Questão
ID 3474113Disciplina: Teologia e Religiões
Assunto: Bíblia e Textos Sagrados
Ano: 2019 Banca: CIAAR - Centro de Instrução e Adaptação Órgão: Ministério da Defesa - Aeronáutica
Instruções: Para responder as questões (43) e (44), considere os excertos adaptados do artigo “Por uma eclesiologia a duas vozes”, da teóloga e biblista francesa Anne-Marie Pelletier, publicado em L’Osservatore Romano, em 01-10-2018.
[...] a franqueza da carta que o Papa Francisco dirigiu ao “povo de Deus” não abole a clareza da Palavra de Deus. O Papa confirma, sim, a visão exposta recentemente na Gaudete et Exsultate, ao recordar uma verdade fundamental, mas obstinadamente diminuída apesar da Lumen Gentium: o chamado à santidade, consubstancial pelo batismo, portanto, universal, transversal a todas as vocações, para além das distinções hierárquicas que se multiplicaram ao longo da história. A expressão “povo de Deus”, muitas vezes olhada com suspeita após o seu retorno nos textos do Concílio, readquire agora todo o seu peso e a sua urgência. E é justamente essa realidade teológica que o Papa Francisco crê que deve recordar hoje com urgência, porque é o exato antídoto ao veneno do clericalismo que está por trás dos abusos criminosos de poder.
Esse diagnóstico, que aponta para a fonte dos dramas atuais, para a responsabilidade de uma autoridade desviada em uma instituição eclesiástica prioritariamente masculina, leva a ver nas mulheres, no seio do “povo de Deus”, as primeiras interessadas no apelo do papa a reagir.
São elas, de fato, as primeiras a saber o que são os abusos de poder eclesial. [...] É uma experiência que elas fazem todos os dias. Uma experiência que confirma a memória coletiva de uma palavra que pretendeu controlar a sua consciência e o seu corpo, e que sempre preferiu falar no seu lugar, ao invés de ouvi-las.[...] Em outras palavras, a eclesiologia agora deve ser formulada a duas vozes, conjugando o masculino e o feminino. É apenas assim que realmente será possível fazer mudanças, que a instituição eclesial poderá se desvincular da representação de um sacerdócio ministerial que continua sempre, em maior ou menor medida, se arrogando hierarquicamente a identidade sacerdotal de toda a Igreja. É assim que o sacerdócio batismal poderá encontrar a sua plena existência e o seu pleno exercício no seio da Igreja.
Correlativamente, o sacerdócio ministerial será restituído à sua verdadeira grandeza, a do serviço à vida e à santidade do povo dos batizados, vivido em uma fidelidade humilde e devota, a imagem de Cristo, que “veio para servir e não para ser servido”. [...]
Avalie o que se afirma em relação à criação do ser humano e ao pecado original descrito no livro de Gênesis.
I. A exegese atual ensina que a Bíblia foi escrita por homens, com métodos e processos literários comuns àqueles que são usados para a composição dos demais livros humanos.
II. Ao narrar o pecado do casal primordial, o autor do texto quer denunciar o mal e que o leitor descubra sua raiz; quer que o homem se responsabilize pelo mal presente na realidade, que se posicione e transforme a situação.
III. Para interpretar a narração de Gênesis, importa considerar que, quando a Bíblia fala de paraíso, ela não está interessada numa realidade passada, mas no presente, pois reflete o que estava acontecendo quando o autor compôs esse relato.
IV. A exegese afirma que, para escrever o livro do Gênesis, seu autor utilizou como fontes tanto a Tradição oral ininterrupta quanto uma revelação direta de Deus e, ainda, recorreu ao fundo comum da cultura dos povos do Oriente Médio Antigo.
Está correto apenas o que se afirma em: