Questão 67914

Pedagogia · 2025

Questão

ID 67914

Disciplina: Pedagogia

Assuntos: Educação Quilombola e Indígena, História e Cultura Indígena

Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd


Uma professora de Sociologia, ao planejar uma aula para um curso de formação de professores sobre o livro didático, decide adotar uma perspectiva decolonial para a análise do material. Ela quer que os futuros docentes desenvolvam um olhar crítico sobre como os livros didáticos de História e Sociologia representam (ou apagam) os saberes e as histórias de povos não-europeus. Ela utiliza como referencial teórico a obra da pensadora indígena Ailton Krenak. A professora apresenta à turma um trecho de 'Ideias para adiar o fim do mundo': “Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. (...) A modernidade criou a ideia de uma humanidade única, separada da natureza, uma humanidade que precisa ser salva em uma 'arca de Noé' civilizatória, deixando para trás todos os outros seres. Mas os povos indígenas se recusam a embarcar nessa canoa furada. Nós vivemos em uma 'humanidade plural'. Contar histórias, para nós, é uma forma de manter vivos os nossos mundos, as nossas cosmologias, a nossa conexão com a terra.” (KRENAK, Ailton. 2019). A professora pede que o grupo analise um capítulo de um livro didático sobre o 'ciclo da mineração' no Brasil colonial.

Com base na perspectiva decolonial e no pensamento de Ailton Krenak, analise as seguintes críticas ao capítulo do livro didático:

I. O livro provavelmente retrata os rios e as montanhas de Minas Gerais apenas como 'recursos naturais', fontes de ouro e diamantes a serem explorados, ignorando que, para os povos indígenas que ali viviam, esses eram seres dotados de sentido e agência, parte de sua cosmologia.

II. A narrativa provavelmente se centra na ação dos bandeirantes e da Coroa Portuguesa como os únicos sujeitos históricos, tratando os povos indígenas e os africanos escravizados apenas como mão de obra ou obstáculos à 'civilização', apagando suas histórias e resistências.

III. O livro, ao exaltar a riqueza gerada pela mineração para Portugal, adota a perspectiva da 'humanidade' colonizadora e ignora a destruição dos mundos e dos modos de vida dos povos originários, tratando-a como um 'custo do progresso' inevitável.

IV. A perspectiva de Krenak sugere que o livro didático deveria abandonar completamente o estudo da economia colonial e focar apenas em contar os mitos indígenas, por serem mais verdadeiros que a história factual.

São críticas pertinentes e alinhadas ao pensamento de Ailton Krenak as descritas em:

Alternativas da questão 67914
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