Questão
ID 67816Disciplina: Pedagogia
Assuntos: Aprender e Ensinar com Sentido, Papel do Educando
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Quarto Simulado Pnd
Uma equipe de professores de uma escola de Ensino Fundamental, em uma reunião de planejamento, debate sobre a crescente apatia e o desengajamento dos estudantes. Um professor argumenta que o problema é a falta de métodos de ensino inovadores. Outro sugere que a causa é a falta de disciplina. Uma professora de filosofia, no entanto, propõe uma análise mais profunda, sugerindo que talvez a própria estrutura da aula, como espaço e tempo, esteja em questão. Para provocar a reflexão, ela apresenta ao grupo um trecho do pensamento do filósofo francês Jacques Rancière, em sua obra “O Mestre Ignorante”: “A lógica do sistema explicador é a da incapacitação. Explicar algo a alguém é, antes de tudo, demonstrar-lhe que ele não pode compreendê-lo sozinho. A explicação não é apenas a transmissão de um saber, é a estruturação de uma relação de poder que divide o mundo entre os que sabem e os que não sabem, entre as inteligências ativas e as passivas. [...] A emancipação intelectual, ao contrário, começa quando se questiona essa oposição entre olhar e agir, entre saber e fazer. Começa quando se pressupõe a igualdade das inteligências, ou seja, quando se reconhece que todo indivíduo tem a capacidade de aprender por si mesmo, sem a necessidade de um mestre explicador que o guie passo a passo. O papel do mestre emancipador não é o de transmitir seu saber, mas o de criar uma situação, de colocar um objeto (um livro, um problema) entre ele e o aluno, e de verificar a atenção e o trabalho que o aluno realiza para decifrá-lo.” A perspectiva radical de Rancière causa desconforto e fascínio na equipe. Ela os desafia a repensar a própria noção de “ensinar”. O desafio que se coloca não é o de encontrar um novo método, mas de questionar a própria lógica metodológica que subjaz à prática pedagógica. Com base na crítica de Rancière ao “sistema explicador”, qual das seguintes posturas didáticas seria a mais coerente com uma prática de emancipação intelectual?