Questão
ID 67856Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Desigualdades Sociais e Educacionais, Educação e Teoria da Prática em Bourdieu
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Primeiro Simulado Pnd
Em uma escola pública, a equipe pedagógica debate sobre os altos índices de evasão e desengajamento dos alunos do Ensino Médio noturno, em sua maioria jovens trabalhadores. A professora de Sociologia argumenta que o currículo e a estrutura escolar, pensados para um aluno ideal de tempo integral, não dialogam com a realidade desses estudantes. Ela defende que a escola precisa reconhecer os saberes e as experiências que esses jovens trazem do mundo do trabalho e de suas comunidades. Para embasar sua posição, ela utiliza um conceito da sociologia da educação de Pierre Bourdieu, a noção de 'arbitrário cultural': “Toda ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de um arbitrário cultural. (...) A cultura que a escola transmite é 'arbitrária' não por ser falsa, mas por ser a cultura particular de um grupo social (a classe dominante), apresentada como se fosse a cultura universal e legítima. Ao impor esse arbitrário cultural e ao ignorar ou desqualificar os saberes e o 'habitus' dos alunos das classes populares, a escola contribui ativamente para a produção do fracasso escolar e para a reprodução das desigualdades sociais, fazendo com que o privilégio cultural pareça mérito individual.” (BOURDIEU, P.; PASSERON, J-C. A Reprodução. 1970). A professora propõe uma mudança de postura pedagógica para lidar com os alunos do noturno.
Com base na teoria de Bourdieu, analise as seguintes propostas pedagógicas:
I. Organizar um projeto de pesquisa no qual os alunos investiguem as condições de trabalho em seus próprios empregos (ou de seus familiares), utilizando conceitos sociológicos como 'alienação', 'mais-valia' ou 'precarização' para analisar suas próprias experiências.
II. Criar um 'círculo de cultura' para que os alunos possam compartilhar e valorizar os saberes que possuem (a 'cultura do funk', os conhecimentos sobre mecânica, os saberes da vida na periferia), tratando-os como pontos de partida para o diálogo com o conhecimento acadêmico.
III. Ignorar os desafios enfrentados pelos alunos trabalhadores e manter uma postura rígida, com aulas expositivas e avaliações tradicionais, punindo com notas baixas os que não se adaptam, pois o papel da escola é impor a cultura legítima, e o 'fracasso' é um problema individual de falta de esforço.
IV. Reconhecer que a dificuldade dos alunos em conciliar trabalho e estudo é um problema social complexo, e não uma falha moral, e, a partir daí, flexibilizar as metodologias e avaliações, buscando conectar os conteúdos com a realidade concreta da vida trabalhadora.
São propostas coerentes com uma crítica à violência simbólica e que buscam valorizar os saberes discentes as descritas em: