Questão
ID 67885Disciplina: Pedagogia
Assunto: Educação das Relações Étnico-raciais
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Segundo Simulado Pnd
Uma professora de Sociologia, em um curso de formação sobre relações étnico-raciais, busca aprofundar a crítica dos futuros professores ao eurocentrismo presente nos materiais didáticos e no currículo. Ela decide introduzir o conceito de 'o giro decolonial' (decolonial turn) e a perspectiva do sociólogo porto-riquenho Ramón Grosfoguel. Ela apresenta um trecho adaptado de seus escritos: “O eurocentrismo não é a perspectiva apenas dos europeus. É a perspectiva do 'sistema-mundo capitalista/patriarcal/moderno/colonial', que se tornou hegemônica globalmente. O pensamento crítico eurocêntrico (como o marxismo ou o liberalismo) critica a modernidade, mas a partir dos pressupostos da própria modernidade. Ele critica o capitalismo, mas não a colonialidade. O 'giro decolonial' propõe uma mudança radical de perspectiva: pensar 'a partir' da experiência e do corpo do sujeito colonizado. Trata-se de uma crítica à modernidade 'a partir' da exterioridade, a partir da experiência da colonialidade. Isso implica em descolonizar o conhecimento, questionando as hierarquias de poder epistêmico que privilegiam o homem branco europeu como o único produtor de conhecimento universal.” (GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais. 2008). A professora pede que o grupo avalie diferentes abordagens curriculares à luz dessa perspectiva.
Com base no conceito de 'giro decolonial', analise as seguintes propostas curriculares:
I. Um currículo que, ao estudar a Revolução Francesa, a analisa não apenas como o berço dos 'Direitos do Homem', mas também investiga a Revolução Haitiana, liderada por escravizados, questionando a universalidade desses direitos e expondo as contradições do iluminismo europeu.
II. Um currículo que ensina o marxismo como a única e universal teoria crítica da opressão, sem questionar seu eurocentrismo ou dialogar com as teorias críticas produzidas a partir das experiências de colonização e racialização.
III. Um currículo que, ao abordar a 'descoberta' da América, utiliza fontes e narrativas indígenas e africanas para contar a história do ponto de vista dos povos invadidos e escravizados, e não apenas dos conquistadores europeus.
IV. Um currículo que se limita a celebrar a 'diversidade cultural' de forma folclórica, com festas e comidas típicas, sem discutir as relações de poder, o racismo e a colonialidade que estruturam as relações entre essas 'culturas'.
Representam uma aplicação do 'giro decolonial' na prática pedagógica as propostas descritas em: