Questão
ID 67902Disciplina: Pedagogia
Assunto: Teorias Curriculares Pós-críticas
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Um professor de Sociologia, ao participar de um grupo de estudos sobre currículo e decolonialidade, busca ferramentas conceituais para analisar como o pensamento hegemônico se perpetua, mesmo em contextos formalmente pós-coloniais. Ele se depara com o conceito de 'pensamento fronteiriço' (border thinking) do semiólogo e teórico cultural Walter Mignolo. O professor apresenta aos colegas o seguinte trecho: “O pensamento fronteiriço não é um pensamento eclético ou híbrido que busca uma síntese entre duas tradições. É um pensamento que emerge da ferida colonial, da experiência de viver 'na fronteira' entre o mundo hegemônico ocidental e as cosmologias subalternizadas. O pensamento fronteiriço é a resposta do subalterno à hegemonia eurocêntrica. Ele não rejeita a modernidade em bloco, mas a 'desengaja' de sua lógica colonial e de sua pretensão de universalidade. Ele utiliza as ferramentas do pensamento ocidental, mas a partir de uma perspectiva epistêmica outra, a partir das memórias e saberes que foram silenciados. É pensar a partir da diferença colonial, é uma forma de 'desobediência epistêmica'.” (Adaptado de MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. 2003). O desafio do grupo é pensar como essa ideia pode inspirar a prática pedagógica.
Com base no conceito de 'pensamento fronteiriço', analise as seguintes propostas de atividades em sala de aula:
I. Utilizar o conceito de 'democracia' (ferramenta ocidental), mas analisá-lo criticamente a partir da experiência dos povos indígenas e quilombolas, questionando se o modelo liberal de democracia representativa é capaz de abarcar suas formas de organização política e suas demandas por autonomia territorial.
II. Ensinar a Sociologia de Max Weber sobre a burocracia, mas colocá-la em diálogo com a análise de Raymundo Faoro sobre o 'estamento burocrático' no Brasil, mostrando como uma teoria 'universal' é ressignificada a partir de uma realidade periférica e colonial.
III. Rejeitar completamente o uso de qualquer conceito ou teoria de origem europeia, por considerá-los 'contaminados', e buscar ensinar apenas os saberes 'puros' e 'autênticos' das culturas não-ocidentais.
IV. Propor uma atividade em que os alunos analisem letras de rap ou funk, identificando como esses gêneros musicais, que utilizam tecnologias e formatos da indústria cultural global, expressam críticas à sociedade brasileira a partir da perspectiva das periferias e da experiência do racismo.
São exemplos de uma pedagogia inspirada no 'pensamento fronteiriço' as propostas descritas em: