialidade do ser.
Representam manifestações da 'colonialidade do ser' no currículo as situações descritas em: