Questão
ID 67740Disciplina: Pedagogia
Assunto: Competências Gerais da BNCC
Ano: 2025 Banca: PERFIL - ENADE Órgão: Primeiro Simulado Pnd
Um professor de Sociologia, ao participar de um grupo de estudos sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é confrontado com a necessidade de incorporar em seu planejamento anual as competências relacionadas ao pensamento decolonial. O desafio proposto ao grupo é desenvolver uma unidade didática sobre 'Relações de Trabalho no Brasil' para o 2º ano do Ensino Médio que transcenda a narrativa eurocêntrica tradicional, focada na transição do feudalismo para o capitalismo e na Revolução Industrial como únicos motores da modernidade. O professor decide se aprofundar nos escritos de Aníbal Quijano e sua teoria da 'colonialidade do poder'. Ele se detém no seguinte argumento do autor: “A colonialidade é um dos elementos constitutivos e específicos do padrão mundial de poder capitalista. Funda-se na imposição de uma classificação racial/étnica da população do mundo como pedra angular desse padrão de poder e opera em cada um dos planos, âmbitos e dimensões, materiais e subjetivas, da existência social cotidiana. (...) A colonialidade do poder produziu uma específica articulação entre trabalho, raça e capitalismo que historicamente se manifestou na superexploração de certos grupos racializados, sendo esta uma condição estrutural e não uma mera herança pré-capitalista.” (QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. 2005). Inspirado por essa leitura, o professor elabora uma série de assertivas para guiar a construção da sua unidade didática, buscando aplicar o conceito de colonialidade do poder à análise do trabalho no contexto brasileiro.
Com base na perspectiva da epistemologia decolonial de Aníbal Quijano e na situação-problema, analise as seguintes assertivas sobre a abordagem pedagógica a ser adotada:
I. A unidade didática deve apresentar a escravidão no Brasil colonial não como uma etapa 'pré-moderna' a ser superada pelo trabalho livre assalariado, mas como um arranjo de trabalho fundamental para a constituição do próprio capitalismo moderno global, articulando raça e exploração de forma indissociável.
II. A abordagem deve propor aos alunos uma análise crítica das estatísticas atuais de desigualdade no mercado de trabalho brasileiro, investigando como a sobrerrepresentação de pessoas negras em posições precarizadas e subremuneradas pode ser compreendida como uma continuidade da 'colonialidade do poder'.
III. O professor deve focar exclusivamente em formas de trabalho não europeias, como as práticas indígenas e quilombolas, tratando-as como alternativas isoladas e puras ao capitalismo, sem analisar as complexas formas de articulação, resistência e assimilação ao sistema dominante.
IV. A proposta pedagógica deve tratar o racismo como um problema moral e individual, desvinculado das estruturas econômicas, ensinando que o fim da escravidão legal inaugurou uma meritocracia que foi impedida apenas por preconceitos interpessoais.
Estão corretas apenas as assertivas: