Questão 1986524

Pedagogia · 2014

Questão

ID 1986524

Disciplina: Pedagogia

Assuntos: Violências (Bullying, Racismo, Discriminações)

Ano: 2014 Banca: CEFET MG - Comissão de Organização de Concursos Órgão: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais


Assédio moral: nome novo, antiga e má prática

Violência! Ninguém com consciência sadia e retidão ética pode aceitar sua prática como parte obrigatória da vida; no entanto, para muita gente a violência tem uma natureza puramente física, ao machucar ou matar alguém ou algum ser vivo. Ora, ofensas, sarcasmo, xingamentos também são formas de violência.

Pensemos: Como reconhecer essa violência mais sutil? Quando uma brincadeira, por exemplo, deixa de ser inofensiva e passa a ser uma ação de violência?

Violência é tudo o que afeta a integridade física e mental de alguém e, por isso, conduz a algum sofrimento não consentido; assim, a violência simbólica tem a intenção de rebaixar a dignidade de alguém e nessa pessoa provocar desconforto e temor, o que, sem dúvida, inclui sarcasmos e xingamentos.

Violência é tudo o que afeta a integridade física e mental de alguém e, por isso, conduz a algum sofrimento não consentido; assim, a violência simbólica tem a intenção de rebaixar a dignidade de alguém e nessa pessoa provocar desconforto e temor, o que, sem dúvida, inclui sarcasmos e xingamentos.

Pensemos de novo: Será que eu estou praticando assédio moral com meu parceiro, meus colegas de trabalho, minha família ou outras pessoas à minha volta? Como reconheço isso? E como faço para evitar essa prática?

O assédio moral acontece todas as vezes em que gero constrangimento em alguém, obrigando-o a fazer algo ou impedindo-o de fazer algo fora do limite da ética da convivência reciprocamente saudável; também desponta assédio quando uso da minha autoridade hierárquica, ou familiar, ou econômica, para manietar a liberdade de pensamento e ação. O mais presente é o assédio em forma de humilhação; como dizia Nelson Rodrigues, “O que dói na bofetada é o som”. Para evitar essa prática, é preciso prestar muita atenção ao modo como a pessoa com quem convivo se sente com as minhas palavras, isto é, se estas geram desconforto subserviente ou se, de modo positivo, são acolhidas como crítica construtiva.

Criticar é ser capaz de escolher o que aceita e o que rejeita; ser responsável é assumir com honestidade de propósitos aquilo que pratica. Portanto, se formo para o Bem, a crítica e a responsabilidade irão nessa direção; se, em vez de formar, eu oculto a realidade, ou finjo que não é como é, o máximo que consigo é uma pessoa alienada.

O discurso apocalíptico (O que podemos fazer? A vida é assim!) é o discurso da desistência; o pessimista é alguém derrotado antes que o combate comece. Retomando sempre com ênfase o que Paulo Freire já dizia: "É preciso ter esperança, mas tem de ser do verbo esperançar, porque tem gente com esperança do verbo esperar, e, aí, não é esperança, mas pura espera".

Atualmente fala-se bastante, por exemplo, em bullying; penso, inclusive, que não necessitamos usar o termo em inglês, pois a existência do verbo “bulir” em português é suficiente, por ter o sentido de “mexer de forma incômoda com alguém”. Tem-se a sensação de que o bulir é algo exclusivo da escola, mas a educação que recebemos em casa pode incentivar a violência ou ajudar a combatê-la, e não devemos ficar na “pura espera”.

A temática foi agudizada nos últimos tempos por ter ganhado novas amplificações com o uso das redes sociais para disseminar também a discriminação e o preconceito; parte dos pais e educadores ainda não percebeu que, como dizem os bombeiros (e que Janete Leão Ferraz e eu escrevemos no livro Escola e preconceito) “nenhum incêndio começa grande; todos principiam por uma fagulha, uma pequena chama, um disparo.”

Assim, a família e a escola devem recusar qualquer expressão, mesmo que mínima, de intolerância e agressão.

(Cortella, Mario Sergio. Não se desespere! : provocações filosóficas / Mario Sergio Cortella. 3. Ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2013. Págs: 59-62.)



Para o autor desse texto,

I. o Bullying é um fenômeno que ocorre entre crianças e adolescentes, sendo restrito ao ambiente da escola.

II. a educação dada pela família é um dos fatores determinantes no comportamento do indivíduo em relação à violência.

III. diante de uma situação de Bullying, o melhor a se fazer é esperar que a brincadeira perca a graça com o decorrer do tempo.

A afirmação está correta

Alternativas da questão 1986524
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