Questão
ID 67865Disciplina: Pedagogia
Assunto: Educação Intercultural e Cotidiano Escolar
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Terceiro Simulado Pnd
Em uma reunião de planejamento, um grupo de professores de uma escola de Ensino Médio, que recebe muitos alunos de famílias de imigrantes bolivianos e haitianos, discute como implementar uma educação para as relações étnico-raciais que seja, de fato, intercultural. Eles percebem que a Lei 10.639/03, focada na história e cultura afro-brasileira, é fundamental, mas que a realidade da escola exige uma abordagem que inclua outras diversidades. Um professor de Geografia argumenta que a xenofobia contra os imigrantes latino-americanos é uma forma de racismo que precisa ser combatida. Para fundamentar a discussão, a coordenadora pedagógica apresenta uma reflexão baseada no conceito de “interculturalidade crítica”, do pensador peruano Fidel Tubino: “Não basta a multiculturalidade, que é o mero reconhecimento da existência de diversas culturas em um mesmo território, muitas vezes em relações de assimetria de poder. Não basta também a interculturalidade funcional, que promove o diálogo entre as culturas, mas com o objetivo de integrá-las à cultura hegemônica, de torná-las funcionais ao sistema. A interculturalidade crítica, ao contrário, questiona as próprias estruturas de poder que produzem a desigualdade entre as culturas. Ela parte do problema da discriminação e do racismo para construir relações mais simétricas. Na educação, isso significa que não basta ‘incluir’ no currículo a festa típica do Peru ou a música do Haiti. É preciso discutir as causas da migração, a exploração do trabalho imigrante, a xenofobia, e, ao mesmo tempo, valorizar os saberes, as línguas, as artes e as visões de mundo desses povos como contribuições legítimas para a construção de uma sociedade plural.” A partir dessa perspectiva, a equipe é desafiada a pensar em um projeto que vá além do folclore e promova uma verdadeira educação intercultural. Avalie as seguintes propostas. I. A organização de uma “feira das nações”, onde cada grupo de alunos monta uma barraca com comidas e bandeiras de diferentes países, sem aprofundar a discussão sobre as relações de poder e os conflitos entre eles. II. Um projeto de pesquisa que investiga as trajetórias de vida das famílias imigrantes da escola, discutindo os motivos da migração, os desafios da adaptação e as experiências de preconceito, e que culmina na produção de um livro de histórias bilíngue (português/espanhol/crioulo haitiano). III. A inclusão de autores latino-americanos e caribenhos nas aulas de Literatura e de debates sobre a história e a política dos países vizinhos nas aulas de História e Geografia, questionando a visão de que o Brasil é uma “ilha” na América do Sul. IV. A criação de uma regra que proíbe os alunos imigrantes de falarem sua língua materna na escola, mesmo no recreio, para acelerar sua aprendizagem do português e sua “integração” à cultura brasileira. Correspondem a práticas de uma educação intercultural crítica o que se afirma em: